Porque é que a senhora, ou o senhor, que tenta vender-me um colchão, um fogão, uma almofada, um aquecedor, um esquentador, um penso higiénico, tem sempre um produto igualzinho em sua casa e está muito satisfeita?
Porque é que certas pessoas que põem à venda o que quer que seja, parece que nos fazem um favor quando nos mostramos interessados em comprar?
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Novo Estilo de Vida
Não sei jogar xadrez, nem percebo muito de estratégias de marketing, nem de auto promoção da minha básica e desinteressante pessoa.
Estou farta de gerir a vida real e tentar aceitar que também há quem gira a vida virtual, com profissional afinco.
Estou cansada de pessoas cuja vida gira em torno de uma página de internet e que vão deitando lenha, ou água nos status e posts, conforme as suas carências.
Ah, agora preciso de atenção, vou dizer isto.
Ah, agora preciso de 100 comentários, vou inventar aquilo.
Agora vou bloquear este para não ver isto que publico.
Agora vou permitir àquele que leia aquilo que me convém.
Agora vou animar isto um bocadinho e fazer um status misterioso, à medida do que preciso.
Agora vou criar suspense, agora vou amuar, agora vou bloquear, trocar amigo por conhecido, gerir quem vê fotos, status, partilhas e o diabo a sete.
Ah, queres ver o que é que é bom para a tosse, meu sacana? Lixaste-me a vida, disseste mal de mim? Então toma lá, vou desamigar-te do facebook!
Não tenho ânus suficientemente largo para esta merda supostamente séria, mas que, se formos a ver bem, é de um ridículo extremo.
A partir de hoje escreverei o link nos favoritos, para que não me esqueça jamais da importância relativa a dar a este novo modo de vida:
www.queroqueofacebooksefoda.com
Estou farta de gerir a vida real e tentar aceitar que também há quem gira a vida virtual, com profissional afinco.
Estou cansada de pessoas cuja vida gira em torno de uma página de internet e que vão deitando lenha, ou água nos status e posts, conforme as suas carências.
Ah, agora preciso de atenção, vou dizer isto.
Ah, agora preciso de 100 comentários, vou inventar aquilo.
Agora vou bloquear este para não ver isto que publico.
Agora vou permitir àquele que leia aquilo que me convém.
Agora vou animar isto um bocadinho e fazer um status misterioso, à medida do que preciso.
Agora vou criar suspense, agora vou amuar, agora vou bloquear, trocar amigo por conhecido, gerir quem vê fotos, status, partilhas e o diabo a sete.
Ah, queres ver o que é que é bom para a tosse, meu sacana? Lixaste-me a vida, disseste mal de mim? Então toma lá, vou desamigar-te do facebook!
Não tenho ânus suficientemente largo para esta merda supostamente séria, mas que, se formos a ver bem, é de um ridículo extremo.
A partir de hoje escreverei o link nos favoritos, para que não me esqueça jamais da importância relativa a dar a este novo modo de vida:
www.queroqueofacebooksefoda.com
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Book Lovers para as Mães
O Livro da Criança, Mário Cordeiro
15 euros (com portes para Portugal) VENDIDO!
A Criança e a Disciplina, T. Berry Brazelton
A Criança e o Choro, T. Berry Brazelton
10,50, os dois livros (com portes para Portugal)
Se estiverem interessadas, enviem mail para:
avontaderegresso@gmail.com
*Não sei porquê, mas hoje não consigo inserir as imagens dos livros. Terão que clicar no link para verem.
15 euros (com portes para Portugal) VENDIDO!
A Criança e a Disciplina, T. Berry Brazelton
A Criança e o Choro, T. Berry Brazelton
10,50, os dois livros (com portes para Portugal)
Se estiverem interessadas, enviem mail para:
avontaderegresso@gmail.com
*Não sei porquê, mas hoje não consigo inserir as imagens dos livros. Terão que clicar no link para verem.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Duas Questões Absolutamente estúpidas
-As minhas t-shirts estão a ser comidas vivas. Não sei o que lhes anda a morder, mas são sempre dois buraquinhos no mesmo sítio. Das 12 t-shirts que tenho, 10 têm pequenos buraquinhos na zona do umbigo.
Pensei que poderiam ser traças com fetiche por zonas de umbigo de t-shirts e mudei a roupa toda de sítio, além de ter enchido o armário com saquinhos de cheiro a casa de velha.
