quarta-feira, 25 de março de 2009

Obrigada Por me Terem Feito Sorrir

Quando decidi criar este blog foi para homenagear uma história que tinha escrito aos 25 anos. Uma história que em muitos sentidos abriu as portas para a minha profissão.
Foi através desta história, que foi parar às mãos de alguém que acreditou em mim, que consegui ganhar a vida a escrever.
Por isso doeu-me muito quando recebi um telefonema da editora a avisar-me que ia destruir não sei quantos exemplares por falta de venda.
Foi como comunicarem que os personagens que até hoje habitam dentro de mim iam desaparecer para sempre.
Numa espécie de grito de revolta decidi fazer alguma coisa para não deixar cair em esquecimento o "António" e a "Teresa". Só que esse grito de revolta cedo se transformou em muito mais. Acabei por esquecer o que fez com que este blog nascesse e embrenhei-me nas vossas vidas, nas vossas histórias, nos vossos pensamentos.
Por isso quando vi este post não contive a emoção.
Nem que tenha sido para levar a Vontade de Regresso a uma, ou duas pessoas, já valeu tudo a pena.
Obrigada Carlos e JS ! É por coisas assim que a blogosfera não se cansa de me surpreender.

terça-feira, 24 de março de 2009

Dois Dias em Paris...



Adoro descobrir pechinchas na Fnac. Principalmente na zona dos filmes. Passeio-me pelos corredores dos dvd's e tento encontrar um filme que não tenha visto a um preço quase de vídeo clube.
A semana passada encontrei este "2 Days In Paris" e como era com a Julie Delpy, escrito e realizado por ela a minha curiosidade levou a melhor sobre os 10 Euros que custava (acima do meu conceito de pechincha).
Enquanto segurava o filme na mão lembrava-me de um outro filme onde ela entrava e que em tantos aspectos foi um dos filmes da minha vida: "Before Sunrise".
Se algum dia tivesse tido a oportunidade de escrever um guião para cinema com baixo orçamento. Este era o filme que gostaria de ter escrito. Um filme que vive dos diálogos. Não há uma frase que eles troquem que não tenha um significado qualquer. Têm Viena como pano de fundo, mas poderia ser em qualquer lugar do mundo, pois o que importa ali são as conversas, a empatia, o descobrir mútuo um do outro, aquela sensação que tive tantas e tantas vezes naquele tempo de que uma boa conversa faz esquecer tudo o resto, principalmente a passagem do tempo.
Ontem vi o 2 Dias em Paris e aconselho vivamente. A julie Delpy é uma grande mulher/realizadora/actriz/argumentista sim senhora.

segunda-feira, 23 de março de 2009

A Bimbalhice do Costume


Bem sei que é já um tema recorrente neste espaço, mas de cada vez que vejo o ciganito a pavonear-se no que ele julga ser um banho de estilo e de moda, o meu cérebro envia sinais de alerta ao meu bom gosto e tremo de raiva.
Estou em crer que o critério com que o CR7 escolhe a sua roupa é bastante simples até:
- Prease, faxavor!
A lojista aproxima-se dele com um sorriso de orelha a orelha.
- O que é que tem de pochetes do Luís Vitorino?
A lojista sempre pronta e solícita aproxima-se com um infindável número de carteirinhas sob sovaco/Revisor da Carris para o nosso ídolo escolher.
Ele nem as olha, vai directamente ao talão do preço e agarra na mais dispendiosa, pensando para si. A mais cara deve ser a mais estilosa. Quem pode pode. E esta até que fica mesmo a matar com os meus óculos "Guce", com a minha t-shirt "Doce de Gambana", a minha calça coleante do "Mosquinha" e o meu téne estilo puma, mas "Guce" pra condizer com o óculo. Saio daqui mando fazer outro brinquinho de diamante, este a modos que já está um bocado pró gasto. CR7 respira fundo e sorri com a sua cremalheira restaurada:
- Podia pedir-lhe um favour? Ask favor?
Lojista sorridente anui.
- Dá para mandar gravar aqui na pochete, mesmo ao lado do LV, um CR7?

