Juro que não sei o que se passa comigo, mas de cada vez que escrevo sai-me um palavrão. Estou verbalmente incontinente e suspeito que é por não poder praguejar em voz alta perto da Alice e vá, do António também. É como quando falta a água aqui em casa e me dá para padecer de sede a cada instante.
Apesar de não ter rigorosamente nada contra, nunca tive veia para o palavrão escrito em modo non stop, nem para falar como uma habitante de um bairro problemático algures no mapa citadino, por isso estranho-me.
Se esta maleita andar a afectar mais alguém é favor dizerem-me, a fim de me sentir menos solitária e desprezível. Até lá tentarei desdramatizar e gritar uns dois ou três palavrões por hora pela janela fora a ver se isto vai embora.
domingo, 15 de agosto de 2010
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Dramas de Beleza ou Aqui também se usa Chanel
Entre as joias, diamantes e Ferraris, o Hugo ofereceu-me nos anos um conjunto de gel de banho, creme para o corpo e perfume Chanel. Nada de gozos nem de assobios invejosos, porque eu também tenho direito a ser absoluta e irremediavelmente fashion e, surpresa das surpresas, o perfume e seus sucedâneos não cheiram a velha gaiteira, são fresquinhos como gosto.
Problema nº1:
Não tenho coragem de lavar as partes baixas com o gel de banho Chanel, acho indecente.
Ontem queria ter comprado na Body Shop uma luva-esponja, daquelas que tiram as células mortas, porque tenho-as para dar e vender, principalmente na massa cinzenta, mas tive preguiça de ir à dita loja e acabei por comprar uma esponja com o mesmo propósito, mas rasca do Continente.
Problema nº2
Esfolei-me viva.
Hoje atingi o patamar mais reles de uma mulher fashion e comprei uma caixinha de roupa interior numa grande superfície/loja-tipo-feira. Cheguei a casa, abri a embalagem e as pintinhas amorosas na loja, haviam-se transformado numas bolas descomunais de velhota.
Problema nº3
Deito aquela merda fora, ou guardo para usar numa noite de incontinência?
Problema nº1:
Não tenho coragem de lavar as partes baixas com o gel de banho Chanel, acho indecente.
Ontem queria ter comprado na Body Shop uma luva-esponja, daquelas que tiram as células mortas, porque tenho-as para dar e vender, principalmente na massa cinzenta, mas tive preguiça de ir à dita loja e acabei por comprar uma esponja com o mesmo propósito, mas rasca do Continente.
Problema nº2
Esfolei-me viva.
Hoje atingi o patamar mais reles de uma mulher fashion e comprei uma caixinha de roupa interior numa grande superfície/loja-tipo-feira. Cheguei a casa, abri a embalagem e as pintinhas amorosas na loja, haviam-se transformado numas bolas descomunais de velhota.
Problema nº3
Deito aquela merda fora, ou guardo para usar numa noite de incontinência?
Coisas que já sei
Acho graça à quantidade de coisas que posso dizer que já sei. Coisas das quais fiz teorias, frases, conjecturas e finalmente tirei conclusões. Coisas simples, menos simples, mais ou menos desarranjadas. Coisas.
Coisas de que posso falar se me pedem conselho, ou que guardo para mim se não me pedem.
A coisa que me chegou hoje de sopetão foi simples. Chegou com uma clareza quase cristalina, daquelas que admitem poucas dúvidas e deixou-me triste.
Entendi que, a maior parte das vezes, quem nada pede, nada recebe. Que quem bem se comporta não é visto, nem premiado.
Ao contrário de quem faz merda a vida inteira. Este sim é visto, ajudado, coberto de atenções e pézinhos de lã.
Premiar a merda através de excesso de zelo e ignorar aquele que não apresenta problemas, é das coisas mais idiotas que podemos fazer e magoa.
E esta coisa eu já sei.
Coisas de que posso falar se me pedem conselho, ou que guardo para mim se não me pedem.
A coisa que me chegou hoje de sopetão foi simples. Chegou com uma clareza quase cristalina, daquelas que admitem poucas dúvidas e deixou-me triste.
Entendi que, a maior parte das vezes, quem nada pede, nada recebe. Que quem bem se comporta não é visto, nem premiado.
Ao contrário de quem faz merda a vida inteira. Este sim é visto, ajudado, coberto de atenções e pézinhos de lã.
