sábado, 16 de outubro de 2010

Amar é bom


Amar é bom. Amar faz-nos sentir concretos, dá-nos sentido e densidade, dá-nos vida dentro dos anos que gastamos.
Amar demasiado faz doer muitas partes do corpo e da cabeça, mas ainda assim é bom. Dor de amor tem tanto de maravilhoso, como de angustiante. Mas ainda que tivesse mais de amargo que de doce, não hesitaria em amar de peito aberto todos os dias.
Amar um homem é de uma maneira. Amar os nossos filhos é de outra.
Há várias formas de amar sim, mas no final, é naquela batida do coração, que acelera e desacelera, que dispara, ou congela que sabemos se é sério. No final, é no âmago, bem dentro do mais dentro de nós, depois de despidas todas as camadas, que tiramos as teimas e sorrimos, ou choramos, agradecemos, ou amaldiçoamos por termos conhecido o amor.
Pelo amor, ninguém pode passar indiferente.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Adrian Mole e a minha adolescência


Hoje deu-me uma saudade brutal do Adrian Mole, das suas borbulhas, erecções descontroladas, namoros, frustrações, desabafos.
Hoje deu-me uma saudade avassaladora de quando tinha os meus 12 anos e, já coberta pelos lençóis aconchegantes, ligava a luz da mesinha-de-cabeceira e lia, lia, lia, até os olhos doerem e a cabeça ferver emocionada.
Nunca, até ter sido mãe pela primeira vez, um livro me trouxe sono (um livro que gostasse é claro), nunca li para adormecer, pois quando um livro é bom, faz-nos procrastinar o apagar da luz vezes e vezes sem conta.
Tenho saudades dessas luzes acesas até às tantas da manhã, presa no interior dos "Cinco na Ilha do Tesouro", ou da "Trinta Diabos", presa nos livros de aventuras e neste meu primeiro livro sobre a adolescência no masculino.
Tenho saudades do Adrian Mole e imagino como estará ele agora, sem borbulhas, homem distinto e com uma vida pacata nos subúrbios londrinos.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Ctrl Alt Delete

Tenho dias em que se me surge mais um pequeno problema, mais uma contrariedade, mais uma árvore caída no caminho, mais um telefonema para fazer, uma reclamação, um protesto, uma falta de facilidade, sinto que vou apagar.
É muito injusto não termos uma tecla delete na nossa vida para estas merdas, uma tecla de pause para os momentos bons e uma tomada para desligarmos, quando o restart não resulta.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A Vontade de Regressar A Nossa Casa

A nossa casa pode ser grande, pequena, luxuosa, simples, minimalista, aconhegante, desarrumada, ordenada. A nossa casa comporta tantas variantes como nós comportamos no nosso interior.
A nossa casa tem que ser o porto de abrigo para onde os filhos rumam, tem que dar vontade de ficar quando o mau tempo ruge lá fora.
A nossa casa deve ser vivida, aberta, utilizada, moldada. Uma casa que não se usa, apenas se preserva, como um museu, é como um livro que repousa nas prateleiras e que nunca se leu. Não faz sentido.
A nossa casa é onde nos entendem, onde tiramos os sapatos e podemos descansar do mundo lá fora. É todo um outro mundo, onde podemos fechar os olhos e saber que nada de mal nos acontece ali.
A nossa casa é o nosso fôlego, a lufada de ar fresco que precisamos quando o mau acontece lá fora.
Um desejo bem fundo que tenho nesta tarefa de ser mãe, é que a Alice e o António nunca percam a vontade de regressar a casa.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Rir para não chorar

De manhã a televisão vive num universo paralelo. A programação é exclusivamente pensada para donas de casa desesperadas, ou velhotes solitários e indefesos. Isto eu já sabia, mas ainda não tinha reparado que a publicidade também era vocacionada para esse grupo de pessoas ingénuas que não têm grande contacto com a realidade-além-tv. Desde aspiradores milagrosos, ao Cilit Bang que remove à primeira passagem ferrugem milenar encrostada, até (e pasmem tal como eu) uma empresa amorosa que vos avalia as jóias de ouro que possam ter em casa.
Basta enviarem as jóias todas por correio e ficarem à espera da avaliação. Que atenciosos que eles são e fofinhos também.
Primeiro mijei-me a rir, mas depois congelei. Será que alguém, no seu perfeito juízo envia as jóias por correio e espera pelo seu regresso?
O piór é que tenho a certeza que sim.

