Em Setembro vou ver-te de mochila às costas e acenar-te com um sorriso confiante, enquanto te afastas mais um bocadinho de nós.
Em Setembro vais deixar o que foi o nosso mundo durante 4 anos e entrar num mundo onde já não estarei para te proteger a cada instante.
Em Setembro crescerás mais um bocadinho, tal como cresceste em Fevereiro depois do teu irmão ter nascido.
Sei, agora mais do que nunca, que serás sempre a minha menina e que o meu coração baterá sempre ao compasso do teu.
Estou para sempre presa neste feitiço que me lançaram tu e o teu irmão desde o dia em que nasceram, irremediavelmente entrelaçada, enredada nos vossos passos e se umas vezes é a melhor sensação do mundo, outras é uma espécie de abismo sem fim à beira do qual me sento a baloiçar os pés, esperando que a sensação de perda de mim termine.
Os nossos filhos roubam-nos e devolvem-nos a dobrar, arrancam-nos do nosso mundo, para nos atirarem de novo à vida com um simples abraço. Os nossos filhos são a ténue barreira que se sente quando fechamos os olhos e temos a certeza que tudo faz sentido.
sábado, 17 de julho de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
A Chorar Baba e Ranho
A Alice foi com o pai 3 dias para casa dos meus sogros no Algarve, saíram agora de noite para aproveitarem bem o sábado e eu fiquei aqui com o António nesta casa demasiado silenciosa.
Imaginá-los de carro à noite, noutra casa sem mim, imaginá-los a uma distância superior a 20 quilómetros da minha pessoa deixa-me desolada, pois nunca nos separámos assim ao meio.
E aqui estou eu feita parva à espera que o telemóvel toque e que ele me diga que chegaram bem, para que o meu sono possa chegar.
E aqui estou eu do alto dos meus 35 anos acabados de fazer, agarrada ao coelhinho de peluche que ela me deixou.
Imaginá-los de carro à noite, noutra casa sem mim, imaginá-los a uma distância superior a 20 quilómetros da minha pessoa deixa-me desolada, pois nunca nos separámos assim ao meio.
E aqui estou eu feita parva à espera que o telemóvel toque e que ele me diga que chegaram bem, para que o meu sono possa chegar.
E aqui estou eu do alto dos meus 35 anos acabados de fazer, agarrada ao coelhinho de peluche que ela me deixou.
Sofrer é Fodido
Sim, eu sei que é importante sofrer para se dar valor às alegrias, que quem não experimenta alguma espécie de sofrimento ao longo da vida, seja ele amoroso, ou de outro nível qualquer, pode tornar-se uma pessoa um bocadinho menos vivida, mas borrifei-me no filosoficamente correcto, se pudesse abolia o sofrimento de toda a gente.
Procurei, a sério que procurei arduamente outra palavra mais bonita para colocar a seguir a sofrimento, mas não encontrei, é que sofrer é definitivamente fodido.
Procurei, a sério que procurei arduamente outra palavra mais bonita para colocar a seguir a sofrimento, mas não encontrei, é que sofrer é definitivamente fodido.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
A Meio Caminho dos 40
Hoje senti mais uma vez que já não tem graça fazer anos, mas que é bom estar viva e bem de saúde para os fazer.
Hoje senti que a minha filha vibra mais com este 15 de Julho do que eu e isso comoveu-me e fez com que plantasse um sorriso nos lábios por ter alguém que acordasse antes de mim toda excitada por ser o dia do meu aniversário.
Hoje faço 35 e sinto-me com 35, mas por fora obviamente que pareço uma miúda de 20 :)
Hoje senti que a minha filha vibra mais com este 15 de Julho do que eu e isso comoveu-me e fez com que plantasse um sorriso nos lábios por ter alguém que acordasse antes de mim toda excitada por ser o dia do meu aniversário.
Hoje faço 35 e sinto-me com 35, mas por fora obviamente que pareço uma miúda de 20 :)
quarta-feira, 14 de julho de 2010
No Super, ou na Farmácia?
