Não quero, não quero, não quero, não quero. Tem que ser, tem que ser, tem que ser, tem que ser. Quero chorar, chorar, chorar, chorar. Mas vou sorrir, sorrir, sorrir, sorrir.
Agora digam-me se existe gaja mais ridícula que eu? Digam-me por favor.
Caramba, nunca a divisão entre a minha cabeça e o meu coração foi tão abissal e nunca o sorrir, quando tenho vontade de chorar, foi tão difícil.
Sou a mãe mais cool e para cima do mundo à sua frente, a estender a mão para um high five e piscando um olho cúmplice de cada vez que falamos na escola, quando por dentro me sinto a verdadeira galinácea a estender perigosamente as asas sobre a cria.
Caramba que nunca me disseram que ia ser assim. Caramba.
domingo, 19 de setembro de 2010
sábado, 18 de setembro de 2010
Todos os Nomes mais o Teu

Voltar à escola enquanto mãe será certamente uma aventura. Vou esperar para ver como corre, para ver como corres nesse espaço que será um bocadinho teu, que tem o teu nome escrito e oficializado em tantos sítios.
Alice, Alice, Alice, Alice. Digo-o em voz alta tantas e tantas vezes, mas vê-lo assim desenhado por outras mãos que não as minhas, pendurado, colado, afixado, chamado, lembra-me que já és um bocadinho menos minha.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Zip Zaping
Ando chata. Chata e impaciente.
Exemplos deste meu estado de espírito aborrecido são sem dúvida, conseguir topar nos primeiros 5 minutos de filme se vou gostar, ou se vai ser uma banhada, o mesmo acontece com os livros. Comprar um Cd (sim, de vez em quando ainda compro) e não ouvir nenhuma música até ao fim. Cá em casa, quem se atrever a sentar-se ao meu lado enquanto vejo televisão, sofre, pois na realidade não vejo porra nenhuma, vou sim saltando de canal em canal e vendo dez coisas em simultâneo.
Estou na rua e quero voltar para casa, estou em casa e quero sair porta fora.
Procuro hotéis para uma possível viagem no Booking.com e não chego a conclusão nenhuma, pois salto de hotel em hotel e vou descartando este e este e este, ora pela colcha da cama, ora pelas casas de banho de aspecto duvidoso, ora porque vejo outro hotel mais bem localizado, enfim, não consigo concentrar-me num site de viagens, sem que me apeteça explorar outros países logo de seguida. Salto do Booking, para o netviagens, para o e-dreams, para o Google Earth, para a blogosfera, para a ciber-esfera e não chego a reservar nada.
Espero que isto passe, a sério que espero, se bem que, enquanto espero, aproveito para olhar por cima do ombro a ver se topo alguma coisa mais interessante para fazer do que esperar que passe.
Exemplos deste meu estado de espírito aborrecido são sem dúvida, conseguir topar nos primeiros 5 minutos de filme se vou gostar, ou se vai ser uma banhada, o mesmo acontece com os livros. Comprar um Cd (sim, de vez em quando ainda compro) e não ouvir nenhuma música até ao fim. Cá em casa, quem se atrever a sentar-se ao meu lado enquanto vejo televisão, sofre, pois na realidade não vejo porra nenhuma, vou sim saltando de canal em canal e vendo dez coisas em simultâneo.
Estou na rua e quero voltar para casa, estou em casa e quero sair porta fora.
Procuro hotéis para uma possível viagem no Booking.com e não chego a conclusão nenhuma, pois salto de hotel em hotel e vou descartando este e este e este, ora pela colcha da cama, ora pelas casas de banho de aspecto duvidoso, ora porque vejo outro hotel mais bem localizado, enfim, não consigo concentrar-me num site de viagens, sem que me apeteça explorar outros países logo de seguida. Salto do Booking, para o netviagens, para o e-dreams, para o Google Earth, para a blogosfera, para a ciber-esfera e não chego a reservar nada.
Espero que isto passe, a sério que espero, se bem que, enquanto espero, aproveito para olhar por cima do ombro a ver se topo alguma coisa mais interessante para fazer do que esperar que passe.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Adoro
Tudo o que seja programas sobre casas, restauro de casas, decoração de casas, compra de casas, troca de casas.
