Quero muito sair daqui, de dentro deste marasmo de vida e já agora de dentro de casa também seria bom. Juro que quero, mas hoje coço-me, não faço mais nada além de me coçar e de andar com o António ao colo, pois a seguir à constipação veio um bocadinho de febre e má disposição.
Este fim de semana, além de ter os dois doentes, fui acometida de uma puta de dor muscular no pescoço e no ombro. Levei uma simpática (sem ironia) injecção e trouxe uma pomadazita para as dores. Ontem passei o dia a coçar o pescoço, hoje ao olhar-me ao espelho pensei que tinha 23 chupões apaixonados no pescocinho, mas não, era mesmo uma alergia ao creme.
Às vezes tenho uma inveja assassina dos animais que hibernam, pois só me imagino numa gruta, dentro de um saco cama, em posição fetal, a dormir um par de meses.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
A Doçura na Blogosfera
Para a minha querida Alice, para que siga o exemplo da sua mãe.
Se me dissessem há uns anos atrás que ia conhecer as pessoas mais doces, mais inteligentes, mais amigas, mais irmãs num país chamado blogosfera, eu não acreditaria nem por um segundo. Mas hoje posso dizer com conhecimento de causa, que tenho sim a sorte de ter atraído na minha direcção um punhado de gente que vale para uma vida inteira.
Encomendei uns presentes de Natal à Maria Mariquitas e chegou um brinde inesperado para a minha filhota.
É por estas e por outras que tudo aqui valeu já a pena, só para vos conhecer.
domingo, 7 de novembro de 2010
Eles Lambem-se e o Papa Passa
Depois de ter visto os gays em Espanha aos linguados e apalpanços mútuos à passagem do Papa, perguntei-me, do alto desta minha estúpida ignorância e tacanhice de cavalo:
Exactamente o que é que eles desejam com isso?
Querem que a Igreja Católica ache lindinho a união entre duas pessoas do mesmo sexo, lhes lance água benta para os abençoar?
Querem que a Igreja Católica diga sim ao aborto?
Não falo das questões da contracepção, pois aqui é de facto o único ponto onde sinto que a Igreja poderia mudar, nem que fosse por ficarem calados, pois em alguns locais do globo, onde se segue à risca o que diz o Papa, chega a ser criminosa a propaganda contra o preservativo.
E não se lembrariam eles de meios de influência mais inteligentes do que se lamberem à passagem do homem?
O papel da Igreja é dizer que o aborto está errado e que um monte de coisas estão erradas. O papel dos católicos é seguirem o que a sua religião professa. O papel dos livres de pensamento (eu incluída) é acharem tudo uma grande treta, algumas coisas uma grande treta, ou mais ou menos quase tudo uma grande treta.
Ainda por cima em Espanha já não foi legalizado o casamento entre pessoas do mesmo sexo? Para quê aquele show off? Querem casar pela Igreja que tanto abominam? Juro, não consigo entender.
Exactamente o que é que eles desejam com isso?
Querem que a Igreja Católica ache lindinho a união entre duas pessoas do mesmo sexo, lhes lance água benta para os abençoar?
Querem que a Igreja Católica diga sim ao aborto?
Não falo das questões da contracepção, pois aqui é de facto o único ponto onde sinto que a Igreja poderia mudar, nem que fosse por ficarem calados, pois em alguns locais do globo, onde se segue à risca o que diz o Papa, chega a ser criminosa a propaganda contra o preservativo.
E não se lembrariam eles de meios de influência mais inteligentes do que se lamberem à passagem do homem?
O papel da Igreja é dizer que o aborto está errado e que um monte de coisas estão erradas. O papel dos católicos é seguirem o que a sua religião professa. O papel dos livres de pensamento (eu incluída) é acharem tudo uma grande treta, algumas coisas uma grande treta, ou mais ou menos quase tudo uma grande treta.
Ainda por cima em Espanha já não foi legalizado o casamento entre pessoas do mesmo sexo? Para quê aquele show off? Querem casar pela Igreja que tanto abominam? Juro, não consigo entender.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Esta Noite Foi Assim
Choro, muito choro desconsolado. Narinel, mais choro, soro fisiológico, mais choro, água, gritos.