De cada vez que percorro os corredores de um supermecado tenho a sensação crescente de que me encontro numa farmácia. Hoje por exemplo dei de caras com uma lata de leite condensado "rico em cálcio", outro dia foi a Maionese "Rica em Ómega 3", comer os chocolates Kinder também equivale a beber um copo de leite, é igualzinho. Os cereais de chocolate extra carregados de sacarose e afins também têm montes de vitaminas que ajudam ao crescimento e a treta do leite mimosa infantil também tem muitas letras correspondentes a várias vitaminas, mas vejam só, tem açúcar!!!
Se houver por aí alguém com os níveis de colesterol elevados que vá ao supermecado comprar maionese rica em ómega 3, ou alguém que compre latas de leite condensado pela sua riqueza em cálcio, digam-me por favor que é para eu lhe dar um estalo.
Se houver por aí alguém com os níveis de colesterol elevados que vá ao supermecado comprar maionese rica em ómega 3, ou alguém que compre latas de leite condensado pela sua riqueza em cálcio, digam-me por favor que é para eu lhe dar um estalo.
terça-feira, 13 de julho de 2010
MEC
Outro dia saí no final da tarde para um passeio lúdico, o que nos últimos tempos significa sair sozinha de carro, nem que seja para ir à M24 comprar feijão frade e atum para o jantar, sendo que foi precisamente esse o caso. Enfim, saí, liguei o rádio e antes de mudar a estação, coisa que faço mesmo antes de ouvir o que está a dar, detive-me a escutar aquele tipo que respondia a umas perguntas. Detive-me porque reconheci aquela voz acelerada e meia lunática, polvilhada por dezenas de "não é?" e bafejada pela mais pura das genialidades. No preciso momento em que soube que era o Miguel Esteves Cardoso o alvo da entrevista o meu pé saiu do acelerador e a minha pressa para fazer o jantar eclipsou-se como que por magia.
Ali estava ele a responder a tudo sem filtros, mas ao mesmo tempo naquele tom de boa educação britânica que torna impossível a alguém ouvi-lo sem um sorriso de orelha a orelha.
Entre outras coisas disse que, tirando Agustina, todos os romancistas portugueses eram basicamente uma merda e disse-o como se debicasse um scone e bebericasse o seu chá pelo meio da frase.
Já tinha chegado à bomba de gasolina e em casa as coisas estavam estupidamente atrasadas, mas fiquei ali parada dentro do carro a ouvi-lo falar até ao fim, com uma sensação de pura satisfação por ter aquele tempo para mim.
Dentro do carro, estacionada na M24 eu ouvi o Miguel Esteves Cardoso e senti que os meus neurónios estavam lentamente a encontrar o caminho de volta...
Ali estava ele a responder a tudo sem filtros, mas ao mesmo tempo naquele tom de boa educação britânica que torna impossível a alguém ouvi-lo sem um sorriso de orelha a orelha.
Entre outras coisas disse que, tirando Agustina, todos os romancistas portugueses eram basicamente uma merda e disse-o como se debicasse um scone e bebericasse o seu chá pelo meio da frase.
Já tinha chegado à bomba de gasolina e em casa as coisas estavam estupidamente atrasadas, mas fiquei ali parada dentro do carro a ouvi-lo falar até ao fim, com uma sensação de pura satisfação por ter aquele tempo para mim.
Dentro do carro, estacionada na M24 eu ouvi o Miguel Esteves Cardoso e senti que os meus neurónios estavam lentamente a encontrar o caminho de volta...
Escolher um médico para nos pôr o filho no mundo
Penso que não há nada mais importante do que a escolha da médica que nos ajudará a pôr os filhos no mundo. Importa a sua competência sim, mas não é menos importante a sua dose de humanidade, simpatia, sensibilidade.
As grávidas são seres complexos, cheios de camadas e níveis de sensibilidade, que precisam de ser apaziguadas a cada consulta. Eu sempre soube isto e sempre quis que fosse a minha médica de sempre a fazer o parto da Alice, mas como ela não fazia partos no hospital que eu queria, troquei-a por uma médica que o fizesse e todas as consultas foram distantes, apáticas, sem telefones trocados, sem nada além de dados de análises e datas agendadas. Nunca tive empatia com ela, mas lá aguentei até ao final, ouvindo-a falar do almoço que tomaria com o anestesista, durante o nascimento da minha primeira filha. Senti-me um número e não gostei, por esse mesmo motivo, quando me soube à espera do segundo filho, não caí na asneira de muitas mães que se fixam no mesmo médico para sempre, criando uma espécie de mito em redor de quem lhes mete os filhos no mundo, seja bom seja mau.