Premiar a merda através de excesso de zelo e ignorar aquele que não apresenta problemas, é das coisas mais idiotas que podemos fazer e magoa.
E esta coisa eu já sei.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Polaroids da Minha VIda
Não sei se é só a mim que acontecem estes momentos fotográficos da minha própria vida. Momentos em que consigo remeter tudo para a minha lente de focagem manual e parar a imagem, congelando-a dentro do meu coração.
Ontem aconteceu-me ficar a olhar a minha família e sentir que tudo estava onde deveria estar. A Alice fazia uma festinha nos cabelos do irmão, o Hugo ouvia as notícias e eu tive a certeza que o mundo, o meu mundo, era um lugar onde queria estar.
Depois tudo terminou, o ruído regressou, o calor invadiu cada partícula da minha pele cansada, a Alice deu início a mais uma sessão de cantorias enlouquecidas, o António choramingou assustado, o Hugo refilou com nada de especial e a rotina instalou-se subtilmente, obrigando-me a usar a lente de focagem automática.
Tenho dias em que preciso muito de ver fotografias. Lembrar as que tiro com o olhar e as que tirei com a máquina ao longo dos anos. Sempre que revejo algumas imagens de momentos importantes, ou que não importaram assim tanto, amo com mais força e tenho mais uma vez a certeza de que o caminho que trilhei faz afinal de contas todo o sentido.
Ontem aconteceu-me ficar a olhar a minha família e sentir que tudo estava onde deveria estar. A Alice fazia uma festinha nos cabelos do irmão, o Hugo ouvia as notícias e eu tive a certeza que o mundo, o meu mundo, era um lugar onde queria estar.
Depois tudo terminou, o ruído regressou, o calor invadiu cada partícula da minha pele cansada, a Alice deu início a mais uma sessão de cantorias enlouquecidas, o António choramingou assustado, o Hugo refilou com nada de especial e a rotina instalou-se subtilmente, obrigando-me a usar a lente de focagem automática.
Tenho dias em que preciso muito de ver fotografias. Lembrar as que tiro com o olhar e as que tirei com a máquina ao longo dos anos. Sempre que revejo algumas imagens de momentos importantes, ou que não importaram assim tanto, amo com mais força e tenho mais uma vez a certeza de que o caminho que trilhei faz afinal de contas todo o sentido.
domingo, 1 de agosto de 2010
Para Vocês...
Que ainda têm paciência para passar por aqui e ler esta espécie montanha russa de temas, venho dizer-vos que estou cansada. Nunca pensei chegar a um ponto em que a fonte das letras tivesse secado, mas secou mesmo e eu preciso parar.
Não sei se por um dia, um mês, mas o ritmo será temporariamente diferente do que costumava ser.
Preciso de recuperar forças, inspiração, motivação e até lá ficarei em modo pause, tentarei ler uma página de um qualquer livro por dia e manter-me sã até pousar os ossos sobre uma espreguiçadeira no Algarve.
Entretanto lembrem-me para nunca mais marcar férias só para o final de Agosto, é que já não tenho idade para esperar tanto e ultimamente a única coisa que ocupa o meu pequeno e mirrado cérebro é a imagem de um pequeno almoço buffet num hotel com uma praia aos seus pés.
Não sei se por um dia, um mês, mas o ritmo será temporariamente diferente do que costumava ser.
Preciso de recuperar forças, inspiração, motivação e até lá ficarei em modo pause, tentarei ler uma página de um qualquer livro por dia e manter-me sã até pousar os ossos sobre uma espreguiçadeira no Algarve.
Entretanto lembrem-me para nunca mais marcar férias só para o final de Agosto, é que já não tenho idade para esperar tanto e ultimamente a única coisa que ocupa o meu pequeno e mirrado cérebro é a imagem de um pequeno almoço buffet num hotel com uma praia aos seus pés.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Pensamento de raspão
Se a imbecilidade e burrice pagassem imposto, os cofres do Estado estavam a transbordar e acabava a crise.
Porque não há outra maneira de dizer isto: Doença filha da puta
Não escolhe idades, credos, feitios bons, ou maus. Não olha à importância de alguém na vida dos outros, não quer saber do antes, nem do depois. Chega muitas vezes em silêncio, como um ladrão que protege a sua conduta pelo escuro da noite e quando se dá por ela, já está escondida por todos os cantos.
Causa um sofrimento físico atroz na tentativa, muitas vezes vã, de a combater.
