quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Tem sido assim

Aconselhado pela minha book adviser (sim, eu tenho uma, que nunca me deixa ficar mal e que, pasme-se,até trabalha numa livraria). Ela falou-me em medinho, mas é mais do que isso. É para o cagaço puro e duro. Daqueles que  não nos deixam  ir fazer xixi durante a noite:
(tentem lá dizer o nome desta escritora numa livraria, sem terem ataques de riso)


 Para quem gosta de Nick Hornby, este escritor fez-me lembrar o estilo adolescente, descomprometido e inteligente, mas em jeito profundo e comovente. E a capa, senhores, a capa? Não é perfeita? Li em dois dias:



 Para quem gosta de melhores escritores do universo (sim, espaço incluído). O Zafón dá-nos vontade de o ler com um pequeno caderno de apontamentos, para copiarmos as tiradas geniais :) E deixem-se de merdas, que é escritor da moda e afins, porque não é possível passar-se pela vida sem ler este gajo.

E tem sido isto e mais outras tantas capas e letras e histórias que me têm lançado nos braços da leitura de forma doentia, como já não acontecia há anos.
Agora aproximem-se livrarias virtuais e ofereçam-me vales em troca de publicidade! Para quando, hein?
Também consumi alguns livros de capa e título duvidosos, mas que me surpreenderam pela super positiva. No entanto, o meu orgulho de gaja intelectualmente superior, não me deixa enfiar aqui tais capas e tais títulos.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A cidade às pessoas

Tenho um parque urbano aqui muito perto de casa, cujo parque infantil foi vandalizado e os placards com a informação das espécies que podemos nele encontrar, partidos sem dó, nem piedadade. Acrescido a isto, já não vou mencionar os cagalhões de cães que polulam no relvado e que impedem os putos de correrem livremente, a menos que gostem de brincar atirando cagalhões uns aos outros pela relva, qual paint ball improvisado.
Hoje visitei o Bosque dos Gaios, um sítio tranquilo, que deveria pertencer às pessoas e não aos cães, mas infelizmente e, apesar dos sinais à entrada, que apelam à trela e aos sacos para fezes caninas, fartei-me de ver cães à solta a cagarem a seu bel prazer, enquanto as donas se passeiam tranquilamente sem saquinhos nas mãos, nem nada que indicíe vontade de não sujar o nosso espaço.
Dentro do pequeno bosque, passei por umas hortas comunitárias, ideia que adoro e aplaudo a 100%, mas tinha que ver um grupo de velhas a gamar couves da horta.
Portanto, a minha conclusão é que nós não merecemos espaços deste género. Não sabemos lidar com a liberdade que nos oferecem e somos, por natureza, javardos.
Quantos mais anos terão que passar para entendermos definitivamente o que é a comunidade e o respeito que temos que ter pelos espaços partilhados?
Onde poderei ir com os meus putos? Onde respeitarão as regras? Onde serão menos javardos?

O teu coração

Hoje e ontem e outros tantos dias que não importam, penso em ti.
Hoje e ontem e outros tantos dias que não importam, desejo resgatar os teus dias e devolver-te o tempo que perdes a tratar as tuas feridas.
Hoje sei que o coração é uma metáfora, sim. O coração é apenas um músculo, que comprime e descomprime, um pedaço de carne com sangue,  artérias e veias, alheio à nossa vontade.
Um coração também fica doente sem ser de amor. E é em alturas destas, que se prefere mil vezes as cicatrizes metafóricas, de paixões antigas, às cicatrizes no músculo que nos mantém vivos.
O teu coração vai viver, sim e vai sofrer das metáforas foleiras e do tempo e de tudo aquilo que mereces para ti.
E isto é assim, porque há corações que comportam o mundo e o teu, certamente que o faz muito melhor do que o meu, muito melhor do que a maioria dos corações que batem por aí.

domingo, 16 de setembro de 2012

Hoje, estes saloios

Decidiram ir a Lisboa de comboio e usar também o metro. Afinal de contas, vivemos na merdaleja e o António só andou uma vez na vida sobre os carris e é louco por comboios. Vai daí, decidimos poupar na gasolina e mostrar os transportes públicos aos putos.
Eu pude reviver os meus tempos de faculdade, em que apanhava a carrêra e o comboio e ainda usava as pernas para andar centenas de dezenas de metros e eles puderam vibrar com a experiência, quais meninos da mamã, habituados apenas a quatro rodas.
Como é evidente, só eu é que acreditava que ficava mais barato ir de comboio para Lisboa, do que de carro. Levaram-nos o cú e as calças no comboio e as cuecas no metro.
E pude relembrar (ainda que com a atenuante de ser domingo) a experiência única que é andar numa carruagem sem ar condicionado (devem estar a poupar), com cheiro a chulé e a sovaco, assentos cheios de nódoas e migalhas, janelas sebosas, aliás, tudo seboso. Pude reviver a loucura de ouvir a malta a tossir para cima de nós e sentir os esporos virais penetrarem na minha bela pele e nariz.
Enfim, foi-se a memória esbatida e romântica dos meus tempos de faculdade, em que levava um livro que nunca lia, e senti de novo na pele, a ânsia da estação final que não chega nunca mais.
Foi idílico, sim. Idílico e caro como o caraças.

