Sei que tenho muita sorte quando olho em volta e vejo pessoas tristes, desanimadas, sufocadas pela rotina daquilo que fazem. Não é preciso olhar muito longe, pois aqui em casa tenho alguém ao meu lado que queria mais da sua vida.
Tentam ver o lado menos escuro das suas tarefas, nadar em direcção à superfície até as forças os deixarem, mas apesar do esforço diário para relativizarem as coisas, o cansaço acaba por levar a melhor e no final de um dia de trabalho sentem que trabalharam por dois. Por eles e pela força que fugiu e que têm que resgatar a cada hora que passa.
Não é fácil trabalhar-se num país que não valoriza, que não oferece oportunidades, que não premeia os bons profissionais, que ignora os talentos, que não incentiva os jovens a quererem ficar por aqui.
Tal como também não é fácil arranjar a coragem para partir em busca de alguma coisa melhor. Aquele espírito que leva alguém a ir viver para um outro país sempre me fascinou. Dar um pontapé na mesa, virar a vida do avesso e refazê-la por inteiro não é definitivamente para todos.
Criamos a nossa família, prendemo-nos a compromissos financeiros e com tudo o que isso tem de bom, tem também muito de prisão, pois juntamente com esses compromissos surgem as barreiras que nos impedem de experimentar o outro lado.
A vida é feita de opções no escuro, de decisões sem garantias de qualquer espécie. Mas a partir do momento em que outras pessoas dependem de nós, esse escuro assusta-nos, impede-nos de nos movimentarmos. E fica cada vez mais difícil viver em harmonia connosco próprios.
As nossas escolhas de vida implicam uma fé absoluta em nós próprios. Conseguir que essa fé não se perca ao longo do caminho é alcançar a sabedoria.
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Há 1 semana
