A minha visão periférica sempre foi extensa, foram muitas as vezes que cheguei a pensar que quase podia ver o que acontecia atrás de mim.
Lembro-me de uma noite em que com um prato de churrasco na mão e conversando com alguém à minha frente, consegui apoiar a cabeça da Alice e resguardá-la de uma aparatosa queda nas escadas ao meu lado.
Adquiri a chamada técnica do olho no burro e outro no cigano, que é como quem diz, um olho na Alice, outro no António e com jeitinho noutro lugar qualquer.
Se o Hugo fala comigo, consigo virar um olho para ele, outro para a minha filha e um ouvido no andar de cima atento a possíveis choros. Sou polivalente, mas nesta constante dispersão pelas periferias, perco-me e deixo de saber relaxar.
Sinto que preciso de recuperar o meu olhar em frente e para dentro, sinto que a minha visão periférica me desgasta, mas por enquanto é só assim que consigo olhar...
terça-feira, 29 de junho de 2010
domingo, 27 de junho de 2010
Idiota Kompraste E Agora? (IKEA)
Podia ficar horas a falar do IKEA e de como gosto de ir lá almoçar aos dias da semana por uma bagatela, passear-me pelas "casas" montadas para cativar, as cozinhas acolhedoras, os sofás aconchegantes, a zona dos miúdos uma ternura, podia escrever rios de palavras acerca da preocupação com o bem estar dos putos, das sanitas miniatura nas casas de banho, dos fraldários maravilhosos, dos micro-ondas disponíveis para aquecer a comida deles, enfim, aquele espaço é fixe e sinceramente apetece-me sempre levar tudo.
Mas depois há o lado negro, retorcido, maldoso até daquele armazém sueco, pois nada e quando digo nada, é mesmo nada vem numa única peça.
Compramos um garfo e vem com livro de instruções para ajudar a montar os dentes do talher. Compramos uma almofada e temos que ser nós a meter as penas de ganso lá dentro, seguindo as instruções.
As coisas que comprámos lá foram objecto de suada montagem pelo homem cá de casa, pois o meu cérebro tem uma assumida incapacidade para ir além dos legos. Metam-me uma cadeira com vinte peças para montar e eu tenho um ataque de ansiedade só de olhar para o saquinho com as porcas e parafusos. Por tudo isto e por achar que a maioria das gajas é mais ou menos como eu (adoro generalizar, para me sentir menos só), acho o IKEA sádico, mostra-nos aquelas mobílias maravilhosas todas montadas e depois manda-nos ir buscar ao armazém 10 caixotes onde repousa a cómoda que queremos levar.
Bem sei que na Suécia eles levam esta coisa da igualdade de direitos e obrigações mesmo a sério, mas podiam ter dado uma abébia na montagem de móveis. É que se me falha o Hugo, como conseguirei eu comprar aquela cadeira de baloiço?
Mas depois há o lado negro, retorcido, maldoso até daquele armazém sueco, pois nada e quando digo nada, é mesmo nada vem numa única peça.
Compramos um garfo e vem com livro de instruções para ajudar a montar os dentes do talher. Compramos uma almofada e temos que ser nós a meter as penas de ganso lá dentro, seguindo as instruções.
As coisas que comprámos lá foram objecto de suada montagem pelo homem cá de casa, pois o meu cérebro tem uma assumida incapacidade para ir além dos legos. Metam-me uma cadeira com vinte peças para montar e eu tenho um ataque de ansiedade só de olhar para o saquinho com as porcas e parafusos. Por tudo isto e por achar que a maioria das gajas é mais ou menos como eu (adoro generalizar, para me sentir menos só), acho o IKEA sádico, mostra-nos aquelas mobílias maravilhosas todas montadas e depois manda-nos ir buscar ao armazém 10 caixotes onde repousa a cómoda que queremos levar.
Bem sei que na Suécia eles levam esta coisa da igualdade de direitos e obrigações mesmo a sério, mas podiam ter dado uma abébia na montagem de móveis. É que se me falha o Hugo, como conseguirei eu comprar aquela cadeira de baloiço?
sábado, 26 de junho de 2010
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Envelhecer Bem

Podia falar da Meryl Streep, mas escolhi a Sally Field porque costumam dizer que sou um bocadinho, sublinho o bocadinho, parecida com ela e eu gosto. Gosto porque desato a imaginar-me uma Sally Field daqui a uns anos e é exactamente assim que desejaria envelhecer.