Fiquei com a Dra. Maria João Mendonça e com as suas gargalhadas, partilhas, olhares de cumplicidade. Fiquei com a médica que me tratava sempre pelo primeiro nome, me falava das próprias filhas e da sua vida e me dava dois beijinhos na entrada e na saída.
Fiquei com a médica que me fez festinhas durante a anestesia, que me sorriu assim que entrou na sala de cesarianas, que ligou para o Hugo antes de eu entrar, que me telefonou para o telemóvel assim que soube que eu estava com uma anemia, que disse que odiava ter que me provocar dores, mas que ia ter que sentir o útero, mesmo depois de já ter sido palpada por 234 enfermeiras e médicas que nem abriram a boca durante o palpanço. E, por incrível que pareça, saber que ela sabia que doía como tudo, atenuou a dor.
Eu fiquei com a médica humana e competente, pois quero acreditar que as duas coisas não são incompatíveis de forma alguma.
Mas também sei que há muita gente que não pensa assim, que ainda sofre daquele complexo de inferioridade, que acha que um médico para ser a sério tem que ser frio, não olhar nos olhos e passar a consulta inteira a escrever no processo. Quanto mais distante e inacessível, mais competente e estudioso deve ser.
Se me perguntarem o que prefiro, um médico humano e incompetente, ou um antipático, frio topo de gama, terei que responder: Porque raio tenho eu que escolher entre as duas? Porque não uma terceira alternativa que englobe as melhores características dos dois lados?
Quando é que os médicos vão aprender que um tratamento menos distante é meio caminho andado para que o paciente se sinta mais pessoa e menos algarismo?
As grávidas são seres complexos, cheios de camadas e níveis de sensibilidade, que precisam de ser apaziguadas a cada consulta. Eu sempre soube isto e sempre quis que fosse a minha médica de sempre a fazer o parto da Alice, mas como ela não fazia partos no hospital que eu queria, troquei-a por uma médica que o fizesse e todas as consultas foram distantes, apáticas, sem telefones trocados, sem nada além de dados de análises e datas agendadas. Nunca tive empatia com ela, mas lá aguentei até ao final, ouvindo-a falar do almoço que tomaria com o anestesista, durante o nascimento da minha primeira filha. Senti-me um número e não gostei, por esse mesmo motivo, quando me soube à espera do segundo filho, não caí na asneira de muitas mães que se fixam no mesmo médico para sempre, criando uma espécie de mito em redor de quem lhes mete os filhos no mundo, seja bom seja mau.
Fiquei com a Dra. Maria João Mendonça e com as suas gargalhadas, partilhas, olhares de cumplicidade. Fiquei com a médica que me tratava sempre pelo primeiro nome, me falava das próprias filhas e da sua vida e me dava dois beijinhos na entrada e na saída.
Fiquei com a médica que me fez festinhas durante a anestesia, que me sorriu assim que entrou na sala de cesarianas, que ligou para o Hugo antes de eu entrar, que me telefonou para o telemóvel assim que soube que eu estava com uma anemia, que disse que odiava ter que me provocar dores, mas que ia ter que sentir o útero, mesmo depois de já ter sido palpada por 234 enfermeiras e médicas que nem abriram a boca durante o palpanço. E, por incrível que pareça, saber que ela sabia que doía como tudo, atenuou a dor.
Eu fiquei com a médica humana e competente, pois quero acreditar que as duas coisas não são incompatíveis de forma alguma.
Mas também sei que há muita gente que não pensa assim, que ainda sofre daquele complexo de inferioridade, que acha que um médico para ser a sério tem que ser frio, não olhar nos olhos e passar a consulta inteira a escrever no processo. Quanto mais distante e inacessível, mais competente e estudioso deve ser.
Se me perguntarem o que prefiro, um médico humano e incompetente, ou um antipático, frio topo de gama, terei que responder: Porque raio tenho eu que escolher entre as duas? Porque não uma terceira alternativa que englobe as melhores características dos dois lados?
