domingo, 18 de outubro de 2009

Eu não Corro Ando Depressa Como Tudo

Entre os meus traumas de juventude contam-se alguns episódios urbano-humilhantes, daqueles que nos fazem querer escavar um buraco para nos lançarmos no interior da terra até ao inferno.
Um desses episódios foi uma entrada atrasada no meu querido Quarteto (sala de cinema em Lisboa) e na escuridão do filme que começava malogradamente com uma cena nocturna, ter-me espatifado em pleno corredor, ladeada por filas e filas de cadeiras. Consegui ouvir os risinhos abafados e tudo. Remeti-me ao meu lugar e não me movi durante o filme inteiro, acho que nem dormi nessa noite, tal a humilhação.
Outra humilhação marcante foi numa corrida para apanhar o autocarro (ainda adolescente) ter-me espatifado também e ter visto os olhinhos de alegria dos passageiros que tinham ganho o dia com aquela cena agitada no meio da pasmaceira matinal.
Desde então que me recuso a correr para apanhar um transporte. Posso andar depressa cheia de classe, como se não quisesse nada com aquela carruagem de metro, como quem está só de passagem, mas correr jamais na vida. Até porque regra geral acabava sempre com as portas fechadas no trombil e um sorriso amarelo...

sábado, 17 de outubro de 2009

O Massacre do Blogue

Eu adoraria saber o que é que passa pela cabeça de alguém quando decide, sob a capa do anonimato, implicar com um certo blogger.
Ciúmes dos 124566 seguidores?
Ciúmes da vida do blogger?
Implicância só porque sim?
Síndrome do Funcionário Público (mais precisamente dos funcionários das repartições de finanças) que como não têm para si decidem complicar a vida de quem pode ter?
Maldade pura e dura daquela que faz os olhos ficarem vermelhos e envolve labaredas e corninhos diabólicos?
Frustração em último grau?
Conhece pessoalmente o blogger e como não o grama e não tem coragem de lhe fazer a vida negra cara a cara, faz-lhe a vida negra na blogosfera?
Dos milhões de motivos que me surgem na cabeça, não encontro um único bom motivo.
Ver que um certo blogue que admiramos termina porque a energia negativa em torno dele se revela insuportável, lixa-me tanto que não tenho palavras e só me faz pensar que a vida está mesmo cheia de pessoas estranhas...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Tralha

Todos nós conhecemos pelo menos uma pessoa acumuladora-compulsiva. Trocando por miúdos, uma pessoa que não consegue deitar nada fora. Tem o roupeiro atafulhado com roupas que não veste há mais de 10 anos, mas que pensa sempre que um dia voltará a usar, debaixo da cama caixas e caixinhas de tralha. Pratos velhos misturados com antigos, pois nunca tem coragem de se desfazer da loiça lascada. Armários com prateleiras vergadas pelo peso da tralha, papéis que vai simplesmente acumulando, desde talões de multibanco a recibos de restaurantes, a guardanapos de papel onde escrevinhou um qualquer número de telefone.
Caixas cheias de medicamentos fora de data, o frigorífico cheio de tudo e mais alguma coisa, inclusivamente cheiro a chouriço avinagrado.
Estas características podem não se acumular todas na mesma pessoa, mas certamente que terá uma, ou duas destas belas manias.
Eu reconheço que demoro mais tempo a deitar papéis fora do que devia, mas de resto tenho fobia de guardar porcarias, tralhas, roupas. De cada vez que faço uma razia ao meu armário sinto-me estranhamente leve, como se um peso me tivesse saído de cima. Eu acho que guardarmos muitas coisas que nos prendem, que nos atafulham, que nos puxam para dentro. A sério que estou profundamente convencida que o bem estar em nossa casa está directamente ligado à porcaria inútil que acumulamos.
Por isso é com espírito renovado que vos digo que enchi 3 sacos de roupa, lençóis, carteiras, sapatos. 3 sacos que tenho a certeza farão as delícias de alguém que precise realmente deles.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O quê Maitê Era Só Isso Daí?



