terça-feira, 7 de abril de 2009

A Minha História de Amor

Decidi puxar para aqui um post antigo em que conto a minha história de amor e inventar um novo desafio no qual falarei no final...

Porque não falar da nossa história? Porque não deixar escrito em algum lugar como é que conheci o teu pai?
Acreditas mesmo se te disser que nos conhecemos quando eu tinha 13 anos?
Quando penso no assunto, nem eu mesma acredito que nos conhecemos já há 20 anos!
Não, não foi um namoro daqueles que nunca mais acaba, simplesmente, éramos grandes amigos, os nossos prédios em Lisboa era colados um no outro e nós assim ficámos também.
O teu pai tinha uma frase que, mesmo depois de nos separarmos pela distância, ficou para sempre gravada na minha memória. Entre as gargalhadas com que polvilhava cada piada descarada, enfiava o que ficou conhecida como a sua frase clássica: Just Kiding. Podia dizer as maiores barbaridades, que logo de seguida se desculpava com estas duas palavras em inglês.
Não havia quem não ficasse contagiado com o seu bom humor e por esse motivo, um grupo de pessoas parecia sempre levitar à sua volta.
Aos 16 anos mudei-me para Cascais e fomos perdendo o contacto. Nunca, mas mesmo nunca esqueci o Just Kiding e muitas vezes dava por mim a dizer essa frase em voz alta, como se ao dizê-la os meus tempos loucos de Lisboa voltassem nesse mesmo instante e juntamente com eles, o teu pai e o nosso grupo de amigos.
Já menina bem comportada e estudante de Direito, há uma tarde em que decido faltar a uma aula e ir matar saudades com a D. para a Av. de Roma. Foi um impulso, completamente fora do normal, que nos levou ao baldanço culpabilizado. Mas lá fomos e, sentadas na esplanada da Gelataria Roma, vimos passar o teu tio Filipe, irmão do teu pai.
Não queria acreditar, chamei-o e foi como se o tempo não tivesse passado. Senti que por muito tempo que passasse, havia cumplicidades que teimavam em não se perder. Trocámos números de telefone.
Passado um tempo o teu pai mandou-me uma mensagem.
Não conhecia o número, perguntei quem era. A resposta foi simples e esclarecedora: Se te disser Just Kiding, lembras-te?
Daí para a frente uma amizade antiga transformou-se num novo amor e eu, que estava sozinha há tanto tempo, acreditei que tinha ficado assim na mais completa secura, só para poder valorizar um grande amor quando ele surgisse.
Não foi fácil entrar na vida do teu pai. Ele tinha saído magoado de uma relação e não se entregava com essa facilidade toda. Mas a amizade que tínhamos serviu para não nos deixarmos fugir um do outro.
Se algum dia te vierem com a história de que não existe essa coisa do destino. Lembra-te de mim e do teu pai. Conhecemo-nos em miúdos, separámo-nos jovens, reencontrámo-nos diferentes e tivemos-te a ti como prova de que tínhamos mesmo que acontecer.

Partilhada a minha história e como a vida é feita de encontros, desencontros, tentativas falhadas, sucedidas. Gostava muito que partilhassem a vossa história de amor. Mesmo que não tenha resultado, mesmo que vos tenha magoado, falem sobre ela, pois recordarmos é uma forma de nos mantermos vivos. Digam-nos como é que conheceram o vosso/a companheiro/a. O que pode parecer uma história banal, quando contada assume sempre um tom mais fundo e reacende uma luz bem dentro de nós. Eu vou desafiar algumas pessoas, mas sintam-se livres para escreverem com, ou sem desafio:
Socas, pois morro de curiosidade.
Ana., pois tenho a certeza de que vou gostar.
Miguel C., pois ele já deu provas de saber escrever sobre o amor.
Tasha, pois sei que me vou comover.
joaníssima, pois escreve bem sobre tudo e tem tanto de acutilante como de doce.
Melissa não penses que escapas, já me tinhas prometido a tua história há tempo demais...
Mariinha, pois quero muito ouvir a história de quem já está casada há tanto tempo...
JS, porque adoro quando ela fala acerca do coração.
Rainha Mãe, pois sinto que há ali amor de verdade :)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O Jardim da Alegria


Este foi o primeiro filme que fui ver com o Hugo ao cinema depois do nosso reencontro, passados dez anos sobre a época em que nos conhecemos (sim, nós fomos amigos de juventude que se separaram e voltaram a reencontrar-se 10 anos mais tarde). De alguma maneira é um tipo de filme que haveria de nos definir. Pois ambos adoramos uma boa gargalhada. Eu não me rio com facilidade no cinema, mas quando me rio é até as dores no rosto e no estômago darem cabo de mim.
Voltando ao filme e para quem nunca viu. Saving Grace, ou em português o Jardim da Alegria é a história de uma viúva de meia idade numa pacata aldeia em Inglaterra que após o suicídio do marido se vê a braços com as dívidas todas que ele deixou. E então para conseguir salvar-se da bancarrota decide, juntamente com o jardineiro fazer uma plantação de marijuana no jardim.
Penso que a série Erva (que adoro) foi beber alguma inspiração nesta história. É um deleite repleto de um humor como só os ingleses sabem fazer.
Se querem passar umas horas de pura descontracção, vejam por favor.