Quando é que os médicos vão aprender que um tratamento menos distante é meio caminho andado para que o paciente se sinta mais pessoa e menos algarismo?
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Um Quarto Mágico é Possível


Depois de muito hesitar, de muito namorar, virar e revirar a embalagem, duvidar do seu real poder de projecção, de achar e desachar caro, decidi comprar e caraças estou rendida a esta joaninha que projecta estrelas.
A Alice, que tinha uns autocolantes com estrelas fluorescentes sobre a cama e adorava adormecer a olhar aquele pequeno céu improvisado, agora adormece sob um gigante céu estrelado, como só se vê nas noites passadas num qualquer deserto distante (imagino eu) e eu só me apetece ter um céu assim no meu quarto...
domingo, 11 de julho de 2010
Desejo de Dezembro

Quando estou mais cansada quero Dezembro, uma cabana de madeira na montanha, uma lareira acesa, cheiro a bolos, livros e revistas espalhados num gigantesco sofá, café numa caneca, mantimentos na despensa e a família segura perto de mim.
Hoje estive o dia inteiro a pensar que gostava de estar nesse sítio que mora onde imagino e demorar-me lá, como se recuperasse de um longo verão de ruído.
Hoje queria silêncio, interrompido apenas por passos enterrados na neve lá fora e pela respiração sossegada das crianças a dormirem por perto.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Fazer do mau bom e seguir em frente
Tenho amigas que agradecem aos pais terem-lhes mostrado como se ama de verdade, sem condições, horários, nem prazos de validade para esticarem uma mão de ajuda, incondicionalmente.
Tenho amigos que me dizem que tudo devem a quem os criou e lhes deu as directrizes de vida, pois na falta de oráculos-guia, recorrem às memórias do que lhes foi passado pelos seus próprios guardiões, os pais.
Conheço quem queira deitar a cabeça no colo da mãe quando tudo o resto falha aos 40 anos porque foi assim que sempre fez desde menino e é esse abrigo que busca instintivamente.
Depois conheço quem passe a maior parte da vida buscando os seus próprios valores, tacteando apenas com o coração o que será melhor para si, contando apenas com o seu próprio instinto, sabendo por onde não quer ir, por ter percorrido já aquele caminho demasiadas vezes e saber que não é por ali que quer levar os filhos.
Às vezes viver sem estrelas-guia, sem conselhos sábios, sem recordações não é fácil. Mas pode sempre pegar-se na falta de mapas, de bússolas, de rotas traçadas com amor e tentar imprimir pontos cardeais nos filhos. Fazer de tudo para que eles sintam que sempre tiveram um lugar importante e não se limitaram a ser pedras no caminho da felicidade de alguém.
Não repetir os mesmos erros é a chave, mas uma chave que muitas vezes magoa ao ser rodada.
Tenho amigos que me dizem que tudo devem a quem os criou e lhes deu as directrizes de vida, pois na falta de oráculos-guia, recorrem às memórias do que lhes foi passado pelos seus próprios guardiões, os pais.
Conheço quem queira deitar a cabeça no colo da mãe quando tudo o resto falha aos 40 anos porque foi assim que sempre fez desde menino e é esse abrigo que busca instintivamente.
Depois conheço quem passe a maior parte da vida buscando os seus próprios valores, tacteando apenas com o coração o que será melhor para si, contando apenas com o seu próprio instinto, sabendo por onde não quer ir, por ter percorrido já aquele caminho demasiadas vezes e saber que não é por ali que quer levar os filhos.
Às vezes viver sem estrelas-guia, sem conselhos sábios, sem recordações não é fácil. Mas pode sempre pegar-se na falta de mapas, de bússolas, de rotas traçadas com amor e tentar imprimir pontos cardeais nos filhos. Fazer de tudo para que eles sintam que sempre tiveram um lugar importante e não se limitaram a ser pedras no caminho da felicidade de alguém.
Não repetir os mesmos erros é a chave, mas uma chave que muitas vezes magoa ao ser rodada.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
A Tusa Artística Portuguesa

Nós somos merdosos em quase tudo é bem verdade, mas em termos de mentes criativas conseguimos sublimar a merdice, pois somos medíocres, medíocres a armar ao pingarelho, que é o pior que se pode ser.