domingo, 10 de outubro de 2010

6 anos de Nós

Não, nem sempre é fácil, nem sempre é como no início, quando tudo parecia ter o poder de nos disparar o coração febril e apaixonado.
Não, nem sempre é um caminho cheio de flores e dias bonitos, como nos tempos em que mesmo num dia de chuva fazia sol só porque estávamos juntos.
Não, nem sempre é como seria suposto ser, como dizem os filmes no cinema que é, com gestos de constante enamoramento e paciência infinita de parte a parte.
Mas eu quero que continue a ser, de todas e tantas maneiras possíveis. Quero que continue a ser contigo. Porque até a normalidade contigo me conforta.
Quero ver os nossos filhos através de ti e ver-me pelos teus olhos.
Quero encostar o meu pé direito no teu pé esquerdo, enquanto dormimos e sentir que o teu pé não se afasta.
Quero poder continuar a dizer-te as minhas piadas inconvenientes e fazer-te rir.
Quero que continues a tentar fazer-me rir.
Quero chatear-te quando estou chateada sem que te chateies.
Quero poder não ter que dizer nada de especial e ficar calada sem pesos de consciência.
Quero o conforto da nossa família no final do dia.
Quero-te ainda e sempre.
Parabéns a nós!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Toda a Verdade sobre os Brinquedos do António


Esta é a versão "dinheiro mal gasto".


Esta é a versão "Brinca até te fartares" (os favoritos).

E é assim, sempre foi assim desde o princípio dos tempos, mas nós continuamos a gastar alguns euros com brinquedos chamativos, só porque somos otários, só porque achamos que ele não vai resistir àquela textura, àquele som, àquelas cores. Mas passem-lhe para a mão uma tampa de tramperuere (ehehehe, adoro esta palavra) e vejam o delírio acontecer.
Na cadeirinha, tenho uma bonecada pendurada, mas é ao fecho eclair que prende a capota que ele dedica toda a sua atenção.
Eh voilá, aqui têm toda a verdade sobre os brinquedos do António e sobre o António. Ele é um moço de gostos simples :)

Women's Secret (Versão Upgrade)

Ontem, ao passear-me entre as filas de pijamas da Pantera Cor de Rosa e coelhinhos fofinhos, cuequinhas com corações e flores mimosas, roupões suaves e quentinhos, eis que encontro, numa das prateleiras, tímidos e reservados na sua solidão, preservativos e vibradores.
Alucinei, ou mais alguém viu isto à venda na loja acima referida?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

As contradições da Maternidade (ou há malucos para tudo)

"Adorei" ver uma mãe na Disney a dar de mamar ao seu bebé, enquanto a filha de cerca de dois anos emborcava por uma palhinha uma bebida azulada, até à exaustão.
"Adorei" ver os pais com bebés de colo na fila para as diversões, sendo que os bebés berravam de sono e de cansaço, sem sequer saberem onde estavam.
"Adorei" ver os pais obrigarem os putos a tirarem fotos com personagens Disney, mesmo quando os putos se desgoelavam de terror.
Concluí que nesta coisa chamada maternidade/paternidade, há muita gente a julgar fazer coisas pelos putos, quando na realidade as fazem para si.

Contigo no Coração






Viajar pelos teus olhos foi a sensação mais completa do mundo. O teu sorriso nervoso quando entraste na Disney, o teu olhar brilhante quando percebeste que tinhas ali, na palma da tua mão, os amigos do teu imaginário. A tua paciência infinita nas filas para as diversões, o teu riso de alegria, os teus gritos de entusiasmo, fizeram de mim uma pessoa mais crescida.
Conheceste um bocadinho de Paris e abraçaste o teu pai quando ele tirou do bolso uma Torre Eiffel em miniatura, que repousa agora na tua mesinha de cabeceira como um troféu precioso.
És demasiado pequena para perceber que os franceses continuam demasiado antipáticos para o meu gosto e que Paris continua demasiado cheia de turistas para podermos andar desafogados. És demasiado pequena para apreciar com olhos de gente crescida uma cidade, mas o dia que passámos na cidade luz não protestaste, não fizeste birras, só pediste colo cerca de uma centena de vezes e deitaste-te no banco sujo da estação de metro.
Não foste demasiado pequena para veres a Disney Land, como me disseram tantas vezes, foste na idade certa para que te fique gravada na memória.
Espero que, quando fores maior, te recordes que os teus pais estavam lá contigo.
Sei agora que a minha alegria quando a tua acontece é a mais genuína de todas.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Que grande galómetro

Quando viajo, podem dar-me frio, nevoeiro, encoberto. Podem dar-me sol radioso, ou trovoada. Mas chuva caraças, chuva??!!!
Nos três dias que vamos estar em Francia-Disney-Pateto-Donald-Resort, vai chover...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A Rainha das Mães (não confundir com Rainha-Mãe)