Não critico quem gosta de se preservar das marcas que os anos imprimem, e só Deus sabe como os meus cabelos brancos, que a cada dia que passa ganham terreno aos castanhos, me angustiam, mas eu não me imagino injectada e inchada de botox, nem a sujeitar-me a cirurgias para fugir ao tempo. Por isso gostava mesmo de conseguir envelhecer sem complexos e de preferência com a cabeça boa.
As melhores conversas do mundo
Hoje no carro, enquanto ouvíamos esse mítico ex-jogador da bola que canta ópera chamado Andrea Bocelli, a Alice delirava tentando acompanhá-lo nos agudos. Vai daí decidi partilhar com ela que aquele cantor de voz tão maravilhosa, não conseguia ver, era cego.
- Que horror mãe, coitado. Mas como é que as pessoas deixam de ver? Caem-lhe os olhos?
Tento não rir.
- Não Alice, às vezes nascem sem conseguirem ver, outras vezes são doenças que vão pondo os olhos mais fracos, até deixarem de conseguir funcionar, os olhos ficam doentes também.
Silêncio.
- Mas já viste como ele canta tão bem?
Silêncio. Eu sei que quando a resposta é silêncio o cérebro dela carbura a todo o gás.
- Mãe, ele se calhar olhou para o sol com óculos 3D e ficou cego.
- Que horror mãe, coitado. Mas como é que as pessoas deixam de ver? Caem-lhe os olhos?
Tento não rir.
- Não Alice, às vezes nascem sem conseguirem ver, outras vezes são doenças que vão pondo os olhos mais fracos, até deixarem de conseguir funcionar, os olhos ficam doentes também.
Silêncio.
- Mas já viste como ele canta tão bem?
Silêncio. Eu sei que quando a resposta é silêncio o cérebro dela carbura a todo o gás.
- Mãe, ele se calhar olhou para o sol com óculos 3D e ficou cego.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
A crueza dos dias
Queria muito começar uma série de coisas. Tenho um projecto bem dentro da minha cabeça e não arranjo tempo, nem força anímica para terminá-lo. Entre lavar, dobrar, arrumar, subir e descer escadas para atender o António que faz sestas de 20 minutos durante o dia. Entre a atenção constante que a Alice me pede, as sopas, o jantar e almoço, esgoto-me e é precisamente esgotada que me sinto.
O meu corpo aguenta muito, apesar de as minhas costas já terem conhecido melhores dias, mas a minha mente, essa está frágil, pequenina e regenera-se a ver programas estúpidos na televisão, ou a navegar na internet. É a forma que ela encontrou de não pensar demasiado, de não aprofundar, de não se desviar para dentro de mim...
Sei que as coisas vão mudar e que a força para concretizar chegará inevitavelmente, mas neste momento nada parece conseguir resgatar-me deste marasmo interior, nada.
O meu corpo aguenta muito, apesar de as minhas costas já terem conhecido melhores dias, mas a minha mente, essa está frágil, pequenina e regenera-se a ver programas estúpidos na televisão, ou a navegar na internet. É a forma que ela encontrou de não pensar demasiado, de não aprofundar, de não se desviar para dentro de mim...
Sei que as coisas vão mudar e que a força para concretizar chegará inevitavelmente, mas neste momento nada parece conseguir resgatar-me deste marasmo interior, nada.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Ajudem Alguém a Concretizar um Sonho
Há quem fique parado à espera que as coisas com as quais sempre sonhou caiam algures lá de cima e aterrem bem no centro das suas vidas sem sentido.
Há quem se resigne com as vidas que leva e passe os dias a queixar-se da sua má sorte.
Depois há toda aquela classe de pessoas corajosas que ousam. Fartas de acordar para a mesma realidade decidem virar o jogo.
Eu sempre defendi, um pouco cinicamente, que até para ousar é preciso dinheiro. Pois com filhos e hipotecas para pagar, os sonhos passam sempre para segundo plano.
Mas aqui temos uma mulher que foi um bocadinho mais longe e teve uma ideia, no mínimo brilhante, para ultrapassar esse obstáculo monetário.