Perto das 4 da manhã adormeces e nós caímos na cama, deixando jorrar a baba que escorre das nossas bocas esgotadas. As lágrimas de exaustão caem sobre a fronha.
4.30 A tua irmã começa a tossir. Codipront. A tua irmã continua a tossir. Mudamo-nos para o quarto dela. A tua irmã continua a tossir, chora porque tem ranho, chora porque tem tosse, chora porque tem sono, chora porque sim. Tu choramingas no nosso quarto.
Revezamo-nos com a tua mana ao colo, porque só assim a tosse acalma. O teu pai fica caído nos pés da cama dela, eu caio na minha cama.
Adormecemos às 6 da manhã.
Às 7.30 começas a acordar e às 7.45 aparece a Alice e eu penso que é, que só pode ser um pesadelo. Ninguém é tão maléfico ao ponto de me obrigar a levantar da cama quando não dormi. Mas ninguém quer saber do meu praguejar, das minhas dores de cabeça, da minha ressaca pura e absoluta de sono. Ninguém quer saber do que sinto eu, por isso levanto-me e retiro ranho dos quatro orifícios nasais, dou chapadas na minha própria cara, ponho a fazer o café para injectar na veia. O teu pai continua adormecido na cama da tua irmã e quando acorda queixa-se de dores de garganta e de podridão geral.
Eu só penso que quero desmaiar e quero que me levem para o hospital preocupados comigo.
Eu só penso que algures nas constipações dos miúdos conheci a loucura e voltei. Será que voltei?
Um miúdo ranhoso é do caraças. Os dois em simultâneo é tortura satânica.
Perto das 4 da manhã adormeces e nós caímos na cama, deixando jorrar a baba que escorre das nossas bocas esgotadas. As lágrimas de exaustão caem sobre a fronha.
4.30 A tua irmã começa a tossir. Codipront. A tua irmã continua a tossir. Mudamo-nos para o quarto dela. A tua irmã continua a tossir, chora porque tem ranho, chora porque tem tosse, chora porque tem sono, chora porque sim. Tu choramingas no nosso quarto.
Revezamo-nos com a tua mana ao colo, porque só assim a tosse acalma. O teu pai fica caído nos pés da cama dela, eu caio na minha cama.
Adormecemos às 6 da manhã.
Às 7.30 começas a acordar e às 7.45 aparece a Alice e eu penso que é, que só pode ser um pesadelo. Ninguém é tão maléfico ao ponto de me obrigar a levantar da cama quando não dormi. Mas ninguém quer saber do meu praguejar, das minhas dores de cabeça, da minha ressaca pura e absoluta de sono. Ninguém quer saber do que sinto eu, por isso levanto-me e retiro ranho dos quatro orifícios nasais, dou chapadas na minha própria cara, ponho a fazer o café para injectar na veia. O teu pai continua adormecido na cama da tua irmã e quando acorda queixa-se de dores de garganta e de podridão geral.
Eu só penso que quero desmaiar e quero que me levem para o hospital preocupados comigo.
Eu só penso que algures nas constipações dos miúdos conheci a loucura e voltei. Será que voltei?
Um miúdo ranhoso é do caraças. Os dois em simultâneo é tortura satânica.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
9 meses
Hoje fazes nove meses. Tantos meses quantos os que estiveste dentro de mim.
Ainda me lembro quando os dois tracinhos apareceram naquele teste de gravidez e como o meu coração bateu descompassado, cheio de nervosismo, de expectactiva, de medo, de insegurança.
Ainda me lembro de quando eras apenas alguma coisa vaga por detectar com a sonda do ecógrafo e a médica te buscava vezes e vezes sem conta sem nunca te encontrar. Cheguei a pensar que afinal não te esperava, mas tu estavas lá, pequenino, escondido, ainda um projecto de tanta coisa importante, mas estavas lá dentro de mim.
E agora és tanto todos os dias. Tanto na minha vida.
És o menino mais doce, mais sorridente, mais plácido, mais suave de todos os meninos do mundo e eu tenho a sorte de ser a tua mãe.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Pedido de Esclarecimento aos entendidos
Alguém ajuda esta fashionista frustrada, este camafeu fora de moda e me explica o fascínio pelo botim estilo Mary Poppins?
