
Sempre quis fazer um inter rail. Não precisava de ser com uma mochila às costas e duas peças de roupa, podia ser com uma mala de rodinhas e uma muda de roupa por dia.
Há qualquer coisa mágica nas estações de comboios que não se compara a nenhum outro ponto de despedida, de reencontro. As mãos que acenam às janelas, o cheiro, o ruído do comboio a arrancar, a sensação de caminho que se trilha.
Não há isso num aeroporto, nem dentro de um avião, onde as milhas se cortam sem que passemos por elas.
A leitura de um livro que nos prenda, um jantar na carruagem restaurante, os olhos vidrados na paisagem que nos enche e nos vai acalmando por dentro.
Por isso adoro comboios. É um daqueles fascínios que não se explicam. Adoro comboios miniatura que passam sobre os pequenos carris de fingir, adoro grandes estações, apeadeiros no meio do nada. Adoro o barulho, o balançar, a cumplicidade que se cria com quem viaja connosco, ou a simples viagem solitária que não incomoda.
Quando tinha cerca de 18 anos tentei organizar um inter-rail com uma amiga, mas os preços não compensavam de forma nenhuma, por isso fui adiando, trocando o barulho do comboio pela turbulência aterrorizadora do avião, fui pensando que um dia o faria e acabei por nunca o fazer.
Agora sou mãe e partir em viagem por um mês é virtualmente impossível, mas sei que um dia, quando os filhos estiverem crescidos e eu uma mulher madura, hei de acenar-lhes da janela do comboio e dizer-lhes até breve!
