terça-feira, 10 de março de 2009

Parte 10 O Silêncio do Amor


Caminharam de mão dada até ao velho prédio onde morava Alice. O silêncio entre os dois era tão reconfortante quanto as palavras que haviam trocado.
- Tens a certeza que queres que suba Alice? Não quero que te sintas obrigada a nada, só porque te ajudei ontem...
Alice pousa uma mão sobre a boca de Artur, como se assim pudesse impedi-lo de falar mais.
- Sabes há quanto tempo ninguém olhava para mim como tu olhas?
Artur sorri.
- Sabes há quanto tempo eu me sentia invisível aos olhos dos outros, aos meus próprios olhos? - Alice tem o olhar molhado por tudo aquilo que sente.
Artur faz-lhe uma festinha no rosto, cheio de doçura.
- Saber que alguém passava tardes inteiras naquele café, só para poder ver-me, quando eu própria não me via. Nunca pensei que estas coisas pudessem acontecer comigo. De alguma forma sempre achei que estava destinada a menos do que os outros.
- Não fales assim, tu estás destinada a grandes coisas. És uma mulher, uma mãe especial Alice. Percebi isso assim que te vi. - A voz de Artur era de uma total transparência e Alice sentiu bem dentro de si que ele era sincero.
- Olha para mim, a sorrir, a chorar. Obrigada por me teres dado esta manhã contigo. nunca vou esquecer.
- Eu quero ter muitas mais manhãs contigo Alice.
Os dois olham-se. Um olhar tão intenso que dispensa palavras. Alice encosta o seu rosto sobre o coração de Artur e deixa que ele a envolva num abraço.
- Porque é que as coisas boas terminam sempre? - A voz de Alice sai enrouquecida.
- Nós não temos que terminar. - Artur afasta-a daquele abraço e beija-a suavemente, quase com medo de partir qualquer coisa dentro dela. Alice corresponde e entrega-se àquela sensação que já havia esquecido. A sensação de se sentir amada.
Quando finalmente conseguem separar-se um do outro, surge Maria na entrada do prédio, de braços abertos para a mãe. Alice rasga um sorriso e pega na filha ao colo sob o olhar comovido de Artur.
- Maria, este é o Artur, Artur esta é a minha luz, a minha filhota.
Artur sorri para aquela pequena cópia de Alice, mas antes de conseguir dizer o que quer que seja, o seu telemóvel toca. Artur, um pouco atrapalhado atende. Alice vai olhando a sua expressão que se altera, vai ficando pálida. A voz de Artur sai num fio, como se já não tivesse dentro de si força para se projectar:
- A minha mulher acordou?!!
Alice, como que para se proteger da dor que acabou de a rasgar ao meio, aperta a sua filha contra si com todas as forças...

Ah Ah Miguel, por esta não esperavas... Ora aqui os tens mais uma vez do teu lado. Desta vez a batata não está quente, está a escaldar.

21 comentários:

Ana. disse...

Ah pois é!
É vê-los a sofrer.
E agora? (Agora já parece uma verdadeira novela!! Estava cá a fazer falta um bocadinho de drama em tempo real!!)

;)

Ana C. disse...

Ana. Não há nada como uma boa dose de sofrimento para a história ficar inesquecível :)

socasmoinhosebicicletas disse...

Ai que isto até já está a ficar sofrível até para mim como leitora, sempre em ânsias de ver o que se segue! ;-)

Ana C. disse...

Socas, qualquer dia temos que escrever The End para esta blogonovela...

Miguel C. disse...

Porque será que não estou surpreendido? Estava mesmo à espera que acordasses a Maria numa das tuas partes!! Mulheres...
Mas enfim, após tantos anos de coma já não é a mesma Maria...
A ver...

Ana C. disse...

Não me digas que não querias que ela acordasse? Mas isto não era uma novela digna deste nome se ela não despertasse após um sono prolongado.
Homens...

Melissinha disse...

Miguel, nada que uma mocada não resolva. O público adora sangue.
:P

Miguel C. disse...

A parte 11 está publicada!!!
Era tudo bem mais simples se a Maria se mantivesse na sua caminha. Mas já se sabe que pragmatismo e mulheres não combinam!!!
Bom trabalho!

Precis Almana disse...

Agora já me dá para rir com a vossa "picardia" :-)
Mas que velocidade! Não consigo acompanhar!!!

Ana C. disse...

Melissa, bom conselho para o caso de me apetecer começar a avacalhar e transformar a Alice numa assassina em série ;) tu compreendes que para novela ser novela ela tinha que acordar

Ana C. disse...

Miguel, tu não me piques que se não arrajo-te pragmatismo para dar e vender e depois largo a bomba no teu colo.

Ana C. disse...

Precis, o Miguel é que anda à velocidade da luz, deve andar a tomar qualquer coisa lá no hospital :) Mas não deixes de nos acompanhar por favor

Melissinha disse...

Para ser novela, ela acorda no dia em que Alice faz o teste de gravidez!

DeepGirl disse...

Eu até já criei aqui um documentozinho no meu Ambiente de Trabalho para ire juntando as partes da história que apadrinhei tão orgulhosamente e BABADAAAAAAAAAA!

Pareço uma miúda de 2 anos, de língua de lado no canto direito da boca,a juntar as peças de um puzzle pela primeira vez, e com imenso empenho!

Bora, bora! Sempre a abrir! :)***

DeepGirl disse...

Digo "ir, e não "ire"... Ups!

Ana C. disse...

Melissa, correcção, no dia em que Alice faz o teste de gravidez e Maria acorda grávida de um médico AH AH mas isto já é novela mexicana

Miguel C. disse...

Pronto Ana, pronto... já me chegam as bombinhas que me vais dando!! Quanto a escrever depressa, é porque estou no hospital e isto está calminho!!
Beijos!!

Ana C. disse...

DeepGirl, eu avisei que te ia roubar o título :) Olha que bela ideia, arranjar um documento para ir juntando tudo. Mais uma coisa para te roubar, mas tu és só boas ideias!

banita disse...

Já cá ando numa roda viva outra vez!!
Vou ler o que o Miguel fez com a Maria, digo, o que o Artur fez com a Maria à conta do Miguel, digo, o que o Miguel fez o Artur fazer com a Maria! (confuso?)
LOL
Volto para a parte 12!

Ana C. disse...

Miguel aproveita que isso está calmo e vai fazer uma visita à Maria, vai fazendo exercícios de memória com ela, joga xadrez, mostra-lhe fotos do Artur, enfim qualquer coisa que ajude a mulher a lembrar-se que tem marido.

Ana C. disse...

banita, estás toda trocada, vê se te orientas :)