Não resultou.
Pensei que poderia ter apanhado uma espécie de verme no umbigo (bilhequeeeee), com fetiche por t-shirts, mas não. Tirando o cotão acumulado, está limpinho.
Vai daí, gostava de saber se existe alguma associação de vítimas de buracos de t-shirt, ou se mais alguém anda a ser atacado por este mal.
- Não consigo parar de ver os Jogos Olímpicos e gostava de saber se é só a mim que acontece, ficar subitamente fã de desporto, quando no resto dos anos, não lhe ligo rigorosamente nenhuma.
Pensei que poderiam ser traças com fetiche por zonas de umbigo de t-shirts e mudei a roupa toda de sítio, além de ter enchido o armário com saquinhos de cheiro a casa de velha.
Não resultou.
Pensei que poderia ter apanhado uma espécie de verme no umbigo (bilhequeeeee), com fetiche por t-shirts, mas não. Tirando o cotão acumulado, está limpinho.
Vai daí, gostava de saber se existe alguma associação de vítimas de buracos de t-shirt, ou se mais alguém anda a ser atacado por este mal.
- Não consigo parar de ver os Jogos Olímpicos e gostava de saber se é só a mim que acontece, ficar subitamente fã de desporto, quando no resto dos anos, não lhe ligo rigorosamente nenhuma.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
A Fauna Balnear
Não sendo fanática de praia, muito pelo contrário, tenho dado por mim a ceder à vontade dos putos e a enterrar a pata no areal, quase todos os dias (louvado seja o Senhor, que me louve).
Apesar de viver relativamente perto do Guincho, essa praia bela e temperamental, a realidade é que sempre que lá vou, passo o tempo a levar com areia na tromba e a tiritar de frio, agarrada aos meus pertences, para que não voem para os lados da Nova Zelândia. Vai daí, este ano, cortei relações com o Guincho. O Guincho quesefoda.
Abracei as praias de Cascais, em todo o seu esplendor.
Como são praias mais fofinhas e acolhedoras , depois de quase 2 semanas a levar os putos, já conheço quase toda a gente de cor.
Temos os bandos de velhas (as únicas que conseguem chegar antes de mim ao cenário), que gostam de ficar com água por baixo da coxa, na conversa e, desconfio, que a mijarem-se toda a santa manhã, pois a água está sempre um caldinho nessa zona.
Temos os maridos das velhas, que machos como são, não sentam o rabo na areia. Passam as horas matinais, de pé e de mãos nas ancas, falando de política.
Temos as mulheres rijas como aço, que percorrem a praia de um lado ao outro, dentro de água. Para trás e para a frente, para trás e para a frente, para trás e para a frente, como se quisessem chegar a um sítio que jamais alcançarão.
Temos as velhas que se plantam nas rochas cheias de mexilhão e que deixam descair a alça do fato de banho, quase até ao nível do piso térreo, lado a lado com os velhos que parecem padecer de pé de atleta no mais profundo estado de inflamação e cujas unhas se confundem com os próprios mexilhões.
Temos aquele casal de espanhóis com uma filha pequena, que, de cada vez que a miúda quer arrear o calhau, a mãezinha pega nela e, ao invés de sentar a miúda no balde da praia, ou levar uma fralda para o efeito, deixa-a cagar na areia, para depois fingir que tira a merda com um lenço.
Temos o grupo de amigas que faz questão de encostar as toalhas nas nossas toalhas, com amor e dedicação, pois que não há mais areia para se plantarem, além daquele meu quadradinho.
E temos finalmente a rainha das velhas. Aquela senhora dos seus 80 anos, que faz topless e come muitas uvas com grainha à beira mar, fazendo-me sempre temer pela minha integridade física, pois não raras foram as vezes que íamos tropeçando os três nas suas mamas.
E assim é a praia. As crianças adoram e eu vou e gelo as canetas na água horas e horas e cavo buracos onde encontro cotonetes e beatas (de cigarro, entenda-se) e piscinas, onde molhamos os nossos 6 pés.
Apesar de viver relativamente perto do Guincho, essa praia bela e temperamental, a realidade é que sempre que lá vou, passo o tempo a levar com areia na tromba e a tiritar de frio, agarrada aos meus pertences, para que não voem para os lados da Nova Zelândia. Vai daí, este ano, cortei relações com o Guincho. O Guincho quesefoda.