Tirando o Querido Mudei a Casa, que com tanta conversa pelo meio e tanta divagação em torno do diluente da Robialac e suas características, acaba sempre por me fazer fechar a pestana...
Tirando o Querido Mudei a Casa, que com tanta conversa pelo meio e tanta divagação em torno do diluente da Robialac e suas características, acaba sempre por me fazer fechar a pestana...
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Assombro Fashion
Hoje entrei nesse templo da moda chamado Zara e deparei-me com estes cães na secção dos sapatos (não este modelo, mas o modelo pêlo-de-caniche-encardido-por-anos-de-mijo). Olho em volta e de facto, estava numa loja de roupa e não numa pet-shop, mas o meu assombro manteve-se. Aproximei-me, toquei-lhes, fiz-lhes festinhas, assobiei-lhes, acenei-lhes com um pedacinho de bacon que tinha agarrado à camisa, mas nada, não me ligaram puto, ficaram ali, na prateleira rente ao chão, fofinhas e peludas.
Eu só pergunto, do alto da minha ignorância fashionista, alguém anda com esta merda nos pés? Aquilo não morde? Não fica a trampa dos passeios agarrada ao pêlo? Não vos confundem com o Big Foot?
Há de facto malucos para tudo.
Eu só pergunto, do alto da minha ignorância fashionista, alguém anda com esta merda nos pés? Aquilo não morde? Não fica a trampa dos passeios agarrada ao pêlo? Não vos confundem com o Big Foot?
Há de facto malucos para tudo.
Os anos uns atrás dos outros
Sinto-me cada vez mais tolerante. Não sei porque carga de água fiquei assim neste marasmo e pacifismo interior, mas acho que isto de fazer anos, uns atrás dos outros, nos traz coisas boas.
Deixei-me das certezas inabaláveis e universais da adolescência, divorciei-me dos planos mais do que certos, separei-me das grandes lutas por nada de especial e dos julgamentos à primeira vista.
Saltei fora das constantes opiniões não solicitadas e tentei dar um pontapé no que não é importante para me fazer parar mais do que um minuto.
Ainda me irrita o egoísmo, o egocentrismo, a falta de auto-conhecimento e de admissão dos próprios erros de muita gente e com isso a intolerância renasce em mim com todas as forças, mas de resto gosto de sentir que abraço pessoas diferentes de mim, visões opostas, ideias absurdas sob o meu prisma, mas válidas para outros.
Gosto de sentir que os anos, uns atrás dos outros, me fizeram mesmo alguma coisa jeito além dos cabelos brancos e das duas linhas vincadas no rosto e que não passei indiferente ao que me aconteceu, ou deixou de acontecer.
Gosto de sentir que não sou impermeável à vida.
Deixei-me das certezas inabaláveis e universais da adolescência, divorciei-me dos planos mais do que certos, separei-me das grandes lutas por nada de especial e dos julgamentos à primeira vista.
Saltei fora das constantes opiniões não solicitadas e tentei dar um pontapé no que não é importante para me fazer parar mais do que um minuto.
Ainda me irrita o egoísmo, o egocentrismo, a falta de auto-conhecimento e de admissão dos próprios erros de muita gente e com isso a intolerância renasce em mim com todas as forças, mas de resto gosto de sentir que abraço pessoas diferentes de mim, visões opostas, ideias absurdas sob o meu prisma, mas válidas para outros.
Gosto de sentir que os anos, uns atrás dos outros, me fizeram mesmo alguma coisa jeito além dos cabelos brancos e das duas linhas vincadas no rosto e que não passei indiferente ao que me aconteceu, ou deixou de acontecer.
Gosto de sentir que não sou impermeável à vida.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Deambulações de Vida e de Vídeo
Não me venham com tretas, a dizer que os vídeos isto e que os vídeos aquilo, pois sem dúvida que o nosso melhor investimento nos últimos anos foi a câmara de filmar. As fotografias imortalizam de uma forma muito sua, são momentos estáticos, para os quais olhamos vezes e vezes sem conta e que dispomos na nossa casa em molduras, dentro da página de um livro, em caixas, em álbuns, no computador.
Agora os filmes não são estáticos, têm vozes, sons, movimentos, gritos, risos e são talvez a melhor forma de reviver momentos.
