quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Para Ti Que Já És Mãe


Pois é Melissa já és mãe e enfrentas o teu despertar para a realidade.
Nunca fui uma pessoa de extremos, por isso toda aquela conversa quase fanática que ouvia quando estava grávida de como é importante amamentar até os miúdos terem 20 anos, como é bom parir naturalmente e cheia de dores nunca entrou no meu subconsciente como uma realidade incontestável.
Mas acredito que depois de ouvir, ler, ver fanatismos desses durante muito tempo, uma mulher se sinta a pior mãe do mundo quando não segue à risca aquilo que elas apregoam.
Pegamos num biberon e pensamos que estamos a estender um frasco de veneno para ratos ao nosso filho. A culpa atormenta-nos porque podíamos ter tentado mais um bocadinho, porque não sentimos aquela relação mágica de que tanto falam. Por isso, mesmo com lágrimas, mesmo com dores, continuamos a tentar como mártires que temos que ser. Mesmo quando o nosso filho sente o stress pelo qual passamos e chora desconsoladamente, obrigamo-nos a contrariar tudo o que o nosso corpo pede, só porque não podemos falhar. O nosso filho merece o melhor... Então dizem-nos: põe pachos de água quente, faz massagens, compra uma bomba para a ordenha. E sentimo-nos completamente perdidas, porque só queríamos estar com o nosso filho nos braços e ali estamos nós a fazer a auto ordenha.
Mas que mania é esta que a mãe tem que ser uma espécie de mártir por causa de uma porcaria de uma teta?
E o pior é que são outras mulheres que geralmente criticam outras mulheres.
Não Melissa, aqui não vais ouvir uma única crítica. Quando o teu filho for maior e eu te vir enchê-lo de hamburgueres, batatas fritas, gomas, bolicaos talvez de dê um puxão de orelhas. Agora porque lhe dás leite de qualidade controlada? Pelo amor de Deus! Dá-lhe, dá-lhe tudo que vais ver que ele vai crescer saudável como todas as crianças normais... O que é preciso é que a mãe dele esteja serena.
Eu optei por ficar com a minha filha em casa até aos 3 anos, porque posso e porque sinto que nos primeiros anos de vida é que lhes devemos imprimir tudo aquilo que importa. É nestes anos que lhes damos a bagagem para o resto da vida. Sei que há quem não o possa fazer. Sei também que há quem podendo fazê-lo, opta por despachar os filhos na mesma em terna idade, apenas porque dão muito trabalho (e quantas destas mães deram de mamar).
Decidi que era bem mais importante ficar com a minha filha perto de mim, do que lhe dar de mamar a vida toda e por incrível que pareça ouvi críticas dessas mesmas gajas que se dizem super mães da mama.
Tu certamente tens muitas outras formas de mostrar ao Gabriel que o amas e que estás disposta a virar o mundo ao contrário por ele quando isso se justifique...
Mulheres deste país, sejam e deixem ser e por favor, menos opiniões não requisitadas.

17 comentários:

banita disse...

Eu tive algumas dores nos mamilos, mas com calma, tentei perceber o que estava a fazer mal. Devia ser a pega, depois de curar os mamilos com os discos de hidrogel da aquamed + lansinoh (antes das mamadas) passou tudo! Nunca senti muito prazer na amamentação (pelo menos o que as outras mães apregoavam), apenas senti que era muito mais prático! Não havia cá biberons, nem aquecedores de biberon, nem escovilhões, nem esterilizadores! Aos 2 meses e meio a banitita foi para o colégio senão eu perdia o meu emprego... (Acreditas? Em pleno séc. XXI??) E aí começaram os biberons e toda a parafernália descrita em cima. Apesar disso, ela sempre gostou das mamocas da mamã e pude amamentá-la até aos seus 5 meses. O que eu acho que foi uma vitória! Não critico quem não consegue. Para ser honesta, critico quem não se esforça ou não quer ter o trabalho. Mas não serão más mães por isso. Serão más mães se não cuidarem da sua alimentação como dizes depois do leite, se não brincarem com eles, se não contribuirem para o seu desenvolvimento, se não os estimularem, se não os educarem! Mas dar leite articifical? Isso não!
Quanto às dicas que se podem dar para ajudar alguma recente mamã, todos as que vierem por bem, são bem-vindas!

banita disse...

* artificial
Não queria escrever tanto, mas entusiasmei-me :)

Ana C. disse...

Ai Banita, acho que às vezes as dicas a mais são mesmo isso, a mais. Chovem de todos os lados e deixam a cabeça da recente mãe um verdadeiro bolo. Eu acho que cada mãe é uma mãe e sabe de si, é claro que se ela pedir ajuda e conselhos venham eles.
Acho que se critica com muita facilidade de ânimo muito leve. Não se deve criticar de ânimo leve. Se querem e conseguem dar de mamar, maravilhoso, se não, maravilhoso também :)
Quanto ao resto que dizes, é claro que sim. Se temos um filho temos que arranjar tempo para ele.

Cristina disse...