É triste constatar que nem numa revista que vende gajas nuas classudas, conseguimos arranjar gajas com classe, mas mais triste ainda é julgarmos que enfiarmos Jesus Cristo numa capa de uma revista erótica é arte.
Sim ai que tusa que deve dar esta capa, ai o génio criativo por detrás desta ideia brilhante, ai tanta intelectualidade mal compreendida por pessoas um bocadinho broncas como eu.
Actifed Fede
A assoar narizes, é o título da minha vida nos últimos dias.
Primeiro o do António com Narinel até já não me restarem forças para puxar mais. Depois a Alice com febre, depois o meu próprio ranho com bastantes semelhanças a uma queda de água paradisíaca, só que sem a parte do paradisíaca. E finalmente, o ranho da Alice novamente em unissono com o meu.
Hoje em desespero de causa tomei um Actifed, apesar de saber a moca estranha que esse medicamento me produz no cérebro e foi definitivamente a coisa mais idiota que poderia ter feito com duas crianças em casa. Acho que tive alucinações e tudo. Entrei na cozinha e tinha loiça suja até ao primeiro andar. Fechei a porta e voltei a abrir, belisquei-me e ainda não percebi se alucinei, ou não.
Primeiro o do António com Narinel até já não me restarem forças para puxar mais. Depois a Alice com febre, depois o meu próprio ranho com bastantes semelhanças a uma queda de água paradisíaca, só que sem a parte do paradisíaca. E finalmente, o ranho da Alice novamente em unissono com o meu.
Hoje em desespero de causa tomei um Actifed, apesar de saber a moca estranha que esse medicamento me produz no cérebro e foi definitivamente a coisa mais idiota que poderia ter feito com duas crianças em casa. Acho que tive alucinações e tudo. Entrei na cozinha e tinha loiça suja até ao primeiro andar. Fechei a porta e voltei a abrir, belisquei-me e ainda não percebi se alucinei, ou não.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Quando me Olhas Assim
Quando me olhas assim, todas as equações de razão que fiz até hoje perdem o sentido e diluem-se nesse teu olhar pequeno, mas firme.
Quando me olhas assim, do fundo desses olhos ternos, sei que todas as contas que deitei à vida antes de ti jamais me dariam esta resposta.
Quando me olhas assim, tenho a certeza agridoce que antes de ti não era ainda completamente eu, que precisei da tua presença para ser esta pessoa que tenta guardar-te.
Quando me olhas assim, os prós e contras que desenhei com afinco antes de te decidir, esbatem-se num único sentimento e sorrio com a tentativa de tantos em racionalizarem o que se sente.
Quando me olhas assim, a transbordar alegria por mim, fecho os olhos e tento reter-te, a tua imagem, o teu cheiro, o teu som, pois sei que, apesar de ser ainda eu, sou também um bocadinho tua.
Queria ter-te escrito dia 4 de Julho e dizer-te que estás connosco há 5 meses (e comigo há 14) mas sabes como tem andado a nossa vida aqui em casa, sem tempo e cansada´pelas rotinas de todos.
Hoje fazes 5 meses e 3 dias e é um dia tão bom como qualquer outro para te celebrar meu amor.
Quando me olhas assim, do fundo desses olhos ternos, sei que todas as contas que deitei à vida antes de ti jamais me dariam esta resposta.
Quando me olhas assim, tenho a certeza agridoce que antes de ti não era ainda completamente eu, que precisei da tua presença para ser esta pessoa que tenta guardar-te.
Quando me olhas assim, os prós e contras que desenhei com afinco antes de te decidir, esbatem-se num único sentimento e sorrio com a tentativa de tantos em racionalizarem o que se sente.
Quando me olhas assim, a transbordar alegria por mim, fecho os olhos e tento reter-te, a tua imagem, o teu cheiro, o teu som, pois sei que, apesar de ser ainda eu, sou também um bocadinho tua.
Queria ter-te escrito dia 4 de Julho e dizer-te que estás connosco há 5 meses (e comigo há 14) mas sabes como tem andado a nossa vida aqui em casa, sem tempo e cansada´pelas rotinas de todos.
