sábado, 25 de julho de 2009

Beatices, ou Nem Por Isso

Penso que os presentes mais inúteis de toda a classe de presentes, são as oferendas de baptismo.
Ocupam toda uma gama de parvoíce que vai desde argolas de guardanapo, a talherzinhos de prata, daqueles cuja única utilidade nos tempos que correm é servir de adorno ao fundo de uma gaveta até à eternidade, ou então, servirão no futuro, para quando as crianças crescerem mandarem derreter para ajudar numa viagem a Londres.
Depois temos a escolha do padrinho. Há quem escolha o padrinho por cerimónia, por favor, por respeito, tal como se fazia nas berças com os patrões das criadas.
Depois há os que escolhem o padrinho pelo poder de compra, pensando já em todos os presentes que receberão de futuro, mesmo que o dito padrinho não ponha a vista em cima do afilhado a vida inteira, há de mandar um cheque, ou uma contribuição generosa.
Depois temos ainda toda uma dose de estupidez daqueles que escolhem um padrinho teso, pensado que ele tem a obrigação católica de encher o afilhado de dinheiro, mesmo que isso implique endividar-se.
Enfim, tudo opções muito beatas, de quem entende até ao âmago o que significa ser padrinho nessa coisa chamada Baptismo.
Eu que não sou católica praticante nos rituais, sinto apesar de tudo necessidade de ritualizar esta passagem. Bem sei que é estúpido e tudo o que queiram dizer. Mas fica feito e acho que ouvi mais jovens a queixarem-se por não terem sido baptizados, do que o contrário.
Chamem-me excêntrica e diferente, mas nesta minha ingenuidade, penso que já que o vou fazer, faço-o em toda a vertente espiritual, jamais me passando pela cabeça escolher um padrinho pelos motivos menos católicos do mundo.
Se não puder dar presentes endinheirados ao longo da vida inteira não tem que dar. O importante é que esteja presente na vida do seu afilhado. Mas isto é uma pessoa pouco beata que fala e o que sei eu das razões profundas de quem diz Avé Maria de manhã, à tarde e à noite...

19 comentários:

PP_FANTASMA disse...

Ana, sou desde a adolescência um padrinho por imposição, daqueles maus exemplos dos rituais familiares. Escusado será dizer que é como se não existisse na vida do rapaz...:/
E que sorte a dele:)
E melhor sorte para ti:)

Ana C. disse...

PP Fantasma eu acho que não me posso queixar da madrinha que tenho, é que é uma Santa e tudo: Santa Ana. Sabias que se podia fazer isso? Ah Ah Ah
Já vi que és uma vítima da tradição familiar cheio de afilhados que mal conheces, por isso queria desde já convidar-te a apadrinhar este rebento que aí vem ;)

Miguel disse...

O Gabriel ainda não foi, nem sei se será baptizado. Penso que essa deve ser uma escolha dele, quando a sua maturidade assim o permitir...
Quanto é escolha dos padrinhos e considerando que a sua função será a de co-educar e substituir os pais na sua ausência... escolha difícil, muito difícil. Por vezes penso nisso e olha que me angustia!!

Ana C. disse...

Miguel eu vi muitas amigas que se baptizaram depois dos 20 a rogarem pragas aos pais ;)
Se quiserem confirmar os votos é uma questão de se crismarem, ou não na idade adulta.
O Baptismo geralmente é decidido pelos pais e olha já fica feito e mal não faz ;)
Eu baptizei a Alice aos 5 meses e penso que ela não me vai partir a cabeça por isso.
No entanto acho perfeitamente coerente a tua posição.
Esta relfexão surgiu porque tenho amanhã um baptizado com umas nuances que não vou aqui comentar...
Quanto à escolha dos padrinhos penso que não deve ser tomada de ânimo leve não. A minha mãe teve tantos problemas em escolher-me uma madrinha que escolheu Sta. Ana. Já viste, sou muito abençoada. AH AH AH AH AH

JS disse...

Eu sou baptizada e se o fosse hoje escolheria os mesmos padrinhos que os meus pais me escolheram. As minhas filhas também o são e é como tu dizes senti necessidade dessa passagem.

Quanto às prendas de baptizado acho que agora são mais originais!

Um abraço*

disse...

Grandes verdades! Uma das coisas que me choca, seja em baptizados ou casamentos, é a nítida escolha de padrinhos consoante o poder de compra dos mesmos...Deprimente...

ergela disse...

