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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Diz-me Como Conduzes Dir-te-ei Quem és


Sempre achei que podíamos ver a raça de um condutor pela forma como segura o volante:
Se o agarra com uma força tal que fica com as mãos manchadas pelo esforço é um condutor medroso, daqueles que fazem travagens bruscas na auto-estrada só porque vêm a portagem ao longe.
Se o manobra como um cromo, apenas com uma mão e o pescocinho inclinado, quase à beira do torcicolo, é confiante demais e profundamente estúpido. Não tem qualquer tipo de consciência cívica. A estrada é apenas o palco para exibir o seu estilo. Cola-se ao carro da frente como se não houvesse amanhã e dá vontade de lhe gritar da janela que é o tipo mais sem estilo do universo.
Se o agarra com as duas mãos no topo, juntas, é distraído, sonhador e também perigoso, pois pode perfeitamente adormecer numa viagem mais monótona. As duas mãos juntas lá em cima a girarem o volante, juntamente com a cabeça sonolenta.
Se segurar no volante sem muita pressão, mas apenas com a suficiente para mostrar que tem o controlo do carro, as duas mãos paralelas uma à outra, é um bom condutor. Descontraído q.b.
Depois temos o nível do assento do banco que meu Deus diz tanto, mas tanto acerca do grau de azelhice do piloto:
Conduzir à velhota. O assento no nível máximo, tão chegado à frente que se o airbag dispara, estou convencida de que os olhos saem pela nuca. Infelizmente vejo mais mulheres do que homens neste estilo.
O nosso amigo estiloso, no nível máximo oposto e super rebaixado, cabeça de lado como se quer e cola na mão para aderir bem ao volante. Mas ninguém lhes diz que são mesmo ridículos?!!!!
A maneira como se conduz diz muito acerca de uma pessoa e de um país e infelizmente o nosso é um país triste em termos de condução, diria mesmo e desculpem a expressão, merdoso.
Desde os mentecaptos que aceleram quando são ultrapassados, aos pobres de espírito que pensam que um carro é uma forma de conquista de estilo, aos debéis mentais que não prevêem o que o carro da frente vai fazer e se colam a ele quase com paixão. Aos professores que adoram dar lições de buzinadela a quem não faz como eles querem.
Um bocadinho de civismo, miolos e menos agressividade por favor, que um carro não é uma afirmação, mas um meio de nos levar de um lado para o outro, supostamente, em segurança...