Hoje faz cinco anos que dissemos sim. Sim para o que der e vier, sim para o bem e para o mal, sim para o futuro, sim olhando o passado, sim hoje.
Cinco anos em que cada um seguiu de mão dada, lado a lado, deixando o outro adiantar-se e seguindo mais atrás, desviando-se quando foi preciso, atravessando-se quando chamado a defender.
Cinco anos do fogo à quietude, da ânsia à serenidade.
Cinco anos em que passámos de dois a quatro.
Se tivesse que definir como é estar casada contigo, por muito pouco romântico que possa soar à primeira, eu teria que te comparar àquele par de chinelos que calçamos quando chegamos a casa.
Podemos ter os sapatos mais elegantes do mundo nos pés enquanto jantamos num restaurante fino com pessoas de elite, mas por debaixo da mesa descalçamos os sapatos e suspiramos por aquele par de chinelos que nos aguardam em casa, que nos envolvem os pés numa carícia silenciosa. Aquele par de chinelos dos quais não conseguimos desfazer-nos porque o regresso a casa sem eles seria tremendamente frio.
Os meus chinelos são os teus braços quando me envolves, o teu ombro quando me sento ao teu lado após um dia cansativo e me encosto a ti sem ter que dizer nada de especial.
Os meus chinelos são as poucas flores que me ofereces, mas quando decides fazê-lo nunca me trazes rosas.
É bom saber que chego a casa para ti e que tu chegas a casa para mim.
É bom saber que os meus pés nunca mais vão ficar frios no Inverno...