Brevíssima

Farta de ouvir falar em Portugal e em sacrifícios pelo país, como se um país pudesse ser dissociado do seu povo. Como se um país pudesse sobreviver às custas da "morte" dos que formam a sua identidade.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

sabedoria popular

Infelizmente, esta é uma frase que se aplica a imensas coisas e a outras tantas imensas pessoas. Uma frase que nos faz sentir pequenos pedaços de caganitas de cabra, no meio de tanta gente famosa por um qualquer motivo, que ainda nos escapa:
"Mais vale cair em graça do que ser engraçado".

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

I Work To Make a Living

Partilho aqui dois posts, de duas mães lutadoras, que me deixaram ainda mais reflexiva e com tendências homicidas.
Será que aquele vegetal, que aceitou o cargo de Ministro das Finanças, com o seu discurso distante e monocórdico, qual autómato deslocado da realidade, imagina quanto custa o material escolar dos putos? Será que ele faz contas ao preço da carne e da fruta? Será que ele sabe quanto custa um litro de leite, ou o passe social? Será que ele sabe que vive num mundo com pessoas de carne e osso, que sentem e pensam? Que vivem na mais prostituta das dificuldades e que ainda têm que o escutar (se conseguirem manter-se acordados) a pedir para fazerem mais sacrifícios?
O que é que queres que o povo faça? Que se suicide?
E que tal enfiar os sacrifícios pelo orifício acima?

Post 1
quando chego ao ponto de achar que o Cavaco é que tem de resolver isto e pôr aquela merda toda na ordem sei que cheguei ao fundo do poço.o Cavaco????eu a achar que esse gajo tem que pôr as cenas em ordem????alguém me espanque por favor.
não sou nem mais nem menos que o resto do povo.já não tenho palavras a dizer,nem coisas de que me queixar porque já me queixei e lamentei de tudo o que havia.estou farta,farta e saturada.eu e toda a gente.e volta e meia ainda penso "ainda bem que tenho trabalho".sim,pois tenho,tenho um trabalho que basicamente me impede de dormir na rua porque depois de pagar todas as contas o que sobra pra comer é quase nada.se calhar mais valia dormir na rua e andar de barriga cheia.deixar-me ficar ali pelos bancos do jardim,a conviver,a ver passar os carros e as pessoas,a ser mais eu.
eu queria muito poder jantar fora de vez em quando,ir a um cinema,esplanar sem me preocupar em beber mais que um café,pedir um sumo caramba!comer um bolo!comprar uma t-shirt!beber uma cerveja ao fim do dia.e não posso.nem eu nem basicamente ninguém.porque esta conversa não sou só eu,são todos os que se vêem impedidos de gozar a puta da vida porque os cêntimos estão contados,são todos os que não têem um vencimento (mesmo que seja reles) no final do mês,são todos os que se desunham para poder pagar as suas contas.nós não queremos aproveitar um passeio grátis ao jardim.nós queremos ir ao jardim e ficar um bocadinho na esplanada a beber umas minis.nós não queremos aproveitar todas as borlas,nós queremos ir onde nos apetece e fazer as coisas acontecer.nós não queremos o ordenado só para pagar as contas,nós queremos que sobre um bocadinho para poder aproveitar.
e nada,não sobra nada.só um grande vazio à frente dos nossos olhos,nas nossas vidas.



Post 2
Ver que não há nenhum buraquinho na vida laboral para mim começa a ser angustiante. E já sabem que eu não sou esquisita e vou a todas. Não me identifico com as profs que aparecem nas notícias a dizer "tirei o curso via ensino em História, não sei fazer outra coisa agora o que faço?" como se o estado me devesse um emprego só porque tirei o curso que quis. Anyway, no ensino, nem naqueles horários incompletos ou AECs tenho hipótese, pois há milhares de professores "antigos" sem colocação. Quando ao resto, já fui a várias entrevistas e não fiquei em nenhuma das ofertas. Mas olhem que com perguntas tão estúpidas como "Why do you work?", o que é que querem que eu responda senão "To make a living" ?(na minha cabeça estava a dizer "To make a living, you twenty-year-old bitch who knows nothing about life")
Agora tenho uns psicotécnicos marcados, já treinei e já percebi que sou um zero à esquerda com essas coisas.
(...)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Vítogue Gaspague ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ

Este gajo dava aulas?
Haveria distribuição de babetes, almofadas e ursinhos de peluche à entrada das aulas dele?
Ele devia pensar seriamente em investir num daqueles aparelhos que transformam a voz. Devia falar para uma merda que reproduzisse a voz dele com som robótico, ou de gaja sensual.
Só me apetece enrroscar-me em posição fetal, meter o polegar na boca e deixar-me morrer ao som da voz dele.

