segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Senta-te Aqui e Conta-me o Teu Dia

As coisas que nunca tive quando era pequena nunca foram incentivo, nem desculpa para as repetir na idade adulta.
Sei de tantas pessoas que à falta de outro modelo qualquer acabam por repetir nos filhos o que criticavam nos pais. Eu sempre fiz questão de não repetir erros. Se não havia modelo em certas coisas, criei eu o meu próprio modelo. Isso de vivermos na sombra dos pais uma vida inteira, cobrando, protestando, atirando à cara, há muito que me passou do sistema.
Por exemplo, nunca houve em minha casa o costume das refeições à mesa. Geralmente era cada um para seu lado a horas dispersas, por isso uma coisa que me dá um certo prazer é a rotina do sentar à mesa para jantar.
Mesmo quando éramos só eu e o Hugo fazia questão de me sentar com ele durante o jantar numa cumplicidade que se cria apenas nestes momentos.
Hoje com a Alice e em breve com outro pimpolho por aí sinto cada vez mais como este tipo de rotinas é importante para uma criança, ou um jovem. É o nosso momento de família, uma espécie de porto seguro que nos faz sentir perto uns dos outros, que transmite uma certa segurança e sanidade.
É claro que isto não é rígido, geralmente aos fins de semana a coisa não é bem assim, mas mesmo aqui a Alice pergunta sempre: Então não nos sentamos juntos mãe?
E eu percebo como é nas coisas mais simples que os miúdos encontram a sua serenidade.

17 comentários:

Lia disse...

eu não abdico desses momentos! Gosto tanto de estar sentada à mesa, com a tv desligada, em jantares que demoram o dobro do que o estritamente necessário...

Eva disse...

Eu não tenho filhos mas sinto-me perfeitamente identificada com o que escreves...
Dos exemplos paternos há que fazer a triagem e não gosto menos deles (ou de qualquer outra pessoa) pelo facto de discordar radicalmente da respectiva forma de vida.
Em n/ casa todas as refeições são tomadas com a mesa devidamente posta, se possível com uma vela, com uma flor ou outra gracinha qualquer, faço questão de apresentar a comida da forma mais harmoniosa possível e só vai alguma panela para a mesa quando não quebre essa harmonia;no entanto, em casa dos meus pais nunca foi assim e continua a não ser, até uma lata de ananás aberta já cheguei a ver em cima da mesa para se servirem directamente do dito!
O mesmo se passa com a televisão...só temos uma e só é ligada quando queremos ver determinado programa, "pas question" de televisões em todos os cantos da casa e sempre ligadas só para ouvir alguém a falar.
E o mesmo se passa também com as saídas ao domingo...o domingo é para relaxar, para flexibilizar um pouco os horários, quando muito para visitar ou receber visita de amigos próximos ou familiares;nada de fazer fila para almoçar em restaurantes apinhados, nada de "passeios dos tristes" a gastar gasolina e poluir o ar, nada de "lamber montras" em cidades desertas".
E é verdade que para as crianças estas rotinas agradáveis e tranquilas são extremamente necessárias...acho que lhes conferem uma certa segurança face ao receio do imprevisto que ainda não conseguem controlar!

mãeee disse...

Assim mesmo, sem tirar nem por.
Beijos muitos

Daniel Monferrato disse...

Todas essas rotinas familiares são muito importantes para o fortalecer dos laços das crianças e mesmo dos adultos.
Sem dúvida, algo a preservar.

Ceres disse...

O sentar e conversar às refeições é muito importante também para mim.
Em casa dos meus pais era impensável alguém comer a horas desfasadas e mesmo quando alguém vinha mais tarde a minha mãe atrasava também o jantar. Se por um acaso alguém vinha fora de horas um de nós levantava o excelentíssimo rabo do sofá e sentava-se à mesa a fazer companhia para que a pessoa não comesse sozinha.
Chocou-me imenso que na casa do meu marido os 3 gatos pingados que lá viviam comessem sempre sozinhos e ele chegava ao cúmulo de comer no quarto em frente à TV. Enquanto namorávamos e eu era convidada para jantar sentavamo-nos os quatro e instalava-se um silêncio apenas quebrado pelo som dos talheres. Creepy ;-p
Mas com o tempo e com uma tagarela como eu essa rotina começou a ser mais natural e a conversa começou a animar a refeição.

Na nossa casa somos só dois, sentamo-nos à mesa, conversamos imenso e muitas vezes deixamo-nos ficar muito tempo a desfrutar do momento :)

Ana disse...

Verdade...muitas vezes é difícil mas o esforço deve ser feito. Eu tenho 3 filhos e passo a vida numa correria alucinada mas há sempre um tempinho para cada um contar o seu dia

PP_FANTASMA disse...

E sempre contribui para a sanidade mental:)
Ks

Marina disse...