Há várias vertentes desta doença e quando ouvimos que ela se instalou num lugar em particular, sentimos que não vai valer a pena a luta, mas a esperança acende, apaga e reacende nos olhos de quem leva a doença dentro de si, de quem a sente crescer apesar de tudo, de quem sente o seu corpo ceder a essa besta que o consome dia após dia.
De todas as doenças, de todos os males e de todas as mortes, há esta que me enerva em particular.
Causa um sofrimento físico atroz na tentativa, muitas vezes vã, de a combater.
Há várias vertentes desta doença e quando ouvimos que ela se instalou num lugar em particular, sentimos que não vai valer a pena a luta, mas a esperança acende, apaga e reacende nos olhos de quem leva a doença dentro de si, de quem a sente crescer apesar de tudo, de quem sente o seu corpo ceder a essa besta que o consome dia após dia.
De todas as doenças, de todos os males e de todas as mortes, há esta que me enerva em particular.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Nós
A rotina, as tarefas diárias que desgastam, o cansaço, o comodismo, o pouco tempo para nós, conduzem-nos muitas vezes a uma distância que não pedimos. Chegamos ao final do dia e queremos apenas vegetar. Sim, eu sei que está tudo errado, que as super mulheres e as super mães arranjam sempre forças para serem sexys, bombásticas, carinhosas e amorosas com os maridos. Mas muitas são as noites em que adormeço mesmo antes de chegar à cama e em que sinto tanta vontade de me produzir, como de ir arrancar um dente a sangue frio.
Também são muitos os dias em que mesmo quando a pergunta é simples, a resposta sai torta. Mas tudo isto se explica, tudo isto tem forma e justificação, não é nada que chegue de mansinho e que não consiga nomear.
Só que hoje, quando o vi chegar mais cedo, cansado e encalorado. Tudo para poder levar a filha à praia. Hoje quando vi o olhar meigo dele na direcção da Alice, o coração que pára e dispara ao sabor do coração dos filhos, senti que estava ao lado da pessoa certa e que por muito que desapareçamos em detrimento dos filhos, tenho a certeza absoluta de que ressurgiremos com mais força depois de tudo isto.
Também são muitos os dias em que mesmo quando a pergunta é simples, a resposta sai torta. Mas tudo isto se explica, tudo isto tem forma e justificação, não é nada que chegue de mansinho e que não consiga nomear.
Só que hoje, quando o vi chegar mais cedo, cansado e encalorado. Tudo para poder levar a filha à praia. Hoje quando vi o olhar meigo dele na direcção da Alice, o coração que pára e dispara ao sabor do coração dos filhos, senti que estava ao lado da pessoa certa e que por muito que desapareçamos em detrimento dos filhos, tenho a certeza absoluta de que ressurgiremos com mais força depois de tudo isto.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Carta ao Filho
A Melissa teve que escrever uma carta ao Gabriel. A escola pediu-lhe que escrevesse umas palavras ao filho e ela escreveu.
Achei uma ideia mágica, que já me ocorreu dezenas de vezes, criei até um espaço onde o faço com alguma frequência, pois para mim não há como perpetuar sentimentos através da palavra escrita.
Enquanto escrevemos sentimos tudo de novo, com uma força sem igual, como se cada palavra nos fizesse reviver, renascer e amar uma e outra vez de todas as vezes que voltarmos a ler o que escrevemos.
Depois acho, talvez com alguma ingenuidade não sei, que eles vão gostar de saber do nosso amor por eles, quando já tiverem idade para entender melhor as coisas do coração.
Por isso em jeito de desafio convidava os que por aqui passam a escreverem uma carta aos vossos filhos (ou a quem quer que ocupe o vosso coração) e a publicarem-na nos vossos espaços.
Eu sei que escreverei em breve mais uma carta para eles e sei também que vou sentir uma imensa dose de conforto quando o fizer.
Experimentem lá e depois digam-me qualquer coisa :)
Achei uma ideia mágica, que já me ocorreu dezenas de vezes, criei até um espaço onde o faço com alguma frequência, pois para mim não há como perpetuar sentimentos através da palavra escrita.
Enquanto escrevemos sentimos tudo de novo, com uma força sem igual, como se cada palavra nos fizesse reviver, renascer e amar uma e outra vez de todas as vezes que voltarmos a ler o que escrevemos.
Depois acho, talvez com alguma ingenuidade não sei, que eles vão gostar de saber do nosso amor por eles, quando já tiverem idade para entender melhor as coisas do coração.