Abracei as praias de Cascais, em todo o seu esplendor.
Como são praias mais fofinhas e acolhedoras , depois de quase 2 semanas a levar os putos, já conheço quase toda a gente de cor.
Temos os bandos de velhas (as únicas que conseguem chegar antes de mim ao cenário), que gostam de ficar com água por baixo da coxa, na conversa e, desconfio, que a mijarem-se toda a santa manhã, pois a água está sempre um caldinho nessa zona.
Temos os maridos das velhas, que machos como são, não sentam o rabo na areia. Passam as horas matinais, de pé e de mãos nas ancas, falando de política.
Temos as mulheres rijas como aço, que percorrem a praia de um lado ao outro, dentro de água. Para trás e para a frente, para trás e para a frente, para trás e para a frente, como se quisessem chegar a um sítio que jamais alcançarão.
Temos as velhas que se plantam nas rochas cheias de mexilhão e que deixam descair a alça do fato de banho, quase até ao nível do piso térreo, lado a lado com os velhos que parecem padecer de pé de atleta no mais profundo estado de inflamação e cujas unhas se confundem com os próprios mexilhões.
Temos aquele casal de espanhóis com uma filha pequena, que, de cada vez que a miúda quer arrear o calhau, a mãezinha pega nela e, ao invés de sentar a miúda no balde da praia, ou levar uma fralda para o efeito, deixa-a cagar na areia, para depois fingir que tira a merda com um lenço.
Temos o grupo de amigas que faz questão de encostar as toalhas nas nossas toalhas, com amor e dedicação, pois que não há mais areia para se plantarem, além daquele meu quadradinho.
E temos finalmente a rainha das velhas. Aquela senhora dos seus 80 anos, que faz topless e come muitas uvas com grainha à beira mar, fazendo-me sempre temer pela minha integridade física, pois não raras foram as vezes que íamos tropeçando os três nas suas mamas.
E assim é a praia. As crianças adoram e eu vou e gelo as canetas na água horas e horas e cavo buracos onde encontro cotonetes e beatas (de cigarro, entenda-se) e piscinas, onde molhamos os nossos 6 pés.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Enquanto conduzo, surgem as grandes questões metafísicas
- Mãe?
- Sim
- Os teus avós já morreram?
- Quase todos, ainda tenho uma avó´.
- A bisa?
- Sim.
- E foram para onde? É verdade que foram para o céu?
momento rápido de reflexão. Opto pela resposta mais apaziguadora.
- Foram, claro.
- E o que é que eles ficam lá a fazer?
- A tomar conta de nós. Transformam-se em anjos, nos nossos anjos pessoais.
- Com asas?
- Sim.
- Mãe?
- Sim.
- Eu não quero que morras antes de mim.
vários foda-se's para dentro e silêncio.
- Podemos falar noutra coisa qualquer?
- Achas que agora dá para falarmos das sementinhas?
- Queres falar de agricultura? Boa!
risos sádicos da minha filha.
- Não, mãe. Falar das sementinhas na tua barriga. Como é que eu fui parar dentro da tua barriga.
Por segundos, penso numa saída fácil, como guinar o volante para cima de outro carro.
- Sim
- Os teus avós já morreram?
- Quase todos, ainda tenho uma avó´.
- A bisa?
- Sim.
- E foram para onde? É verdade que foram para o céu?
momento rápido de reflexão. Opto pela resposta mais apaziguadora.
- Foram, claro.
- E o que é que eles ficam lá a fazer?
- A tomar conta de nós. Transformam-se em anjos, nos nossos anjos pessoais.
- Com asas?
- Sim.
- Mãe?
- Sim.
- Eu não quero que morras antes de mim.
vários foda-se's para dentro e silêncio.
- Podemos falar noutra coisa qualquer?
- Achas que agora dá para falarmos das sementinhas?
- Queres falar de agricultura? Boa!
risos sádicos da minha filha.
- Não, mãe. Falar das sementinhas na tua barriga. Como é que eu fui parar dentro da tua barriga.
Por segundos, penso numa saída fácil, como guinar o volante para cima de outro carro.
domingo, 5 de agosto de 2012
pequena perguntinha
As pessoas que metem botox, estarão mesmo convencidas da invisibilidade do procedimento? Acham mesmo que parece natural?