Famílias Perfeitas

Quando era pequena achava sempre as mães dos meus amigos mais permissivas, mais simpáticas, mais porreiras do que a minha.
Quando cresci mais um bocadinho fui-me apercebendo que não era bem assim. Que todas as mães tinham defeitos.
Na idade adulta assisti a dezenas de diálogos sobre como a suposta família era fantástica, cheia de virtudes, unida, inseparável e, palavra muito usada, um verdadeiro clã. E não deixava de ser divertido ver essa bolha de perfeita harmonia pelo lado de dentro.
Cada família tem as suas pancadas e assim que a vemos do avesso fica simplesmente uma família normal.
Nunca apregoei virtudes familiares a ninguém. Somos bastante disfuncionais, com alguns traumas inevitáveis, zangas esporádicas entre alguns. Mas com os anos coisas que me pareciam graves, agora não o são e vamos simplesmente percorrendo este caminho chamado vida ora dando as mãos, ora seguindo por caminhos diferentes. Mas encontrando-nos sempre ao longo da estrada quando alguma coisa falha.
Tenho sempre a estranha sensação de que quanto mais perfeitas aparentam ser por fora, mais tresloucadas essas famílias devem ser por dentro...

sábado, 4 de abril de 2009

A Vida Como ela É

- Hoje fazes o jantar?
- Porquê?
- Para variar.
- Pode ser.
Passam-se duas horas. Ele permanece sentado em frente ao computador.
- Então?
- Já vou.
- Quando?
- Porque é que és tão chata?
Suspiro muito profundo e chantagem emocional em acção:
- Deixa estar, eu faço.
Ele lá se levanta com bastante esforço e eu transmito a informação:
- O lombo de porco está no frigorífico, é só fazeres arroz e cozeres legumes.
- Está bem.
Subo para ir dar banho à Alice. Passados 15 minutos ouço os passos dele escada acima. Sei exactamente o que vou ouvir.
- O que é que disseste que era para fazer?
Respiro fundo. Isto é só um pequeno atrito doméstico, não é de todo o que o define. Ou é precisamente o que o define? Preparo-me para praguejar. Mas ele antecipa-se.
- Tu hoje estás muito rabujenta.
- Porque é que nunca ouves o que te digo?
- Sem dramas, diz lá o que é que me pediste para fazer?
Depois desço, oiço-o na cozinha. Fico ali na soleira da porta a ver sem ser vista. De meias, olhar ensonado, a fazer tudo no seu ritmo muito próprio, sem pressas. Esquece sempre alguma coisa e volta atrás, depois lembra-se de outra coisa qualquer e apressa-se. Sorrio e penso para mim: Não o trocava por nada deste mundo. E talvez não fosse má ideia dizer-lhe isto mais vezes.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Air Alps