Por isso em jeito de desafio convidava os que por aqui passam a escreverem uma carta aos vossos filhos (ou a quem quer que ocupe o vosso coração) e a publicarem-na nos vossos espaços.
Eu sei que escreverei em breve mais uma carta para eles e sei também que vou sentir uma imensa dose de conforto quando o fizer.
Experimentem lá e depois digam-me qualquer coisa :)
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Melgas
Melgas, zumbido de melgas, comichão de melgas, sensação de melgas, cheiro a asa de melga queimada por quilómetros de voo.
Tudo isto numa casa perto de mim, mais concretamente, na minha própria casa.
Conclusões: Aqueles aparelhos amigos do ambiente que se metem nas tomadas e que emitem sons de baixa frequência não resultam, pelo menos com as melgas da minha zona que devem ser surdas.
Chapadas a mim própria, tentando um flagrante delito não resultam.
Aparelhos inimigos do ambiente com veneno no seu interior resultam, mas as pêgazinhas, conseguem sempre picar antes de sucumbir.
Além deste calor pestilento, odeio tudo o que está associado a ele, melgas incluídas claro.
Tudo isto numa casa perto de mim, mais concretamente, na minha própria casa.
Conclusões: Aqueles aparelhos amigos do ambiente que se metem nas tomadas e que emitem sons de baixa frequência não resultam, pelo menos com as melgas da minha zona que devem ser surdas.
Chapadas a mim própria, tentando um flagrante delito não resultam.
Aparelhos inimigos do ambiente com veneno no seu interior resultam, mas as pêgazinhas, conseguem sempre picar antes de sucumbir.
Além deste calor pestilento, odeio tudo o que está associado a ele, melgas incluídas claro.
A Vontade de Ir
Acordei com a sensação de que gostava de sair daqui. Não importava para onde, importava apenas sair.
Na bagagem o suficiente para recomeçar e dentro das minhas mãos apenas as mãos daqueles que amo.
Partiríamos empurrados pela vontade de ir ao encontro de qualquer coisa e adormeceríamos ao som do comboio que balançava suavemente nos carris. A Alice encostada no meu ombro, o António junto ao meu coração e o Hugo de braço enlaçado sobre todos.
Foi assim que acordei hoje, mas cedo percebi que tudo ficaria igual e que a força para sair de dentro dos dias semelhantes, não tinha despertado comigo neste dia demasiado quente.
Na bagagem o suficiente para recomeçar e dentro das minhas mãos apenas as mãos daqueles que amo.
Partiríamos empurrados pela vontade de ir ao encontro de qualquer coisa e adormeceríamos ao som do comboio que balançava suavemente nos carris. A Alice encostada no meu ombro, o António junto ao meu coração e o Hugo de braço enlaçado sobre todos.
Foi assim que acordei hoje, mas cedo percebi que tudo ficaria igual e que a força para sair de dentro dos dias semelhantes, não tinha despertado comigo neste dia demasiado quente.
domingo, 25 de julho de 2010
Cocozando All Day Long
Agora que o meu baby "fala" com os seus brinquedos, chucha no dedo indicador com expressão reflexiva e cruza os pés, como se os baloiçasse descontraidamente nos degraus de um alpendre, podia também fazer cocós num esquema mais ou menos decente e engraçado. Mas não, ele quer ser diferente, por isso decidiu tomar o caminho mais longo da cagada, que é como quem diz, distribuir o mesmo cocó pelas várias horas que compõem um dia.
Senão vejamos, faz um minúsculo de manhã cedo e diz pause, faz outro pequeno a meio da manhã e diz pause, continua depois do almoço e grita pause, mudo-o e assim que se sente fresco, alivia o restinho que tinha ficado, mais ao meio da tarde temos já a segunda parte da cauda da serpente e assim continua largando o seu composto químico até ao anoitecer e a mãe dele, neste caso eu, a trocar fralda atrás de fralda, atrás de fralda, atrás de fralda, atrás de fralda, livrando-o de pequenos e ridículos troços da mesma cagada.
Agora digam-me, porque não largar tudo como uma fartura tamanho xl? Porque não? Eu preferia, juro que preferia dar cabo do assunto com uma pá e um balde, do que andar todo o santo dia de colherzinha de chá.