Já não bastavam os óculos à Top Gun voltarem a atacar sem dó nem piedade, as calças à Samantha Fox encherem as vistas de vítimas inocentes que apenas querem esquecer que os anos 80 existiram, os penteados à Modern Talking regressarem das trevas para me assombrarem?!!! Tinham que ir desenterrar de dentro do baú as botas desta senhora?
Se era para escolherem musicais, escolhiam a Música no Coração, ou My Fair Lady. Agora esta senhora a voar de guarda chuva com o limpa chaminés, nunca fez o meu estilo.
Inovem gentes da moda, inovem.

Já não bastavam os óculos à Top Gun voltarem a atacar sem dó nem piedade, as calças à Samantha Fox encherem as vistas de vítimas inocentes que apenas querem esquecer que os anos 80 existiram, os penteados à Modern Talking regressarem das trevas para me assombrarem?!!! Tinham que ir desenterrar de dentro do baú as botas desta senhora?
Se era para escolherem musicais, escolhiam a Música no Coração, ou My Fair Lady. Agora esta senhora a voar de guarda chuva com o limpa chaminés, nunca fez o meu estilo.
Inovem gentes da moda, inovem.

terça-feira, 2 de novembro de 2010
Inho
Não gosto que me digam obrigadinho, adeuzinho, abracinho, até loguinho, tchauzinho, beijoquinha.
Não sei se por ser demasiado fofinho, mas sinto-me sempre um bocadinho parvinha de cada vez que me agradecem um grande favor com o diminutivo da palavra a sério.
Não sei se por ser demasiado fofinho, mas sinto-me sempre um bocadinho parvinha de cada vez que me agradecem um grande favor com o diminutivo da palavra a sério.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Distância
Com a distância a nossa cidade fica mais bonita.
Com a distância a nossa memória fica selectiva.
Com a distância do tempo, um amor que ficou a meio, torna-se perfeito, cheio de todas as possibilidades, por corromper, por viver, por estragar.
Com a distância o que era mais ou menos, pode ficar mais do que menos.
Com a distância esbatem-se os defeitos e enaltecem-se as virtudes.
Com a distância as mágoas tendem a relativizar-se, até se transformarem num pequeno lago de dor, onde molhamos os pés muito de vez em quando.
A distância é assim, uma eterna suavizadora de tudo.
Com a distância a nossa memória fica selectiva.
Com a distância do tempo, um amor que ficou a meio, torna-se perfeito, cheio de todas as possibilidades, por corromper, por viver, por estragar.
Com a distância o que era mais ou menos, pode ficar mais do que menos.
Com a distância esbatem-se os defeitos e enaltecem-se as virtudes.
Com a distância as mágoas tendem a relativizar-se, até se transformarem num pequeno lago de dor, onde molhamos os pés muito de vez em quando.
A distância é assim, uma eterna suavizadora de tudo.
sábado, 30 de outubro de 2010
Starbucks My Ass

O Starbucks tem provavelmente o pior café do mundo e a pastelaria mais plastificada do planeta e é caro como o raio, injustificadamente caro.
Abriu um Starbucks no Cascais-Shopping e criaram uma esplanada linda, cheia daqueles sofás confortáveis em tons discretos e com uma vista de cortar a respiração, comovente até. Juro, que por mais voltas que desse em Cascais, jamais me lembraria de um sítio tão perfeito como aquele para bebericar um café sem cheiro e sem sabor. A esplanada fica por debaixo das escadas rolantes do shopping, com vista para agência de viagens Abreu e a Conforama. Ali, debaixo dos rolamentos que fazem subir e descer milhares de visitantes diários, ali sem luz do dia, ou da noite, podemos beber um mau café e comer um bolo cor de bosta, ou cor de rosa. Enfim podemos dizer cheios de orgulho lusitano, que fomos ao Starbucks e meditar acerca dos motivos que levam esta cadeia a escolher shoppings em vez de lojas de rua no nosso país.
*Já sei que há um em Belém, mas não chega para aliviar as estatísticas.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Preferia o Avô Castigas
Penso que na história da musicalidade infantil nunca se fez nada de tão mau como as músicas do Canal Panda. Ora decidem distorcer as palavras e cantar: Io Quiro quimir larinjas com bininas (eu quero comer laranjas com bananas), ora espetam com este verdadeiro atrofiado mental aos pulos, de cabeleira desgovernada e batuta descontrolada a vomitar cançonetas de cortar os pulsos.