Final da nossa Lua-De-Mel, abraçados dizemos adeus a Salzburgo. O pequeno aeroporto que serve a cidade é bastante romântico, tem um café sobre a pista, mas às 6 da manhã ainda está fechado. Percorremos aquele pequeno recinto de mãos dadas, tristes por aqueles dias terem passado a voar. Ainda tenho tempo para comprar uma caixa de chocolates do Mozart e uma pequena caixa com uma pintura de Klimt. Vamos apanhar um voo de ligação para Amesterdão e de lá seguiremos para Lisboa.
Sem a menor vontade de retomarmos à vida real dizemos adeus mentalmente a tudo aquilo que vimos na nossa primeira viagem depois de oficialmente casados.
Tenho os meus valiuns à mão, pois cerca de 10 minutos antes de embarcar para qualquer coisa que tenha asas, tomo um. Ajuda-me a pensar que vou sentir menos pânico. Peço uma garrafinha de água e lá engulo um daqueles pequenos auxiliares. Respiro fundo e percebo que a porta de embarque acabou de abrir, dou a mão ao Hugo e aperto-a até lhe cortar a circulação. Ele aperta a minha com mais força ainda, pois infelizmente também sofre de pânico de voo. Olho à procura da manga que nos conduzirá ao interior do avião, ou do autocarro que nos levará ao nosso destino, mas nada. Percebo que vamos a pé até ao avião e à medida que nos aproximamos do dito, penso que só pode ter havido um engano. Leio o nome escrito no pequeno caganito, Air Alps. Esperem lá, o nosso bilhete diz KLM!!!!! Deve ter havido um engano. Esta coisa tem duas hélices e é mais pequena do que o meu carro!!!! Quero virar costas e correr pela pista até à segurança do aeroporto, mas o Hugo não me deixa.
- Larga-me, deixa-me fugir! Vamos alugar um carro, vamos de comboio! eles deviam ter-nos avisado que esta merda não era da KLM!!! Air Alps? Isso é nome de estância de neve! Deixa-me ir, eu não quero morrer!!!
Mas ignorando-me por completo, agarra-me na mão e puxa-me na direcção daquela coisa. Oiço a voz dele a dizer-me:
- Tens mais Valiuns? Dá-me um.
- Tenho mais 4, mas são para mim!!! E começo a desembainhar valiuns como se não houvesse amanhã. Juro que os engoli com a força da saliva, apesar de ter a garganta completamente seca. Lá fico com pena do Hugo e passo-lhe meio comprimido. Entramos no avião e eu sinto-me a desmaiar. Então e o efeito da droga? Onde é que está o relaxamento muscular? Porra que a adrenalina do medo não deixa que aquilo surta efeito. Sentamo-nos, mãos suadas, olhos esgazeados. Aperto o cinto até ficar sem estômago. A descolagem foi a pior da minha vida. Com ventos fortes o pequeno aparelho parecia um papagaio de papel. Já lá em cima a coisa não melhorou.
Tentando buscar conforto nos profissionais do voo, olho os yupies de computador portátil que geralmente são a calma em pessoa, mas estes fecham os computadores e cravam as mãos nos assentos. A única hospedeira de bordo, vai-se sentar e aperta o cinto. Espero que o piloto da furgoneta nos diga que estamos a experimentar alguma turbulência, mas nada. A coisa só pode ser muito grave, esta merda está literalmente como um barco em alto mar. E os valiuns que não fazem nada. Olho o Hugo, ele fecha a janela para não ver as hélices que quanto a mim devem estar prestes a parar. A aterragem é feita ao som dos gritos dos passageiros e das minhas avé-marias interiores. Penso que vou morrer, mas aquela coisa aterra em Amesterdão com uma roda de cada vez. Quando saio daquele cilindro digo para o Hugo: Vamos ao centro da cidade, preciso de um charro.
*Poderão vocês pensar que sou uma grande drunfada e drogada. Mas juro que não. Só quando vou andar de avião.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Ódios de Estimação (desabafo número3)


Ir a um restaurante com alguém e depois de 10 minutos de estudo intensivo do Menú, assistir ao seguinte diálogo entre esse alguém e o empregado de mesa:
- Hmmmm. Estou tão indecisa. O que é que leva esta pizza?
- Está aí escrito. Cebola, carne picada, ananás...
- É mesmo ananás, ou abacaxi? É que se for abacaxi fica muito enjoativo. E carne picada, não sei...
Eu já fiz o meu melhor sorriso amarelo para o pobre empregado e digo:
- Dê-nos mais uns minutos.
Mas antes do empregado virar costas:
- Espere, não vá já! Esta massa tem orégãos? Não tem nada assim mais leve...
Coitado do empregado de mesa, mas ela pensa que está com o psicanalista da comida, tem mesmo que dissecar ao pormenor cada ítem da lista???!!!! Eu já começo a contorcer-me na cadeira.
- Costumamos pôr orégãos, mas se não gosta...
- E o bife da casa é como?
Já estou na fase de espasmos musculares.
- Vem com salada, batata frita...
- Pode vir com arroz?
- Claro. Então é uma pizza marguerita e um bife com arroz...
- O bife é da vazia, ou do lombo?´
F****-**!!!!!!! Penso eu. Deixa o homem ir-se embora!!!!!
Eu acho que podemos ver muito de uma pessoa pela forma como faz o seu pedido num restaurante.

Amigas ou Nem Por isso

Porque é que algumas mulheres são tão sacanas para com as outras? Porque é que em vez de serem solidárias, companheiras no feminino, cúmplices, pois tantas vezes partilham as mesmas angústias, as mesmas batalhas, fazem da convivência em comum uma espécie de competição muda?
Durante muito tempo trabalhei numa equipa em que eu era o único elemento feminino. Só neste último projecto entrou uma colega. Se me senti ameaçada, picada, invejosa? Nem por um segundo. Adorei ter mais um cérebro de mulher a trabalhar connosco. Fazia falta alguém com quem pudesse partilhar algumas angústias que nenhum homem entende.
A amizade no feminino é algo que prezo para além das palavras. Mas penso que amigas,
para o serem com todas as letras, têm que ficar genuinamente felizes pela nossa felicidade. Têm que querer partilhar as nossas vitórias , desejá-las para nós como as desejam para si, nem mais, nem menos.
Será fácil encontrarmos mulheres que sorriam na plateia da nossa vida?
E nós, sorriremos quando as virmos vencer?
Penso que os momentos luminosos são mais difíceis de partilhar do que os escuros. Talvez por aquela secreta, quase muda inveja que as mulheres têm na felicidade das outras mulheres.
Quero acreditar que comigo não é assim. Que aplaudo as vitórias, choro nas tristezas sem reservas, sem amarras, sem entraves.
Desejo apenas para elas aquilo que desejo para mim.
Quero estar à altura dessa palavra funda, cheia de tudo o que importa.
Quero ser amiga, irmã na alma e no espírito.
São os amigos que nos definem, é através dos olhos deles que tantas vezes nos vemos e revemos. Que tantas vezes vemos o que não queremos. Porque nada é mais sincero do que a amizade verdadeira.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Ódios de Estimação (desabafo número2)