Tanta coisa, tanta coisa e afinal de contas quando arranjo tempo para ouvir o famoso e já antigo vídeo da que sempre achei uma actriz medíocre (apenas dona de uma grande beleza) Mete na Proença é isto que me sai na rifa?
O famoso escarro que imaginei gutural, verde em forma de uma bola de golfe e bem saído das entranhas era um fiozinho ridículo de cuspo que escorre pelo queixo da bela mulher?
Nem sequer me arregaça as calças e obra no meio da metrópole?
Fraquinho, fraquinho. Eu sabia que ela não era grande espingarda na representação, mas se a sua carreira se afundar, o humor não será a sua bóia de salvação.
Quanto a mim tratou-se apenas da mais pura falta de jeito na arte da pantonomia. Os portugueses têm tanto para serem gozados, são um povo tão rico em potencial gozatório e a mulher atira completamente ao lado...
Até fiquei com pena dela.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Aperto na A5

O nosso aniversário de casamento foi muito bom, mas deixou marcas.
Almoçámos na Brasserie do Entrecosto (ahaha) no Chiado e aquele molho divinal com mais de 20 especiarias deixou-me, como dizer, com irritabilidade intestinal.
Estive basicamente doente e obrigada a comer arroz com frango desde domingo.
Hoje melhorei para grande alívio meu, pois de manhã tinha a famosa, esperada, ansiada ecografia das 22 semanas e não calhava nada bem andar a fugir para a casa de banho de cada vez que a sonda me pressionasse o abdómen.
Mais relaxada meti-me no carro rumo a Lisboa em plena hora de ponta e eis se não quando entre Carcavelos e o Estádio Nacional, com carros à frente, atrás, dos lados e por cima me vejo acometida não por uma cólica qualquer, mas por A CÓLICA do século. Aquela cujo apelo é tão, mas tão premente que conseguimos ouvir o organismo a gritar, a gemer, a implorar por alívio. Pus o ar condicionado no máximo numa vã tentativa para eliminar o suor de pânico e dor que me alagavam.
O que fazer numa situação destas? Chamar uma ambulância e pedir-lhes que tragam uma arrastadeira? Sair do carro e tirar de dentro da mala um pequeno bacio de emergência que trago sempre para a minha filha? Sair do carro e atirar-me para a divisória central no meio das moitas? Gritar por socorro sem parar? Suicidar-me?
Digo-vos que até hoje sempre pensei que estar aflita para urinar e não poder era muito mais insuportável do que estar aflita para outra coisa qualquer. Digo até hoje, pois hoje derrubei esse mito ao atingir o recorde do sofrimento orgânico. Até ao bebé pedi para se agarrar com força aos intestinos de forma a travar a catástrofe iminente.
Hoje perdi 10 anos de vida no trajecto Cascais-Lisboa.
E depois de escrever isto pergunto-me: O que raio é que acabei de escrever aqui? Nem sei se não apague isto mais tarde, mas precisava mesmo de desabafar...
Entretanto com tanto arroz com frango acho que perdi algumas gramas. Ao menos isso.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

145 Pulsações Por Minuto

145 pulsações por minuto é o ritmo com que o teu coração bate.
Quando saíres de dentro de mim conhecerás lentamente o ritmo de todos nós, umas vezes mais depressa quando sentires uma grande alegria, outras mais devagarinho quando o teu coração congelar por algum motivo menos bom. Mas agora são 145 pulsações por minuto e nenhuma pressa de coisa nenhuma.
Quando tiveres a minha idade vais perceber que muitas vezes seria bom controlarmos as batidas do nosso coração à velocidade necessária e vais descobrir também que não consegues. Que ele trabalha por ti maquinalmente sem nada poderes fazer para acertares a sua marcha ao teu ritmo.
Mas agora vives a 145 pulsações por minuto como se a pressa de alcançares o mundo fosse imensa, como se quisesses beber da vida cheio de sede, como se não pudesses esperar um minuto e no entanto, aqui estás tu sem nada que te preocupe além das minhas preocupações e eu tento não me preocupar muito por ti, pela tua irmã, pois sei que ainda vivem um bocadinho ao som das minhas próprias batidas.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Uma Questão de Direitos

Parece que foi aprovada uma lei na Polónia que prevê em alguns casos a castração química de pedófilos.
Parabéns Polónia!
Venham agora os defensores dos direitos dos animais, ups, dos direitos humanos, clamar contra tão bárbara decisão.
Que a prisão nada resolve nestes casos de taras incuráveis eu já sabia. Que a maioria deste tipo de criminosos que é posta em liberdade volta a reincidir, não é novidade. Então porquê o choque perante esta decisão?
Finalmente alguém se preocupa mais com os Direitos das crianças abusadas do que com os direitos dos abusadores.

