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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Caixa de Memórias


Quando era pequena sempre quis fazer uma daquelas "cápsulas do tempo", onde colocaria as coisas mais importantes para mim naquele momento e passados muitos anos, quando a desenterrasse, poderia rever tudo aquilo que importava na altura. Nunca fiz a tal cápsula do tempo, talvez porque não tinha onde a enterrar, mas tenho uma caixa onde guardo pequenas coisas que significaram muito para mim.
Seleccionei estas para partilhar aqui. Aquelas que hoje me fizeram sorrir:
O meu primeiro relógio. Oferecido pelo meu pai depois de uma crise de choro por a minha irmã ter um e eu não ter.
A primeira flor que o meu marido me ofereceu, quando ainda éramos apenas amigos e ele apareceu para jantar com uma garrafa de vinho e uma rosa amarela e cheio de segundas intenções.
O primeiro e-mail que ele me escreveu e que eu imprimi religiosamente.
A rolha de champanhe francês que abri no dia em que terminei o meu curso.
O meu primeiro caderno de escrita elegante (antes deste escrevia onde calhava).
E um dos meus tesouros de eleição. Um postal do António Alçada Baptista, que fui ler no dia em que soube que ele tinha morrido.
Todos nós devíamos ter uma caixa de tesouros que pudéssemos abrir quando nos sentíssemos mais perdidos e unirmos os retalhos da nossa vida, fazendo sentido de tudo aquilo porque já passámos.
Todos nós temos as nossas memórias, todos nós fomos especiais para alguém numa qualquer altura. Porque não lembrá-lo de vez em quando?