Criancinhas a cantar em concursos. Não suporto vê-los armados em gente grande, vestidos como pequenos adultos e com aquela voz pouco natural à Joselito. Deprime-me.
Sei que não é uma coisa racional, por isso perdoem-me os fãs de concursos deste género, mas de cada vez que apanho uma destas pérolas televisivas mudo logo o canal.

Alucinações


Estava eu na sala de espera de uma clínica oftalmológica, mais precisamente ontem por volta das 8 da noite, que isto dos médicos é sempre a aviar a qualquer hora. Continuando, estava eu a preparar-me para uma bateria de exames que me iam dizer se estou apta para ser operada e ver-me livre da miopia, ou não. Confesso que um bocadinho nervosa, sozinha e à espera de uma voz que me dissesse: Foge agora enquanto é tempo. Quando ao desfolhar uma revista da cusquice me deparo com isto.
A princípio pensei que aqueles bafos estranhos que a máquina de exame me tinha atirado para dentro dos olhos, estavam a provocar-me um delírio óptico qualquer. Mas depois de abrir e fechar as pálpebras mais do que uma centena de vezes, confirmou-se. Ali estava ela naquela página de revista, como numa passerele, esbelta e confiante, envergando uma indumentária com o incontornável CR7 estampado.
Fiquei tão atónita que fotografei a página, enviei ao meu marido e perguntei se ele estava a ver o mesmo que eu.
A voz da assistente chamou-me para entrar para o consultório e eu ali petrificada a olhar este monstro da moda, colada à cadeira, o olhar vidrado cheia de medo que aquela mulher me tivesse ficado colada à retina e que isso de alguma maneira fosse baralhar os exames.
Passado o susto, vim com uma boa/assustadora notícia. Sou uma candidata de excepção para a cirurgia correctiva com lazer. É desta que largo os óculos. Deve ser a experiência mais próxima de um milagre que algum dia vou ter.
*ADVERTÊNCIA: Antes de clicarem na imagem para verem o detalhe da coisa, tenham à mão uma embalagem de Guronsan.

Não Perdermos a Fé em Nós

Sei que tenho muita sorte quando olho em volta e vejo pessoas tristes, desanimadas, sufocadas pela rotina daquilo que fazem. Não é preciso olhar muito longe, pois aqui em casa tenho alguém ao meu lado que queria mais da sua vida.
Tentam ver o lado menos escuro das suas tarefas, nadar em direcção à superfície até as forças os deixarem, mas apesar do esforço diário para relativizarem as coisas, o cansaço acaba por levar a melhor e no final de um dia de trabalho sentem que trabalharam por dois. Por eles e pela força que fugiu e que têm que resgatar a cada hora que passa.
Não é fácil trabalhar-se num país que não valoriza, que não oferece oportunidades, que não premeia os bons profissionais, que ignora os talentos, que não incentiva os jovens a quererem ficar por aqui.
Tal como também não é fácil arranjar a coragem para partir em busca de alguma coisa melhor. Aquele espírito que leva alguém a ir viver para um outro país sempre me fascinou. Dar um pontapé na mesa, virar a vida do avesso e refazê-la por inteiro não é definitivamente para todos.
Criamos a nossa família, prendemo-nos a compromissos financeiros e com tudo o que isso tem de bom, tem também muito de prisão, pois juntamente com esses compromissos surgem as barreiras que nos impedem de experimentar o outro lado.
A vida é feita de opções no escuro, de decisões sem garantias de qualquer espécie. Mas a partir do momento em que outras pessoas dependem de nós, esse escuro assusta-nos, impede-nos de nos movimentarmos. E fica cada vez mais difícil viver em harmonia connosco próprios.
As nossas escolhas de vida implicam uma fé absoluta em nós próprios. Conseguir que essa fé não se perca ao longo do caminho é alcançar a sabedoria.