Quando a Alice era mais bebé, sempre me senti uma mãe coxa e incapaz em relação ao seu choro, pois assim que engrenava na choradeira, não havia rigorosamente nada que a fizesse calar. O meu colo na maior parte das vezes não lhe trazia mais conforto do que o colo do pai, da avó, ou de um desconhecido que passasse na rua. Ela chorava desconsoladamente e só ao fim de muitos carinhos, canções no ouvido e festinhas, ela cedia finalmente. Não havia um passe de mágica que a emudecesse assim que se encontrava nos meus braços.
Gostava de adormecer no meu colo, mas consolo além sono não havia.
Aquelas tretas de que sempre ouvira falar quanto ao colo materno, cedo se transformaram em complexos por não ter um colo-cala-putos.
Com o António já não tinha grandes expectativas, nem planos grandiosos, talvez por isso mesmo, ele tivesse decidido brindar-me com essa coisa de vir para o meu colo e parar de chorar. É certo que não gosta particularmente de adormecer ao meu colo, aliás, não gosta de adormecer em praticamente lugar nenhum além da cama dele, mas deixa de chorar nos meus braços.
Hoje, depois de ter andado em três colos diferentes, cada um tentando levar embora o medo que o consumia por causa de um cão que ladrava demais, cada um mais experiente que o outro, cada um mais convencido que teria a chave para o calar, foi no meu colo que ele parou de chorar, no meu! Bastou passar para os meus braços e brindou-me com o mais terno soluçar seguido de um silêncio apaziguador.
Hoje senti-me dona do meu colo-cala-putos. Não importa que seja só o António que se cala nele, não importa que este colo não serene mais ninguém, porque hoje senti-me a rainha das mães :)

A minha desequilibrada ambição

Quando queremos muito alcançar a perfeição, andamos 200% do nosso tempo frustrados.
Quando baixamos as nossas expectativas, sentimo-nos fracos, pouco empreendedores.
Quando decidimos voltar a erguer a fasquia, com um estranho ânimo no nosso interior que nos impulsiona durante umas horas, acabamos por perder o gás.
Ando um bocadinho cansada de tentar regular o meu ponteiro da ambição, acho que ainda não consegui acertar com a minha hora.

sábado, 25 de setembro de 2010

Nigella sua grandessíssima

queque, ouvir-te dizer abacate em inglês aristocrático, enquanto deitas meio pacote de sal no fruto. Ou ver-te lamber a colher de pau, ou de silicone, enquanto dizes que gostas dos teus ovos salgados e mais uma vez despejas meio quilo de sal no produto, faz-me pensar se algum dia te veremos quinar em directo.
Até lá continua a tua ingestão salina de 2 quilos diários que vais no bom caminho e não te esqueças de lamber o pacote do sal, quando terminares. Dá sempre aquele toque de sensualidade que se quer num programa culinário.
Aqui entre nós, confesso-te que estou sempre à espera que te deites na bancada com a varinha mágica e faças amor com ela a noite inteira, enquanto lambes os restos de caramelo dos dedos, mas isso só deve acontecer quando o açúcar atingir níveis de limite.
Love u dear!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O melhor do casamento é:

O nosso bem amado dizer-nos que temos um pedaço de azeitona na dentuça frontal e nós, ao invés de escavarmos uma mina no chão do restaurante e para lá ficarmos, qual mineiro chileno até se esquecerem da nossa existência, deixamos ficar o pedaço de azeitona e rasgamos um sorriso, fingindo estarmos desdentadas.

Eu sei que sou...

Patética, neurótica e de novo patética, mas estou morta de saudades da Alice...
Já brinquei com o António, já passeámos, já dobrei milhares de peças de roupa acumulada até ao tecto, almocei um prato de sopa sem compromisso de ter que cozinhar almoço. Mas quando a casa fica em silêncio, quando olho a sala sem puzzles espalhados, nem folhas amachucadas, sinto uma corrente de ar por dentro.
Já não choro, mas falta-me ela.
Talvez por a minha filhota nunca ter sido daquelas crianças muuuuito chatinhas, que destroi a casa inteira e corre em círculos à volta de uma mesa até cair para o lado isto esteja a ser mais difícil para mim do que para ela...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Oh la la