Senão vejamos, faz um minúsculo de manhã cedo e diz pause, faz outro pequeno a meio da manhã e diz pause, continua depois do almoço e grita pause, mudo-o e assim que se sente fresco, alivia o restinho que tinha ficado, mais ao meio da tarde temos já a segunda parte da cauda da serpente e assim continua largando o seu composto químico até ao anoitecer e a mãe dele, neste caso eu, a trocar fralda atrás de fralda, atrás de fralda, atrás de fralda, atrás de fralda, livrando-o de pequenos e ridículos troços da mesma cagada.
Agora digam-me, porque não largar tudo como uma fartura tamanho xl? Porque não? Eu preferia, juro que preferia dar cabo do assunto com uma pá e um balde, do que andar todo o santo dia de colherzinha de chá.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Biltres
Desculpem lá esta minha nova fixação na Assembleia da República e seus trabalhadores, mas durante a noite, tropeço no AR Tv, esse conhecido canal de entertenimento e não consigo evitar que se me revolvam as entranhas.
Ontem dei de caras com uma Comissão de Acompanhamento para o Ambiente e Planeamento, com a nossa charmosa ministra Passarinha e fiquei catatónica. A conhecida Mamila Jameira (que é como quem diz Jamila Madeira) falava, falava, falava, falava e não dizia rigorosamente, e quando digo rigorosamente é mesmo assim, nada, a ponta de um corno. Passo a exemplificar:
"A questão em discussão é de relevante interesse para o conhecimento mais aprofundado da mesma e logicamente, para que nos inteiremos de tudo a que a questão respeite em questão", ficou nisto horas, entre coçadelas de nariz, qual jogador da bola a ser entrevistado. Atrás dela um sujeito enviava SMS non stop, enquanto a eloquente política continuava naquele ram-ram de fazer desesperar o mais paciente dos seres.
Eu só pergunto uma coisa: Somos nós que pagamos aquela verborreia vazia? É do nosso bolso que sai o carcanhol para alimentar comissões sobre nada?
Haja paciência para aturar esta cambada de biltres, haja paciência! Se pudesse corria tudo à bengalada!
Ontem dei de caras com uma Comissão de Acompanhamento para o Ambiente e Planeamento, com a nossa charmosa ministra Passarinha e fiquei catatónica. A conhecida Mamila Jameira (que é como quem diz Jamila Madeira) falava, falava, falava, falava e não dizia rigorosamente, e quando digo rigorosamente é mesmo assim, nada, a ponta de um corno. Passo a exemplificar:
"A questão em discussão é de relevante interesse para o conhecimento mais aprofundado da mesma e logicamente, para que nos inteiremos de tudo a que a questão respeite em questão", ficou nisto horas, entre coçadelas de nariz, qual jogador da bola a ser entrevistado. Atrás dela um sujeito enviava SMS non stop, enquanto a eloquente política continuava naquele ram-ram de fazer desesperar o mais paciente dos seres.
Eu só pergunto uma coisa: Somos nós que pagamos aquela verborreia vazia? É do nosso bolso que sai o carcanhol para alimentar comissões sobre nada?
Haja paciência para aturar esta cambada de biltres, haja paciência! Se pudesse corria tudo à bengalada!
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Uma Questão de (des) Respeito
Eu sou um bocado antiquada no que respeita à solenidade de certos cargos públicos. Penso que não há nada a fazer quanto a isto, pois se tenho um lado da caixa torácica idiotamente liberal, o outro lado é estupidamente conservador. Não raras as vezes os dois andam à bulha: Ó porque é que estás a ser tão retrógrado? Diz um lado. E tu, porque é que tens a mania que és p'rá frentex? Responde o outro.
De maneira que o meu lado torácico conservador acha que um deputado, quer pela função que desempenha, quer pela solenidade que reveste o seu local de trabalho (ou pelo menos deveria revestir em teoria), deve vestir-se com o mínimo de decoro.
Não imaginam como me enerva ver alguns deputados, do alto da sua eloquência, aos gritos inflamados, vestidos como se tivessem acabado de chegar de uma pijama party. Vê-se que nem se deram ao trabalho de tirar as nódoas da t-shirt preta desbotada para irem arrotar postas de pescada na Assembleia da República. Desconfio até que não tocam num sabonete há mais tempo do que ouso supor e isso irrita-me, dá-me uma comichão de sujidade psicológica e sinto que quem anda ali a botar sentenças em nome do povo devia pelo menos ter um aspecto lavado.