Decidiu desfazer-se dos seus bens materiais num leilão em que todos vocês podem participar e assim juntar algum dinheiro para correr atrás do seu sonho e dar um pontapé na tal vida resignada.
Ajudarmos alguém a concretizar o desejo de uma vida melhor está sim ao nosso alcance e também nos faz acreditar que é possível.
Este é o post que explica a ideia.
Há quem se resigne com as vidas que leva e passe os dias a queixar-se da sua má sorte.
Depois há toda aquela classe de pessoas corajosas que ousam. Fartas de acordar para a mesma realidade decidem virar o jogo.
Eu sempre defendi, um pouco cinicamente, que até para ousar é preciso dinheiro. Pois com filhos e hipotecas para pagar, os sonhos passam sempre para segundo plano.
Mas aqui temos uma mulher que foi um bocadinho mais longe e teve uma ideia, no mínimo brilhante, para ultrapassar esse obstáculo monetário.
Decidiu desfazer-se dos seus bens materiais num leilão em que todos vocês podem participar e assim juntar algum dinheiro para correr atrás do seu sonho e dar um pontapé na tal vida resignada.
Ajudarmos alguém a concretizar o desejo de uma vida melhor está sim ao nosso alcance e também nos faz acreditar que é possível.
Este é o post que explica a ideia.
terça-feira, 22 de junho de 2010
The Sex, The City and Shoes
Tive uma epifania, tardia bem sei, mas percebi finalmente o porquê do fetiche Manolos, Jimmy choo, Louboutin, Pradas e enfim, tudo o que soe a designer de chulé Nova Iorquino e que ocupa tanto espaço nos cérebros femininos dos nossos tempos.
Uma das minhas irmãs mais novas perguntava-me outro dia se eu gostava da série Sexo e a Cidade, é que ela via agora tudo de uma assentada pela net, ao que lhe respondi que costumava ver todos os episódios lá muito atrás no tempo e que sim, que gostava, principalmente da Samantha.
Comecei então a reparar que de cada vez que estava com ela a miúda trazia um par de sapatos diferente, cada um mais alto e destrambelhado que o outro. Daí a começar a escrever a suspirar pelas marcas acima referidas foi um passo pequeno, do tamanho de um salto raso.
Conclusão: A série O Sexo e a Cidade é perigosa, transforma miúdas alfacinhas em Nova Iorquinas, sem lhes ensinar que a calçada portuguesa não foi concebida a pensar nos Louboutin e faz da Sarah Jessica Parker uma diva da moda que todo o mulherio quer seguir, quando na realidade, tem esta grande pedra no sapato. Chiça que até eu tinha mais estilo nos anos 80...
Uma das minhas irmãs mais novas perguntava-me outro dia se eu gostava da série Sexo e a Cidade, é que ela via agora tudo de uma assentada pela net, ao que lhe respondi que costumava ver todos os episódios lá muito atrás no tempo e que sim, que gostava, principalmente da Samantha.
Comecei então a reparar que de cada vez que estava com ela a miúda trazia um par de sapatos diferente, cada um mais alto e destrambelhado que o outro. Daí a começar a escrever a suspirar pelas marcas acima referidas foi um passo pequeno, do tamanho de um salto raso.
Conclusão: A série O Sexo e a Cidade é perigosa, transforma miúdas alfacinhas em Nova Iorquinas, sem lhes ensinar que a calçada portuguesa não foi concebida a pensar nos Louboutin e faz da Sarah Jessica Parker uma diva da moda que todo o mulherio quer seguir, quando na realidade, tem esta grande pedra no sapato. Chiça que até eu tinha mais estilo nos anos 80...
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Viajar Assim é Viagem
Senti a humidade na palma da tua mão e desenlacei os nossos dedos, trazendo na pele um bocadinho do nosso calor.
Andámos muito, tanto que perdi a conta aos passos que não cheguei a contar. A minha mão ficou de novo fresca e buscou a tua mão guardada dentro do bolso, num gesto que a protegia do frio.
Aquela cidade era nossa e conseguíamos sentir o cheiro fresco da novidade como um bálsamo que não nos cansávamos de inspirar uma e outra vez, até sentirmos tudo a girar à nossa volta.