Eu juro-vos que nunca foi tão complicado ser mãe, como nos momentos em que tento explicar à Alice que aquilo não é música, é excremento verbal.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Ultra Ortodoxem-se Vocês

Caramba, quanto mais reportagens da Sic e National Geographic vejo, mais chego à conclusão que a mulher ainda é um bicho muito descriminado.
Os judeus ultra ortodoxos encaram-na como causa de todos os males e tentações, são remetidas para a parte de trás dos autocarros, distinguem filas de gajos e de gajas na padaria. Em suma, têm verdadeiro horror ao sexo oposto. Ninguém adivinharia tal fobia, pelo penteadinho que usa esta malta macha ultra ortodoxa.
Outro dia via uma tribo na Etiópia, cuja emancipação dos rapazes da tribo consistia em espancarem as mulheres da sua família num ritual lindo de se ver, onde as chicoteavam, pontapeavam. Enfim, um fartote.
A burca continua de pedra e cal e ofendeu várias vezes a minha vista, na nossa rápida incursão por Paris.
Por isso quando me perguntam o que acho dessa tradição e da polémica que deu em França, a minha resposta é que me ofende sim. Ofende-me por tudo o que representa e tal como não gostam de nos ver a nós, grandes depravadas ocidentais, sem estarmos cobertas, eu também não gosto particularmente de ver aqui no Ocidente esta treta.
Intolerante? Sim sou bastante intolerante no que toca à intolerância. Agora vou ali emancipar-me mais um bocadinho e já volto.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Estados Unidos da América

Ali a vida é fácil. Naquela casinha dos subúrbios de uma qualquer cidade americana, de relvado quadrado e perfeito, de corta relvas estacionado e vida idêntica à dos vizinhos simpáticos, a vida é fácil.
Não há tempo para pensar em ser diferente. Não há tempo para sair do padrão.
Sabemos o que vamos encontrar naquele determinado armazém comercial e o que encontrarmos ali, será exactamente a mesma coisa que encontraremos num armazém da mesma cadeia, num diferente estado a milhares de quilómetros de distância e isso dá conforto, segurança.
As ruas são simétricas e paralelas, não há merda de cão na rua e sabemos com o que podemos contar.
Não há espaço para sentir de forma diferente, pois desde o berço que as crianças são ensinadas a homenagear a bandeira na escola, de mão ao peito e lenga-lenga patriótica. O Patriotismo não se questiona, é suposto.
Ali tudo encaixa. Ali vive-se ponto.
Venho com 3 anos de atraso dizer que vi o Revolutionary Road e se, por um lado me entregou a ideia do comodismo no casamento e na vida e isso é comum em muitas partes do planeta, por outro lado, deixou-me com a estranha sensação, de que este filme só poderia passar-se naquele país.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Para Vocês
Para todas as mulheres-mães fantásticas que conheço da blogosfera e fora dela e que aqui param para me deixarem uma palavra de cada vez que faço um desabafo. Para as minhas amigas que vão ser mães em breve e para as que já são.
Para todas as que me fazem acreditar que a amizade no feminino, não só é possível, como é maravilhosa.
Para vocês todinhas. Vejam.
Para todas as que me fazem acreditar que a amizade no feminino, não só é possível, como é maravilhosa.
Para vocês todinhas. Vejam.
Vuelitos
Nunca fui a neta preferida de nenhum dos meus avós e eles sempre fizeram questão de o mostrar, sem qualquer tipo de pudor, nem de constrangimento. Uma pouca vergonha portanto. Vai daí convenci-me que o papel dos avós na vida dos netos é muito giro e importante sim senhora, mas para o neto preferido, ou quando não há netos predilectos.
Hoje constato que se passa exactamente a mesma coisa com os meus filhos e odeio.
Acredito que possa ter-se uma inclinação por um neto em detrimento de outro, mas mostrá-lo tão abertamente, sem tentar ao menos disfarçar, é que me consome as tripas.
Entoarei um mantra todas as noites, no sentido de não me esquecer disto no futuro, caso os meus filhotes decidam brindar-me com netos.
Hoje constato que se passa exactamente a mesma coisa com os meus filhos e odeio.