domingo, 22 de março de 2009

A Importância de Saber Dizer Não

Sempre entendi que saber dizer não à minha filha era tão importante como saber dizer sim.
Dizer-lhe que alguma coisa está errada, que não se deve fazer, que não pode ter tudo aquilo que pede, quando ela ainda está a aprender a conhecer a vida, é tão essencial como dar-lhe água para beber. É como se fosse a matéria prima que o espírito dela necessita para crescer saudável.
Defendo até que dizer não é uma das grandes provas de amor que lhe posso e quero dar enquanto ainda vou a tempo.
Amar um filho não é concretizar todas as suas vontades. É concretizar algumas vontades, saber ceder, saber quando não ceder, saber abraçar, saber repreender. Saber quando recuar, quando avançar. E gerir tudo isto é talvez das tarefas mais complicadas do mundo.
Claro que nada nos dá garantias, pois não mandamos no destino e nas circunstâncias da vida. Mas enquanto estiver nas minhas mãos irei fazer de tudo para a munir das armas que precisa para saber enfrentar os balanços que a vida lhe trará.

*Este post fez-me reflectir.

Filhos e Feitios

A minha filha desenvolveu nos últimos meses uma timidez acima da média. Assim que alguém que ela não conhece lhe dirige a palavra, tapa os olhos com as mãos. Na maior parte dos locais onde vamos dou por mim a torcer para que não se metam com ela e não lhe digam: Olha que linda menina, como é que te chamas? Ó tão envergonhada que ela é!
É verem-me a fazer sorrisos amarelos: Ah desculpe e tal, ela é um bocado antipática, mais vale não fazer conversa com ela.
Mas o incrível é que quase ninguém me dá ouvidos, tirando raras execepções, continuam a tentar a sua sorte: Ah mas ela comigo fala, como é que te chamas minha linda?
E agora é sinceramente a parte que mais me constrange. A Alice desiste da táctica das mãos à frente dos olhos e enfia a cara no meu rabo. Sim, cola-se a mim exactamente naquele sítio e em modo automático lanço mais sorrisos forçados: Isto é uma fase, se a ignorar, daqui a uns minutos já se está a meter consigo.
Ninguém ouve a mãe desesperada e ainda dizem: Ai a minha é tão desinibida, não tem nada a ver.
Porque é que as pessoas não respeitam os ritmos das crianças? Os diferentes feitios? Pensarão elas que os putos vêm de uma fábrica onde são feitos em série e têm os mesmos gostos, feitios, personalidades? Não entendem que cada criança, apesar de ser criança, é diferente? Não basta dizer-lhe meia dúzia de lugares comuns com vozes execessivamente idiotas e esperar que ela reaja de forma eufórica.
Ontem ao jantar era vê-la na galhofa para quem não lhe ligava peva e absolutamente bicho do mato para quem lhe dizia: Vem-me dar um abraço, ó minha linda tão envergonhada que ela é. Ó mãe, porque é que ela é assim?
Pois a culpa deve ser minha de certeza. Eu também não vos digo que os vossos são mal educados para c..., que gritam, pulam destroem como se não ouvesse amanhã. Também não ando atrás dos vossos com voz distorcida até ao nível do ridículo a perguntar indirectamente o que é que a mãezinha dele fez para que ele ficasse tão selvagem.
Por favor, menos ditadura mamãs e se querem simpatia da minha filha venham visitá-la mais vezes.

sábado, 21 de março de 2009

A minha Bolha

Há dias em que acordo numa espécie de bolha invisível. É como se estivesse a pairar algures entre o estado acordado e o estado vegetativo.
Apetecia-me tanto passar o dia com os olhos num livro, num filme fácil, responder por monossílabos, não ter que decidir absolutamente nada, nem sequer a roupa que tenho que vestir. Ter quem pensasse por mim, quem planeasse por mim, quem falasse por mim. Dias em que a simples tarefa de decidir se viro à esquerda, ou à direita parece penosa demais.
E é sempre nestes dias que tenho um qualquer jantar que me exige mais do que consigo dar. Sorrisos forçados, conversas de ocasião.
Sentir-me absolutamente só, apesar de rodeada de gente é das coisas mais cansativas que me podem acontecer...