É importante amar

Gosto de ouvir as desculpas racionais dadas por quem não partilha a vida com alguém.
Gosto de ouvir as razões construídas por aqueles que defendem que não amar alguém, não é assim tão mau. Nós bastamo-nos, somos tão auto-suficientes, que o nosso amor próprio chega.
Gosto de ouvir que assim não há dramas com tubos de pasta de dentes espremidos pelo sítio errado, tampos da sanita por baixar, ou mau humor matinal.
Gosto de todas essas justificações.
Gosto, porque sei que são como a história do “casamento molhado, casamento abençoado”. São só coisas que inventamos para nos sentirmos melhor. Ninguém gosta que chova no dia do seu casamento, tal como ninguém se importaria de trocar um tubo de pasta de dentes sempre espremido correctamente, por uns pés quentes no inverno, ou um tampo de sanita levantado, por um brinde a dois.
É importante vermos o lado bom de estarmos sós, sim. E ainda mais importante apreciarmos a nossa própria companhia. Mas é fundamental estarmos cientes de que todo o ser humano vive de afectos e que as desculpas que desenterramos para nos sentirmos menos sozinhos, são apenas isso. Desculpas.
Quero acreditar que ninguém nega um grande amor, porque põe em causa a ordem da casa de banho.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Lista de compras

5 granadas de mão
2 bazucas
2 pistolas de pregos
Uma lata de gasolina (vai ter que ser uma para encher isqueiros Zippo, porque a gasolina está cara como o caralho, mas dá para o gasto)
1 alma humilhada ao ponto do piaçaba
2 ânus rotos e com graves crises de hemorroidal governamental
20 sacos de farinha metafórica, cheios de indignação
20 sacos com farinha a sério, para atirar a várias trombas
Bacios com merda a perder de vista

Não quero saber de lutas constituicionais e verbais, uma vez que as leis no nosso país, incluindo a Constituição, têm o mesmo valor que um rolo de papel higiénico. Eu quero é molho.

Onde é que é a manifestação?

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Eh, Dama!

Há qualquer coisa nos discursos das mulheres dos candidatos a Presidentes dos Estados Unidos, que me dá vontade de cair sobre o chão enlameado e rebolar-me a rir.
Aliás, não sei o que me dá mais vontade de rir. Se ouvir as futuras Primeiras Damas falarem de amor e da integridade do seu homem, ou as expressões lacrimejantes de quem as escuta.
As mulheres dos candidatos republicanos surtem um efeito ainda mais especial em mim, pois alucino e visualizo-as com um avental, saltos altos, cabelo cheio de laca, a tirarem tartes de maçã do forno e a levarem o jornal ao seu homem, juntamente com uns chinelos, após um dia de labuta.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Nível de cafeína no sangue

Meia caneca de café às 7 da manhã.
Um café na tasca mais próxima às 9.45
Às 10.15 um Nespresso.
Às 13.20 meia caneca de café.
E o dia ainda é uma criança.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Lacrimejo neste instante

Neste momento, em que o país arde, a gasolina está cara como um pénis nigeriano, as pessoas contam os trocos para comer no self service do Pingo Doce, sem poderem usar o cartão multibanco, o governo pondera acabar com os benefícios fiscais para pais com filhos deficientes, ao mesmo tempo que pondera mais mil e uma maneiras de foder o povo em geral e o funcionário público em particular, o que me importa mesmo nesta vida, é a tristeza do Cresteane Ronalde, face à perspectiva de levar com uma talhada fiscal no seu ordenado mínimo.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Book Lovers / Um policial e um romance

Stieg Larsson, A Rapariga que Sonhava com Uma Lata de Gasolina e um Fósforo
O número 2 da trilogia Millenium.
13,50 euros, com portes de envio para Portugal

O Beijo, a paixão de Gustav Klimt, de Elizabeth Hickey
10,00 euros, com portes de envio para Portugal

Se quiserem ficar com esta pérola da literatura policial sueca e/ou com este romance, que envolve um dos meus pintores de eleição, mailem-me para:
avontaderegresso@gmail.com