Acredito que possa ter-se uma inclinação por um neto em detrimento de outro, mas mostrá-lo tão abertamente, sem tentar ao menos disfarçar, é que me consome as tripas.
Entoarei um mantra todas as noites, no sentido de não me esquecer disto no futuro, caso os meus filhotes decidam brindar-me com netos.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
O meu Filho (e já agora eu)
O meu filho dorme de noite sim, é um facto. Choraminga umas 3 ou 4 vezes por noite, mas a coisa resolve-se com uma chupeta e uma festinha.
O meu filho é uma fofura sim, confirma-se. Anda a comer bem que se farta e não é de levantar ondas.
Mas o meu filho não dorme durante o dia.
Sim, o pai do meu filho diz que isso não tem importância, que o que interessa é que ele durma bem de noite, mas ele diz isso porque não fica em casa com ele durante o dia.
Ontem fiquei tão reconhecida por uma das minhas irmãs ter ficado aqui com ele 15 minutos para eu ir buscar a Alice à escola, que lhe fiz um bolo. Ela não comeu nem uma fatia, mas a realidade é que me soube pela vida, poder bater a porta e arrancar no carro sem ter que meter o António na cadeirinha, tirar o António da cadeirinha, tirar o carrinho da mala do carro, meter o carrinho na mala do carro.
A verdade é que ando a sentir-me verdadeiramente rebentada por pequenos nadas, como ter que levá-lo só para ir comprar pão, ou ter que tirá-lo do carro para ir fazer o pré-pagamento da gasolina. Pequenos nadas que ninguém faz por mim. E pronto, está feito o desabafo.
O meu filho é uma fofura sim, confirma-se. Anda a comer bem que se farta e não é de levantar ondas.
Mas o meu filho não dorme durante o dia.
Sim, o pai do meu filho diz que isso não tem importância, que o que interessa é que ele durma bem de noite, mas ele diz isso porque não fica em casa com ele durante o dia.
Ontem fiquei tão reconhecida por uma das minhas irmãs ter ficado aqui com ele 15 minutos para eu ir buscar a Alice à escola, que lhe fiz um bolo. Ela não comeu nem uma fatia, mas a realidade é que me soube pela vida, poder bater a porta e arrancar no carro sem ter que meter o António na cadeirinha, tirar o António da cadeirinha, tirar o carrinho da mala do carro, meter o carrinho na mala do carro.
A verdade é que ando a sentir-me verdadeiramente rebentada por pequenos nadas, como ter que levá-lo só para ir comprar pão, ou ter que tirá-lo do carro para ir fazer o pré-pagamento da gasolina. Pequenos nadas que ninguém faz por mim. E pronto, está feito o desabafo.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Cinema Paradiso
Por muitas voltas que dê, por muito que vasculhe na minha gaveta de memórias, não encontro em lugar nenhum filme mais doce do que este. Regado pela Banda Sonora mais maravilhosa e pela língua mais cantada do mundo.
Que saudades de filmes assim e de cinemas assim.
Adeus Quarteto, adeus Berna, adeus 7ªarte, adeus Mundial, adeus Apolo 70, adeus Caleidoscópio, adeus Star, adeus a todos os cinemas da minha juventude.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Fartíssima
de Futilidade, de falta de coisa mais funda, de superfície, de raspão, de défice excessivo de neurónios.
Farta
Um bocadinho farta de todo o suspense em torno da aprovação do Orçamento de Estado. Mais ou menos como uma condenada no corredor da morte à espera de ser salva por um governador que decida ligar. A única diferença é que tenho a certeza que, venha quem vier, a merda será sempre a mesma. O mesmo cheiro e consistência, o mesmo empastamento e o penico responderá sempre pelo mesmo nome: Portugal.
Mas se vier nova merda, peço apenas que não padeça também de flatulência verbal.
E pronto, depois das analogias fecais, sinto-me purgada.
Mas se vier nova merda, peço apenas que não padeça também de flatulência verbal.
E pronto, depois das analogias fecais, sinto-me purgada.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Ode à Fnac


Outro dia alguém me aconselhava uma livraria chamada Pó dos Livros em Lisboa, ao mesmo tempo que proclamava fugir das Fnacs da vida, como o diabo da cruz.