Ontem revimos horas de filmes familiares, desde que a Alice tinha 6 meses e caramba, que emoção tão, mas tão grande e como ela vibrou com cada momento em que se reviu bebé, a gatinhar, a andar, a dizer as primeiras palavras, a dançar. E nós lá, sempre lá com ela, na galhofa, na emoção, no primeiro banho de mar, nos domingos de ronha na cama, nos passeios no paredão, na primeira ida ao zoo.
Ainda não chegámos ao nascimento do António (filmado sim), mas tenho a certeza de que quando chegarmos nos vamos emocionar até ao fundo.
A Alice regra geral odeia ver-se bebé, não sei se é só com ela que isto acontece, mas fica verdadeiramente neurótica. Agarra-se a nós e não nos larga mais, numa espécie de medo de perder a sua meninice. Mas ontem viu tudo cheia de vontade e no final, sem dizer uma palavra, foi abraçar o pai, numa espécie de reconhecimento de tudo o que viu nos filmes...
Agora os filmes não são estáticos, têm vozes, sons, movimentos, gritos, risos e são talvez a melhor forma de reviver momentos.
Ontem revimos horas de filmes familiares, desde que a Alice tinha 6 meses e caramba, que emoção tão, mas tão grande e como ela vibrou com cada momento em que se reviu bebé, a gatinhar, a andar, a dizer as primeiras palavras, a dançar. E nós lá, sempre lá com ela, na galhofa, na emoção, no primeiro banho de mar, nos domingos de ronha na cama, nos passeios no paredão, na primeira ida ao zoo.
Ainda não chegámos ao nascimento do António (filmado sim), mas tenho a certeza de que quando chegarmos nos vamos emocionar até ao fundo.
A Alice regra geral odeia ver-se bebé, não sei se é só com ela que isto acontece, mas fica verdadeiramente neurótica. Agarra-se a nós e não nos larga mais, numa espécie de medo de perder a sua meninice. Mas ontem viu tudo cheia de vontade e no final, sem dizer uma palavra, foi abraçar o pai, numa espécie de reconhecimento de tudo o que viu nos filmes...
sábado, 11 de setembro de 2010
Os Carros da Minha Vida
Oiço muita gente dizer que é desapegada de bens materiais e, pensando bem, também não me apego muito a móveis, roupas, loiças, não ligo a jóias, nem a muitas dessas coisas que tanta gente tem dificuldade em deitar fora. Desprendo-me de uma peça de roupa com a mesma facilidade com que vou à casa de banho (comparação profunda).
Mas há uma excepção a isto tudo, há de facto um bem material que viaja pela veia da nostalgia que pulsa em mim, de cada vez que tenho que me desfazer dele, um imenso mar de memórias surge em vagas, em marés altas e baixas, até me fazer suspirar. Esse bem material tem 4 rodas mais uma suplente e chama-se carro.
Não é que ligue a grandes carros, nada disso. Mas ligo às recordações que eles trazem e levam consigo.
O meu Renault 5 em sétima mão, que me levava ao liceu e à faculdade, deixando-me tantas vezes apeada, ou com a manete das mudanças na mão. Esse Renault 5, onde ouvia cassetes gravadas de propósito vezes e vezes sem conta, traz-me o melhor dos tempos, os tempos em que ter carro era a minha íntima liberdade. Os tempos em que conduzir pela estrada do Guincho era a melhor terapia para um desgosto de amor.
Depois veio o Peugeot 205, meu querido carro, ainda me lembro do luxo que era um carro com ar condicionado e um rádio Grundig com aquelas barrinhas que saíam para evitar furtos. As histórias que o meu Peugeot ouviu, os desabafos de amigas, o mar, o vidro embaciado pelo frio da noite, as aulas em Lisboa, até a revisão da matéria antes de uma oral.
Seguiram-se os dois Alfa Romeos ronronantes como leões, cheios de estilo que "herdei" do meu pai e que, de alguma forma, simbolizaram a passagem da minha vida adolescente a adulta, não me perguntem porquê.
Depois veio a minha adorada carrinha, com uma mala onde podem dormir à vontade duas pessoas bem esticadas, onde cabe tudo o que decida atirar para o seu interior. A carrinha que nos conduziu ao hospital para os meus filhos nascerem e que nos trouxe de volta uma família maior.
Agora digam-me, como é que é possível não sentir saudades, amizade, nostalgia, por estes amigos que me viram crescer a mim, aos meus filhos, à minha vida?