terça-feira, 31 de março de 2009

Meu Amor


Meu amor sei que nem sempre tenho toda a paciência do mundo. Sei que os afazeres diários me roubam disponibilidade mental para me sentar a ouvir as tuas conversas intermináveis, ou os teus pedidos de brincadeira.
Sei que me impaciento vezes demais quando conduzo e a tua voz enche o nosso carro de perguntas que se elevam sempre sobre a nossa música.
Sei que te levantas cedo porque o sono simplesmente te rouba o tempo que precisas para ser feliz.
Sei que a primeira pessoa em quem pensas quando acordas é na tua mãe, por isso os teus passinhos apressados correm para dentro do nosso quarto e me despertam todas as manhãs, juntamente com o sol que trazes sempre contigo.
Sei que nem sempre sorrio com as tuas graças, pois há alturas em que o cansaço me arranca o sorriso dos lábios.
Sei que para ti sou especial, mesmo quando me sinto a pessoa menos original do planeta. Sei que sou quem procuras quando te sentes perdida, por quem chamas quando te sentes aflita, quem abraças quando o teu pequeno mundo parece parar de girar.
Desculpa se não sei sempre retribuir esse amor da melhor forma, mas acredita que és o motivo pelo qual o meu coração bate todos os dias. É contigo que me imagino quando olho bem para o fundo da minha vida.
És e serás sempre aquela que me faz querer ser uma pessoa melhor. És o amor da minha vida filha.

segunda-feira, 30 de março de 2009

A Páginas Tantas Decidi Alterar o Desafio...



O desafio da Ana. Era abrir o livro que estava a ler numa certa página e transcrever a 5ª frase completa. Mas como era uma frase absolutamente fora do contexto e sem sentido nenhum, decidi agarrar num livro que já li há mais tempo e que me encheu as medidas e transcrever uma passagem das milhentas que me disseram tanto (faz mais sentido assim, não faz?). A Elizabeth Gilbert (autora do livro e personagem principal) tinha uma vida aparentemente perfeita, mas não era feliz. Decide deixar tudo para trás e ir em busca de 3 coisas que considera fundamentais: Comer, Orar, Amar. A parte do Comer, leva-a a Itália (para mim a parte mais gira do livro) de onde tirei este diálogo com o seu amigo de línguas Giovanni.

Uma noite destas estávamos a falar sobre as frases que se usam para consolar alguém que está a sofrer. Disse-lhe que em inglês dizemos “I’ve been there” (já lá estive). A princípio não percebeu – I’ve been where?. Mas expliquei-lhe que a dor profunda é por vezes como um local específico, uma coordenada num mapa do tempo. Quando nos encontramos naquela floresta de dor, não imaginamos que seja possível encontrar um dia o caminho para um lugar melhor. Mas se alguém nos disser que já ali esteve, naquele mesmo lugar e que conseguiu de lá sair, isso por vezes dá alguma esperança.
- Então a tristeza é um lugar? Perguntou Giovanni.
- Às vezes as pessoas vivem lá durante anos – Disse eu.
Em compensação o Giovanni contou-me que os italianos mais expressivos diziam “L´ho provato sulla mia pelle", o que significa que já o sofri na minha própria pele
.”

Hugh Grant


Este é daqueles actores que adoro incondicionalmente. Com ele sei que me vou rir sempre, mesmo quando não tem piada nenhuma. Adoro o ar inocente com que diz as maiores barbaridades, adoro a expressão de eterno puto, o cabelo um pouco em desalinho, as roupas descontraídas/chiques. Adoro o humor subtil que ele põe nas entrevistas que dá, sempre com aquela cara de quem não faz mal a uma mosca e de quem nem sequer sabe o que é isso de ser famoso. Numa entrevista que vi com ele já há muito tempo contava um episódio que reflecte muito a mentalidade britânica.
O nosso Hugh almoçava com os pais num evento de cerimónia e o casal em frente deles perguntou à mãe:
Casal: Então o que é que os seus filhos fazem?
Mãe: O X (irmão dele) é banqueiro e o Hugh faz filmes em Hollywood.
Expressão extasiada do casal: Ah não posso acreditar! E em que banco é que ele trabalha?
Ele resumiu isto como a mentalidade britânica no seu melhor. O desprezo total pelo vedetismo.
Ainda me lembro do escândalo com a Divine Brown, quando foi apanhado a ser, digamos, hmmmm, como é que vou dizer isto. Foi apanhado a ser consumido por essa prostituta, podia apostar que manteve aquele ar de quem estava apenas a comer algodão doce com aquela simpática rapariga.