domingo, 11 de outubro de 2009

Reza Eleitoral

Que ganhem candidatos que acabaram o curso a um Domingo e com envolvimentos por esclarecer em negócios obscuros, que ganhem candidatos que fogem na mala de um carro para o Brasil, que ganhem candidatos condenados a penas de prisão, mas por favor, pelo amor da santa e dos santos e de Deus Nosso Senhor Jesus Cristo que não ganhe o Paulo Pedroso em Almada. Porque se isso acontecer passo definitivamente um atestado de betão armado cerebral ao povo.

sábado, 10 de outubro de 2009

5 Anos De...


Hoje faz cinco anos que dissemos sim. Sim para o que der e vier, sim para o bem e para o mal, sim para o futuro, sim olhando o passado, sim hoje.
Cinco anos em que cada um seguiu de mão dada, lado a lado, deixando o outro adiantar-se e seguindo mais atrás, desviando-se quando foi preciso, atravessando-se quando chamado a defender.
Cinco anos do fogo à quietude, da ânsia à serenidade.
Cinco anos em que passámos de dois a quatro.
Se tivesse que definir como é estar casada contigo, por muito pouco romântico que possa soar à primeira, eu teria que te comparar àquele par de chinelos que calçamos quando chegamos a casa.
Podemos ter os sapatos mais elegantes do mundo nos pés enquanto jantamos num restaurante fino com pessoas de elite, mas por debaixo da mesa descalçamos os sapatos e suspiramos por aquele par de chinelos que nos aguardam em casa, que nos envolvem os pés numa carícia silenciosa. Aquele par de chinelos dos quais não conseguimos desfazer-nos porque o regresso a casa sem eles seria tremendamente frio.
Os meus chinelos são os teus braços quando me envolves, o teu ombro quando me sento ao teu lado após um dia cansativo e me encosto a ti sem ter que dizer nada de especial.
Os meus chinelos são as poucas flores que me ofereces, mas quando decides fazê-lo nunca me trazes rosas.
É bom saber que chego a casa para ti e que tu chegas a casa para mim.
É bom saber que os meus pés nunca mais vão ficar frios no Inverno...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Os Desgostos de Amor

Se me perguntarem do que mais tenho saudades no passado não é dos desgostos de amor.
De cada vez que os vejo bem lá atrás, enterrados às três pancadas, bem fundo, ou apenas à superfície sorrio pela paz, pelos dias sem atritos do presente.
Ainda lembro quando a dor me toldava a vida inteira, consumindo-me como uma espécie de sombra que me perseguia em cada música, filme, café, rua, perfume. Nada me trazia o esquecimento, nenhuma conversa era suficientemente anestesiante, nenhum filme suficientemente poderoso, nenhum livro ultrapassava o desgosto sentido bem nas entranhas de mim. Encarar os outros um martírio, explicar o que se passava uma tortura.
Nada, rigorosamente nada me esvaziava daquilo que me enchia o que precisava de espaço. Queria respirar e doía, queria conversar sobre outra coisa qualquer, mas na minha voz apenas habitava o desabafo, queria olhar um espaço em branco, mas tudo se preenchera com a sua imagem.
Os desgostos de amor consomem muito de nós e nada os aplaca além de um dia atrás do outro. Só mesmo o tempo, por muito lugar comum que possa soar, nos dá outra perspectiva de tudo.
Os desgostos de amor são como uma morte ao contrário, como ter que aprender a viver sem alguém que está vivo e ao nosso lado. Enterrar uma pessoa que vive é das tarefas mais hercúleas que se podem dar ao coração e o meu não tem a menor saudade de se sentir magoado.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

As Injustiças da Natureza

Ando numa fase de energia zero. Hoje lá fui fazer as análises de rotina quase de madrugada e dei por mim a fazer xixis em dois frascos, um antes, outro pós desinfestação bacteriológica, a tirar sangue antes de um copo de açúcar e depois do dito copo. A enfiar cotonetes em locais cuja timidez não me permite mencionar num espaço familiar como este e na espera a ler um livro de vampiros maléficos. Talvez a escolha mais idiota de leitura que poderia ter feito entre seringas sugadoras de ORH+.
Quando a simpática (devo frisar demasiado simpática e faladora compulsiva no plural) analista me enfiava a cotonete no sítio onde o sol não nasce e me dizia: Vá agora não se assuste vamos pôr no rabinho, eu pensei:
Mas porque porra não nos podemos revezar com o pai nas gravidezes?
Agora fico eu, no próximo ficas tu que é para veres o que é bom para a tosse!
Era esperar para ver as taxas de natalidade a cairem vertiginosamente...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Alguém me Ajuda?