Se sim, tenho uma bomba a largar-lhes na face cheia pela seringa:
NOTA-SE.
Se sim, tenho uma bomba a largar-lhes na face cheia pela seringa:
NOTA-SE.
Lista de Procedimentos de Emergência
Não sei se sonhei, mas tenho ideia que os pilotos têm uma lista de coisas a confirmar, no caso de alguma coisa correr mal.
Não é que não a saibam de cor, mas em situações de stress, o nosso cérebro bloqueia.
Vai daí, lembrei-me que não será má ideia fazer, desde já, uma lista semelhante para as crises de meia idade. Sendo que a meia idade pode ir dos 40, aos 70 anos e envolver bloqueios cerebrais que nos impedem de raciocinar com coerência.
Já tenho a primeira alínea desta lista:
a) Apesar de poder ter passado algum tempo, desde a última vez que sentiste os ardores da paixão, não te deixes levar por um piropo. Pois quando chegarem os problemas de circulação, incontinência e demência, é mais importante teres alguém ao teu lado que partilhe contigo um pacote de fraldas e se lembre onde deixaste as chaves de casa, aquecendo-te os pés durante a noite, do que alguém que te diga que ainda tens um rabo firme.
Não é que não a saibam de cor, mas em situações de stress, o nosso cérebro bloqueia.
Vai daí, lembrei-me que não será má ideia fazer, desde já, uma lista semelhante para as crises de meia idade. Sendo que a meia idade pode ir dos 40, aos 70 anos e envolver bloqueios cerebrais que nos impedem de raciocinar com coerência.
Já tenho a primeira alínea desta lista:
a) Apesar de poder ter passado algum tempo, desde a última vez que sentiste os ardores da paixão, não te deixes levar por um piropo. Pois quando chegarem os problemas de circulação, incontinência e demência, é mais importante teres alguém ao teu lado que partilhe contigo um pacote de fraldas e se lembre onde deixaste as chaves de casa, aquecendo-te os pés durante a noite, do que alguém que te diga que ainda tens um rabo firme.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
A Partilha Forçada
Nos meios onde pululam putos e suas mães (eu incluída), tenho assistido várias vezes à imposição da partilha dos brinquedos com crianças desconhecidas.
Passa um puto terrorista e rouba um brinquedo de uma criança e a mãe desta começa numa cantilena do género:
- Empresta ao menino, vá, não faz mal. Não sejas assim, temos que partilhar.
A criança olha a mãe, sem entender patavina, de lágrimas nos olhos, chocada. Mas a mãe, querendo ser agradável com a mãe do puto chato, continua:
- Não faz mal, ele pode brincar.
E o filho olha-a, em prantos, sem perceber porque raio a sua própria mãe prefere ver um estranho brincar com o seu carrinho e não o defende da usurpação.
Pois eu digo BASTA!
Chega de gamarem brinquedos ao meu querido puto.
Uma coisa é partilhar com os irmãos, primos, amigos. Agora com perfeitos desconhecidos?
No way! Tenham lá santa paciência, mas quando um puto passa e agarra na pá e no balde cheio de pedrinhas acabadas de apanhar do meu filhote, como se o mundo fosse dele, aqui esta mãe exige a sua devolução imediata, muitas vezes com olhares demoníacos, que, por si só, destroem a vontade do pequeno bully.
Pedagogicamente duvidoso?
Provavelmente sim, mas caguei.
Passa um puto terrorista e rouba um brinquedo de uma criança e a mãe desta começa numa cantilena do género:
- Empresta ao menino, vá, não faz mal. Não sejas assim, temos que partilhar.
A criança olha a mãe, sem entender patavina, de lágrimas nos olhos, chocada. Mas a mãe, querendo ser agradável com a mãe do puto chato, continua:
- Não faz mal, ele pode brincar.
E o filho olha-a, em prantos, sem perceber porque raio a sua própria mãe prefere ver um estranho brincar com o seu carrinho e não o defende da usurpação.
Pois eu digo BASTA!
Chega de gamarem brinquedos ao meu querido puto.
Uma coisa é partilhar com os irmãos, primos, amigos. Agora com perfeitos desconhecidos?