As Blogonovelas

Só para vos dizer que criei um novo blog, onde, juntamente com o Miguel C. tenciono dar asas à imaginação em termos noveleiros.
É um espaço onde vamos criar histórias, agarrar sem dó nem piedade numa história iniciada e tentar terminá-la, completá-la. Não há regras, é um salve-se quem puder.
Quem gostar de ler coisas com, ou sem muito sentido, românticas, surreais, cómicas, sigam-nos por aqui:
AS BLOGONOVELAS

sexta-feira, 20 de março de 2009

O Meu Lar


Podia dizer que o meu lar é onde sinto o nosso cheiro quando chego, onde escuto as vossas vozes mesmo depois de ter adormecido.
Podia dizer que o meu lar é onde cada ruído me é tão familiar.
Podia dizer que o meu lar é onde vive o meu coração, para onde tenho pressa de voltar quando as coisas correm mal, para onde retorno para celebrar uma vitória.
Podia dizer que o meu lar é onde me sento para jantar na nossa mesa de madeira rústica e vos oiço a criticarem, ou elogiarem os meus cozinhados.
Podia dizer que um dos meus mais firmes desejos é que a minha filha sinta que pode sempre voltar para aqui e encontrar abrigo do resto do mundo.
Podia dizer tantas coisas sobre a importância de uma casa a que possamos chamar lar. Mas vou apenas dizer que para mim o meu lar é onde posso entrar e ser simplesmente eu, deixando tudo o que não importa lá fora, incluindo os sapatos...

Tarot Informativo/ ou Conversa da Treta


A TVI lançou uma rubrica deliciosa no seu telejornal matinal. Decidiram contratar uma astróloga que deita as cartas do tarot aos signos todos os dias.
Como é maravilhoso despertar ao som daquela enchente de sabedoria.
Fico imediatamente animada ao descobrir que a carta do meu signo para este dia é o Papa e que devo parar e decidir a sério sobre o rumo a tomar, pois é nas pequenas coisas que por vezes encontramos a sabedoria (se não for assim é parecido).
Descubro depois que a carta do meu marido dita que ele seja mais cauteloso com o dinheiro, pois é na previdência que está a raiz da sapiência. Mais à frente descubro que um qualquer signo deve ponderar mais, pois decisões precipitadas podem deitar tudo a perder. Quando penso que pior é impossível, surge a indicação para o Carneiro que nos confidencia que nunca é tarde para encontrar o amor. BAHHHHHHH!!!!!!!
Mas quanto lhe pagarão para debitar tamanha lista de lugares comuns que se encaixam numa em cada duas pessoas? Ou terá comprado um daqueles dicionários de citações baratas para poder encher os ouvidos dos mais crédulos?
Haja paciência. É isto informação jornalística? Ou pura debilidade mental?
Para mim é simplesmente o momento humorístico matinal.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Dia do Pai é Todos os Dias, ou dia Nenhum

Estes dias alusivos ao pai e à mãe não deviam existir. Sinto que fazem sofrer quem já não tem aqueles que ama perto de si, fazem chorar os que foram rejeitados pelas pessoas que os deviam proteger e amar para sempre. Na escola quando se fazem trabalhos para brindar estes dias, aqueles que por um motivo, ou outro, não têm a quem dar o presente, ficam com o coração apertado. E tudo isto para quê?
Quem não tem pai não precisa de ser recordado disso.
Quem tem um filho e o enche de amor todos os dias não precisa de celebrar nenhum dia em especial, pois cada minuto perto dele é uma celebração de amor.

A Banda Sonora do Silêncio do Amor



Foi ao som desta música que escrevi a minha parte do Silêncio do Amor.
Todos nós procuramos um sítio suave onde cair. Alice e Artur encontraram isso um no outro.

