
Saio da cama com a sensação de que carrego o peso do mundo nas costas. Tenho a garganta irritada pela chuva e os pés recusam-se a obedecer às minhas ordens simples para se colocarem um à frente do outro e andarem. Mesmo assim desenterro de dentro de mim um sorriso de bom dia para que não te sintas culpada pelos meus cansaços matinais e dou um beijo na tua cara quentinha de sono.
Escolho-te uma roupa e saímos as duas. Vamos beber o café à pastelaria da zona.
Como tento sempre ser cordial com os outros, mesmo quando me sinto em baixo de forma, digo bom dia à empregada mal encarada atrás do balcão. Esta responde com um grunhido: O que é que vai ser?
Desfaço o meu sorriso e digo: Um café. Atenção que não é um descafeinado, pingado, cheio em chávena escaldada. É mesmo só um café.
A senhora arrasta-se a bufar até à máquina dos cafés e sempre a bufar lá me tira a bica, sendo que de seguida a pousa com tamanha violência em cima do balcão que quase a entorna.
Senhoras atrás dos balcões. Eu sei que a vossa vida não é fácil, deve ser duro terem que se levantar às 6 da manhã para entrarem ao serviço às 7. Não vos peço um sorriso de orelha a orelha, mas que façam o vosso trabalho com algum brio e com o mínimo de cordialidade. Devemos pôr tudo o que somos naquilo que fazemos, o que quer que seja que façamos.
E tenham muito cuidado, porque pessoas pacatas que dizem bom dia, por favor e obrigada, qualquer dia podem-se cansar e minhas queridas, não queiram nem imaginar do que somos capazes quando nos viram ao contrário...