domingo, 29 de março de 2009

Saudades

Tenho saudades de quando tudo era mais leve. As responsabilidades, as noites mal dormidas, os quilos a menos e não a mais, os risos a todo o instante, o achar graça às mais pequenas coisas.
Tenho saudades das amigas que agora cresceram e casaram, construindo as suas próprias vidas e que pouco tempo têm para passar horas numa esplanada a conversar sobre coisa nenhuma.
Tenho saudades dos almoços na Mexicana em que se conversava sobre amor e perspectivávamos o nosso futuro ao lado de alguém que ainda não existia. Almoços esses seguidos de uma sessão de cinema no King. Por falar nisso, tenho saudades dos cinemas de Lisboa, fora dos centros comerciais.
Tenho saudades das viagens programadas em cima da hora.
Tenho saudades do Miguel Esteves Cardoso e da Causa das Coisas. Dos GNR de antigamente, quando as letras sem sentido do Rui Reininho pareciam a melhor música do mundo.
Tenho saudades do Bananas e da música Hard Rock. Das matinés no Crazy Nights em que se dançavam slows ao som da Tracy Chapman, do Phil Collins, do Bryan Adams e tudo aquilo era emocionante demais.
Tenho saudades do Dartacão, do Verão Azul, do Duarte e Companhia, do Alf, do Quem Sai aos Seus, da Dinastia. Das séries de quando havia poucas séries, de quando a televisão não era o principal passatempo...
Tenho saudades de andar de bicicleta na rua com as minhas amigas, de ficar sentada nas escadas do meu prédio em Lisboa a ver as pessoas passarem e a falar sobre um mundo de coisas.
Tenho saudades de saltar no jogo do elástico, do jogo do mundo.
Tenho saudades do S.João de Brito e de voltar a pé para casa com as minhas colegas depois das aulas.
Tenho saudades de escrever no meu diário perfumado, de começar cada relato do meu dia por: "Meu Querido Diário, hoje..." E a coisa mais emocionante era descrever a minha ida à praia.
Tenho saudades das escapadelas à noite para namorar, dos beijos roubados à porta de casa, de andar de metro e de autocarro, do Bairro Alto, do Tacão Grande, das imperiais, dos pontapés na c*** do Arroz Doce. Do Perfil, de pedir ao DJ que pusesse aquela música dos Guns N Roses, ou dos Depeche Mode que me fazia querer dançar a noite inteira. Tenho saudades de não medir consequências, de agir por puro impulso só porque sim.
Tenho saudades de tudo o que já fui. Mas sei que aquilo que sou tem tudo isso cá dentro, sei que sou a soma de tudo o que aconteceu, por isso continuo a sorrir quando lembro...


*Já tinha publicado este texto muito no princípio, mas hoje voltei a sentir-me asim.

sábado, 28 de março de 2009

Homens Bonitos / Homens Feios

Esse mito dos homens bonitos e dos homens feios sempre me fez comichão. Nunca achei a coisa assim tão linear. Senão vejamos:
A quantas de nós já não aconteceu olharmos para um homem atraente com todos os requisitos que exigíamos ali bem presentes e após 5 minutos de conversa se transforma no tipo mais feio do mundo?
E a quantas de nós já não sucedeu conhecermos um homem não tão dotado de beleza e após 5 minutos de conversa já ficou mais interessante. E depois de 10 minutos aquele defeitozinho que lá estava quando batemos os olhos nele se eclipsou por completo. Passado meia hora de conversa já está um tipo bonito, perfeitamente comestível e até já nos imaginamos a ter mais do que uma conversa com ele.
A beleza é definitivamente uma coisa muito relativa. Serve apenas para o primeiro impacto, depois de ultrapassada a primeira impressão, vem o verdadeiro desafio: A segunda impressão, essa sim é que dita tudo...

sexta-feira, 27 de março de 2009

Ódios de Estimação ( desabafo número 1)

Odeio que me agarrem no braço quando falam comigo. Quando cada palavra proferida é acompanhada de um pequeno toque, como se quisessem ter a certeza de que estou acordada e a ouvir tudo na perfeição.
Esse aperto no braço acompanhado de uma conversa interminável. Daquelas que vão até à pré-história só para chegarem àquilo que fizeram para o jantar, tiram-me anos de vida. Quero fugir, mas aquela mão que me agarra não me solta e pior, muito pior, para não dizer horror, dos horrores, nos cantos da boca do interlocutor começam a formar-se pequenos pedaços de saliva em forma de espuma e eu ali, cativa, prisioneira a ver a espuma a crescer, os olhos fixos, vidrados naquilo. Nojo dos nojos, mas não consigo parar de olhar, sempre à espera que a pessoa se aperceba e lamba, engula, faça qualquer coisa para me salvar do vómito crescente.

