Sei que sou melhor mãe quando decido ir ao cinema sozinha e deixo o Hugo com as crias por umas horas. Mas não foi fácil chegar a este estado de espírito, acreditem que não foi mesmo nada fácil.
Gostava de saber quantos anos, ou gerações serão necessárias para que as mães se libertem daquele estranho sentimento de culpa que as consome só por estarem longe dos filhos por umas horas, só porque não conseguem dar de mamar, só porque se sentem abaixo de cão mil e uma vezes por dia e acham que deveriam sentir-se sempre nas nuvens.
Gostava de saber de onde veio este estranho complexo que mexe no interior de uma mãe porque não faz as coisas da forma que uma minoria com ares de coisa divina decidiu inventar e dizer que era lei.
Gostava de saber o que é que leva uma mãe a sentir-se na lama porque pede ajuda, quando ao longo de toda a História as famílias viviam juntas, inter-ajudando-se, valendo-se, revezando-se.
Enquanto penso em tudo isto dou uma trinca na minha chamuça vegetariana do Celeiro e olho o relógio. Ainda faltam 10 minutos para o filme começar. Penso na Alice e no António e dá-me uma tremenda dor de amor pelos meus filhos. Deixo aquilo tudo invadir-me, bebo o meu sumo natural e sei que quando chegar a casa vou levar mais paciência, mais dedicação, mais carinho, pois livrei-me do sentimento de culpa e consegui ganhar espaço para a saudade.
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domingo, 28 de março de 2010
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