O Silêncio do Amor. Fim

A urgência daquele amor adiado era quase dolorosa. Duas pessoas tão diferentes nos seus percursos de vida, pareciam encaixar na perfeição em tudo o que importava. Alice afastou-se ligeiramente de Artur e olhou-o. O seu olhar molhado pela emoção.
- Quem diria que dentro daquele homem tímido, silencioso, atento, estavas tu. Como é que pude não te ver durante tanto tempo Artur?
Artur sorri, sabe que têm tanta coisa para dizer um ao outro e no entanto, sente que a única maneira que tem de lhe dizer aquilo que sente é apertando-a contra si.
Volta a beijá-la, um beijo terno, sem pressas, que contém tudo aquilo que lhe quer dizer, depois olha-a comovido.
- Mudaste a minha vida Alice. Sinto que todos os passos que dei até hoje foram no sentido de me cruzar contigo. Quando entrei naquele café, quando te vi pela primeira vez, queria desistir, entregar-me ao sentimento de perda em que mergulhava todos os dias. Entrei, sentei-me naquela mesa escondida e vi-te. Sorriste-me, perguntaste-me se estava tudo bem e qualquer coisa dentro de mim quebrou.
Alice sorri, beijando-o com suavidade, volta a abraçá-lo, como se não quisesse perdê-lo nunca mais. Mas Artur já não consegue parar de falar:
- Sentia-me impelido para perto de ti todos os dias, foste entrando na minha vida até te tornares parte dela e, no entanto, nem sabia o teu nome.
- Porque é que nunca me disseste nada? Porque é que perdemos tanto tempo Artur?
- Sei-te de cor Alice, cada pequeno sorriso, cada suspiro de cansaço, cada gesto. Há tanto tempo que te conheço… Mas por algum motivo sentia que assim que te dissesse te perdia.
- Tens consciência que me resgataste de mim própria? Eu devo-te tanto. Sei que tivemos apenas um dia, mas foi esse dia que mudou tudo, que me fez acreditar que era possível. Como é que alguém como tu podia sequer ver-me? Como é que alguém podia interessar-se por uma mulher como eu.
Artur sorri. A realidade é que a Alice que tem à sua frente é realmente uma outra mulher. Passa uma mão sobre o seu rosto. Depois aperta a mão quente dela na sua.
- Ninguém aparece na nossa vida por acaso. Só quero que me prometas que não vais voltar a sair do meu caminho nunca mais. Tudo o que surgir, bom e mau, vamos enfrentar juntos.
- Agora que te encontrei não tenciono deixar-te ir Artur. Mesmo sem te conhecer, foi a ti que sempre procurei…
Alice encosta o rosto a Artur, sentindo o seu cheiro, sentindo-se regressar a casa após uma longa viagem.
Artur envolve-a num abraço e segreda-lhe:
- Quando percebemos que queremos passar o resto da nossa vida ao lado de alguém, só queremos que o resto da vida comece o mais depressa possível.
Os dois beijam-se, desta vez sem pressas, pois sabem bem dentro deles que tudo tem o seu tempo para acontecer. E é como dois náufragos que finalmente chegaram a um porto seguro que se entregam um ao outro.

Suif Shuif, é com saudades que me despeço destes dois e com um grande obrigada ao Miguel por me ter ajudado a trilhar os seus caminhos.
Até à próxima blogonovela!
* Lamento não vos ter dado uma cena de sexo tórrido, mas estes dois mereciam fazer amor na privacidade da história :)