Por isso, até hoje procuro tantas vezes as matrículas dos meus velhos amigos, na esperança de os reencontrar, vivos ainda e com saudades minhas também.
Mas há uma excepção a isto tudo, há de facto um bem material que viaja pela veia da nostalgia que pulsa em mim, de cada vez que tenho que me desfazer dele, um imenso mar de memórias surge em vagas, em marés altas e baixas, até me fazer suspirar. Esse bem material tem 4 rodas mais uma suplente e chama-se carro.
Não é que ligue a grandes carros, nada disso. Mas ligo às recordações que eles trazem e levam consigo.
O meu Renault 5 em sétima mão, que me levava ao liceu e à faculdade, deixando-me tantas vezes apeada, ou com a manete das mudanças na mão. Esse Renault 5, onde ouvia cassetes gravadas de propósito vezes e vezes sem conta, traz-me o melhor dos tempos, os tempos em que ter carro era a minha íntima liberdade. Os tempos em que conduzir pela estrada do Guincho era a melhor terapia para um desgosto de amor.
Depois veio o Peugeot 205, meu querido carro, ainda me lembro do luxo que era um carro com ar condicionado e um rádio Grundig com aquelas barrinhas que saíam para evitar furtos. As histórias que o meu Peugeot ouviu, os desabafos de amigas, o mar, o vidro embaciado pelo frio da noite, as aulas em Lisboa, até a revisão da matéria antes de uma oral.
Seguiram-se os dois Alfa Romeos ronronantes como leões, cheios de estilo que "herdei" do meu pai e que, de alguma forma, simbolizaram a passagem da minha vida adolescente a adulta, não me perguntem porquê.
Depois veio a minha adorada carrinha, com uma mala onde podem dormir à vontade duas pessoas bem esticadas, onde cabe tudo o que decida atirar para o seu interior. A carrinha que nos conduziu ao hospital para os meus filhos nascerem e que nos trouxe de volta uma família maior.
Agora digam-me, como é que é possível não sentir saudades, amizade, nostalgia, por estes amigos que me viram crescer a mim, aos meus filhos, à minha vida?
Por isso, até hoje procuro tantas vezes as matrículas dos meus velhos amigos, na esperança de os reencontrar, vivos ainda e com saudades minhas também.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Mais Bota Botilde e mais e mais e mais e mais
Imaginemos que a Bota Botilde é de facto culpada. Imaginemos que as vítimas foram de facto vítimas e não reles e recambolescos mentirosos. Como raio se hão de elas sentir a ver o trombil da dita bota de manhã à noite na televisão a vitimizar-se? Chiça que o que é demais enjoa. E olhem que eu tenho uma grande reserva de Guronsan em casa.
Uma coisa que me faz rosnar
Se há coisa que me revira o lobo central ao contrário e me troca o hemisfério Norte pelo Sul, é entregar o dinheiro na mão à senhora que está atrás do balcão e quando lhe estendo a mão para receber o troco, ela espalha o cascalho todo pelo balcão.
Hoje então estive mesmo para pegar nas moedas que a senhora projectou com desprezo sobre a superfície sebosa à minha frente e atirar-lhas às ventas.
Caramba, não pedia um atendimento britânico com Love para aqui e Love para acolá, mas os mínimos dos mínimos por favor.
Hoje então estive mesmo para pegar nas moedas que a senhora projectou com desprezo sobre a superfície sebosa à minha frente e atirar-lhas às ventas.
Caramba, não pedia um atendimento britânico com Love para aqui e Love para acolá, mas os mínimos dos mínimos por favor.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Bacancias
Nas minhas férias tive oportunidade de observar muita gente. Gente com miúdos mil vezes mais chatos que os meus, gente a ter que suportar birra, atrás de birra, atrás de birra, mães que passavam o jantar inteiro levantadas do buffet para a mesa e vice-versa e a cortar carne aos quadradinhos, enfim, gente que, tal como nós, pouco descansava. Gente mal educada, gente discreta, gente javarda, gente menos javarda e gente assim-assim.
Da gente javarda recordo-me de uma mãe na praia a gritar para o filho de cerca de um ano e meio, que teimava em correr pela praia:
- OLHA QUE BEM AÍ O HOMEM MAU, OLHA QUE TE LEBA EMBORA, ANDA CÁ ANTES QUE LEBES NA CARA!!!!! AIIIIIII OLHA O HOMEM MAU ALI ATRÁS DO CHAPÉU!!!!!