Queixas do Mulherio

Conheço mais do que uma mulher independente, com a sua carreira bem definida que se casou com um suposto monstro. Digo suposto porque tudo o que de monstruoso o homem faz é dito apenas pela boca dela. Ora ela queixa-se aos pais, aos amigos, aos familiares, à cabeleireira, ao tipo da papelaria, a um desconhecido inocente que tenha o azar de se cruzar com a senhora na rua.
Ela queixa-se da frieza do homem, que não liga ao filho, que não lhe liga a ela, que não sai, que não faz um cu em casa, que deixa pelos na banheira (sim é verdade, já ouvi isto), que não pinoca, que não nada.
Fico sempre incomodada quando o chorrilho de queixas vem na minha direcção, sempre acompanhadas de um toque no meu braço com um ar de grande secretismo, pois não tenho intimidade suficiente para lhe responder aquilo que realmente me apetecia responder-lhe. Se estás mal, muda-te. Agora andares a dizer mal do marido a meio mundo e continuares agarrada a ele, quando não tens necessidade disso, é que não.
Eu detesto isto, a sério. Faz-me comichões. Se estamos ao lado de alguém não podemos andar a espetar com o nome dele na lama a meio mundo, a dar-mos conta da nossa vida privada a quem conhecemos e a quem não conhecemos. Se estamos mal com alguém a esse ponto de quase nojo o que raio continuamos a fazer com ele? Ou será que há certas pessoas que não sabem passar sem várias queixas diárias, quase como um vício.
Digam-me lá, os homens também são assim? É que à parte de uma, ou outra ironia sobre a sogra, sobre a mulher em ambiente descontraído (também não gosto, mas não é tão grave) acho que nunca ouvi queixas públicas deste calibre.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Sob Todas as Formas Possíveis Aqui me Têm.


Querida Joaníssima, só tu para me pores a pensar numa lista interminável destas. Mas como não consigo dizer-te que não, aqui fica o registo de mim sob as mais variadas formas:
Se eu fosse 1 mês seria um ano inteiro pois cada mês tem um significado especial.
Se eu fosse 1 dia da semana seria um sábado, sem a neurose do domingo e sem a excitação de sexta-feira.
Se eu fosse 1 número seria o 25, pois foi aos 25 anos que vivi tudo mais intensamente.
Se eu fosse um planeta seria a Terra, pois tenho algum pânico do desconhecido e dos ET’s.
Se eu fosse uma cidade seria Roma, a única com a dose certa de alegria e de melancolia necessárias ao meu estado de espírito.
Se eu fosse um móvel seria uma escrivaninha bem antiga cheia de pequenas gavetas secretas, pois é assim que me sinto tantas vezes, uma mulher cheia de compartimentos.
Se eu fosse um líquido seria sumo de maçã, era capaz de viver só disso.
Se eu fosse um pecado seria a Preguiça. Palavras para quê? Deixa-me ir ali fechar os olhos um bocadinho e já volto.
Se eu fosse uma pedra seria a turquesa, pela tranquilidade que transmite.
Se eu fosse um metal, seria qualquer um que não oxidasse.
Se eu fosse uma árvore seria daquelas sequóias gigantes, do alto da qual pudesse abarcar o mundo inteiro.
Se eu fosse uma fruta seria um morango, pois foi ao sabor dos morangos que tive os momentos mais ternurentos da minha vida.
Se eu fosse uma flor seria uma margarida. Simples, despretensiosa, mas cheia de alegria.
Se eu fosse um clima seria temperado, no meio está a virtude.
Se eu fosse um instrumento musical seria um clarinete, pois faz-me sempre lembrar o vento a soprar lá fora.
Se eu fosse um elemento seria a terra (muito embora o meu seja a água), pois sou uma mulher que precisa dos pés bem assentes na terra para me impedirem de fugir presa numa nuvem de sonho.
Se eu fosse uma cor seria o azul, desde sempre a minha cor de eleição. O azul do mar e do céu.
Se eu fosse um animal seria uma coruja. Não me perguntem porquê.
Se eu fosse um som seria o som do mar, para me lembrar que a vida continuará mesmo sem mim.
Se eu fosse uma canção seria The Very Tought Of You pela voz de Billie Holiday. Faz-me regressar a um tempo e a uma história que vivi nos meus sonhos.
Se eu fosse um estilo de música seria Música Clássica, por ser intemporal e universal.
Se eu fosse um sentimento seria o sentimento protector. Adorava poder proteger o mundo de qualquer tipo de dor.
Se eu fosse um livro seria E Tudo o Vento Levou. A grande história de amor de todos os tempos e uma heroína terrena, com defeitos.
Se eu fosse uma comida sem dúvida seria a comida italiana, regada com um bom vinho e no contexto certo é um bálsamo para o coração.
Se eu fosse um defeito seria o orgulho. Já lhe tenho ganho muitas lutas, mas a batalha ainda não terminou.
Se eu fosse uma qualidade seria a sensibilidade, já me feriu muitas vezes, mas já me ajudou a perceber tanta gente.
Se eu fosse um sabor seria o sabor a canela. Tantas vezes a uso em vez do açúcar e não faz mal à saúde.
Se eu fosse um cheiro seria o cheiro a Alfazema, porque me lembra o limpo, o puro, o fresco, o recomeço.
Se eu fosse uma palavra seria a palavra Amor. Nada faz sentido sem este sentimento à flor da pele e debaixo da língua.
Se eu fosse um verbo seria o verbo ler. Pois lemos para sabermos que não estamos sós.
Se eu fosse um objecto seria uma caneta de tinta permanente para nunca me esquecer da palavra manuscrita.
Se eu fosse uma peça de roupa seria umas calças de ganga, porque vão bem com tudo e exigem quase nada.
Se eu fosse uma parte do corpo seria os olhos, o espelho da alma.
Se eu fosse uma expressão seria um olhar comovido, pois gosto de me deixar comover.
Se eu fosse um filme seria o Antes do Amanhecer, o filme que gostaria de ter escrito, uma história que gostaria de ter vivido.
Se eu fosse uma estação seria todas, pois todas são necessárias para se dar valor às outras.
Se eu fosse uma frase seria: “Numa época em que efectivamente tudo está dito, continuar a escrever só é possível para quem é humilde”. De Gonzalo Torrente Ballester.
E vou passar este desafio sim.
À Socas porque ela anda muito calada e assim dou-lhe material para se entreter.
À Precis Almana, pois estou curiosa com o que ela vai responder.
Ao Carlos, pois quero ver se ele é capaz de continuar a surpreender-me.
E Kitty porque mereces todos os desafios do mundo.
E não vou desafiar mais ninguém, porque esta lista é extensa como tudo.