Podes crer, os miúdos precisam mesmo de certas rotinas... Eu também adoro que comamos todos juntos, é para nós um prazer. Desde os 3 meses que o Manuel tem o seu lugar à mesa e é um sítio de onde não sai enquanto comemos. Foi um hábito que quis incutir-lhe e tem dado bons frutos, pois onde quer que comamos, em nossa casa, de outras pessoas ou restaurantes ele fica sempre à mesa connosco, come connosco e não se farta de ali estar, o que também nos permite fazer as refeições mais ou menos sossegados. Vejo muitas crianças que não têm esse hábito, que comem sempre separados e a horas diferentes dos pais e quando é preciso que estejam sossegados à mesa não se conseguem controlar. Tenho um afilhado de 4 anos que é assim, comer com ele por perto é um verdadeiro desassossego, ou porque nos pede incessantemente que saiamos da mesa para ir brincar com ele e faz birra se ninguém for, ou porque é capaz de estar o tempo todo a atazanar o Manuel enquanto ele e nós estamos a comer. Bjs

João Pedro disse...

Tanta coisa que não havia na casa dos meus pais e que eu farei de tudo para ter na minha. Uma delas é amor. Não deixarei passar a oportunidade de abraçar um filho meu e dizer-lhe quanto o amo. Precisei tanto de ouvir algo assim...

Miguel disse...

E TV. não há TV há hora do jantar!

gralha disse...

Não podia estar mais de acordo :)

inesn disse...

cá em casa o jantar e o pequeno-almoço são "sagrados"...é nessas alturas que falamos do que vai ser e do que foi o dia :)

(e só aqui para nós, confesso que me faz confusão perceber que há tanta gente que não come em família...)

(ah...e este hábito já vem da casa dos meus pais)

Precis Almana disse...

Percebo-te perfeitamente, trata-se de tomar conta do espírito da família.
Mas em adultos isso é difícil quando cada um já tem os seus horários.
Nós éramos (e somos, só que agora com "apêndices") 4 e pais, e nos últimos anos de vivermos juntos já jantávamos em tabuleiros. Mas sempre 3 ou 4 juntos. E a ver TV juntos. E a falarmos de cada vez que é preciso.
E é giro que ainda hoje nos encontramos na casa dos pais todos e adoramos dormir lá. Fazemos refeições juntos ;-)

Raquel disse...

Cresci numa casa em que as horas das refeições eram importantes. A minha mãe preparava sempre óptimas refeições enquanto eu e a minha irmã ajudávamos na cozinha, punhamos a mesa e às vezes só atrapalhávamos! ahahah Mas não importava que dia tínhamos tido, se o dia na escola tinha corrido mal, se tinha sido repreendida por mais uma negativa num teste de matemática, se eu e a minha irmã tínhamos tido uma briga sem importância nenhuma, a verdade é que quando nos sentávamos juntos à mesa- eu, a minha irmã e os meus pais, éramos só nós os 4. Tudo o resto desaparecia e aquele era o momento do dia muitas vezes mais divertido! E ensinador, pois os meus pais tinham sempre sobre o que falar, contar, perguntar...conversávamos, os meus pais contavam histórias que nos alimentavam a imaginação e curiosidade, falávamos de livros e música, contávamos anedotas, e às vezes só fazíamos disparates... agora olhando para trás apercebo-me que muitas vezes os meus pais deviam sentir-se cansados depois de um dia de trabalho e provavelmente até tinham preocupações, stresses, coisas que fazem parte da "vida adulta". Mas a verdade é que nunca deixaram nem eu nem a minha irmã sentir isso e as horas das refeições, juntos à mesa, eram das melhores que tínhamos! Sinto-me sortuda por os meus pais terem investido nesse tempo juntos que passávamos à mesa (e em tantos outros)!
Se um dia tiver filhos quero com certeza manter essa tradição para que lhes possa transmitir a paz, segurança e harmonia que também eu sentia ao crescer nesses momentos que parecem tão simples, mas que são tão importantes!

Joanissima disse...

É fundamental. Por causa da estuoida da tv que está na sala e que é do tamanho de um comboio, decidimos fazer as refeições na cozinha, onde nao ha tv, para podermos estar sem tempo e com todo o tempo do mundo.

Excepção feita para quenado ha visitas ou no fim de semana. Mas sempre sem tv.

Pekala disse...

Em minha casa comia quase sempre sozinha,a minha mãe trabalhava por turnos e eu ficava com a minha avó que petiscava só qualquer coisa,era sempre um bocado solitário por isso a partir do momento em que o meu filho começou a poder comer de tudo,instituí a regra do todos à mesa ao mesmo tempo.é verdade que a tv está ligada mas serve mais como ruído de fundo,é importante estarmos aquele bocadinho todos juntos a falar e a dizer disparates.Já passamos o dia em correrias,quase não há tempo pra desfrutar de nada,pelo menos a hora de jantar que se salve!Concordo a 200% contigo:)

Maria Manuela disse...

Acredita que sim Ana. Uma infância feliz faz-te resistir a tudo. Ainda hoje quando as coisas andam meio tortas é aos cheios e vivências de infância (leia-se à minha avó) que me agarro.


Pelo que me é dado a perceber tens feito um excelente trabalho.
beijos