Parte nº 2 e quanto a mim a mais hilariante que escutei, enquanto a dita mãe corria atrás do puto com uma garrafa de água mineral, tentando vertê-la para dentro dos calções de banho do miúdo:
- ANDA CÁ, NUM OUBISTX??? ANDA CÁ P'RÁ MÃE TE LAVAR A PILA!!!!!
Da gente javarda recordo-me de uma mãe na praia a gritar para o filho de cerca de um ano e meio, que teimava em correr pela praia:
- OLHA QUE BEM AÍ O HOMEM MAU, OLHA QUE TE LEBA EMBORA, ANDA CÁ ANTES QUE LEBES NA CARA!!!!! AIIIIIII OLHA O HOMEM MAU ALI ATRÁS DO CHAPÉU!!!!!
Parte nº 2 e quanto a mim a mais hilariante que escutei, enquanto a dita mãe corria atrás do puto com uma garrafa de água mineral, tentando vertê-la para dentro dos calções de banho do miúdo:
- ANDA CÁ, NUM OUBISTX??? ANDA CÁ P'RÁ MÃE TE LAVAR A PILA!!!!!
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Só sei que vou chorar
Habituei-me tanto a ter-te todos os dias o dia todo na minha vida durante 4 anos e meio, que vou precisar de outros 4 anos e meio para me habituar a ter-te menos vezes por dia.
Para a semana começas a escola e, racionalidades e pedagogias arrumadas na gaveta, confesso-te em segredo, porque ainda não consegues ver além do meu sorriso: Vou chorar muito. Vou andar na rua, empurrar o carrinho do teu mano e olhar em volta à tua procura. Vou ligar o rádio do carro e ficar à espera que cantes comigo. Vou pedir-te que ponhas a chupeta ao mano quando ele chorar e só depois perceber que tenho que ser eu a ir pô-la. A minha mão vai ficar fria e esquecida dentro do bolso com saudades do calor da tua e os meus passos vão fazer sempre intervalos regulares à tua espera.
Não sei como vai ser. Sei apenas que tem mesmo que ser e que te amo e quando amamos assim sorrimos sempre, mesmo quando dentro do nosso coração chove torrencialmente.
Para a semana começas a escola e, racionalidades e pedagogias arrumadas na gaveta, confesso-te em segredo, porque ainda não consegues ver além do meu sorriso: Vou chorar muito. Vou andar na rua, empurrar o carrinho do teu mano e olhar em volta à tua procura. Vou ligar o rádio do carro e ficar à espera que cantes comigo. Vou pedir-te que ponhas a chupeta ao mano quando ele chorar e só depois perceber que tenho que ser eu a ir pô-la. A minha mão vai ficar fria e esquecida dentro do bolso com saudades do calor da tua e os meus passos vão fazer sempre intervalos regulares à tua espera.
Não sei como vai ser. Sei apenas que tem mesmo que ser e que te amo e quando amamos assim sorrimos sempre, mesmo quando dentro do nosso coração chove torrencialmente.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
A Bota Botilde
Confesso que estou um bocadinho farta da Bota Botilde, das nostalgias da Bota Botilde, do encantamento pela dita bota nos dias que correm.
Eu tive uma. Lembro-me perfeitamente da argola para enfiar o pezinho e saltar sobre o sapato roxo e feioso dezenas de vezes, até as canelas tremerem de exaustão.
Mas ver a minha alma lacrimejar hesitante, porque o homem associado a essa peça de calçado foi condenado por crimes que me revolvem o estômago. Usar o argumento da bota para achar impossível alguém cometer crimes, não me parece.
Ainda se fosse o jogo do elástico, aí sim poderia até desculpar, agora a bota botilde? Essa coisinha feia e sem graça? No way.
Eu tive uma. Lembro-me perfeitamente da argola para enfiar o pezinho e saltar sobre o sapato roxo e feioso dezenas de vezes, até as canelas tremerem de exaustão.
Mas ver a minha alma lacrimejar hesitante, porque o homem associado a essa peça de calçado foi condenado por crimes que me revolvem o estômago. Usar o argumento da bota para achar impossível alguém cometer crimes, não me parece.
