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quinta-feira, 5 de março de 2009

Parte 3 (o silêncio do amor)

Apesar do encontro, desencontraram-se mais uma vez. Ele olha o relógio e conta as horas que faltam para o dia seguinte nascer. Sabe que as noites costumam passar mais devagar. Respira fundo, entra no seu carro já gasto pelos quilómetros a mais, mas não tem coragem de arrancar. Ouve no rádio uma qualquer notícia que não tem o poder de o acordar e rende-se à recordação da imagem dela.
Deveria seguir na direcção do hospital, na direcção de mais uma noite de turno passada entre cheiros e ruídos tão familiares, mas fica ali, dentro do carro a ouvir o trabalhar do velho motor e a ganhar coragem para voltar à sua rotina nocturna. Olha mais uma vez na direcção do café e quase pode jurar que a vê espreitar discretamente na sua direcção.

Alice vê aquele estranho homem cruzar finalmente a porta do café, ainda espreita para a rua e consegue vê-lo já dentro do carro. Respira de alívio enquanto pousa o seu avental sobre o balcão. Hoje sai mais cedo do que o costume. Cansada, ainda consegue enumerar mentalmente as tarefas que tem que fazer antes e depois de chegar a casa. Passar na farmácia, no supermercado e finalmente apanhar a sua filha na escola, abraçá-la, sentir os seus pequenos braços em redor do pescoço e ouvir como foi o seu dia no caminho para casa. Essa definitivamente é a melhor parte do seu dia...