Hoje fazes 5 meses e 3 dias e é um dia tão bom como qualquer outro para te celebrar meu amor.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Crepitando
Estou completamente desfeita e derretida. Desfeita, porque o António esteve muito constipado e a Alice doente. Derretida, porque odeio calor, do fundo do meu organismo que o odeio sem contemplações.
Os miúdos ficam irritadiços, as nossas forças fogem para outro planeta, o cérebro perde a pouca genica existente, as noites são mal dormidas, as melgas atacam-nos porque deixamos as janelas abertas, os carros quando deixados ao sol transformam-se em verdadeiros fornos crematórios. Enfim, por muito que pense não consigo encontrar uma única coisa boa neste calor do inferno. Para mim 26 graus é mais do que suficiente para poder gritar que verão tão fixe aos quatro ventos.
Agora vou ali dar um grito histérico à janela e já volto. Se não voltar é porque os meus ossos estão a servir de churrasco aos cães da vizinha.
Os miúdos ficam irritadiços, as nossas forças fogem para outro planeta, o cérebro perde a pouca genica existente, as noites são mal dormidas, as melgas atacam-nos porque deixamos as janelas abertas, os carros quando deixados ao sol transformam-se em verdadeiros fornos crematórios. Enfim, por muito que pense não consigo encontrar uma única coisa boa neste calor do inferno. Para mim 26 graus é mais do que suficiente para poder gritar que verão tão fixe aos quatro ventos.
Agora vou ali dar um grito histérico à janela e já volto. Se não voltar é porque os meus ossos estão a servir de churrasco aos cães da vizinha.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Mulheres Machistas
Pior, um milhão de vezes pior do que um homem machista, é uma mulher que padeça desse flagelo cultural. Então se for uma mulher supostamente moderna, jovem e cheia de ambições chega a ser bizarro ver a contradição entre aquilo que aparenta e aquilo que realmente é.
"Ai que eu sou uma mulher tão moderna que até enjoo de boa! / Deixa cá ver isso querido, essas coisas não são tarefa de homem!" - Sendo que essas coisas incluem tarefas tão árduas como encontrar o pacote do leite no frigorífico.
"Ai que eu sou uma mulher tão moderna que até enjoo de boa! / Deixa cá ver isso querido, essas coisas não são tarefa de homem!" - Sendo que essas coisas incluem tarefas tão árduas como encontrar o pacote do leite no frigorífico.
domingo, 4 de julho de 2010
O que será que será
Será que daqui a um mês vamos ver o baby do CR7 de orelha furada com uma pedra de diamante?
Será que o bebé nasceu de pochete LV debaixo do braço?
Será que a Dona Dolores vai tomar bem conta do Cristianinho Júnior?
Será que a mãe do Cristianinho pediu uma soma avultada para prescindir da guarda?
E por último, mas não menos importante, será que existem fraldas Dolce e Gabana? É que eu não sei como é que a família vai fazer sem fraldas de grife.
Tanta dúvida que me atormenta neste dia do anúncio da paternidade. A maioria de nós, comuns mortais, anuncia a futura maternidade/paternidade, mas ele é muito à frente e poupa-nos 9 meses de expectativa, ele diz que já foi pai, mesmo antes de sabermos que ia ser.
Será que o bebé nasceu de pochete LV debaixo do braço?
Será que a Dona Dolores vai tomar bem conta do Cristianinho Júnior?
Será que a mãe do Cristianinho pediu uma soma avultada para prescindir da guarda?
E por último, mas não menos importante, será que existem fraldas Dolce e Gabana? É que eu não sei como é que a família vai fazer sem fraldas de grife.
Tanta dúvida que me atormenta neste dia do anúncio da paternidade. A maioria de nós, comuns mortais, anuncia a futura maternidade/paternidade, mas ele é muito à frente e poupa-nos 9 meses de expectativa, ele diz que já foi pai, mesmo antes de sabermos que ia ser.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
A Sopa da Pedra
Depois de ler o conselho da ministra da saúde para combater a crise e de sentir que se debruçou profunda e estudiosamente sobre o assunto, rodeada de pareceres técnicos e artigos publicados sobre a matéria, fico aliviada.
Um alívio profundo, daqueles que arrepiam e comovem, por me saber protegida pelos que tomam conta da gestão do meu país.