Ainda se fosse o jogo do elástico, aí sim poderia até desculpar, agora a bota botilde? Essa coisinha feia e sem graça? No way.
domingo, 5 de setembro de 2010
Melhor que a Angelina e muito mais Jolie
Estou a ver o Enemy At The Gates no Hollywood (um grande filme com o Jude Law e a Rachel Weisz) e concluo sem grandes delongas, que mil vezes mais gira que a mítica Angelina Jolie, que quanto a mim me parece sempre acometida de uma crise alérgica labial depois de ter sido picada por um ferrão da Abelha Maia, é a Rachel Weisz, caramba, ela é mesmo bonita.
sábado, 4 de setembro de 2010
Massagens na Pança e um soco na vaidade
Na praia, com a Alice por uma mão e a prima dela de 7 anos pela outra, avistamos um puto a ser enterrado na areia por um bando de miúdos. Já só tinha a cabeça de fora e tanto Alice como prima ficaram em êxtase a olhar aquela brincadeira.
- Tia, podemos enterrar-te assim? - Pergunta a minha sobrinha.
- Podemos, podemos mãe? - Pergunta uma Alice dividida entre o terror de me perder nas profundezas da terra e a excitação de escavar um buraco do tamanho do mundo.
- Meninas, vá calma lá com vocês, olhem para mim e leiam os meus lábios: N-Ã-O!!!! Ainda para mais, já sei a quem vai calhar escavar o buraco.
- Ó vá lá, vá lá, vá lá, vá lá.
- NÃÃÃÃÃÃOOOOOOO!!!!!
- Está bem tia, eu já percebi. É porque tens outro bebé na tua barriga, não é?
E enquanto profere esta afirmação dos demónios, faz festinhas na pança encolhida até às costas de uma Anacê demasiado embaraçada para responder.
Chiça que a criançada sabe espetar facadas com tanta sinceridade, não?
- Tia, podemos enterrar-te assim? - Pergunta a minha sobrinha.
- Podemos, podemos mãe? - Pergunta uma Alice dividida entre o terror de me perder nas profundezas da terra e a excitação de escavar um buraco do tamanho do mundo.
- Meninas, vá calma lá com vocês, olhem para mim e leiam os meus lábios: N-Ã-O!!!! Ainda para mais, já sei a quem vai calhar escavar o buraco.
- Ó vá lá, vá lá, vá lá, vá lá.
- NÃÃÃÃÃÃOOOOOOO!!!!!
- Está bem tia, eu já percebi. É porque tens outro bebé na tua barriga, não é?
E enquanto profere esta afirmação dos demónios, faz festinhas na pança encolhida até às costas de uma Anacê demasiado embaraçada para responder.
Chiça que a criançada sabe espetar facadas com tanta sinceridade, não?
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
A Urgência do Crescimento dos Putos
Confesso-me ignorante no que toca a escolas e putos, pois só sei das aventuras dos filhos de pessoas próximas de mim. A Alice entrará este mês, mas cai fora do usual, pois vai mais tarde do que é costume. Ultrapassando esta bela introdução, há de facto coisas que me fazem um bocadinho de chateamento cerebral:
Porque carga de água metem os putos a comer sozinhos desde o berço? Sim, eu compreendo que seja impraticavel, alimentarem dezenas de crianças individualmente à hora das refeições, mas se o nosso puto é daqueles que não tem prazer em comer e pensa que o prato à frente dele é um mero suporte de material de brincadeira, lixam-nos a vida em casa, pois temos a criança a brincar com a comida em vez de introduzi-la na bocarra e a recusar-se a ser alimentada por nós. Um bebé de 1 ano, se não for portador de um apetite voraz, associando automaticamente o prato com comida ao saciar da fome, vai inevitavelmente brincar, atirar, projectar, gritar, enquanto o chão, paredes, tecto, mesa e afins são pintados com tinta alimentar.
Há quem ache que tudo isto é pedagogicamente encantador, que os miúdos devem ser atirados para a independência desde o útero, mas eu só pergunto:
Qual é a pressa?
Não é verdade que todos os miúdos, mais cedo, ou mais tarde comem as suas refeições sozinhos? Então e se for um bocado mais tarde, é crime pedagógico? É incompetência materna?
Ai que horror, os teus filhos ainda não comem sozinhos?