No way! Tenham lá santa paciência, mas quando um puto passa e agarra na pá e no balde cheio de pedrinhas acabadas de apanhar do meu filhote, como se o mundo fosse dele, aqui esta mãe exige a sua devolução imediata, muitas vezes com olhares demoníacos, que, por si só, destroem a vontade do pequeno bully.
Pedagogicamente duvidoso?
Provavelmente sim, mas caguei.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Pilim
Não deixa de ser fascinante, em termos sociológicos, ou arqueológicos, verificar a relação esquizofrénica que cada um tem com o seu dinheiro. É mais ou menos como a questão da comida, mas mais complexa ainda.
Temos as pessoas que têm pouco, mas que gostam de aparentar ter muito.
Temos as pessoas que têm algum, mas que não conseguem largar o síndrome de não ter cheta e pensam que têm que aparentar não ter nenhum, pois parece mal ter algum.
Temos os ricos forretas, que gostam de passar por pobres, os ricos que padecem de incontinência monetária, passando os dias a estudar e inventar necessidades urgentes onde gastar o seu dinheiro, os ricos que não conseguem decidir se já são ricos, ou se ainda não conseguiram atingir o patamar e vivem na angústia do limbo.
Temos os que pensam que estão sempre a tentar ir-lhes ao bolso e que tornam uma relação saudável virtualmente impossível.
São raras as pessoas que têm uma relação equilibrada com o dinheiro e isto é triste à brava e chato também, pois nunca sabemos bem como falar sobre esse bicho, como abordá-lo, como descomplexá-lo, quando há muito, ou quando há pouco.
Temos as pessoas que têm pouco, mas que gostam de aparentar ter muito.
Temos as pessoas que têm algum, mas que não conseguem largar o síndrome de não ter cheta e pensam que têm que aparentar não ter nenhum, pois parece mal ter algum.
Temos os ricos forretas, que gostam de passar por pobres, os ricos que padecem de incontinência monetária, passando os dias a estudar e inventar necessidades urgentes onde gastar o seu dinheiro, os ricos que não conseguem decidir se já são ricos, ou se ainda não conseguiram atingir o patamar e vivem na angústia do limbo.
Temos os que pensam que estão sempre a tentar ir-lhes ao bolso e que tornam uma relação saudável virtualmente impossível.
São raras as pessoas que têm uma relação equilibrada com o dinheiro e isto é triste à brava e chato também, pois nunca sabemos bem como falar sobre esse bicho, como abordá-lo, como descomplexá-lo, quando há muito, ou quando há pouco.
terça-feira, 31 de julho de 2012
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Comer para matar a fome
Na nossa breve passagem pela zona da Mealhada, parámos num restaurante de beira de estrada, para satisfazer os estômagos roncantes das crianças e deparei-me com dantesco cenário.
As pessoas, no gigantesco complexo de ingestão de leitão, não falavam. Bigodes pingavam, línguas passeavam sobre as beiças, dedos agarravam pedaços suculentos de carne, pratos de batata frita eram passados de uma pessoa para a outra com sofreguidão. Ali parecia ingerir-se a própria vida. Era comer, ou morrer.
Eu sei que vem desde os primórdios dos tempos, esta cena com a comida. Este culto, esta obsessão, esta relação de profundo amor que muitos têm com o seu pedaço de entrecosto, o chouriço, a especiaria, as migas, a doçaria, até a própria salada gourmet.
Sei que eu própria padeço, de quando em quando, geralmente quando estou mais em baixo, desta paixão erótica pelo divino alimento, mas porquê?
Porque é que se perde tempo a fotografar o alimento, a acariciá-lo, a mimá-lo, a mostrá-lo, a falar sobre ele e a exibi-lo a outras gentes?
Há qualquer coisa errada aqui.
A comida deveria servir para matar a fome, ponto. O sexo, o amor e realizações de outros níveis, deveriam servir para matar outras carências.
Isto é a minha teoria.
Agora vou ali pôr a marinar numa cama de alecrim, com limão e azeite, o meu lombo.
As pessoas, no gigantesco complexo de ingestão de leitão, não falavam. Bigodes pingavam, línguas passeavam sobre as beiças, dedos agarravam pedaços suculentos de carne, pratos de batata frita eram passados de uma pessoa para a outra com sofreguidão. Ali parecia ingerir-se a própria vida. Era comer, ou morrer.