O cansaço do final do dia era bom, queria dizer que tínhamos visto tudo e, no entanto, tanto ficara ainda por ver.
Viajar sempre foi para nós renascimento enquanto dois, enquanto cada um. Viajar é e será sempre um dos grandes prazeres da minha vida, sinto já falta do arrepio que antecede a manhã da viagem e saudades de sentir saudades dos que ficam.
Ontem perdi-me nas nossas fotografias e passei o dedo sobre o papel mate, como se assim pudesse voltar ali, àqueles lugares onde fomos felizes.
Andámos muito, tanto que perdi a conta aos passos que não cheguei a contar. A minha mão ficou de novo fresca e buscou a tua mão guardada dentro do bolso, num gesto que a protegia do frio.
Aquela cidade era nossa e conseguíamos sentir o cheiro fresco da novidade como um bálsamo que não nos cansávamos de inspirar uma e outra vez, até sentirmos tudo a girar à nossa volta.
O cansaço do final do dia era bom, queria dizer que tínhamos visto tudo e, no entanto, tanto ficara ainda por ver.
Viajar sempre foi para nós renascimento enquanto dois, enquanto cada um. Viajar é e será sempre um dos grandes prazeres da minha vida, sinto já falta do arrepio que antecede a manhã da viagem e saudades de sentir saudades dos que ficam.
Ontem perdi-me nas nossas fotografias e passei o dedo sobre o papel mate, como se assim pudesse voltar ali, àqueles lugares onde fomos felizes.
domingo, 20 de junho de 2010
Filho
Filho, filho, filho, filho. Não me canso de repetir esta palavra e por muito que a repita soa-me sempre a novidade. Tão diferente de filha, tão nova, tal como tu.
Sou daquelas pessoas um bocadinho parvas que pensam que assim que dizem bem de alguma coisa ao mundo, no dia seguinte ela avaria-se, estraga-se, modifica-se, mas acho que é meu dever dizer-te que tens sido suave e se deixares de o ser amanhã mesmo não importa.
És suave meu amor, sorris muito, inventaste uma espécie de tosse para chamares a atenção e sorris para quem quer que se atravesse no teu caminho, mesmo para quem não te olha.
Já comes sopa e papa, entre as duas preferes os legumes. Choras quase sempre durante o processo, mas comes e não ficamos duas horas nessa tarefa, é coisa para 10 minutos.
Queria dizer-te obrigada por seres tão paciente com a tua irmã, por nunca chorares quando ela te pega desajeitadamente ao colo, nem quando grita e corre como uma doida à tua volta. Sabes que ela gosta muito de ti, de verdade, mas ainda não se habituou a essa coisa de ter que me dividir.
Queria dizer-te que foi muito querido da tua parte facilitares as coisas aqui em casa com ela e comigo.
Amanhã não sei como serás, mas hoje és o lado mais suave do tecido da minha vida e eu gosto de passar a mão nas tuas bochechas e sentir fisicamente o que sinto todos os dias aqui dentro.
Sou daquelas pessoas um bocadinho parvas que pensam que assim que dizem bem de alguma coisa ao mundo, no dia seguinte ela avaria-se, estraga-se, modifica-se, mas acho que é meu dever dizer-te que tens sido suave e se deixares de o ser amanhã mesmo não importa.
És suave meu amor, sorris muito, inventaste uma espécie de tosse para chamares a atenção e sorris para quem quer que se atravesse no teu caminho, mesmo para quem não te olha.
Já comes sopa e papa, entre as duas preferes os legumes. Choras quase sempre durante o processo, mas comes e não ficamos duas horas nessa tarefa, é coisa para 10 minutos.
Queria dizer-te obrigada por seres tão paciente com a tua irmã, por nunca chorares quando ela te pega desajeitadamente ao colo, nem quando grita e corre como uma doida à tua volta. Sabes que ela gosta muito de ti, de verdade, mas ainda não se habituou a essa coisa de ter que me dividir.
Queria dizer-te que foi muito querido da tua parte facilitares as coisas aqui em casa com ela e comigo.
Amanhã não sei como serás, mas hoje és o lado mais suave do tecido da minha vida e eu gosto de passar a mão nas tuas bochechas e sentir fisicamente o que sinto todos os dias aqui dentro.