domingo, 2 de setembro de 2012

Magali, Cherie

Porque existem gostos para tudo, num mundo ideal haveria espaço para todo o tipo de escritores, sem tabus.
Num mundo ideal conviveriam românticos, pategos, profundos, exotéricos, filantropos, Prémios Nobel e prémios pimba, sem complexos, nem críticas e com mente aberta.
Não há que ter vergonha de ler Margarida, tal como não há que ter vergonha de ler Saramago,as previsões astrológicas da Maya, ou o último romance de Fátima Lopes. Ler é sempre bom. Quanto mais não seja, para estimular neurónios, aniquilar outros tantos, quando for necessário, abstrair, pensar, fazer cocó ao som de uma história, quando o intestino é preguiçoso, relaxar, aprofundar.
Por tudo isto, sempre achei que havia lugar, sim senhora, para a Margarida e tentei sempre controlar a vontade de entrar na onda de snobismo contra os seus livros e morder a minha própria frustração por não conseguir vingar no mundo editorial, convertendo-a em energia zen.
Agora, ponham-me esta senhora a falar e tudo muda.
Será que ela também escreve como fala? Será que o seu mundo é mesmo assim como ela o diz. Um limbo algures entre a adolescência e a vida de liceu?
Homens gostam de gansters e tiros e não organizam bem a loiça na máquina e mulheres passam horas ao telefone (Deus me livre e guarde) a falar de sentimentos?
Gordas podem falar de tudo e serem javardas à vontade, que ninguém lhes leva mal, porque ninguém lhes quer saltar para a cueca. Já as magras têm que ter cuidado com o que dizem?
Tenho uma novidade para ti, Magali. No teu caso, duvido que haja muita gente, com mais de 15 anos, a querer saltar-te para a cueca, depois de te ouvir falar durante dois minutos. Desconfio mesmo que, para que uma relação dure contigo, terá sempre que envolver fita adesiva, mordaças, ou deficiências auditivas.




quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A quem tiver a bondade de me responder, por favor:

MASQUESTAMERDA????!!!!!!!!



Dizem que da crise renascem e criam-se talentos desconhecidos.
Mas até nisso a nossa crise é fatela. Cocó é a única palavra que me ocorre depois de ouvir isto. Vontade de fazê-lo, de gritá-lo, quem sabe até cantá-lo.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Não querendo generalizar, mas generalizando

Digam o que disserem, somos um povo peneirento.
Os nossos médicos são peneirentos, os advogados peneirentos são, os estudantes da grande maioria dos cursos são peneirentos. Os nossos políticos, meu Deus, os nossos políticos são peneirentíssimos e mesmo quando decidem ir para o trabalho de mota (sim, eu própria caí na esparrela desse quadro encenado) são peneirentos e afastados da realidade. Nada a ver com os ministros do Norte da Europa que vão para o trabalho de bicicleta e comem na cantina com o resto da malta, como se isso lhes tivesse na massa do sangue.
Agora, o que me deixou de queixo caído até aos cabelos, foi aperceber-me que também temos emigras peneirentos.
Ontem, quando entrevistados numa bomba de gasolina sobre como o aumento dos combustíveis os afectava nas suas vindas à terra, todos eles afirmaram, do alto da sua grande vaidade, que não lhes faz la diference e que lá em Paris de França também não deixavam de ir abastecer por causa dos preços.
Esta mentalidade do trolha, ou taxista em Paris da França, que chega ao Tugal e dá ares de sultão das arábias, é rigorosa e absolutamente fascinante.

*E ignorem toda e qualquer semelhança deste post com um post peneirento.

domingo, 26 de agosto de 2012

Sim, é isto

(...)"O amor e o casamento estão assentes em trabalho e cedência. São baseados na capacidade de ver o outro tal como ele é. Sentir a desilusão e mesmo assim decidir ficar por perto. São baseados em compromisso e conforto e não numa espécie de reconhecimento súbito e histérico"(...) "Se te apoiares na magia e no misticismo, assim que as merdas acontecerem, assim que a vida interferir, a magia vai desaparecer e ficas sem nada onde te agarrares" (...)

*Retirado deste livro, cujo título e a capa delicodoce seriam o suficiente para me manter afastada das suas páginas, mas como foi recomendado pela menina que o traduziu, fui em frente e acabei por lê-lo em modo compulsivo.

Licença de porte de canídeos

Mais do que não aguentar as notícias dos ataques de cães de raça perigosa, estou pelos cabelos com os maluquinhos dos animais, que saltam em defesa do bicho abatido, com verdadeiro espírito terrorista contra quem acha normal que um bicho que mata uma pessoa, desapareça do mapa (sim, também tenho pena que o dono não possa sair de algemas).
Haja anilha para tanta pessoa tontinha.
A sério.
Eu jamais compraria uma arma, tal como jamais compraria um cão com mandíbulas de tubarão e instintos agressivos. A primeira, porque não tenho sangue frio, nem pontaria para ousar premir um gatilho. A segunda, porque não sou uma pack-leader, como diz o mítico Encantador de Cães. Acabaria por ser dominada pelo meu cão-arma, juntamente com o resto da minha fraca matilha.
Ou seja, conheço os meus limites e não sou maluca de os pôr à prova, colocando vidas em risco.
Não preciso de um certo tipo de cão para me afirmar, tal como não preciso de um Ferrari para projectar o tamanho da minha pila, até porque não tenho pila.
Aos tontinhos que tratam cães como pessoas e que se exaltam de cada vez que lhes lembram que os cães são animais, e que até agradecem serem tratados como tal, isso é capaz de se resolver com uns comprimidos. Se não, experimentem um açaime.
E sim, já sei que existem raças pequenas extremamente agressivas, mas nunca se ouviu falar de uma criança morta por um chiuaua.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

ET Muuuuuuuu

Sei que tenho que levar o António a ver o gado, quando a irmã está a ver o filme ET na televisão e ele grita: VACA, VACA, VACA! de cada vez que vê o pequeno extra-terrestre.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Um dos anúncios mais intrigantes de sempre