Eu sei que vem desde os primórdios dos tempos, esta cena com a comida. Este culto, esta obsessão, esta relação de profundo amor que muitos têm com o seu pedaço de entrecosto, o chouriço, a especiaria, as migas, a doçaria, até a própria salada gourmet.
Sei que eu própria padeço, de quando em quando, geralmente quando estou mais em baixo, desta paixão erótica pelo divino alimento, mas porquê?
Porque é que se perde tempo a fotografar o alimento, a acariciá-lo, a mimá-lo, a mostrá-lo, a falar sobre ele e a exibi-lo a outras gentes?
Há qualquer coisa errada aqui.
A comida deveria servir para matar a fome, ponto. O sexo, o amor e realizações de outros níveis, deveriam servir para matar outras carências.
Isto é a minha teoria.
Agora vou ali pôr a marinar numa cama de alecrim, com limão e azeite, o meu lombo.
terça-feira, 24 de julho de 2012
A Gente Não Quer Só Comida, a gente quer comida, diversão e arte
Pegando no mote da Melissa, com o seu post sobre como é redutor e cansativo à brava vivermos constantemente em função de poupar dinheiro para a comida e esquecermos a vida, decidimos fazer um passeio à medida do bolso emagrecido pelo corte de subsídios.
Acredito que existem passeios sempre possíveis, por mais magro que ande o bolso. E que, se nos decidirmos a pôr algum dinheiro de lado para um passeio, conseguimos amealhar. Podemos não ir a Nova Iorque, mas vamos com toda a certeza conhecer sítios maravilhosos no nosso país.
Os nossos 3 dias em Pedrogão Pequeno foram do melhor que já tivemos. Os miúdos cansaram-se, correram, viram, respiraram ar puro, gritaram, riram, adoraram cada minuto e nós saímos da rotina.
Sentimos a vida de aldeia, as festas de verão com cantores pimba, as farturas na feira, o verde até perder de vista e zerámos.
Zerar é importante.
Não comemos no hotel, nem em grandes restaurantes, mas encontrámos uma residencial bem perto, onde serviam doses a 10 euros que chegavam bem para os quatro.
O nosso país está a abarrotar de sítios lindos para conhecermos. Alojamentos caseiros, rústicos, em tendas, onde tiver que ser, mas vão.
Acredito que existem passeios sempre possíveis, por mais magro que ande o bolso. E que, se nos decidirmos a pôr algum dinheiro de lado para um passeio, conseguimos amealhar. Podemos não ir a Nova Iorque, mas vamos com toda a certeza conhecer sítios maravilhosos no nosso país.
Os nossos 3 dias em Pedrogão Pequeno foram do melhor que já tivemos. Os miúdos cansaram-se, correram, viram, respiraram ar puro, gritaram, riram, adoraram cada minuto e nós saímos da rotina.
Sentimos a vida de aldeia, as festas de verão com cantores pimba, as farturas na feira, o verde até perder de vista e zerámos.
Zerar é importante.
Não comemos no hotel, nem em grandes restaurantes, mas encontrámos uma residencial bem perto, onde serviam doses a 10 euros que chegavam bem para os quatro.
O nosso país está a abarrotar de sítios lindos para conhecermos. Alojamentos caseiros, rústicos, em tendas, onde tiver que ser, mas vão.
sábado, 14 de julho de 2012
O Tempo, esse grande escultor
Vivemos numa época em que se exige demasiado aos nossos filhos. Padrões escritos em livros de desenvolvimento infantil dizem-nos o que devem fazer os putos aos 18 meses, o que é suposto dizerem aos 2 anos, como é suposto crescerem, desfraldarem, enunciarem, soletrarem.
Não me esqueço nunca da directora de uma escola que visitei, quando andava à procura de escolas para a Alice, que me mostrava os trabalhos das crianças de 3/4 anos e afirmava, plena de segurança:
Aqui eles são muito puxados, fazem fichas, exercícios e conseguimos logo distinguir os trapalhões, dos mais concentrados.
Achei aquela merda nazi e fugi dali a sete pés. Eu não queria a minha filha muito puxada. Eu queria a minha filha a ser criança.