quarta-feira, 18 de março de 2009

That´s Amore



Não me posso queixar de ter crescido longe da música, pois não havia um membro da minha família que não tivesse as suas marcadas preferências por este, ou aquele cantor. Por isso cresci envolvida por ritmos que até hoje me dizem tanto de cada vez que os escuto.
Com o meu pai aprendi a gostar de Birds, Chicago, America, Genesis, Cat Stevens, Rolling Stones, Mammas and Pappas e tantos, tantos outros.
Com a minha mãe acho que desde o ventre me lembro de ouvir a toda a hora Maria Bethânia, Gal Costa, Chico Buarque, Simone.
Mas foi o meu avô que me apresentou pela primeira vez a Dean Martin. Para ele não havia no mundo melhor voz, superava o Frank Sinatra em larga escala e era muito mais bonito.
Quanto ao superar o Frank Sinatra, tenho as minhas dúvidas. Mas esta é para mim a música mais feliz que conheço. E se não tivesse previsto tantos narizes torcidos e expressões de choque, era ao som dela que queria ter entrado na igreja quando me casei.
Digam-me da vossa justiça, há melhor coisa no mundo do que ouvir cantar sobre amor em inglês com sotaque italiano? Só mesmo ouvir cantar sobre o amor em italiano.
Esta música há de sempre fazer-me sorrir seja em que circunstância for, porque algumas músicas simplesmente foram feitas para isso.

terça-feira, 17 de março de 2009

Prender-nos Aqui Neste Momento



Adoro os nossos almoços na mesa apertada da cozinha. Tu ajudas-me a preparar as coisas sempre com um entusiasmo enternecedor. Como se ajudares-me a atirar os legumes para dentro da panela, ou ires-me roubando pedacinhos de cenoura crua para trincares entre risos, fosse a coisa mais entusiasmante do mundo.
Adoro ter a tua atenção por aquele espaço de tempo em que partilhamos a nossa refeição, ouvir a tua voz, sentir o toque da tua mão no meu braço quando me perguntas se temos morangos, tocar nos teus cabelos quando te digo que sim e ver o teu sorriso de pura felicidade, só porque comprei a tua fruta favorita.
Faço-te os meus pratos mais saudáveis que o teu pai não aprecia tanto, explico-te como certos alimentos fazem bem à saúde e outros nem por isso. Tu escutas-me como se conseguisses entender tudo aquilo que te digo e sei bem dentro de mim que ninguém nos pode roubar isto que já temos juntas.
Ao mesmo tempo sinto uma urgência quase cega de nos prender naquele momento para sempre, pois sei que um dia muito em breve, a tua satisfação passará por muito mais do que a fruta que vais partilhar comigo depois do nosso almoço...

A Praia


Nunca fui de ficar a torrar ao sol. Sou daquelas que mesmo debaixo de um toldo com protecção 50 apanho escaldões. Não sei se por isso, ou por um qualquer outro motivo genético, odeio praia. Mais uma faceta minha que tantas vezes me valeu a alcunha de bicho raro(isso e não gostar de marisco).
Odeio o calor em excesso, o barulho das bolas atiradas perto de mim e que me obrigam a estar sempre em posição defensiva, odeio o ritual de meter cremes protectores, odeio o desconforto de não ter posição na toalha, odeio marchar para a praia por obrigação, como se fosse a coisa mais espectacular do mundo. Odeio andar feita louca à procura de um espaço para estacionar o carro, odeio entrar no carro com um calor abrasador depois da caminhada de volta.
Dêem-me um bom toldo, uma boa espreguiçadeira, um bom livro. Dêem-me uma praia no final da tarde já sem muito calor, com o som das gaivotas a ecoar nos meus ouvidos e eu fico bem. Dêem-me um hotel à beira mar, onde não tenha que andar mais do que alguns metros até ao extenso areal (o tamanho da praia importa sim)e eu deixo de resmungar.
Com a Alice os meus desejos tiveram que ser postos em segundo plano. Tenho que lhe dar ar da praia, por isso todos os anos rumamos até ao Algarve para um sítio com uma distância a pé do extenso areal e lá vamos nós às horas boas do sol. Com ela não consigo ler um parágrafo de um livro, nem sequer fechar um olho de cada vez, pois tem que brincar, correr para o mar, escavar buracos na areia, apanhar conchas, búzios e tudo o que encontrar pelo caminho. Enchemos baldes atrás de baldes de água, quando voltamos, ela está tão mole que tem que ser carregada ao colo e chego ao fim do dia completamente exausta.
Não que me importe de fazer todas estas coisas com a minha filha, mas nas férias dedicadas à praia, para além de sair da rotina, não posso de todo dizer que descansei...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Sair de Mim