P'ra Não Te Julgares Esguia toma lá
Porque é que fui pegar naquela túnica, porquê?
Aquela que tenho guardada por nunca ter tido coragem de a deitar fora e que aguarda paciente o dia em que ficarei de novo esguia e escorregarei no seu interior como um fio de esparguete.
Maldita hora em que pensei que podia já voltar a usá-la. Primeiro estiquei os braços para cima, como se me rendesse às evidências e depois comecei a puxadela para baixo, sim, consegui entrar nela é um facto. Sim, aguentei 5 minutos com os sovacos em modo-pressão-torturante. Foram 5 minutos agudizantes, interrompidos apenas pelo som de tecido a rasgar.
Mas o drama, o verdadeiro filme de terror foi conseguir sair de dentro da maldita túnica. Acho que desloquei a clavícula.
Aquela que tenho guardada por nunca ter tido coragem de a deitar fora e que aguarda paciente o dia em que ficarei de novo esguia e escorregarei no seu interior como um fio de esparguete.
Maldita hora em que pensei que podia já voltar a usá-la. Primeiro estiquei os braços para cima, como se me rendesse às evidências e depois comecei a puxadela para baixo, sim, consegui entrar nela é um facto. Sim, aguentei 5 minutos com os sovacos em modo-pressão-torturante. Foram 5 minutos agudizantes, interrompidos apenas pelo som de tecido a rasgar.
Mas o drama, o verdadeiro filme de terror foi conseguir sair de dentro da maldita túnica. Acho que desloquei a clavícula.
sábado, 19 de junho de 2010
Rotina
Eu até era boa a fugir da rotina de vez em quando, mas nos últimos tempos estou tão atolada, emaranhada, enrolada em tantas pequenas tarefas repetidas hora após hora, dia após dia, que não tenho vencido a corrida, estou a perdê-la miseravelmente.
A rotina muitas vezes salva-nos, outras tantas vezes mata-nos.
A rotina muitas vezes salva-nos, outras tantas vezes mata-nos.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
O Clube do Verniz Risqué
Há realmente cabeças tão vazias como as que tenho lido por aí, ou aquilo é apenas show off para se tornarem mulheres mais fashion e serem aceites pelo mítico clube do Verniz Risqué?
É que às vezes entro em certos espaços e posso jurar a pés juntos que estou na twilight zone.
Uns têm o condão de me proporcionar valentes gargalhadas é certo, quando dissertam em torno de temas tão fascinantes como a tortura que foi escolher a roupa nessa manhã e depois fotografam-se, como se envergassem os trapos mais chiques do planeta feira. Mas outros, enfim outros são apenas vazios, folhas e folhas virtuais cheias de nada.
É claro que a blogosfera, como a própria vida cá fora, tem de tudo, mas não deixa de ser curioso ver como a maioria das bloggers parece ter andado a cheirar demasiado verniz, verniz Risqué entenda-se.
É que às vezes entro em certos espaços e posso jurar a pés juntos que estou na twilight zone.
Uns têm o condão de me proporcionar valentes gargalhadas é certo, quando dissertam em torno de temas tão fascinantes como a tortura que foi escolher a roupa nessa manhã e depois fotografam-se, como se envergassem os trapos mais chiques do planeta feira. Mas outros, enfim outros são apenas vazios, folhas e folhas virtuais cheias de nada.
É claro que a blogosfera, como a própria vida cá fora, tem de tudo, mas não deixa de ser curioso ver como a maioria das bloggers parece ter andado a cheirar demasiado verniz, verniz Risqué entenda-se.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Raquel
Conheci a Raquel numa altura um bocadinho louca da minha vida, fomos colegas de turma e cúmplices por pouco tempo no espaço do calendário, mas por uma eternidade no espaço aqui dentro de nós.
Fã incondicional de Robert Smith, vestia-se de preto, usava doc martens e era viciada em coca-cola. Juntamente com a expressão pensativa vinha o sorriso por acréscimo, mas um sorriso que chegava tarde, quando a empatia brotava das nossas conversas e a troca de ideias e paixões se instalara já irremediavelmente.
Era muito sensível, mas uma sensibilidade que fervilhava por dentro. Com ela tinhamos que nos dar ao trabalho de retirar as várias camadas que a protegiam. Como também sou um bocadinho assim, não tive pressa de esperar e ir passando as folhas do seu livro, uma a uma.