O António tem-se desenvolvido mais em férias, com praia, ar livre e brincadeiras, do que em toda a sua longa vida académica (que ainda não iniciou) :)
Ver os putos a gritarem, correrem, tropeçarem, sacudirem o pó e voltarem a levantar-se, é vê-los crescer ao seu ritmo. Sem pressas de os transformar em pequenos adultos.
Estou farta da nova pedagogia da treta. Farta dos quilómetros de fichas e tpc's. Farta de escolas com a mania que sabem mais do que os pais. Farta de crianças tristes.
Vamos lá tratar as crianças como elas merecem ser tratadas. Como crianças, sim?
Não me esqueço nunca da directora de uma escola que visitei, quando andava à procura de escolas para a Alice, que me mostrava os trabalhos das crianças de 3/4 anos e afirmava, plena de segurança:
Aqui eles são muito puxados, fazem fichas, exercícios e conseguimos logo distinguir os trapalhões, dos mais concentrados.
Achei aquela merda nazi e fugi dali a sete pés. Eu não queria a minha filha muito puxada. Eu queria a minha filha a ser criança.
O António tem-se desenvolvido mais em férias, com praia, ar livre e brincadeiras, do que em toda a sua longa vida académica (que ainda não iniciou) :)
Ver os putos a gritarem, correrem, tropeçarem, sacudirem o pó e voltarem a levantar-se, é vê-los crescer ao seu ritmo. Sem pressas de os transformar em pequenos adultos.
Estou farta da nova pedagogia da treta. Farta dos quilómetros de fichas e tpc's. Farta de escolas com a mania que sabem mais do que os pais. Farta de crianças tristes.
Vamos lá tratar as crianças como elas merecem ser tratadas. Como crianças, sim?
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Deve ser do escalpe escaldado
Chamei Joseph Grass ao Michael Grass.
Mas não vou mudar. Assim, caso o homem tenha o hábito de se googlar, não vem cá parar e, por conseguinte, não congemina uma vingança diabólica contra a minha pessoa.
Já para não falar que ele tem cara de José.
Mas não vou mudar. Assim, caso o homem tenha o hábito de se googlar, não vem cá parar e, por conseguinte, não congemina uma vingança diabólica contra a minha pessoa.
Já para não falar que ele tem cara de José.
terça-feira, 10 de julho de 2012
baixinho, que é para não fazer muito barulho
Mas os meus filhos têm-se portado lindamente.
Dormem juntos na mesma cama, com uma excitação e cumplicidade comoventes.
Escavam juntos na areia da praia e refugiam-se das rabanadas de vento num abraço que comporta tanto de medo, como de gritos de entusiasmo.
Comem sandochas de queijo na praia e soltam hmmmm's de prazer.
A ilha ecológica (sim, aqui no Algarve, há muito dessas ilhas de lixo separado e arrumado :)) mesmo em frente à casa, é motivo da mais pura das alegrias, de cada vez que se aproxima o camião do lixo com uma grua. O António grita, em êxtase chamando toda a gente e a irmã acompanha-o até ao portão, onde os dois acenam ao senhor do lixo e lhe gritam olá.
As simples voltas ao quarteirão são excursões de escuteiros e o caminho de carro até à praia é acompanhado da sempre igual pergunta do António:
A praia, mãe, ó mãe, ó mãe, a praia? Pai, ó pai, a praia, pai?
E aqui me chibato e flagelo por ter pensado tão mal deles e ter imaginado as birras e os gritos e a loucura, em vez de ter esperado o melhor.
Estes putos estão crescidos e eu não me canso da alegria deles.
Dormem juntos na mesma cama, com uma excitação e cumplicidade comoventes.
Escavam juntos na areia da praia e refugiam-se das rabanadas de vento num abraço que comporta tanto de medo, como de gritos de entusiasmo.
Comem sandochas de queijo na praia e soltam hmmmm's de prazer.
A ilha ecológica (sim, aqui no Algarve, há muito dessas ilhas de lixo separado e arrumado :)) mesmo em frente à casa, é motivo da mais pura das alegrias, de cada vez que se aproxima o camião do lixo com uma grua. O António grita, em êxtase chamando toda a gente e a irmã acompanha-o até ao portão, onde os dois acenam ao senhor do lixo e lhe gritam olá.
As simples voltas ao quarteirão são excursões de escuteiros e o caminho de carro até à praia é acompanhado da sempre igual pergunta do António:
A praia, mãe, ó mãe, ó mãe, a praia? Pai, ó pai, a praia, pai?