Olha não, é que se eu ficasse à espera que comessem sozinhos, olhando-os em hipnotizante encantamento, enquanto me cagavam a casa toda, fecundando-me a paciência até ao infinito, desconfio que por esta altura pesariam 2 quilos, eles e eu.
Se der fantástico, se não der, não deu.
Porque carga de água metem os putos a comer sozinhos desde o berço? Sim, eu compreendo que seja impraticavel, alimentarem dezenas de crianças individualmente à hora das refeições, mas se o nosso puto é daqueles que não tem prazer em comer e pensa que o prato à frente dele é um mero suporte de material de brincadeira, lixam-nos a vida em casa, pois temos a criança a brincar com a comida em vez de introduzi-la na bocarra e a recusar-se a ser alimentada por nós. Um bebé de 1 ano, se não for portador de um apetite voraz, associando automaticamente o prato com comida ao saciar da fome, vai inevitavelmente brincar, atirar, projectar, gritar, enquanto o chão, paredes, tecto, mesa e afins são pintados com tinta alimentar.
Há quem ache que tudo isto é pedagogicamente encantador, que os miúdos devem ser atirados para a independência desde o útero, mas eu só pergunto:
Qual é a pressa?
Não é verdade que todos os miúdos, mais cedo, ou mais tarde comem as suas refeições sozinhos? Então e se for um bocado mais tarde, é crime pedagógico? É incompetência materna?
Ai que horror, os teus filhos ainda não comem sozinhos?
Olha não, é que se eu ficasse à espera que comessem sozinhos, olhando-os em hipnotizante encantamento, enquanto me cagavam a casa toda, fecundando-me a paciência até ao infinito, desconfio que por esta altura pesariam 2 quilos, eles e eu.
Se der fantástico, se não der, não deu.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Radio-televisão-portuguesa nº2
Enquanto estive de férias (sim a dura, podre e malcheirosa realidade é que regressei hoje) descobri toda uma panóplia televisiva paralela. Condenada aos 4 canais generalistas e a dezenas de outros sem o menor interesse, redescobri o canal 2.
O telejornal da rtp 2 vê-se sem qualquer tipo de esforço, nem vontade incontrolável de zapingzar de cada vez que me deparo com 30 minutos de informação futebolística e lá passam realmente notícias. Os programas sobre a vida selvagem prendem do primeiro ao último minuto e caramba, descobri esta série de programas sobre bairros problemáticos que adorei, sem favor nenhum, adorei mesmo.
Regressada a casa e aos 1234567 canais disponíveis, fiz uma promessa a mim própria: A Rtp 2 vai ocupar os meus olhos carentes de qualidade e vai reconectá-los com o meu pobre cerebro atrofiado por meses de Discovery and living e Sic Mulher.
O telejornal da rtp 2 vê-se sem qualquer tipo de esforço, nem vontade incontrolável de zapingzar de cada vez que me deparo com 30 minutos de informação futebolística e lá passam realmente notícias. Os programas sobre a vida selvagem prendem do primeiro ao último minuto e caramba, descobri esta série de programas sobre bairros problemáticos que adorei, sem favor nenhum, adorei mesmo.
Regressada a casa e aos 1234567 canais disponíveis, fiz uma promessa a mim própria: A Rtp 2 vai ocupar os meus olhos carentes de qualidade e vai reconectá-los com o meu pobre cerebro atrofiado por meses de Discovery and living e Sic Mulher.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Charlotte Bronte

Das três irmãs Bronte a minha preferida.
Um dia, não muito distante, assim quero acreditar, pegarei em mim, nos meus pés e olhinhos e partirei à descoberta dos locais onde nasceram e viveram as irmãs Bronte, Jane Austen, Shakespeare e tentarei respirar um bocadinho do ar que respiraram.
É que eu tenho este fetiche por seguir os passos, as vidas, até os túmulos de pessoas que admiro, vasculhar fotografias, biografias, pinturas, cenários, casas, ambientes até à exaustão.
A Charlotte Bronte tem o condão de me prender da primeira à última página e de fazer das personagens apagadas, pouco bonitas e supostamente insípidas, minhas heroínas e portadoras de verdadeiros vulcões interiores.
Comprei um livro dela para ler nas férias e descobri que só não tenho tempo para ler os livros que não conseguem prender-me...