Afastámo-nos porque a vida nos afasta tantas vezes das pessoas que nos dizem tanto, mas nunca deixei de pensar naquela rapariga morena, cheia de vida por dentro das suas palavras e de cada vez que ouvia Cure lembrava-me como se fosse ontem e sorria de saudade.
Passados uns anos recebi um telefonema a pedir-me um favor e assim foi, ela veio ter comigo e senti-a um bocadinho perdida.
Desde então perdi-lhe o rasto. Recusei-me a apagar o telefone de casa dos seus pais e passou de uma agenda de papel para o meu telemóvel. Era daqueles números que não conseguia apagar da agenda, por muitas limpezas que fizesse à lista de contactos.
Estes caminhos da internet têm muitas coisas más, mas têm também a magia de nos religar a amigos e a Raquel veio cair de novo no meu pequeno caminho.
Apaixonou-se por um holandês, fez a sua trouxa e rumou com ele de carro para o país das socas, moinhos e bicicletas onde está há 10 anos. Com uma força de vontade arrepiante, aprendeu aquela língua que não lembra a ninguém e terminou o seu curso de psicologia em holandês...
A Raquel é minha amiga e gosto de ter amigos assim, porque gosto de pensar, com muito pouca humildade confesso, que todos nós temos um bocadinho os amigos que somos.
Fã incondicional de Robert Smith, vestia-se de preto, usava doc martens e era viciada em coca-cola. Juntamente com a expressão pensativa vinha o sorriso por acréscimo, mas um sorriso que chegava tarde, quando a empatia brotava das nossas conversas e a troca de ideias e paixões se instalara já irremediavelmente.
Era muito sensível, mas uma sensibilidade que fervilhava por dentro. Com ela tinhamos que nos dar ao trabalho de retirar as várias camadas que a protegiam. Como também sou um bocadinho assim, não tive pressa de esperar e ir passando as folhas do seu livro, uma a uma.
Afastámo-nos porque a vida nos afasta tantas vezes das pessoas que nos dizem tanto, mas nunca deixei de pensar naquela rapariga morena, cheia de vida por dentro das suas palavras e de cada vez que ouvia Cure lembrava-me como se fosse ontem e sorria de saudade.
Passados uns anos recebi um telefonema a pedir-me um favor e assim foi, ela veio ter comigo e senti-a um bocadinho perdida.
Desde então perdi-lhe o rasto. Recusei-me a apagar o telefone de casa dos seus pais e passou de uma agenda de papel para o meu telemóvel. Era daqueles números que não conseguia apagar da agenda, por muitas limpezas que fizesse à lista de contactos.
Estes caminhos da internet têm muitas coisas más, mas têm também a magia de nos religar a amigos e a Raquel veio cair de novo no meu pequeno caminho.
Apaixonou-se por um holandês, fez a sua trouxa e rumou com ele de carro para o país das socas, moinhos e bicicletas onde está há 10 anos. Com uma força de vontade arrepiante, aprendeu aquela língua que não lembra a ninguém e terminou o seu curso de psicologia em holandês...
A Raquel é minha amiga e gosto de ter amigos assim, porque gosto de pensar, com muito pouca humildade confesso, que todos nós temos um bocadinho os amigos que somos.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Tiradas Profundas
Adoro pensamentos escritos em páginas de livros pequeninos e cheios de pinturas a óleo, em anúncios televisivos, em pacotes de açúcar. São os chamados pensamentos descartáveis, ou avulso. Para aquelas pessoas que não podem pensar mais profundamente sobre nada, por estarem de costas voltadas à sua massa cinzenta, são bálsamos de sabedoria. Vejamos alguns exemplos, uns pensados por terceiros, outros pensados pelo meu próprio recheio craniano:
- Parar não é morrer, é simplesmente deixar de viver.
- Não pense mais no passado, recorde-o apenas.
- Em frente é que é o caminho, atrás é tudo o que ficou anteriormente.
- Deixar de caminhar não é parar, é apenas ausência de movimento.
- Eu não penso, reflicto e reflectir é bonito.
- Eu não tenho medo, temo apenas o pior.
