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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Inspirar e Expirar

Nunca pensei que o simples facto de deixar de escrever por 3 dias suscitasse preocupação por parte daqueles que costumam ler as parvoíces que desenvolvo por aqui. Digo-vos já que fiquei tremendamente sensibilizada.
Aconteceu qualquer coisa sim, mas não comigo, nem com o António que continua bem agarrado à minha barriga.
O Hugo teve uma suspeita de enfarte que acabou por não se confirmar. Até não sabermos o que tinha provocado electrocardiogramas e análises alarmistas foi duro. Fizeram-se exames arriscados e urgentes, passou-se pelos Cuidados Intensivos e finalmente respirámos de alívio (relativamente) quando nos disseram que um vírus, provavelmente de uma infecção pouco grave, tinha migrado para o miocárdio, causando-lhe danos.
O Hugo já está bem, mas continua sob o tecto do hospital e eu sob vários tectos, incluindo aquele que suporta o desgaste físico de uma grávida de termo, o desgaste emocional de alguém que pensou que podia perder o marido e o pai dos filhos e o desgaste de tudo junto.
Não tenho tido forças para quase nada além de prosseguir as tarefas maternais, de mulher e manter-me de pé. Daí a minha ausência.
Um telefonema do Miguel (do Cheirinho a Éter) para os cuidados intensivos comoveu-me muito, bem como a atenção constante da Melissa que se ofereceu para tudo menos para parir por mim (infelizmente), a Rita, a Luísa. Hoje uma mensagem da Joaníssima, ontem da Ana. que mesmo sem saberem o que se passava pressentiram que algo me mantinha ausente e alguns telefonemas e mensagens que me sensibilizaram muito deram-me alento para pensar que os anjos surgem sob as formas mais inesperadas e daqui, de um mundo relativamente novo para mim.
Obrigada por me fazerem sentir digna de atenção numa altura em que todas as minhas atenções voam para longe de mim.