Alguém me diz por favor o que é que o Herman José faz na candidatura à Câmara Municipal de Sintra, ou se estou a ver mal, o que é que a Ana Gomes faz num programa de humor?
O meu cérebro está a deitar fumo com tanto ilusionismo...

A Queda do Pedestal Materno

Eu gosto de explicar as coisas à Alice, não tenho grande medo das palavras e prefiro usar uma palavra bem dita e explicar o seu significado do que substitui-la por uma adaptação infantil. Nunca disse popó, sempre disse carro, piu-piu também nunca saiu da minha boca, porque não pássaro?
E do alto do meu pedestal estava convencida que não havia pergunta difícil demais, ou inquirição suficientemente complicada para me deixar sem resposta. Mas há dois dias atrás surgiu a temida, a pesadélica, a vampírica questão que tanto temia:
- Ó mãe como é que o nosso mano foi parar dentro da tua barriga?
Sorriso amarelo nos lábios, respirar fundo e zás:
- Então, muito simples, o pai plantou uma semente na minha barriga.
Sorriso fascinado do outro lado.
- A sério??? E regou???
- Claro, vá agora dorme que já é tarde, muitos beijinhos até amanhã - Enfiando-lhe os lençóis sobre o corpo pensei ter dado cabo da coisa da forma mais limpa e sem espinhas possível.
Passou-se um dia e alguma coisa dentro de mim me dizia que a segunda parte do interrogatório estava a fermentar no seu pequeno cérebro...
- Ó mãe?
Tremi.
- Sim querida.
- Como é que o pai pôs a semente na tua barriga?
Sorriso amarelo.
- Olha ali no tecto um passarinho! E fugi porta fora.
Agora digam-me que espécie de mãe cobarde e campónia sou eu?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Longe dos Olhos mas Perto do Coração

Quando comecei este blog longe estava eu de pensar que me ligaria tanto a tantas pessoas.
Se me dissessem que me preocuparia de verdade com caras que nunca vi, muitas cujos traços nem conheço, acho que soltaria várias gargalhadas, umas atrás das outras, pois sempre fui muito céptica nestas coisas virtuais.
Mas eis-me preocupada, comovida, feliz, apreensiva. Vibrando com uma vitória, desanimando com uma derrota, felicitando, apoiando pessoas que só conheço daqui, pelo que escrevem, pelo que desejam mostrar de si.
Sei que ninguém conhece ninguém por um blog, sem olhar nos olhos, sem escutar a voz, sem viver lá fora na vida real. Mas que sinto que conheço muitos de vós desde sempre sinto e isso já ninguém me pode tirar. Sou uma pessoa mais rica desde que por aqui ando, obrigada por isso :)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Dia 5 de Outubro, Ou a Minha Nostalgia Monárquica

Atirem-me pedras se quiserem, cuspam na minha imagem retrógrada com desprezo, mas hoje, dia 5 de Outubro apetecia-me ter um Rei.
Bem sei que não os escolhemos, que podem ter taras genéticas, que não podemos mandá-los embora (se bem que há sempre a hipótese de um golpe), mas tenho dias em que me apetecia simplesmente ser um bocadinho mais patriota e vá-se lá saber porquê as monarquias instigam o patriotismo que há em mim. Talvez pelos Séculos inteiros de história em que este país brilhou sob a égide de tantos monarcas.
Depois vejamos bem. Será que podemos dizer que a Inglaterra, a Dinamarca, a Suécia, a Espanha são países merdosos e menos democráticos por terem lá a família real?
Sim, a família real dá despesa, mas um rei é educado desde o berço para nos representar. Não tem ali absolutamente nenhum interesse pessoal além do país. Não procura estatuto, não se deixa cegar pelo poder, não quer subir a escadaria política, não ascendeu àquela condição através de nenhum partido político.
E hoje em dia tem uma espécie de poder calmante sobre a populaça, anestesiando-os num interminável folhetim de acontecimentos (como as novelas da Tvi). Ora vamos lá ver o casamento da Princesa, olha o baptizado do pequeno príncipe.
Num regime semi-presidencial como o nosso em que o Presidente da República passa a maior parte do tempo a dizer que não se mete em nada, nem nas comemorações da República digam-me por favor que mal faria um rei em seu lugar?