Parece que, mais ou menos daqui a uma semana, esta gaja que vos escreve, mais O esposo desta gaja que vos escreve, mais a filha desta gaja que vos escreve, deverão andar com umas orelhas destas dans la tete a passearem-se, não na feira da Malveira, não nos carrinhos de choque de Ranholas-de-cima, não na roullote das bifanas do Campo Grande, mas... Na EURODISNEY!!!!!
Ora bem, depois de muito pensar, repensar, tentar marcar, desistir, parece que a coisa se vai mesmo concretizar. Se não houver greves-gerais dos personagens Disney, atentados perpetrados pelo Pato Donald no palácio da Cinderela, ou jovens fofinhos de etnia cigana a bloquearem a entrada do Parque (isso não deve haver, porque já bazaram todos), esta família menos um, vai andar a passear-se por lá.
Já conheço a Eurodisney, fui a primeira vez com a minha irmã mais velha e uma amiga nossa aí há uns 12 anos atrás, depois regressei com a irmã mais nova, quando viajámos as duas sozinhas a Paris e agora, vou finalmente com a desculpa perfeita: Uma filhota.
Caramba, não é do caraças?
Tirando a parte da viagem de avião, em que não vou poder abraçar-me ao Hugo a tremer, por causa da Alice e tirando a parte em que vou ficar sem o António 3 dias, estou mortinha por lá chegar. Ah e por tirar um dos dias para mostrar a Torre Eiffel e Montmartre à minha filha.
Viajarmos sozinhos é maravilhoso, mas confesso que estou curiosa por esta primeira viagem pelos olhos da nossa filha...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Tu ou Você?

Decidi escrever sobre isto, porque me faz comichão e porque hoje a Alice deixou escorregar um "você" numa conversa casual com o pai. Reparei que a educadora dela trata as crianças (de 3 e 4 anos) por você, mas não assimilei a possibilidade de isso vir a afectar a forma como a minha filha aborda as pessoas cá fora, os pais inclusive.
Sou uma pessoa educada, respeitadora, instruída, com valores e princípios, tal como tanta gente e nunca acreditei que tratar os filhos por você fosse sinónimo de maior respeito.
Sim, usava-se antigamente, mas no meu humilde parecer, não era sinónimo de respeito, antes de distância, medo, afastamento. Os pais tinham relações cordiais com os filhos, polvilhadas de vez em quando com alguns gestos de amizade. Passavam valores sob a forma de frases geniais, de máximas filosóficas e criavam com os filhos laços de ferro, sem espaço para abraços, carinhos, mimo.
Tratar os filhos por você era apenas uma extensão desta relação cordial e precisamente por estes motivos, não gostaria que os meus filhos se dirigissem a mim, como se dirigem à senhora da tabacaria.
Depois temos toda a geração de tias e tios que juram a pés juntos que é por uma questão de respeito e tradição que querem que os seus ricos filhos os tratem por você, mas na realidade é por puro snobismo. Na sequência dos tios de Cascais, oiço coisas como: Vá à merda em pleno café. Mandar à merda alguém usando você é respeitoso. Já dizer: Vai à merda, é do mais brega que há.
Vai daí fiquei a coçar-me com a escapadela da Alice, fiquei a pensar até que ponto isso é relevante para mim e concluí que é importante sim. Não justifica tirá-la da escola de forma nenhuma, pois ela está muito feliz lá, mas justifica uma conversa a sério com a Alice, antes que ela se transforme numa Cinha. Fazê-la ver que cá em casa e com meninos da idade dela não há vocês.
O que é que querem, não gosto, não explico, não curto, não acredito.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Não sei se chore, se arrote

Há de facto um jornal supostamente credível que gasta euros a pagar um ordenado a alguém que escreve assim?
Anda uma gaja a sonhar em escrever para uma revista, ou jornal, por muito brega que seja, para dar de caras com isto e perceber que afinal não é preciso saber escrever para ser convidada a escrever para um jornal?
Chamem-me ingénua, mas sempre acalentei no meu espírito pouco maduro a ideia de que os jornais tinham malta que escrevia, que tinha luzes acerca de como conectar ideias com letras e já agora, ideias inspiradas também.
Agora peidos em vez de frases, arrotos em vez de ideias, merda em vez de texto?
Não, obrigada.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sobre tudo e nada

Antes de vir aqui dizer com mais calma, que tenho uma filha mais adulta do que eu e que sinto uma vaidade absolutamente gigantesca por ela, quero deixar uma frase que encontrei hoje pintada na parede de um café. A princípio pensei que era mais uma frase Nicola, mas quando a li borrifei-me para a autoria, pois fez-me todo o sentido do mundo:
"A amizade é semelhante a um bom café, uma vez frio, não aquece sem perder o primeiro sabor."
Depois em letras mais pequenas, o nome do autor: Kant.
E esta hein?