sábado, 30 de maio de 2009

Começar do Zero


Às vezes abro o armário e tenho vontade de o arrancar da parede e atirar todo o seu conteúdo pela janela. Deixando-o assim livre e com espaço para o que vier de novo.
Mas a inércia fala mais alto e dou por mim a ver-me livre de algumas peças de vestuário com a calma que só uma preguiçosa conhece.
É bom fazermos limpezas gerais. Estou farta de me deitar à noite e pensar no que deveria ter feito. Cansa muito menos fazê-lo do que levar dias a pensar que não se fez...
A Melissa outro dia dizia-me que até os livros levavam guia de marcha, que odiava tralha desnecessária na sua casa e na sua vida.
Mas eu tenho uma relação diferente com os livros. Uma relação que não tenho com rigorosamente mais nada. Quando gosto de um certo livro, fecho-o, digo-lhe até qualquer dia e ponho-o a dormir numa prateleira de onde o possa contemplar.
Quando não gosto do livro atiro-o pelo ar e recuso-me a dar-lhe abrigo debaixo do meu tecto.
Pode dizer-se que é uma relação amor-ódio, daquelas que tendem a piorar com a idade. Mas tirando os livros dos Cinco e da Condessa de Segur que povoaram a minha infância, vivem comigo os livros mais importantes da minha vida.

16 comentários:

Kitty disse...

Ora lá está, eu sofro do mesmo problema que tu.
Há livros que me dão de presente que eu depois até acabo por os oferecer, já outros, vão fazer parte da herança que um dia irei deixar a alguém :)

Francisco disse...

hehehehe

E aqueles livros importantes onde os marcos do tempo são como rugas pessoais que ainda dão mais encanto ao dito cujo?!

Adoro livros :D

Miguel disse...

Nós, cá em casa também temos por hábito livrarmo-nos dos "cacarecos" e tralhas que estejam a incomodar. Temos uma decoração muito simples e achamos que "less is more". Por isso é-nos muito fácil fazer esse tipo de limpeza. Quanto aos livros... bom, há livros e... livros!!

Vanessa. disse...

Olha, somos duas! Há livros que nunca deixarei de os ter, ficarão sempre no armário para me acompanhar!

Ana C. disse...

Kitty eu sei que temos muita coisa em comum :)

Ana C. disse...

Francisco agora fizeste-me verter uma lágrima no canto do olho de emoção...

Ana C. disse...

Miguel lixo com o que não importa! Vê lá não te despejes também no contentor por engano :)

Ana C. disse...

Vanessa tenho muitos livros desses. Mesmo que não torne a lê-los, tenho que sentir que os tenho ali just in case :)

Ceres disse...

Eu sou uma perita em deitar tralha fora! Só assim abrimos lugar ao novo ;-p
Mas com os livros, o caso muda de figura... Esses vão se acumulando e ganhando o seu canto especial... Os do coração têm lugar de destaque nas estantes mas os outros também têm o seu cantinho... Jamais dei um livro que tivesse sido meu ou jamais o deitei fora... (mesmo que não fosse assim tão bom ou fosse o presente errado) Manias!

Melissinha disse...

Pois como a Ana disse eu tou numas de não amar aquilo que não me pode amar a mim. Se não tem uso nem um valor sentimental insubstituível, rua.
(Não é lixo, é rua: livros vão para a biblioteca, as coisas do Gabriel são vendidas para comprar outras, roupa vai para caridade.)

Acreditem que é como... aqui vem a má imagem, mas é isso mesmo, é como um clister na nossa vida. Respira-se melhor depois.

Só perco para a mãe da dona deste blog porque não arranjei forma digna de me desfazer do meu vestido de noiva, mas lá chegarei.

Ana C. disse...

Ceres, eu também sou adepta de deitar tralha fora. Com os livros acontece que quando não gosto não sou capaz de os meter nas prateleiras...
Tu tens tanto respeito por eles que não os maltratas mesmo :)

Ana C. disse...

Melissa leiloa o vestido. Afinal de contas já és uma mulher famosa :)
Eu sou da tua opinião, mas não tinha pensado na analogia com o clister. Não deixa de estar bem visto. É tão bom quando esvaziamos aquela gaveta atulhada, ou o armário cheio de roupa que já não usamos há séculos...

Melissinha disse...

Tou a pensar em guardar o vestido para fazer o antes-e-depois após a minha mega-dieta onde perderei 40kgs e serei capa da Boa Forma.

PP_FANTASMA disse...

Não me imagino a deitar livros fora. Quanto mais não seja para fazer uma careta quando olho para eles e o mostro a alguém.

Ana C. disse...

PP tu deves ter montes de espaço em casa :) Não digo deitar fora, mas doar a uma biblioteca.

Banita disse...

Eu não consigo deitar livros fora, nem dá-los... e sim, qualquer dia tenho de comprar mais uma estante e uma casa maior para cabermos todos e mais os LIVROS!