domingo, 4 de outubro de 2009

As Pessoas a Preto e Branco

As pessoas a preto e branco não gostam de outros pontos de vista, de alegrias alheias, de quem seja diferente.
As pessoas a preto e branco regem-se por um conjunto de normas que pré-estabeleceram e fora das quais não ousam conceber a sua vida.
As pessoas a preto e branco nunca votam fora do seu partido, não se interessam por crenças fora da sua religião, que muitas vezes desconhecem de raiz. Pensam que ser bom cristão é ir às missas e rezar o Pai Nosso e riscam com uma pesada cruz vermelha de censura quem não lhes siga os rituais.
As pessoas a preto e branco imaginam que a felicidade dos outros só é possível se for igual à sua e não conseguem rir de si próprias.
As pessoas a preto e branco não gostam de muitas cores, preferem a segurança do preto, ou do branco.
As pessoas a preto e branco não escutam a outra parte numa discussão, ora dando o braço a torcer, ora lutando com todas as forças pelo seu ponto de vista. Limitam-se a repetir os mesmos argumentos até à exaustão.
As pessoas a preto e branco são, acima de tudo, tremendamente chatas.

sábado, 3 de outubro de 2009

AHAHAHAHAH


Para quem precise de rir carregue no Play por favor :)
Que saudades do Jô.

Um fim de Tarde em Cheio

Hoje senti-me uma estrangeira em Lisboa, no bom sentido é claro. Há dias em que simplesmente ela volta a ser a minha cidade e hoje foi um deles.
A música ao ar livre pelas ruas da baixa foi uma daquelas iniciativas louváveis que tanto invejamos noutras cidades e que hoje aconteceu por lá.
A Alice adorou ver os Pequenos Violinos da Orquestra Metropolitana e eu adorei ficar sentada em frente ao S. Carlos a ouvir os miúdos tocar.
Seguiu-se um passeio de fim de tarde pelo Chiado e percebi que tenho que lá ir mais vezes, matar saudades, mostrar à minha filha os sítios onde costumava ir quando aquelas ruas faziam parte do meu quotidiano.
Hoje Lisboa encheu-nos as medidas e os ouvidos de música :)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Lições no Parque / ou Os Putos dos Outros


Muitas vezes uma ida ao parque com os nossos filhos dá-nos grandes chapadas na cara, chapadas emocionais claro, senão vejamos as lições retiradas de uma tarde passada num espaço recém-criado ao ar livre, que é como quem diz, num espaço feito à pressão antes das autárquicas:
Lição Número 1: Há sempre um puto que se porta 1 milhão de vezes pior do que a nossa filha, fazendo cerca de 10 birras por segundo, daquelas de bater o pé e de se atirar para o meio do chão lamacento.
Lição Número 2: Há sempre alguma mãe que grita mais alto, que se enerva mais depressa, que tem menos paciência do que nós.
Lição Número 3: Quando dizemos que a nossa filha não obedece à primeira devemos morder a língua, pois filhos há que nunca, jamais obedecem a coisa nenhuma.
Lição Número 4 e talvez a mais importante: Manter sempre o triciclo da nossa filhota a um passo de distância, evita que tenhamos que andar a correr atrás de um puto esperto que não sabe a diferença entre objectos alheios e objectos próprios. Evita um ataque de pânico no nosso rebento.
Conclusão Final: Os putos são regra geral chatos, mas o lado bom é que muitas vezes os putos dos outros conseguem fazer-nos sentir com uma sorte desmedida por a nossa não ser assim :)

Morre Lentamente

Já tinha deixado aqui este texto (correcção mais do que justa e necessária) de Martha Medeiros que sempre fez tanto, mas tanto sentido para mim e hoje é um dia tão bom como outro qualquer para me agarrar a cada frase com todas as forças e sair da inércia que me tem toldado o caminho...

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não arrisca vestir uma cor nova e não fala com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro ao invés do branco e os pingos nos iis a um redemoinho de emoções, exactamente o que resgata o brilho nos olhos, o sorriso nos lábios e o coração aos tropeços.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho.
Morre lentamente quem não viaja, não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, ouvir conselhos sensatos, quem passa os dias queixando-se da má sorte, ou da chuva incessante. Quem destroi o seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem abandona um projecto antes de o começar, nunca pergunta sobre um assunto que desconhece e nem responde quando lhe perguntam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em suaves porções, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples ar que respiramos.
Somente com infinita paciência conseguiremos a verdadeira felicidade.