E aqui me chibato e flagelo por ter pensado tão mal deles e ter imaginado as birras e os gritos e a loucura, em vez de ter esperado o melhor.
Estes putos estão crescidos e eu não me canso da alegria deles.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
O meu desafio de verão, ou quão patética ainda consigo ser
a) Uma imagem de verão:
Lóbulos das orelhas escaldados.
b) Uma sensação:
Couro cabeludo escaldado e dorido como um pénis de coelho.
c) Uma pintura:
manchas castanhas na tromba, que decidem aparecer em cada local onde não espalho protector 50+.
d) Uma mensagem:
As férias cansam, mas eles adoram cada segundo do seu descanso.
Lóbulos das orelhas escaldados.
b) Uma sensação:
Couro cabeludo escaldado e dorido como um pénis de coelho.
c) Uma pintura:
manchas castanhas na tromba, que decidem aparecer em cada local onde não espalho protector 50+.
d) Uma mensagem:
As férias cansam, mas eles adoram cada segundo do seu descanso.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Lamechice Profunda e boua
Isto é muito parvo, eu sei que sim. Até porque, apesar de te conhecer pelo lado que mais me prende, que é o lado que se escreve, só te vi uma vez.
Mas desde que entraste para o hospital, para a tua 12ª (foda-se, 12ª????!!!!) operação, que tenho andado mais quieta, mais lenta. O meu coração reserva algumas batidas e recolhe-se, reflectindo. Tenho andado estranha.
No fundo, tenho andado para aqui à tua espera, sem saber muito bem o que fazer, o que te dizer e isto é muito parvo, eu sei que sim. Mas eu ando assim, porque as pessoas que nos dizem tanto, querem-se a dizer-nos coisas quase todos os dias.
E pronto, hoje voltaste a escrever e eu gostei de ver o teu blogue, ali do lado direito da tabela, actualizado.
Isto de ter quase 36 anos confere-me o poder da lamechice profunda e assumida, sim. Mas não quero saber, tal como não quero saber de estar numa fila de trânsito, com a janela aberta a ouvir a Turma do Balão Mágico, sem putos no carro que desculpem a minha escolha musical.
Sou lamechamente livre e ser livre em lamechice é dizer que gostamos de quem gostamos e que temos saudades de quem gostamos.
Senti a tua falta, Silvina.
Mas desde que entraste para o hospital, para a tua 12ª (foda-se, 12ª????!!!!) operação, que tenho andado mais quieta, mais lenta. O meu coração reserva algumas batidas e recolhe-se, reflectindo. Tenho andado estranha.
No fundo, tenho andado para aqui à tua espera, sem saber muito bem o que fazer, o que te dizer e isto é muito parvo, eu sei que sim. Mas eu ando assim, porque as pessoas que nos dizem tanto, querem-se a dizer-nos coisas quase todos os dias.
E pronto, hoje voltaste a escrever e eu gostei de ver o teu blogue, ali do lado direito da tabela, actualizado.
Isto de ter quase 36 anos confere-me o poder da lamechice profunda e assumida, sim. Mas não quero saber, tal como não quero saber de estar numa fila de trânsito, com a janela aberta a ouvir a Turma do Balão Mágico, sem putos no carro que desculpem a minha escolha musical.
Sou lamechamente livre e ser livre em lamechice é dizer que gostamos de quem gostamos e que temos saudades de quem gostamos.
Senti a tua falta, Silvina.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Don't Panic
A hiperventilar, com palpitações cardíacas, falhas musculares e suores frios.
A precisar de um cigarro de relva, de um ansiolítico bombástico, ou de várias garrafas de tinto.
Acabo de me aperceber de algo que tenho andado a evitar e a meter para debaixo da carpete da lembrança:
A minha filhota. A minha bebé, que ainda ontem nasceu vai para o 1º ano.
Não estou preparada para isto.
A precisar de um cigarro de relva, de um ansiolítico bombástico, ou de várias garrafas de tinto.
Acabo de me aperceber de algo que tenho andado a evitar e a meter para debaixo da carpete da lembrança:
A minha filhota. A minha bebé, que ainda ontem nasceu vai para o 1º ano.
Não estou preparada para isto.
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