- "Quantos é que somos? Dez milhões? Dez milhões? Quatro bolas de ouro. Quatro bolas de ouro."
Ainda não percebi se é publicidade a um vinho, ou a um bolo de cogumelos mágicos.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A vida como ela é

A vida é, também, dor, perda, decepção, lágrimas, abismos e solidão.
A vida é, também, injusta.
A vida não é, só, felicidade e sorrisos e coisas bonitas e gente boa que não decepciona.
A vida é o bom e o mau, a dor e o alívio, o abraço e o desprezo. O pavor e a coragem.
A vida é merdosa e maravilhosa. É começo e fim.
Tentar fechar os olhos a qualquer um dos lados, tira-lhe a plenitude.
A sabedoria está em aceitar que é assim, em não querer forçar só momentos felizes, porque é suposto ser-se sempre feliz.
A sabedoria está em continuar a acreditar que é possível voltar a sentir o sol, depois da sombra. Ou, para os verdadeiramente sábios, conseguir sentir momentos de calor, quando tudo está coberto de neve.
Mas são muitas as pessoas que sentem medo da escuridão e que tentam a todo o custo negá-la, fechando-lhe os olhos. Esquecendo que a verdadeira escuridão, é a de quem se recusa a ver a vida como ela é. Feia e bonita.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Para Ti

Queria levar-te a dor embora.
Queria poder soprar um desejo de paz e que a paz acontecesse para ti, sem que tivesse nome de fim.
Queria poder arrancar-te as angústias e afirmar-te, com a certeza daqueles que tudo viveram e sabem, que tudo ficaria bem, que poderias descansar dos medos, abismos, dúvidas e solidão.
Queria descobrir-te um amor que te visse tal como és por dentro, esquecendo todas as outras camadas que, apesar de terem feito de ti quem és, impedem tantos de chegarem aí, onde tudo é bonito e profundo, com medo de se magorem, por te amarem tanto.
Queria fazer com que acreditasses que sim, que é mesmo possível, porque coisas boas são possíveis para ti.
Queria dizer-te que ficarás bem de qualquer forma, pois a tua forma é daquelas que transcendem conceitos e estéticas.
Podes ter que abrir mão de algumas coisas que te acompanharam e que compõem o que és por fora, mas a tua força, a tua beleza, está toda aí dentro. Dentro de tudo aquilo que importa. Dentro de ti.
És a minha heroína.
E sim, tudo vai ficar bem.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Coisas demasiado fascinantes para passarem em branco

Porque é que a senhora, ou o senhor, que tenta vender-me um colchão, um fogão, uma almofada, um aquecedor, um esquentador, um penso higiénico, tem sempre um produto igualzinho em sua casa e está muito satisfeita?
Porque é que certas pessoas que põem à venda o que quer que seja, parece que nos fazem um favor quando nos mostramos interessados em comprar?

Novo Estilo de Vida

Não sei jogar xadrez, nem percebo muito de estratégias de marketing, nem de auto promoção da minha básica e desinteressante pessoa.

Estou farta de gerir a vida real e tentar aceitar que também há quem gira a vida virtual, com profissional afinco.
Estou cansada de pessoas cuja vida gira em torno de uma página de internet e que vão deitando lenha, ou água nos status e posts, conforme as suas carências.
Ah, agora preciso de atenção, vou dizer isto.
Ah, agora preciso de 100 comentários, vou inventar aquilo.
Agora vou bloquear este para não ver isto que publico.
Agora vou permitir àquele que leia aquilo que me convém.
Agora vou animar isto um bocadinho e fazer um status misterioso, à medida do que preciso.
Agora vou criar suspense, agora vou amuar, agora vou bloquear, trocar amigo por conhecido, gerir quem vê fotos, status, partilhas e o diabo a sete.
Ah, queres ver o que é que é bom para a tosse, meu sacana? Lixaste-me a vida, disseste mal de mim? Então toma lá, vou desamigar-te do facebook!
Não tenho ânus suficientemente largo para esta merda supostamente séria, mas que, se formos a ver bem, é de um ridículo extremo.
A partir de hoje escreverei o link nos favoritos, para que não me esqueça jamais da importância relativa a dar a este novo modo de vida:
www.queroqueofacebooksefoda.com



sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Book Lovers para as Mães

O Livro da Criança, Mário Cordeiro

15 euros (com portes para Portugal) VENDIDO!