Pois olha eu sou um padrinho "emprestado" mas o que se seguiu é uma história muito triste que não quero aqui avivar.

Um beijo.

Precis Almana disse...

Sou madrinha de 3. Um tem já nem sei que idade, que eu fui madrinha aos 12 (portanto terá...quase 30). O outro mais recente filho de uma amiga que prometemos que seríamos madrinhas do primeiro filho uma da outra mas a vida deu voltas depois de ela não ter cumprido a promessa com a filha mais velha. E agora só o facto de ser madrinha do filho é que me mantém ligações a ela...
A outra é a minha sobrinha querida adorada.
Sou agnóstica e portanto nem percebo bem o papel da madrinha.
Ou percebo, mas não consigo cumprir com os designíos católicos.
Resumindo, baralhando e voltando a dar, o baptizado não me diz absolutamente nada e só não me deu para recusar por respeito para com as pessoas que me convidaram, e porque no caso da minha sobrinha significamos muito na vida uma da outra.
Sou baptizada.
Não pretendo vir a ser madrinha de mais ninguém.

Precis Almana disse...

Ah, deixa-me só acrescentar que me parece que os pais baptizam porque querem que os filhos fiquem com uma qualquer protecção de Deus, não é? Sendo assim, acho que devem baptizar pequeninos e não esperarem por crescerem... Em adultos escolherão continuar na fé ou não (como eu escolhi). E não fiquei ofendida por ter sido baptizada ;-) Só "não me aqueceu nem arrefeceu"

MARIINHA disse...

Sempre gostei muito dos meus primeiros meninos,os meus afilhados, (uma rapariga e um rapaz). Fui uma madrinha sempre presente.Desde que nasceram até hoje, já casados e com filhos. Há pouco tempo quando ele fez anos, telefonei-lhe muito cedo. Ele estava fora e ficou tão contente. Disse-me: Madrinha, foi a primeira a dar-me os parabéns, nunca se esquece. À maneira da minha terra, os padrinhos de baptismo,são geralmente os padrinhos de casamento.E eu fui a sua madrinha novamente.Aqui para nós, se não me tivessem convidado seria mesmo um desgosto. Para os meus filhos, quis pessoas ou da família, ou daquelas que são amigas para a vida. Em Lisboa já não há muito esse hábito, mas na minha terra quem é padrinho ou madrinha é tratado assim pelos afilhados, e assim ensinei os meus filhos. Dou muita importância ao papel que os padrinhos devem ter na vida dos seus afilhados.

Ritinha disse...

Eu nunca fui baptizada e nunca tive problemas com isso... Essas pessoas que conheces que tem nao sabem que nunca e tarde para se fazer o que se quer? Ate Jesus foi baptizado em adulto...

Ana C. disse...

JS a Alice recebeu algumas colheres de prata e argolas de guardanapo. Dão um jeitão cá em casa...
Fico contente por ti. Os teus pais escolheram sensatamente ;)

Ana C. disse...

Bê e acontece tanto, mas tanto...

Ana C. disse...

ergela agora fiquei a pensar o que se teria passado para seres padrinho emprestado...

Ana C. disse...

Precis penso que o vínculo de tia é já de si muito forte, quase nem precisa de ser reforçado com madrinha, não achas?
Mas assim és duplamente responsável, na vida da tua sobrinha e na educação católica dela AH AH ;)
Os padrinhos crianças também não me entram muito bem no sistema, muitos deles nem sabem o que é que estão ali a fazer...

Ana C. disse...

Mariinha não tenho dúvidas que és uma madrinha presente e dedicada...
Gostei das tuas histórias, aliás, gosto sempre ;)

Ana C. disse...

Ritinha passo a explicar. Elas queriam casar pela Igreja e tiveram que frequentar aulas de catecismo durante meses, quando eram já muito praticantes, entendes?
Rogavam pragas aos pais é uma forma de dizer, mas queixaram-se por não terem sido baptizadas na altura que é mais comum.
É claro que nunca é tarde.

MARIINHA disse...

Aninhas, fazes-me um favor? Vê se consegues agora entrar no meu canto e se deixar um comentário. É que não foste só tu a dizer que não conseguias. Por isso tirei uma aplicação que tinha instalado há 8 dias, penso que seria disso. Agora retirei e gostava de saber se já está acessível, como anteriormente.
Obrigada e um beijinho

Ni! disse...

É por essas e por outras que o meu filhote ainda não tem padrinho escolhido. Porque me recuso a convidar alguém por qualquer uma das razões que enumeraste...