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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A Importância de (saber) Estar Só


Agora que olho para trás, do topo dos meus 33 anos, vejo como uma das escolhas inteligentes da minha vida, foi ter sabido permanecer só durante uns tempos.
Os desgostos de amor dão muito trabalho. Retiram-nos neurónios, capacidades intelectuais, disponibilidade para o que quer que seja para além daquela angústia que corrói por dentro e por fora. Tornam-nos pessoas ausentes, preocupadas apenas em libertar aquela dor tão funda que nos incapacita para a vida.
Conduzimos o carro e pensamos nele, vemos um filme e vemos a nossa história nele, fazemos uma viagem e pensamos como ele faz falta ali, ouvimos as conversas alheias sem qualquer poder de concentração, porque aquela nossa história mal resolvida, tem que ser resolvida. Olhamos o telefone à espera que ele toque, olhamos o e-mail 1250 vezes na esperança vã de que ele tenha mudado de ideias, passamos noites mal dormidas a pensar no que é que correu mal. Em suma, deixamos de existir como pessoas do mundo e o mundo fica restringido apenas a uma única emoção, a dor.
Aprender a ler um livro no conforto do silêncio, a ver um filme sem angústias, a partilhar uma pizza com uma amiga e ouvir de facto o que ela tem para nos dizer, desligarmos o telefone porque queremos dormir. Dormirmos para nos recompormos e não para não querermos acordar. Viajarmos com amigos e levarmos na bagagem apenas a vontade de conhecer e de enriquecer o espírito.
E parar de esperar. Porque o amor, esse acontece quando menos o procuramos e quando tivermos finalmente aprendido a ficar sós.