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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Irremediavelmente Tua

Não posso dizer que sempre sonhei ser mãe. Que sempre planeei uma família como o objectivo último da minha vida.
Não posso dizer que a minha história, tal como eu a imaginava, passava por esta responsabilidade.
Mesmo o ter ficado à tua espera sempre foi mais pela força do teu pai do que pela minha. Por algum estranho motivo achava que nunca estaria preparada para esta tarefa. Há quem diga que nasceu para ser mãe, eu nunca o disse.
Foste crescendo dentro de mim e eu fui crescendo contigo.
Entraste na minha vida e escreveste a minha história de novo, reescreveste-me por completo e eu não me queixo. Agradeço-te.
A nossa cumplicidade foi crescendo a cada dia que passava e serenaste-me por dentro. Tudo o que era importante deixou de o ser face a ti.
Ensinaste-me que também se pode dançar com uma filha ao colo pela noite dentro ao som da nossa música preferida e que isso é a coisa mais romântica do mundo, ensinaste-me que ler para ti é tão compensador como ler para mim e que as tuas alegrias se multiplicam dentro de mim como uma dádiva. Ensinaste-me que se pode acordar ao som de uma voz que não a minha. Ensinaste-me a temer o mundo, os outros. Ensinaste-me a temer por ti e a minha vida ficou irremediavelmente tua.
Tenho já saudade antecipada por tudo o que passámos juntas como mãe e filha, por tudo o que esquecerás um dia quando outras coisas forem mais importantes do que os nossos momentos.
Mas espero ter conseguido imprimir no teu coração a nossa imagem a dançar ao som da música que gostamos e quando tudo o resto falhar, retornes a esse momento as vezes que forem precisas meu amor.