Às vezes gostava de poder mandar mais naquilo que sinto. Sofrer menos variações, ser mais a direito, deixar de olhar tanto para o caminho mais adiante e concentrar-me apenas no chão debaixo dos meus pés.
Gostava de ser mais plana, menos sinuosa, mais simples, mais concreta.
Porque é que o meu humor oscila com as fases da lua, com a cor do dia, com uma palavra menos boa?
Porque é que insisto em ver sempre o avesso de tudo, quando o que está por dentro tantas vezes se quer escondido.
Hoje apetecia-me tirar férias de mim. Desligar o invisível botão que consome toda a minha energia e limitar-me a ficar quieta, sem oscilações de maior.
Porque às vezes é importante sairmos de nós e olharmo-nos com a distância necessária para nos acalmarmos.

o Silêncio do Amor, Começar de Novo

Maria ficava acordada durante a noite a olhar Artur durante o sono, talvez tentando resgatar de dentro de si todas as memórias que não possuía. O seu dedo percorria-lhe o rosto adormecido, detinha-se na boca, nos cabelos, no olhar cerrado, mas não surgia nada, nem uma recordação, por mais suave que fosse. E, pouco a pouco uma certeza inabalável foi ganhando forma no seu coração. A certeza de que se amasse Artur de verdade se teria lembrado dele, tal como se lembrara do filho.
Ela não sabia viver sem amor, por isso foi de consciência tranquila que decidiu pôr fim a uma coisa que já não existia mais. Cada um tomaria o seu rumo, sem ressentimentos, sem mágoas, ficando apenas a uni-los Daniel.
Artur tentou dissuadi-la desse ponto final, não haviam passado por tanto para terminarem assim sem dar um pouco mais de luta. Mas Maria foi irredutível, já tinha lutado pela vida durante tempo demais, para começar uma batalha que julgava perdida à partida. E a realidade é que o casamento deles terminara muito antes do acidente. Havia uma grande cumplicidade entre os dois, mas pouco mais partilhavam para além do amor pelo filho. Algures no meio de tantos anos de casamento, haviam-se perdido irremediavelmente um do outro. Alice sentia-o, Artur sabia-o.
Artur acabou por sair da casa que os vira crescer como casal apenas com uma mala e uma certeza do tamanho do mundo, a que tinha acabado de recomeçar.
Arrendou o apartamento do prédio cuja fachada conhecida de cor. O apartamento que pertencera a Alice e à sua pequena filha e foi lá que decidiu mudar o rumo dos seus passos.
Desistiu de enfermagem e com algum dinheiro que tinha conseguido poupar, decidiu abrir uma pequena livraria de bairro que em pouco mais de 2 anos ficou conhecida pelos círculos de estudantes, pais de crianças pequenas, coleccionadores de livros antigos que sabiam encontrar o conselho certo e o espaço ideal naquela pequena livraria.
Artur era um homem diferente, fazia o seu trabalho com amor e isso era o suficiente para o despertar todas as manhãs com um sorriso nos lábios.
Apenas uma coisa se mantinha inalterada dentro de si: Alice. Aquele dia que haviam passado juntos em tantos sentidos tinha sido o seu ponto de viragem e ele apenas queria poder dizer-lhe isso. Todas as noites se perguntava o que seria feito dela, se estaria bem, se pensaria nele, ou se já não passaria de uma recordação distante para aquela mulher agora tão efémera como um sonho.
Por isso foi como num sonho que naquele sábado de manhã viu entrar na sua pequena livraria uma mulher que conhecia tão bem, mas que parecia tão mudada. Trazia um pequeno papel na mão e dirigiu-se às prateleiras dedicadas aos livros de medicina. Artur fitou-a por longos momentos até conseguir perceber que era mesmo ela que tinha acabado de entrar ali, pois parecia mais nova, mais bonita ainda do que se lembrava e trazia consigo uma tremenda luz. Artur lembrava-se de uma mulher triste, envelhecida antes do tempo e curvada por uma enorme desilusão. E a mulher que via agora à sua frente era alguém completamente diferente.
Artur aclarou a voz presa por um tremendo nó de comoção, mas mesmo antes de formular o nome que queria dizer, ela virou-se e encarou-o como se o tivesse sentido...

