Decidi escrever sobre isto, porque me faz comichão e porque hoje a Alice deixou escorregar um "você" numa conversa casual com o pai. Reparei que a educadora dela trata as crianças (de 3 e 4 anos) por você, mas não assimilei a possibilidade de isso vir a afectar a forma como a minha filha aborda as pessoas cá fora, os pais inclusive.
Sou uma pessoa educada, respeitadora, instruída, com valores e princípios, tal como tanta gente e nunca acreditei que tratar os filhos por você fosse sinónimo de maior respeito.
Sim, usava-se antigamente, mas no meu humilde parecer, não era sinónimo de respeito, antes de distância, medo, afastamento. Os pais tinham relações cordiais com os filhos, polvilhadas de vez em quando com alguns gestos de amizade. Passavam valores sob a forma de frases geniais, de máximas filosóficas e criavam com os filhos laços de ferro, sem espaço para abraços, carinhos, mimo.
Tratar os filhos por você era apenas uma extensão desta relação cordial e precisamente por estes motivos, não gostaria que os meus filhos se dirigissem a mim, como se dirigem à senhora da tabacaria.
Depois temos toda a geração de tias e tios que juram a pés juntos que é por uma questão de respeito e tradição que querem que os seus ricos filhos os tratem por você, mas na realidade é por puro snobismo. Na sequência dos tios de Cascais, oiço coisas como: Vá à merda em pleno café. Mandar à merda alguém usando você é respeitoso. Já dizer: Vai à merda, é do mais brega que há.
Vai daí fiquei a coçar-me com a escapadela da Alice, fiquei a pensar até que ponto isso é relevante para mim e concluí que é importante sim. Não justifica tirá-la da escola de forma nenhuma, pois ela está muito feliz lá, mas justifica uma conversa a sério com a Alice, antes que ela se transforme numa Cinha. Fazê-la ver que cá em casa e com meninos da idade dela não há vocês.
O que é que querem, não gosto, não explico, não curto, não acredito.