Enfim, tudo coisas comoventes e profundas à brava. Mas o que gosto mesmo, o que me diverte à séria, é perceber que há quem se identifique com eles :)
- Parar não é morrer, é simplesmente deixar de viver.
- Não pense mais no passado, recorde-o apenas.
- Em frente é que é o caminho, atrás é tudo o que ficou anteriormente.
- Deixar de caminhar não é parar, é apenas ausência de movimento.
- Eu não penso, reflicto e reflectir é bonito.
- Eu não tenho medo, temo apenas o pior.
Enfim, tudo coisas comoventes e profundas à brava. Mas o que gosto mesmo, o que me diverte à séria, é perceber que há quem se identifique com eles :)
terça-feira, 15 de junho de 2010
A minha Loiça é Outra
Além de jóias, uma outra coisa na qual não me ocorre gastar dinheiro é em loiça. Sim, eu sei que não é normal, que uma gaja que é gaja gosta do seu serviço da Vista Alegre, das suas chávenas de porcelana fina e de terrinas da sopa dentro de um enorme e pesado louceiro. Eu odeio.
Odeio porque ficamos agarradas ao serviço uma vida inteira e eu gosto muito de variar.
Odeio porque é tralha e ganha pó.
Odeio porque é sempre demasiado frágil para ir à máquina e tudo o que não possa ir à máquina está riscado da minha lista.
Odeio, esta é talvez a razão mais importante, porque não poderia atirar pratos à cabeça do Hugo quando me chateasse com ele, ou simplesmente partir a loiça toda para descomprimir.
Tenho uma espécie de louceiro parvo onde amontoo o meu elegante serviço da area infinita e os meus copos de cristal do IKEA, porque aqui quando se reúne a família toda é mesmo muita malta e não cabiam nos armários da cozinha.
Nesse louceiro rústico (um bocadinho rústico demais, já que até tem portas empenadas de origem) também repousam tímida e aristocraticamente umas chávenas de chá e café desse ícone chamado Vista Alegre, porque a minha sogra faz questão de me dar umas peças a cada Natal, mas são iguais ao serviço da area, só que mais caras e, lá está, não podem ir à máquina.
Gosto de olhar para elas enquanto beberico o meu café matinal por uma caneca com uns dizeres muito inteligentes que trouxe de Praga e elas gostam de olhar para mim. A nossa relação fica por aqui.
Odeio porque ficamos agarradas ao serviço uma vida inteira e eu gosto muito de variar.
Odeio porque é tralha e ganha pó.
Odeio porque é sempre demasiado frágil para ir à máquina e tudo o que não possa ir à máquina está riscado da minha lista.
Odeio, esta é talvez a razão mais importante, porque não poderia atirar pratos à cabeça do Hugo quando me chateasse com ele, ou simplesmente partir a loiça toda para descomprimir.
Tenho uma espécie de louceiro parvo onde amontoo o meu elegante serviço da area infinita e os meus copos de cristal do IKEA, porque aqui quando se reúne a família toda é mesmo muita malta e não cabiam nos armários da cozinha.
Nesse louceiro rústico (um bocadinho rústico demais, já que até tem portas empenadas de origem) também repousam tímida e aristocraticamente umas chávenas de chá e café desse ícone chamado Vista Alegre, porque a minha sogra faz questão de me dar umas peças a cada Natal, mas são iguais ao serviço da area, só que mais caras e, lá está, não podem ir à máquina.
Gosto de olhar para elas enquanto beberico o meu café matinal por uma caneca com uns dizeres muito inteligentes que trouxe de Praga e elas gostam de olhar para mim. A nossa relação fica por aqui.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Nigela, Nigela c'a ganda noja
Acabei de ouvir a Nigella Lawson no seu sotaque queque e aristocrático dizer no seu programa:
"Se não estivesse aqui lambia o balcão".
Depois de um bocadinho de sumo da salada de frutas ter caído sobre o mesmo.
Já estou a imaginá-la em casa a lamber o chão quando um bocado do molho de mostarda do bife verte da pratada no caminho para o quarto.
"Se não estivesse aqui lambia o balcão".
Depois de um bocadinho de sumo da salada de frutas ter caído sobre o mesmo.
Já estou a imaginá-la em casa a lamber o chão quando um bocado do molho de mostarda do bife verte da pratada no caminho para o quarto.