 A Criança e a Disciplina, T. Berry Brazelton
A Criança e o Choro, T. Berry Brazelton
10,50, os dois livros (com portes para Portugal)

Se estiverem interessadas, enviem mail para:
avontaderegresso@gmail.com

*Não sei porquê, mas hoje não consigo inserir as imagens dos livros. Terão que clicar no link para verem.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Duas Questões Absolutamente estúpidas

-As minhas t-shirts estão a ser comidas vivas. Não sei o que lhes anda a morder, mas são sempre dois buraquinhos no mesmo sítio. Das 12 t-shirts que tenho, 10 têm pequenos buraquinhos na zona do umbigo.
Pensei que poderiam ser traças com fetiche por zonas de umbigo de t-shirts e mudei a roupa toda de sítio, além de ter enchido o armário com saquinhos de cheiro a casa de velha.
Não resultou.
Pensei que poderia ter apanhado uma espécie de verme no umbigo (bilhequeeeee), com fetiche por t-shirts, mas não. Tirando o cotão acumulado, está limpinho.
Vai daí, gostava de saber se existe alguma associação de vítimas de buracos de t-shirt, ou se mais alguém anda a ser atacado por este mal.
- Não consigo parar de ver os Jogos Olímpicos e gostava de saber se é só a mim que acontece, ficar subitamente fã de desporto, quando no resto dos anos, não lhe ligo rigorosamente nenhuma.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A Fauna Balnear

Não sendo fanática de praia, muito pelo contrário, tenho dado por mim a ceder à vontade dos putos e a enterrar a pata no areal, quase todos os dias (louvado seja o Senhor, que me louve).
Apesar de viver relativamente perto do Guincho, essa praia bela e temperamental, a realidade é que sempre que lá vou, passo o tempo a levar com areia na tromba e a tiritar de frio, agarrada aos meus pertences, para que não voem para os lados da Nova Zelândia. Vai daí, este ano, cortei relações com o Guincho. O Guincho quesefoda.
Abracei as praias de Cascais, em todo o seu esplendor.
Como são praias mais fofinhas e acolhedoras , depois de quase 2 semanas a levar os putos, já conheço quase toda a gente de cor.
Temos os bandos de velhas (as únicas que conseguem chegar antes de mim ao cenário), que gostam de ficar com água por baixo da coxa, na conversa e, desconfio, que a mijarem-se toda a santa manhã, pois a água está sempre um caldinho nessa zona.
Temos os maridos das velhas, que machos como são, não sentam o rabo na areia. Passam as horas matinais, de pé e de mãos nas ancas, falando de política.
Temos as mulheres rijas como aço, que percorrem a praia de um lado ao outro, dentro de água. Para trás e para a frente, para trás e para a frente, para trás e para a frente, como se quisessem chegar a um sítio que jamais alcançarão.
Temos as velhas que se plantam nas rochas cheias de mexilhão e que deixam descair a alça do fato de banho, quase até ao nível do piso térreo, lado a lado com os velhos que parecem padecer de pé de atleta no mais profundo estado de inflamação e cujas unhas se confundem com os próprios mexilhões.
Temos aquele casal de espanhóis com uma filha pequena, que, de cada vez que a miúda quer arrear o calhau, a mãezinha pega nela e, ao invés de sentar a miúda no balde da praia, ou levar uma fralda para o efeito, deixa-a cagar na areia, para depois fingir que tira a merda com um lenço.
Temos o grupo de amigas que faz questão de encostar as toalhas nas nossas toalhas, com amor e dedicação, pois que não há mais areia para se plantarem, além daquele meu quadradinho.
E temos finalmente a rainha das velhas. Aquela senhora dos seus 80 anos, que faz topless e come muitas uvas com grainha à beira mar, fazendo-me sempre temer pela minha integridade física, pois não raras foram as vezes que íamos tropeçando os três nas suas mamas.
E assim é a praia. As crianças adoram e eu vou e gelo as canetas na água horas e horas e cavo buracos onde encontro cotonetes e beatas (de cigarro, entenda-se) e piscinas, onde molhamos os nossos 6 pés.





terça-feira, 7 de agosto de 2012

Enquanto conduzo, surgem as grandes questões metafísicas

- Mãe?
- Sim
- Os teus avós já morreram?
- Quase todos, ainda tenho uma avó´.
- A bisa?
- Sim.
- E foram para onde? É verdade que foram para o céu?
momento rápido de reflexão. Opto pela resposta mais apaziguadora.
- Foram, claro.
- E o que é que eles ficam lá a fazer?
- A tomar conta de nós. Transformam-se em anjos, nos nossos anjos pessoais.
- Com asas?
- Sim.
- Mãe?
- Sim.
- Eu não quero que morras antes de mim.
vários foda-se's para dentro e silêncio.
- Podemos falar noutra coisa qualquer?
- Achas que agora dá para falarmos das sementinhas?
- Queres falar de agricultura? Boa!
risos sádicos da minha filha.
- Não, mãe. Falar das sementinhas na tua barriga. Como é que eu fui parar dentro da tua barriga.
Por segundos, penso numa saída fácil, como  guinar o volante para cima de outro carro.

domingo, 5 de agosto de 2012

pequena perguntinha

As pessoas que metem botox, estarão mesmo convencidas da invisibilidade do procedimento? Acham mesmo que parece natural?
Se sim, tenho uma bomba a largar-lhes na face cheia pela seringa:
NOTA-SE.