De maneira que o meu lado torácico conservador acha que um deputado, quer pela função que desempenha, quer pela solenidade que reveste o seu local de trabalho (ou pelo menos deveria revestir em teoria), deve vestir-se com o mínimo de decoro.
Não imaginam como me enerva ver alguns deputados, do alto da sua eloquência, aos gritos inflamados, vestidos como se tivessem acabado de chegar de uma pijama party. Vê-se que nem se deram ao trabalho de tirar as nódoas da t-shirt preta desbotada para irem arrotar postas de pescada na Assembleia da República. Desconfio até que não tocam num sabonete há mais tempo do que ouso supor e isso irrita-me, dá-me uma comichão de sujidade psicológica e sinto que quem anda ali a botar sentenças em nome do povo devia pelo menos ter um aspecto lavado.
Sou assim, o que é que se há de fazer...
Quando tenho um desabafo com alguém, a coisa pior que me podem fazer é um grande drama, um teatro brutal em torno de uma situação banal.
Desdramatizem-me, façam-me rir, dêem-me estalos, mas juntarem lenha, querosene e gasolina ao pequeno melodrama interior é que não. Não suporto, fico sem vontade de voltar a desabafar.
Desdramatizem-me, façam-me rir, dêem-me estalos, mas juntarem lenha, querosene e gasolina ao pequeno melodrama interior é que não. Não suporto, fico sem vontade de voltar a desabafar.
Vi a Luz!!!
Hoje fui vacinar o António à Clínica Europa e tenho que vos dizer que andei a dormir durante anos e vi finalmente a luz. Caramba, por 9 euros posso ir tranquilamente entre as 9 e as 18, ser atendida em 5 minutos e usufruir de uma maravilhosa vista sobre o mar.
No final das vacinas, a Alice não quis ir-se embora e ali ficámos na recepção com vista sobre o mar da marginal, eu a beber café de máquina automática, a Alice a jogar um jogo que levou consigo e o António adormecido e em estado de choque.
No final das vacinas, a Alice não quis ir-se embora e ali ficámos na recepção com vista sobre o mar da marginal, eu a beber café de máquina automática, a Alice a jogar um jogo que levou consigo e o António adormecido e em estado de choque.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Este País Não é Para Ninguém Ponto.
No seguimento do meu dia de ontem, hoje continua a saga de ser portuguesa em terras lusas.
Esta manhã pergunto do alto da minha ingenuidade, inocência, ou tacanhice cerebral:
Porque é que não podemos vacinar as crianças em qualquer centro de saúde? Porque é que tem que ser no da área de residência?
Da última vez que fui vacinar o António avisaram-me: No mês que vem vamos entrar em obras, por isso ligue antes de vir para saber onde é que estamos. Então e porque é que não posso ir com ele a outro Centro de Saúde? Ah, sabe é que o processo dele está aqui e não pode ir a outro sítio vaciná-lo. Que grande e rotunda estupidez, penso eu.
Hoje lá telefono para o Centro de Saúde a fim de saber onde raio estão aquelas almas a dar picas. Liguei cerca de 200 vezes, o que as senhoras fazem é atender o telefone e pousá-lo, ficando eu a ouvir as conversas das lesmas ao longe. Grito, insulto, volto a gritar e nada. Ali fica o telefone pousado e a minha raiva e impotência a crescer de forma avassaladora.
Nada é fácil por aqui, mas é que mesmo nada.
Esta manhã pergunto do alto da minha ingenuidade, inocência, ou tacanhice cerebral:
Porque é que não podemos vacinar as crianças em qualquer centro de saúde? Porque é que tem que ser no da área de residência?
Da última vez que fui vacinar o António avisaram-me: No mês que vem vamos entrar em obras, por isso ligue antes de vir para saber onde é que estamos. Então e porque é que não posso ir com ele a outro Centro de Saúde? Ah, sabe é que o processo dele está aqui e não pode ir a outro sítio vaciná-lo. Que grande e rotunda estupidez, penso eu.
Hoje lá telefono para o Centro de Saúde a fim de saber onde raio estão aquelas almas a dar picas. Liguei cerca de 200 vezes, o que as senhoras fazem é atender o telefone e pousá-lo, ficando eu a ouvir as conversas das lesmas ao longe. Grito, insulto, volto a gritar e nada. Ali fica o telefone pousado e a minha raiva e impotência a crescer de forma avassaladora.