LOL para a etiqueta...
Não sou fundamentalista. Cada um faz o que quer. Mas a pressão que somos sujeitas começa desde logo nos médicos, folhetos, centros de saúde, revistas.
Parece que todos os dias é descoberto um novo benefício para o leite materno.
Dei de mamar porque não me custou. Ainda dou à bebé, uma vez por dia, porque tem alergia ao leite. Não vibro com a amamentação. É mecânico e dá-me jeito. Mas sei que vou sentir saudades. Tal como sinto por não estar com elas todo o dia...

Bjs

Cristina

Ana C. disse...

Cristina, ora aí está um comentário equilibrado e não fundamentalista :)

Sílvia disse...

Sei que nao ligas muito mas tens um desafio no meu cantinho se quiseres fazer =)

bjinho****

Tasha disse...

Ana c., dei de mamar ao primeiro filho 3 semanas (o leite secou de um dia para o outro por causa de um susto grande que apanhei) e ao segundo dei uma meia dúzia de dias (ele nasceu uma Segunda-Feira e a última vez que dei mama foi no sábado seguinte), simplesmente porque tive uma mastite e pensei que morria com tantas dores... Febres de 40 graus e toda a gente á minha volta a suplicar-me para nao desistir. Devem estar todos loucos!! Foi logo!! Tomei uns comprimidos para parar a producao de leite e passei a dar biberon. O meu marido foi contra e passou a olhar para mim como que olha para uma assassina. Mas eu fiz de conta que nem percebi... Hoje sao dois meninos muito saudáveis e felizes. Assim como eu fui depois de "destressar".
O importante é ser feliz como mae. O amor nao está no leite da mama, está em nós. Amo os meus filhos muito, mas muito e nao perdi qualquer ligacao com eles porque nao os amamentei.

Precis Almana disse...

Também escrevi sobre o aleitamento (depois daquele comentário no blogue da Maria onde me "conheceste"), com o caso da minha irmã, mãe de gémeos, e vai muito de encontro a este post. Que giro! Plenamente de acordo, claro.

Precis Almana disse...

E adoro a gravura do teu perfil!

Melissinha disse...

Obrigada, Ana, está a ser um calvário, isto.
Impus-me alguns objectivos simples sobre o assunto, só para ficar com a consciência tranquila, porque é difícil largar um objectivo assim. E como tinha escrito no meu blog, amamentar era mesmo a única expectativa que eu tinha. Estou muito zangada com essa injustiça. Não quis parir a frio, acho a chucha a 8a maravilha do mundo, não fiz fita por ter a cesariana, não fiz fita quando a cesariana correu mal. A única coisa que eu queria era amamentar.

O que vejo agora é que os benefícios do aleitamento materno não pagam a conta do stress do meu filho. Não pagam.

Nestes últimos dias têm surgido no meu blog imensos depoimentos de mães que passaram pelo mesmo que eu, o que me comove bastante. Muitas mães a fazerem o luto do seu leite, algumas com dor e revolta.

Não devia ser assim tão dramático, digo eu. Mas é.

Ana C. disse...

Tasha do teu comentário o que me saltou mais à vista foi a parte do teu marido não te ter apoiado e ter feito a única coisa que não precisavas, ou seja, fazer-te sentir culpada. E eu a pensar que nas mulheres é que residia a maior crítica...
Se o meu marido me tivesse feito uma dessas tinha levado com a bomba de aleitamento em cima.

Ana C. disse...

Precis, eu tinha-te dito que concordava inteiramente com aquele comentário, agora comprovas...
Quanto à imagem no meu perfil eu tenho um fetiche pelos quadros do Modigliani. Dava tudo para ter um original dele.

Ana C. disse...

Melissa a questão é essa. Não é um drama... Quando perceberes isso ficas melhor.

Joanissima disse...

Serei suspeita para falar porque odiei amamentar (por favor não me escorraces do teu blog!! : ))))
Amamentei 3 dias. Pronto, já está.

Foi doloroso, senti-me uma vaca perfeita, odiei. Quando o pediatra dela me disse que mil vezes o biberon a uma mãe ansiosa ia-lhe dando um beijo na boca!!

Que alivio,... ela consoladinha e sem fome e eu sem tortura!!!
Abençoados leites de substituição.
A ligação com ela foi-se construindo por outros lados, nomeadamente quando a tinha no colo e lhe estava a dar biberon e tinha os olhos dela cravados em mim...

Ai que saudades... : )

Ana C. disse...

Joaníssima filha, mas tu leste o meu post? Escorraçar-te eu? Minha querida vem à mama. Quer dizer, à mamã :)
Uma relação com um filho não se constrói só à base da mama. Se puder ser é maravilhoso, se não puder ser é maravilhoso também.

Eumesma disse...

Já se acalmaram todas??? ;-)

Espero que sim. (abstenho-me de qualquer comentário por aqui sobre o assunto porque nunca tive filhos, e mesmo que os tivesse cada caso é um caso, este é um assunto sensivel e isso de "amandar bitaites para o ar" não faz muito o meu estilo...)

Ana C. disse...

Eumesma as donas das mamas já se acalmaram sim :)