Lista de Procedimentos de Emergência

Não sei se sonhei, mas tenho ideia que os pilotos têm uma lista de coisas a confirmar, no caso de alguma coisa correr mal.
Não é que não a saibam de cor, mas em situações de stress, o nosso cérebro bloqueia.
Vai daí, lembrei-me que não será má ideia fazer, desde já, uma lista semelhante para as crises de meia idade. Sendo que a meia idade pode ir dos 40, aos 70 anos e envolver bloqueios cerebrais que nos impedem de raciocinar com coerência.
Já tenho a primeira alínea desta lista:
a) Apesar de poder ter passado algum tempo, desde a última vez que sentiste os ardores da paixão, não te deixes levar por um piropo.  Pois quando chegarem os problemas de circulação, incontinência e demência, é mais importante teres alguém ao teu lado que partilhe contigo um pacote de fraldas e se lembre onde deixaste as chaves de casa, aquecendo-te os pés durante a noite, do que alguém que te diga que ainda tens um rabo firme.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O amor

não se conjuga no passado, ou se ama para sempre ou nunca se amou verdadeiramente.
F.P.

A Partilha Forçada

Nos meios onde pululam putos e suas mães (eu incluída), tenho assistido várias vezes à imposição da partilha dos brinquedos com crianças desconhecidas.
Passa um puto terrorista e rouba um brinquedo de uma criança e a mãe desta começa numa cantilena do género:
- Empresta ao menino, vá, não faz mal. Não sejas assim, temos que partilhar.
A criança olha a mãe, sem entender patavina, de lágrimas nos olhos, chocada. Mas a mãe, querendo ser agradável com a mãe do puto chato, continua:
- Não faz mal, ele pode brincar.
E o filho olha-a, em prantos, sem perceber porque raio a sua própria mãe prefere ver um estranho brincar com o seu carrinho e não o defende da usurpação.
Pois eu digo BASTA!
Chega de gamarem brinquedos ao meu querido puto.
Uma coisa é partilhar com os irmãos, primos, amigos. Agora com perfeitos desconhecidos?
No way! Tenham lá santa paciência, mas quando um puto passa e agarra na pá e no balde cheio de pedrinhas acabadas de apanhar do meu filhote, como se o mundo fosse dele, aqui esta mãe exige a sua devolução imediata, muitas vezes com olhares demoníacos, que, por si só, destroem a vontade do pequeno bully.
Pedagogicamente duvidoso?
Provavelmente sim, mas caguei.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Pilim

Não deixa de ser fascinante, em termos sociológicos, ou  arqueológicos, verificar a relação esquizofrénica que cada um tem com o seu dinheiro. É mais ou menos como a questão da comida, mas mais complexa ainda.
Temos as pessoas que têm pouco, mas que gostam de aparentar ter muito.
Temos as pessoas que têm algum, mas que não conseguem largar o síndrome de não ter cheta e pensam que têm que aparentar não ter nenhum, pois parece mal ter algum.
Temos os ricos forretas, que gostam de passar por pobres, os ricos que padecem de incontinência monetária, passando os dias a estudar e inventar necessidades urgentes onde gastar o seu dinheiro, os ricos que não conseguem decidir se já são ricos, ou se ainda não conseguiram atingir o patamar e vivem na angústia do limbo.
Temos os que pensam que estão sempre a tentar ir-lhes ao bolso e que tornam uma relação saudável virtualmente impossível.
São raras as pessoas que têm uma relação equilibrada com o dinheiro e isto é triste à brava e chato também, pois nunca sabemos bem como falar sobre esse bicho, como abordá-lo, como descomplexá-lo, quando há muito, ou quando há pouco.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Desejo Agudo



A vida seria bem mais simples e prolongada se existisse este interruptor.


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Comer para matar a fome

Na nossa breve passagem pela zona da Mealhada, parámos num restaurante de beira de estrada, para satisfazer os estômagos roncantes das crianças e deparei-me com dantesco cenário.
As pessoas, no gigantesco complexo de ingestão de leitão, não falavam. Bigodes pingavam, línguas passeavam sobre as beiças, dedos agarravam pedaços suculentos de carne, pratos de batata frita eram passados de uma pessoa para a outra com sofreguidão. Ali parecia ingerir-se a própria vida. Era comer, ou morrer.
Eu sei que vem desde os primórdios dos tempos, esta cena com a comida. Este culto, esta obsessão, esta relação de profundo amor que muitos têm com o seu pedaço de entrecosto, o chouriço, a especiaria, as migas, a doçaria, até a própria salada gourmet.
Sei que eu própria padeço, de quando em quando, geralmente quando estou mais em baixo, desta paixão erótica pelo divino alimento, mas porquê?
Porque é que se perde tempo a fotografar o alimento, a acariciá-lo, a mimá-lo, a mostrá-lo, a falar sobre ele e a exibi-lo a outras gentes?
Há qualquer coisa errada aqui.
A comida deveria servir para matar a fome, ponto. O sexo, o amor e realizações de outros níveis, deveriam servir para matar outras carências.
Isto é a minha teoria.
Agora vou ali pôr a marinar numa cama de alecrim, com limão e azeite, o meu lombo.