Nada é fácil por aqui, mas é que mesmo nada.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Este país não é para bebés/ Desabafo
Estou de gatas, não é de rastos, é de gatas mesmo. Não aguento mais andar pelas ruas de Cascais com o carrinho e a Alice de mão no bolso de trás das minhas calças. Não estou a exagerar, hoje senti que se desse mais um passo me desfazia num monte de ossos na estrada.
Tive que ir aos Correios buscar uma carta registada e o parque onde costumo deixar o carro estava fechado para obras, parei num sítio com parquímetro e percebi que não tinha moedas, abri a porta do carro e a porta raspou no passeio, ficando literalmente presa no chão, devido à inclinação, só consegui desencravá-la a pontapé. Tirei cadeirinha, ovo com António, Alice e fui à procura de um café que me destrocasse uma nota para o parquímetro (zona vermelha), ao descer o passeio na passadeira, a cadeirinha encravou na grelha de esgoto mesmo sobre a passadeira e a Alice tropeçou no gigantesco passeio que antecede essa merda chamada passadeira portuguesa, do outro lado da zebra uma árvore descomunal, abarcando toda a extensão de passeio e bloqueando a passagem, entre socalcos e buracos lá contornei a árvore, só para cair noutro buraco na calçada. Consegui chegar ao café onde me trocaram as moedas e lá empreendi o caminho de volta até ao carro, já com o senhor da Emmel a subir pela rua e a espumar com uma erecção só de ver um carro sem papelinho (o meu). Lá fui de novo até aos correios, tendo que dar uma volta de quilómetros até encontrar uma zona onde pudesse subir com a cadeirinha e quando finalmente vi o conteúdo da carta registada, era uma conta para pagar. Arrasto-me de volta e a Alice diz-me que quer dar uma voltinha por Cascais. Respiro fundo e digo-lhe que sim e lá vamos nós sobre passeios que terminam abruptamente, calçada rebentada e esburacada, inclinações súbitas, onde tenho que andar com a cadeirinha em duas rodas, carros mal parados, um vento ciclónico, buzinas. Um ambiente agressivo, onde é impossível passear-se com prazer, é uma prova de obstáculos pura e simples, finda a qual, a força para repor o ovo no carro e a cadeirinha no porta bagagens simplesmente desapareceu. Só queria sentar-me na beira do passeio e desmaiar.
Nunca fui de andar a dizer mal de Portugal a torto e a direito, mas nestas alturas odeio viver cá, a sério que odeio.
Ontem na loja para crianças Imaginarium, no chão bem no centro do espaço, brinquedos empilhados em exposição, dirigi-me à empregada da loja e disse-lhe que afastasse aquilo dali, que queria passar e não conseguia. Se entrasse ali alguém de cadeira de rodas, como seria?
Ela lá afastou aquela ideia de génio do meu caminho, mas teve que me ver bufar centenas de vezes de cada vez que esbarrava em alguma coisa.
Odeio as nossas lojas, odeio a nossa calçada, odeio a falta de infra-estruturas a pensar nas pessoas com constrangimentos motores. Nada é fácil aqui, nada e eu estou cansada. Cansada ao ponto de começar ao pontapé a tudo o que esteja no meu caminho.
Tive que ir aos Correios buscar uma carta registada e o parque onde costumo deixar o carro estava fechado para obras, parei num sítio com parquímetro e percebi que não tinha moedas, abri a porta do carro e a porta raspou no passeio, ficando literalmente presa no chão, devido à inclinação, só consegui desencravá-la a pontapé. Tirei cadeirinha, ovo com António, Alice e fui à procura de um café que me destrocasse uma nota para o parquímetro (zona vermelha), ao descer o passeio na passadeira, a cadeirinha encravou na grelha de esgoto mesmo sobre a passadeira e a Alice tropeçou no gigantesco passeio que antecede essa merda chamada passadeira portuguesa, do outro lado da zebra uma árvore descomunal, abarcando toda a extensão de passeio e bloqueando a passagem, entre socalcos e buracos lá contornei a árvore, só para cair noutro buraco na calçada. Consegui chegar ao café onde me trocaram as moedas e lá empreendi o caminho de volta até ao carro, já com o senhor da Emmel a subir pela rua e a espumar com uma erecção só de ver um carro sem papelinho (o meu). Lá fui de novo até aos correios, tendo que dar uma volta de quilómetros até encontrar uma zona onde pudesse subir com a cadeirinha e quando finalmente vi o conteúdo da carta registada, era uma conta para pagar. Arrasto-me de volta e a Alice diz-me que quer dar uma voltinha por Cascais. Respiro fundo e digo-lhe que sim e lá vamos nós sobre passeios que terminam abruptamente, calçada rebentada e esburacada, inclinações súbitas, onde tenho que andar com a cadeirinha em duas rodas, carros mal parados, um vento ciclónico, buzinas. Um ambiente agressivo, onde é impossível passear-se com prazer, é uma prova de obstáculos pura e simples, finda a qual, a força para repor o ovo no carro e a cadeirinha no porta bagagens simplesmente desapareceu. Só queria sentar-me na beira do passeio e desmaiar.