O que é que foi feito de Alice este tempo todo, o que é que faz naquela livraria, como é que está a vida dela. Será que Artur foi assim tão importante para ela?
Aqui os tens Miguel, são todos teus. O episódio que vais escrever será o penúltimo, por isso dá-lhes toda a tua dedicação :)

domingo, 15 de março de 2009

A Fé dos Outros


Hoje na viagem de volta parámos em Fátima. O meu sogro descobriu que tem uma doença grave há um ano atrás e o Hugo assim que soube desta notícia, meteu-se no carro sem dizer nada a ninguém e rumou sozinho a esse local onde vão tantas vezes os aflitos. Achei bonito na altura o gesto de amor puro e de fé que ele teve e hoje quando voltávamos parámos para ele renovar os seus pedidos pelo pai.
Eu adorava ter as certezas universais de quem se diz pessoa de ciência, ou pessoa de Deus. Porque para cada uma delas é preciso acreditar com uma força desmesurada. Uns na ciência, outros em Deus.
Eu gostava de ter dentro de mim a força invisível da fé, ou o crer incontornável da ciência, mas não tenho.
Se vejo uma paisagem que me comove sinto-me perto de Deus. Se vejo alguém que através do estudo salvou uma vida, sinto-me perto do homem. Acho bonitos alguns aspectos da filosofia budista, acho correctos tantos aspectos da filosofia cristã, acho hipócritas tantos gestos dos representantes de Deus e seus seguidores, acho fanáticas tantas palavras dos que não acreditam nele.
Esta sou eu, a eterna expectadora de mim própria, dos outros, tentando manter o meu espírito à superfície de tudo.
Mas hoje em Fátima, ao ver as pessoas a percorrerem quilómetros de joelhos, ou a atirarem velas para um gigantesco crematório de promessas, ao percorrer as ruas cheias de lojas com acessórios alusivos aos pastorinhos, Nossa Senhora em forma de lápis, porta chaves, canecas, t-shirts e tudo o que seja passível de comércio,senti mais do que nunca que o homem estraga quase sempre aquilo em que acredita. Essa é a minha certeza universal.

De Volta à Vida Como ela É...







Porque é que quando vamos para algum lado fora da nossa casa, da nossa rotina, do nosso dia-a-dia tão igual ao anterior, o nosso olhar brilha, os sorrisos são constantes, a descontracção quase permanente, as implicâncias nulas e o bem estar surge como um bálsamo quase instantâneo?
O pequeno-almoço buffet, as refeições escolhidas de um menú e não de dentro da minha cabeça, o quarto de hotel deliciosamente desarrumado, os passeios ao ar livre de mão dada, os risos dela sempre tão sonoros, fazem com que os ponteiros do relógio andem depressa demais, pois só queriamos poder ficar assim para sempre.
Toda a gente devia sair da rotina de vez em quando. Só assim conseguimos ordenar-nos por dentro e por fora e regressarmos ao essencial...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Até Domingo!


Apesar de amanhã ser Sexta-Feira 13 e segundo o conselho de alguém muito próximo devíamos ficar todos em casa, dentro da cama com capacetes na cabeça e coletes salva vidas. Vamos passar o fim de semana fora.
Depois de tanto tempo a trabalhar sem direito a fins-de-semana acho que merecíamos esta fuga, só nós os três. Passar algum tempo juntos sem pensar em mais nada a não ser carregar baterias, com muito amor e cumplicidade.
Vou ter saudades vossas, mas também já tinha saudades minhas...
A Alice está tão contente que já preparou as coisas dela. Tudo o que ela tem de mais importante cabe dentro desta malinha e tudo o que eu tenho de mais importante cabe dentro do meu coração.