É engraçado como começamos os nossos projectos com uma certa distância dos personagens, vamos entrando devagarinho na vida deles, a medo, quase pedindo com licença.
As falas não fluem na perfeição, pois eles ainda nos são estranhos, ainda estamos a acertar ponteiros. A meio do projecto a paixão deles é a nossa paixão, as tristezas confundem-se com as nossas, os dilemas por resolver não nos deixam ao longo do dia, chegamos a pensar pela cabeça deles, como se fossemos um só. Andamos ao seu ritmo e esquecemos o nosso. E conciliar isto com a vida real é do mais complicado que há.
No final, depois de 10 meses de trabalho consecutivo, já não os podemos encarar, só queremos dizer adeus, que se resolvam os problemas, dilemas amorosos, mistérios insolúveis. Dentro de mim um desejo absurdo de os pôr à batatada por tudo e por nada, só para os despachar a todos num único e derradeiro episódio. Só queremos ter um dia para nós, longe deles e das suas vidas. Só queremos lembrar-nos de como é que éramos antes de começarmos esta história.
No final, quando lemos FIM, suspiramos de alívio, cansaço, esgotamento e começamos o processo de esvaziamento cerebral.
No dia seguinte toma-nos de assalto a saudade, queremos tê-los de volta, mas já não dá.
Dois dias depois a angústia de saber se voltaremos a ter outra história na nossa vida.
Se isto não é viver numa montanha russa de emoções, então não sei o que será...
Deckle – uma poderosa alternativa ao Scrivener
Há 1 semana