Nunca fui de andar a dizer mal de Portugal a torto e a direito, mas nestas alturas odeio viver cá, a sério que odeio.
Ontem na loja para crianças Imaginarium, no chão bem no centro do espaço, brinquedos empilhados em exposição, dirigi-me à empregada da loja e disse-lhe que afastasse aquilo dali, que queria passar e não conseguia. Se entrasse ali alguém de cadeira de rodas, como seria?
Ela lá afastou aquela ideia de génio do meu caminho, mas teve que me ver bufar centenas de vezes de cada vez que esbarrava em alguma coisa.
Odeio as nossas lojas, odeio a nossa calçada, odeio a falta de infra-estruturas a pensar nas pessoas com constrangimentos motores. Nada é fácil aqui, nada e eu estou cansada. Cansada ao ponto de começar ao pontapé a tudo o que esteja no meu caminho.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
O Bicho Peão
Quando conduzo sou bastante civilizada no que diz respeito a peões, mas há certo tipo de pessoal pedonal que me tira do sério, nomeadamente o peão peneirento.
Esta raça de peão é caracterizada por deslizar na passadeira, como se desfilasse na passerele, demora horas infindas a cruzar a estrada e arrasta-se, deixando um rasto de langonha atrás de si, goza connosco, olha-nos de lado enquanto solta risinhos para o telemóvel e hoje quase podia jurar que a top-model feiosa que deixei atravessar na zebra sacou do seu espelhinho de bolso e retocou a maquilhagem enquanto a ursa esperava dentro do carro.
Esta raça de peão é caracterizada por deslizar na passadeira, como se desfilasse na passerele, demora horas infindas a cruzar a estrada e arrasta-se, deixando um rasto de langonha atrás de si, goza connosco, olha-nos de lado enquanto solta risinhos para o telemóvel e hoje quase podia jurar que a top-model feiosa que deixei atravessar na zebra sacou do seu espelhinho de bolso e retocou a maquilhagem enquanto a ursa esperava dentro do carro.
domingo, 18 de julho de 2010
O meu bebé
Tenho curtido muito o meu bebé. Pela primeira vez sozinha com ele conheço-o mais um bocadinho e percebo como tenho andado distraída e pouco atenta a cada pequeno progresso que ele faz, a cada ruído novo, cada olhar ternurento, cada sorriso rasgado e desdentado, o seu cheirinho doce, a sua pele macia e os seus braços em forma de rolinhos que não param quietos.
Hoje deitei-o na minha cama de manhã e deixei que ele ficasse a falar comigo e a puxar-me o nariz, enquanto eu dormia mais uma hora e ele ficou sem chorar, apenas a olhar a cara da mãe adormecida.
Ontem sentámo-nos os dois no sofá de pernas cruzadas, ele encaixado no meu colo e ouvimos dezenas de músicas juntos, sem protestos, sem resmunguices, a casa era nossa e nós um do outro sem divisão de atenção, sem partilha. Ficou completamente louco com a música já antiga da Des'ree "Life".
Temos sido 100% egoístas e vivido apenas de sopas e carinho e eu aprendi um bocadinho mais sobre nós...
Hoje deitei-o na minha cama de manhã e deixei que ele ficasse a falar comigo e a puxar-me o nariz, enquanto eu dormia mais uma hora e ele ficou sem chorar, apenas a olhar a cara da mãe adormecida.
Ontem sentámo-nos os dois no sofá de pernas cruzadas, ele encaixado no meu colo e ouvimos dezenas de músicas juntos, sem protestos, sem resmunguices, a casa era nossa e nós um do outro sem divisão de atenção, sem partilha. Ficou completamente louco com a música já antiga da Des'ree "Life".
Temos sido 100% egoístas e vivido apenas de sopas e carinho e eu aprendi um bocadinho mais sobre nós...
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