Amo-te até nos matarmos
A semana passada ouvia o Seinfield a falar sobre o seu novo programa " The Marriage Ref" e como lhe tinha surgido a ideia de criar aquilo.
Discutia com a mulher em frente a um amigo e as coisas começaram a tornar-se incómodas para este, que dá uma desculpa para sair, ao que o Seinfield responde:
- Não, tu ficas! Ficas e vais resolver esta discussão. Quem é que tem razão, eu ou ela? É que senão ficamos aqui o dia inteiro e nunca chegaremos a conclusão nenhuma.
E assim surgiu a ideia de um programa onde existisse um árbitro a decidir sobre as contendas dos casais.
Eu adoro o Seinfield, o seu humor, a sua maneira inteligente de gozar com o quotidiano e a forma como consegue transformar um assunto banal numa pérola da risada. Portanto fiquei ali a ouvi-lo falar das discussões entre casais, a falar dos tons de voz e do que simbolizam, a falar das discussões que começam por causa do cão e terminam a insultar os sogros. Das discussões que até começam de forma inofensiva e no meio do turbilhão um dos membros do casal solta uma bomba atómica do género: És uma merda na cama!
Foi uma entrevista hilariante (na Oprah) e que me deixou a pensar nas nossas próprias discussões de cáca aqui em casa e como, no fundo, todos os casais têm estes padrões.
Eu não tenho um tom de voz específico para fazer passar certas emoções, mas tenho olhares. O pior deles todos é o que o Hugo chama de "olhar à matadora". Quando lhe lanço este olhar em concreto ele sabe que há qualquer coisa que não fez, ou que fez mal, ou que tem que ir a correr fazer.
Pensando bem no assunto, o casamento tem tantas, mas tantas coisas que podem ser transformadas em momentos de humor que o Jerry Seinfield tem programa para a vida inteira :)
Discutia com a mulher em frente a um amigo e as coisas começaram a tornar-se incómodas para este, que dá uma desculpa para sair, ao que o Seinfield responde:
- Não, tu ficas! Ficas e vais resolver esta discussão. Quem é que tem razão, eu ou ela? É que senão ficamos aqui o dia inteiro e nunca chegaremos a conclusão nenhuma.
E assim surgiu a ideia de um programa onde existisse um árbitro a decidir sobre as contendas dos casais.
Eu adoro o Seinfield, o seu humor, a sua maneira inteligente de gozar com o quotidiano e a forma como consegue transformar um assunto banal numa pérola da risada. Portanto fiquei ali a ouvi-lo falar das discussões entre casais, a falar dos tons de voz e do que simbolizam, a falar das discussões que começam por causa do cão e terminam a insultar os sogros. Das discussões que até começam de forma inofensiva e no meio do turbilhão um dos membros do casal solta uma bomba atómica do género: És uma merda na cama!
Foi uma entrevista hilariante (na Oprah) e que me deixou a pensar nas nossas próprias discussões de cáca aqui em casa e como, no fundo, todos os casais têm estes padrões.
Eu não tenho um tom de voz específico para fazer passar certas emoções, mas tenho olhares. O pior deles todos é o que o Hugo chama de "olhar à matadora". Quando lhe lanço este olhar em concreto ele sabe que há qualquer coisa que não fez, ou que fez mal, ou que tem que ir a correr fazer.
Pensando bem no assunto, o casamento tem tantas, mas tantas coisas que podem ser transformadas em momentos de humor que o Jerry Seinfield tem programa para a vida inteira :)
Troca comigo por um dia
Ontem adoeci a valer. Devo ter comido qualquer coisa estragada e caí de cama.
O Hugo ficou portanto com todos os ministérios aqui de casa.
Estava tão mal disposta que nem tentar tentei. Deixei-me ficar caída na cama como um trapo velho a gemer.
No final do dia vi aquela expressão ligeiramente enlouquecida e impaciente que costumo ter quando ele chega do trabalho nos dias de semana...
O Hugo ficou portanto com todos os ministérios aqui de casa.
Estava tão mal disposta que nem tentar tentei. Deixei-me ficar caída na cama como um trapo velho a gemer.
No final do dia vi aquela expressão ligeiramente enlouquecida e impaciente que costumo ter quando ele chega do trabalho nos dias de semana...
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