A Abstinência


Bem sei que já venho tarde, que as tuas declarações já foram há alguns dias, mas ao ver ontem um documentário sobre um país do Continente Africano, que relatava a pobreza extrema, condições sub-humanas, mortes prematuras de crianças, enfim, nada que eu já não soubesse, mas visto assim dói sempre mais um bocadinho. Depois de ver aquilo tinha que falar contigo Joseph Alois Ratzinger filho. O que é que é isto de ires para um país miserável, onde a única coisa boa que eles podem fazer para escapar ao sofrimento envolvente, é copular como se não houvesse amanhã, dizeres-lhes para se absterem da ÚNICA coisa que lhes dá prazer na vida?
Explica-me que eu preciso de saber que espécie de tortura inquisitória é esta de negares àquelas pessoas que nasceram já marcadas para sofrer, uma abstinência sexual? Não temos comida, não temos dinheiro, agora também não vamos ter sexo.
Ora lá porque tu não podes ter, não queiras obrigar toda a gente a abster-se como se todos nascessem com a vocação férrea para a castidade.
Andam uns voluntários malucos a fazerem campanhas pró-preservativo que além de prevenirem a SIDA, também evitam que mais crianças nasçam para morrer e vens tu deitar tudo a perder, só porque copular implica obrigatoriamente espalhar a semente pelo mundo?
Não achas que já há sementes demais espalhadas nos lugares errados? Sementes que não têm comida para viver? Porque é que não vais pregar a teoria da semente para a Suécia?
Ora tenho dito meu querido.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Viajar Correr Países, Ser Outro Constantemente



Desde que me conheço que viajo. Algumas dessas viagens foram feitas bem dentro do meu pensamento, outras implicaram muitos quilómetros de distância.
A partir do momento em que a Alice nasceu a disponibilidade para partir limitou-se muito. Na primeira viagem que fiz depois dela ter chegado às nossas vidas, a Budapeste, fui o caminho todo convencida que o avião se ia despenhar e ela ia ficar órfã. Mas acabou por nos fazer muito bem esse tempo para nós como casal. A descoberta de uma cidade de mãos dadas, jantares a dois, palmilhar ruas e ruas e ruas sempre à procura de encher a vista com tudo o que um país tem de diferente do nosso enriquece-nos sempre mais do que posso dizer em palavras.
Acho que é das sensações que mais me preenchem, chegar e descobrir outras cores, outras línguas, outras pessoas, outra arquitectura, outra cultura.
Por isso este ano não podia ser diferente, tínhamos que ir para algum sítio. A nossa ideia inicial era Edimburgo e de lá alugaríamos um carro para visitarmos um bocadinho dos lagos e de todo aquele verde maravilhoso. Mas a Escócia revelou-se impossível, quer pelo pouco tempo que temos,quer pelo preço. Mudámos para Viena. Depois de muitas buscas, os aviões ou chegavam lá à noite, ou eram demasiado caros.
Então hoje tomei uma decisão radical: O nosso próximo destino em Maio é a Suécia!!!!! Por incrível que pareça era o destino mais em conta. É claro que depois o nível de vida lá nos deve levar à falência, mas pelo menos vamos bem para Norte.
Já estou com aquele frio no estômago e ainda falta mais de 1 mês.
Tenho muita sorte mesmo.