sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A Minha Terra é Aqui



Vivi muitos anos em Lisboa e quando tive que me mudar para Cascais senti que parte do meu mundo se perdia irremediavelmente. O meu mundo de amizades, de ruas, de sabores, de cheiros, de barulhos, de confusão com que sempre cresci.
Os primeiros meses foram de grande angústia por ter deixado a minha cidade. Bem sei que estava a uma distância de poucos quilómetros, mas para uma jovem ainda sem carta de condução, significavam uma espécie de fosso que me separava do sítio que mais amava. Porque a nossa relação com as cidades é qualquer coisa de muito íntimo e inexplicável, só posso compará-la a uma relação com um amigo que está lá mesmo sem nada dizer, que se faz notar apenas como um extenso pano de fundo para tudo aquilo que fazemos. É o nosso palco.
Mas a pouco e pouco esta nova terra onde morava foi entrando dentro de mim. Não tinha o rio, mas tinha o mar. Não tinha Belém, mas tinha a Estrada do Guincho, não tinha o Chiado, mas tinha as suas ruas antigas e caladas, onde as árvores nos dão sombra e sempre o mar. Atento, avassalador, calmante. Sempre o Mar...
Ontem peguei em ti e fomos sentir o sol. Rimos quando vimos a praia solitária e ventosa e tivemos o nosso momento de felicidade. Porque a vida é feita disto, de momentos que nos fazem sorrir, de momentos em que percebemos que fomos tomados de assalto. Ontem esta terra era já a minha terra e Lisboa, uma recordação boa e antiga...

11 comentários:

kel disse...

É verdade... Os locais podem ter sobre nós uma enorme influência, de formas diferentes, por diferentes razões. Lisboa tem algo de místico, de cativante, de passado e futuro... mas essa relação com o Mar que descobriste, nunca mais vai mudar.

Eu também morei muitos numa cidade onde, de qualquer ponto, conseguia ver o Mar... Deixei essa cidade há dez anos mas nunca mais consegui deixar o Mar, não consigo estar muito tempo longe dele e quando preciso de pensar, de parar, de olhar para dentro, de carregar baterias, é para lá que vou. O cheiro, o som, as cores, o movimento das ondas... Tudo é mágico e, para mim, mesmo quando revolto, calmante.

Bom fds*

Melissinha disse...

Então mas conta lá... a foto de cima és tu ou a cachopa? :D


A minha cidade natal hoje em dia é um pouso de férias, já não lhe reconheço os cantos. Acho que nós, mulheres, somos um bocado como os gatos: precisamos de tornar aquela casa a nossa.

(Agora ia falar de marcar o território, mas não, não vou falar. Sou quase mãe, há que haver alguma compostura.)

Ana C. disse...

Kel, é como uma osmose entre nós e os nossos sítios. Uma relação que não dá para desmistificar e é bom que se deixe assim mesmo, só dentro de nós. Sabes que não sou grande fã de fazer praia, mas não consigo estar longe do mar.

Ana C. disse...

Melissa, a de cima com um moinho de vento é claro que é a Alice. É exactamente isso, marcar território. Aliás na foto é isso que está a ser feito, só que não é como os cães, é com muito mais charme :)

Joanissima disse...

A nossa terra é onde somos felizes, mesmo que só lá tenhamos estado pouco tempo. : )

Linda, a tua Alice.

Ana C. disse...

Joaníssima, mas a nossa terra também é onde plantamos as nossas raízes, para onde vamos quando o chão debaixo dos nossos pés foge. E sim, claro onde fomos felizes.
Bjs já tinha saudades de te ter por aqui...

Joanissima disse...

: )

Desculpa, tenho andado preocupada e com a cabeça fora do sítio. Agora (já) está tudo bem e já cá estou. : )

Eu sou beirã de coração porque não imagino sítio onde tenha sido mais feliz do que na beira Alta, durante a minha infância. Acho que foi isso que quis dizer quando falei em "sítios".

: )

Sílvia disse...

Infelizmente nunca morei perto do mar com muita pena minha. Mas agora e como moro em Vila Real à três anos, ou seja, desde que estou lá a estudar, já me sinto tão de lá como da minha cidadezinha Natal. Se calhar porque as pessoas são tão simpáticas e recebem-nos tão bem que ainda hoje não me arrependo de lá ter ido parar. Para quem queria estudar em Aveiro não tem mesmo nada a ver. Mas a vida dá muitas voltas e hoje considero Vila Real a minha segunda casa e já não consigo passar muito tempo longe dela.

bjinho***

Ana C. disse...

Sílvia, tal como disse a Melissinha, nós mulheres somos como os gatos. Só temos que tornar aquela casa nossa. E pelos vistos já fizeste isso com Vila Real :)

Eumesma disse...

A nossa terra é onde criamos as nossas raizes...
Deve ser mto complicado desenraizar de um local e ir para outro (nunca sai de onde vivo, só consigo imaginar como possa ser), mas é como dizes perde-se coisas, ganha-se outras...:-)

O que interessa é que já tenhas adoptado a tua nossa terra como tu (e afinal já terás carta eventualmente , e Lx fica aqui tão perto..;-)

Ana C. disse...

Eumesma, não sei passar sem carro, tenho carta desde os 18 anos... Mudei-me para Cascais com 16. Meu Deus, há tanto tempo!!!!!
Mas ainda tenho algumas raizes em Lisboa que não consegui arrancar.