Os nossos ministros são o creme de la creme da Europa, quiçá até do globo em matéria de combate à crise e penso que poderão partilhar com os seus pares esta bomba atómica, que usada com ciência e método, combaterá não só o flagelo económico como os níveis de colesterol da humanidade.
Quando a ministra da saúde nos diz para fazermos sopa em vez de comermos fast food a fim de darmos um pontapé na crise, sabemos que o dinheiro gasto a pagar o ordenado destes craques políticos foi certamente o mais bem empregue de sempre e temos a certeza interior que em casa dela só se come sopa da pedra, mas daquela pedra bem grande.
Um alívio profundo, daqueles que arrepiam e comovem, por me saber protegida pelos que tomam conta da gestão do meu país.
Os nossos ministros são o creme de la creme da Europa, quiçá até do globo em matéria de combate à crise e penso que poderão partilhar com os seus pares esta bomba atómica, que usada com ciência e método, combaterá não só o flagelo económico como os níveis de colesterol da humanidade.
Quando a ministra da saúde nos diz para fazermos sopa em vez de comermos fast food a fim de darmos um pontapé na crise, sabemos que o dinheiro gasto a pagar o ordenado destes craques políticos foi certamente o mais bem empregue de sempre e temos a certeza interior que em casa dela só se come sopa da pedra, mas daquela pedra bem grande.
A Nossa Casa é Onde Descalçamos os Sapatos

Os pares azul escuro e encarnado mantêm-se do mesmo tamanho, apesar de os donos terem crescido muito por dentro, um novo par cor de rosa para uns pés que cresceram dois números e o par minúsculo para alguém cujo coração bate acelerado de cada vez que avista os donos dos outros sapatos.
Está assim a nossa casa, com 4 pares de sapatos e 4 corações a transbordar.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Eu, uma dona de casa (quase) perfeita
Depois de ter sido convencida por uma gestora doméstica de alto gabarito que fazer um menu para a semana inteira é coisa para resultar em cheio, entre risinhos de gozo comigo própria por tentar ser uma Martha Stewart portuguesa e cantilenas tradicionais, pus-me a abrir armários, congelador e afins e a escrever uma lista com os pratos que iria confeccionar durante os vários dias da semana.
Por ter gozado aqui com as donas de casa perfeitas me penitencio, me chibato, me espanco. Esta merda resulta.
Em vez de perder metade do dia a decidir o que é que vou fazer para o jantar, sair para o supermercado com uma receita na cabeça e voltar com dezenas de compras inúteis, eis que tenho a coisa decidida com antecedência e sem ter que sair porcaria nenhuma, pois tudo foi pensado com os ingredientes que já repousavam cá em casa.
Também deu para equilibrar a coisa com peixe num dia, carne no outro, leguminosas, atum, enfim, cada dia uma variedade diferente.
Comovi-me com esta dica genial, a sério que sim.
A partir de agora tentarei fazer sempre um belo menu semanal que isto de ser imperfeita, planeando tudo à ultima hora e sofrendo com dúvidas, atrás de dúvidas afinal dava muito mais trabalho do que ser perfeita.
Já só me falta uma bata, uma chanata, uma rede na cabeça e qualquer dia até pão confecciono em casa.
Lá, lá, lá, lá, lá.
Por ter gozado aqui com as donas de casa perfeitas me penitencio, me chibato, me espanco. Esta merda resulta.
Em vez de perder metade do dia a decidir o que é que vou fazer para o jantar, sair para o supermercado com uma receita na cabeça e voltar com dezenas de compras inúteis, eis que tenho a coisa decidida com antecedência e sem ter que sair porcaria nenhuma, pois tudo foi pensado com os ingredientes que já repousavam cá em casa.
Também deu para equilibrar a coisa com peixe num dia, carne no outro, leguminosas, atum, enfim, cada dia uma variedade diferente.
Comovi-me com esta dica genial, a sério que sim.
A partir de agora tentarei fazer sempre um belo menu semanal que isto de ser imperfeita, planeando tudo à ultima hora e sofrendo com dúvidas, atrás de dúvidas afinal dava muito mais trabalho do que ser perfeita.
Já só me falta uma bata, uma chanata, uma rede na cabeça e qualquer dia até pão confecciono em casa.
Lá, lá, lá, lá, lá.
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