Desde que me recordo de ser gente mais ou menos crescida, que abrir uma pequena livraria de bairro, intimista, com atendimento personalizado, faz parte da minha carteira de sonhos.
Mas como sou uma pessoa que abre os braços aos livros, venham eles e estejam eles onde estiverem, não desprezo a Fnac, de forma nenhuma. Não gosto de endeusar livros, nem música. Gosto que sejam coisas naturais e disponíveis na nossa vida. Gosto de os poder levar para a mesa do café (na Fnac) e folheá-los, ler as primeiras páginas e decidir se vale a pena comprá-los. Gosto do anonimato que um espaço assim nos proporciona. Gosto que não me liguem puto, se dou o biberon ao António com a mão direita, enquanto balanço a cadeirinha com o pé e seguro um exemplar de culinária na mão esquerda, adoro sentir-me no direito de o fazer ali.
Gosto da democratização da cultura. Sou uma grande facha em muitas coisas, mas nestas coisas de ler não.
Depois temos a parte das crianças, onde passava largas temporadas com a Alice em busca de um livro, folheando também, ganhando intimidade, aprendendo a tratar as letras e desenhos por tu, sem vocês.
Por tudo isto e por muito que adore o charme e atendimento personalizado de uma boa livraria, onde saibam por exemplo que ter todos os exemplares de Eça de Queiroz é condição sine qua non para se poder intitular livraria em Portugal, quero agradecer à Fnac, por ter evitado o meu divórcio com as letras, numa altura em que só de imaginar entrar numa pequena livraria com dois miúdos atrás, um deles numa cadeirinha, me provocava arrepios de cansaço.
* Na primeira imagem, a famosa livraria Barnes and Noble, que não temos cá. Um bocadinho mais charmosa do que a Fnac e, geralmente com um Starbucks da treta a fazer as vezes de café incógnito :)
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Pessoas Que me Provocam Comicheza
Há um determinado grupo de pessoas que mexe algures com aquilo que mais comichões me faz nas bochechas do rabo e noutras partes similares que são chatas de coçar em público.
Essas pessoas intitulam-se defensoras de alguma coisa. Dos direitos dos animais, do ambiente, de um certo país, de uma religião, de um partido, do que quer que seja.
Essas pessoas de que falo, não conhecem a palavra equilíbrio, ignoram o que seja um meio termo e cospem de cinco em cinco segundos leis da sua própria legislação interna.
São pessoas intolerantes, que não admitem brechas, que aderiram à moda das palas nos olhos, que ignoram opiniões diferentes e que deturpam situações a todo o instante.
São pessoas que nunca erram e que detêm uma verdade irritantemente universal, recusando-se a escutar argumentos alheios, que de alguma forma não encaixem no seu fanatismo.
Estas pessoas, mal imaginando que o fazem, dão elas próprias mau nome àquilo que tão ferozmente defendem.
Dão-me vontade de pegar fogo a uma árvore e fazer a dança da chuva à volta dela. Dão-me vontade de ir assistir a uma tourada, dão-me vontade de cuspir na bandeira de um país só para os ver tripar, dão-me vontade de os contrariar.
Estas pessoas irritam-me à brava.
Essas pessoas intitulam-se defensoras de alguma coisa. Dos direitos dos animais, do ambiente, de um certo país, de uma religião, de um partido, do que quer que seja.
Essas pessoas de que falo, não conhecem a palavra equilíbrio, ignoram o que seja um meio termo e cospem de cinco em cinco segundos leis da sua própria legislação interna.
São pessoas intolerantes, que não admitem brechas, que aderiram à moda das palas nos olhos, que ignoram opiniões diferentes e que deturpam situações a todo o instante.
São pessoas que nunca erram e que detêm uma verdade irritantemente universal, recusando-se a escutar argumentos alheios, que de alguma forma não encaixem no seu fanatismo.
Estas pessoas, mal imaginando que o fazem, dão elas próprias mau nome àquilo que tão ferozmente defendem.
Dão-me vontade de pegar fogo a uma árvore e fazer a dança da chuva à volta dela. Dão-me vontade de ir assistir a uma tourada, dão-me vontade de cuspir na bandeira de um país só para os ver tripar, dão-me vontade de os contrariar.
Estas pessoas irritam-me à brava.
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