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Guardar este momento
Nunca fui grande amante de praia, de calor, de areia, de creme protector, de confusão. Para mim praia é no final da tarde e é sentir o cheiro a sal na pele antes de me vestir para jantar. Estes cheiros e sons trazem de volta coisas boas e ter de volta coisas boas faz-me bem, por isso hoje queria parar o relógio e suspender o calendário. Deixar-me ficar a sentir a brisa húmida que vem do mar, o som das ondas ao longe, os gritos das crianças que brincam, as gaivotas que temperam o entardecer.
Queria que nada do que é bom terminasse e que pudesse guardar este momento para sempre numa pequena caixa que se abrisse para deixar sair o ruído deste dia de cada vez que me sentisse triste.
É impressão minha, ou isto parece uma letra sentimental da Mafalda Veiga? É assim, o ar da praia solta a lamechas que há em mim.
Queria que nada do que é bom terminasse e que pudesse guardar este momento para sempre numa pequena caixa que se abrisse para deixar sair o ruído deste dia de cada vez que me sentisse triste.
É impressão minha, ou isto parece uma letra sentimental da Mafalda Veiga? É assim, o ar da praia solta a lamechas que há em mim.
sábado, 28 de agosto de 2010
Férias, ou nem por isso
Fomos parar a um hotel servido por uma praia com 10 cm de comprimento, espaço esse partilhado por barcos de pescadores e alminhas que desconhecem a palavra distância mínima da toalha alheia.
Fomos parar a um hotel cuja praia de tamanho normal mais próxima se situava na mais bela e por explorar localidade algarvia chamada Armação de Pêra. Localidade ímpar na sua natureza selvagem e sem construções em altura, onde arranjar um buraco para o carro e outro para uma toalha de bidé no areal nojento é mais difícil do que espetar uma bandeira no topo do Everest. Localidade que muitos portadores da nossa portugalidade parecem achar paradisíaca, avaliando pela forma sedenta com que fluem nas ruas apinhadas e desgovernadas, ou com que sacam das toalhas para o dia todo na selva barulhenta.
Fomos parar a um hotel com uma vista magnífica sobre o mar, mas sem podermos sair da piscina por todos aqueles motivos acima. Vai daí mudámos.
E agora, apesar de já ter descoberto que o António não gosta de praia e chora para ir embora, ao passo que a Alice chora quando vai embora, apesar de me ter conformado em passar as manhãs com o meu baby debaixo dos pinheiros, enquanto o Hugo vai para areia com a Alice, apesar de já ter entendido que férias com dois miúdos de idades diferentes são uma espécie de gestão de recursos humanos paterno-maternos, em que pai e mãe se revezam e raramente se encontram, sinto que tenho as coisas controladas.
A praia gigantesca a três minutos de distância a pé, os pinheiros que nos dão sombra e os finais de tarde no areal a quatro, já dão um certo cheirinho a férias e caramba, férias, apesar de cansativas, são boas.
Fomos parar a um hotel cuja praia de tamanho normal mais próxima se situava na mais bela e por explorar localidade algarvia chamada Armação de Pêra. Localidade ímpar na sua natureza selvagem e sem construções em altura, onde arranjar um buraco para o carro e outro para uma toalha de bidé no areal nojento é mais difícil do que espetar uma bandeira no topo do Everest. Localidade que muitos portadores da nossa portugalidade parecem achar paradisíaca, avaliando pela forma sedenta com que fluem nas ruas apinhadas e desgovernadas, ou com que sacam das toalhas para o dia todo na selva barulhenta.
Fomos parar a um hotel com uma vista magnífica sobre o mar, mas sem podermos sair da piscina por todos aqueles motivos acima. Vai daí mudámos.
E agora, apesar de já ter descoberto que o António não gosta de praia e chora para ir embora, ao passo que a Alice chora quando vai embora, apesar de me ter conformado em passar as manhãs com o meu baby debaixo dos pinheiros, enquanto o Hugo vai para areia com a Alice, apesar de já ter entendido que férias com dois miúdos de idades diferentes são uma espécie de gestão de recursos humanos paterno-maternos, em que pai e mãe se revezam e raramente se encontram, sinto que tenho as coisas controladas.
A praia gigantesca a três minutos de distância a pé, os pinheiros que nos dão sombra e os finais de tarde no areal a quatro, já dão um certo cheirinho a férias e caramba, férias, apesar de cansativas, são boas.
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