terça-feira, 24 de julho de 2012

A Gente Não Quer Só Comida, a gente quer comida, diversão e arte

Pegando no mote da Melissa, com o seu post sobre como é redutor e cansativo à brava vivermos constantemente em função de poupar dinheiro para a comida e esquecermos a vida, decidimos fazer um passeio à medida do bolso emagrecido pelo corte de subsídios.
Acredito que existem passeios sempre possíveis, por mais magro que ande o bolso. E que, se nos decidirmos a pôr algum dinheiro de lado para um passeio, conseguimos amealhar. Podemos não ir a Nova Iorque, mas vamos com toda a certeza conhecer sítios maravilhosos no nosso país.
Os nossos 3 dias em Pedrogão Pequeno foram do melhor que já tivemos. Os miúdos cansaram-se, correram, viram, respiraram ar puro, gritaram, riram, adoraram cada minuto e nós saímos da rotina.
Sentimos a vida de aldeia, as festas de verão com cantores pimba, as farturas na feira, o verde até perder de vista e zerámos.
Zerar é importante.
Não comemos no hotel, nem em grandes restaurantes, mas encontrámos uma residencial bem perto, onde serviam doses a 10 euros que chegavam bem para os quatro.
O nosso país está a abarrotar de sítios lindos para conhecermos. Alojamentos caseiros, rústicos, em tendas, onde tiver que ser, mas vão.







sábado, 14 de julho de 2012

O Tempo, esse grande escultor

Vivemos numa época em que se exige demasiado aos nossos filhos. Padrões escritos em livros de desenvolvimento infantil dizem-nos o que devem fazer os putos aos 18 meses, o que é suposto dizerem aos 2 anos, como é suposto crescerem, desfraldarem, enunciarem, soletrarem.
Não me esqueço nunca da directora de uma escola que visitei, quando andava à procura de escolas para a Alice, que me mostrava os trabalhos das crianças de 3/4 anos e afirmava, plena de segurança:
Aqui eles são muito puxados, fazem fichas, exercícios e conseguimos logo distinguir os trapalhões, dos mais concentrados.
Achei aquela merda nazi e fugi dali a sete pés. Eu não queria a minha filha muito puxada. Eu queria a minha filha a ser criança.
O António tem-se desenvolvido mais em férias, com praia, ar livre e brincadeiras, do que em toda a sua longa vida académica (que ainda não iniciou) :)
Ver os putos a gritarem, correrem, tropeçarem, sacudirem o pó e voltarem a levantar-se, é vê-los crescer ao seu ritmo. Sem pressas de os transformar em pequenos adultos.
Estou farta da nova pedagogia da treta. Farta dos quilómetros de fichas e tpc's. Farta de escolas com a mania que sabem mais do que os pais. Farta de crianças tristes.
Vamos lá tratar as crianças como elas merecem ser tratadas. Como crianças, sim?

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Deve ser do escalpe escaldado

Chamei Joseph Grass ao Michael Grass.
Mas não vou mudar. Assim, caso o homem tenha o hábito de se googlar, não vem cá parar e, por conseguinte, não congemina uma vingança diabólica contra a minha pessoa.
Já para não falar que ele tem cara de José.

terça-feira, 10 de julho de 2012

baixinho, que é para não fazer muito barulho

Mas os meus filhos têm-se portado lindamente.
Dormem juntos na mesma cama, com uma excitação e cumplicidade comoventes.
Escavam juntos na areia da praia e refugiam-se das rabanadas de vento num abraço que comporta tanto de medo, como de gritos de entusiasmo.
Comem sandochas de queijo na praia e soltam hmmmm's de prazer.
A ilha ecológica (sim, aqui no Algarve, há muito dessas ilhas de lixo separado e arrumado :)) mesmo em frente à casa, é motivo da mais pura das alegrias, de cada vez que se aproxima o camião do lixo com uma grua. O António grita, em êxtase chamando toda a gente e a irmã acompanha-o até ao portão, onde os dois acenam ao senhor do lixo e lhe gritam olá.
As simples voltas ao quarteirão são excursões de escuteiros e o caminho de carro até à praia é acompanhado da sempre igual pergunta do António:
A praia, mãe, ó mãe, ó mãe, a praia? Pai, ó pai, a praia, pai?
E aqui me chibato e flagelo por ter pensado tão mal deles e ter imaginado as birras e os gritos e a loucura, em vez de ter esperado o melhor.
Estes putos estão crescidos e eu não me canso da alegria deles.


sexta-feira, 6 de julho de 2012

O meu desafio de verão, ou quão patética ainda consigo ser

a) Uma imagem de verão:
Lóbulos das orelhas escaldados.
b) Uma sensação:
Couro cabeludo escaldado e dorido como um pénis de coelho.
c) Uma pintura:
manchas castanhas na tromba, que decidem aparecer  em cada local onde não espalho protector 50+.
d) Uma mensagem:
As férias cansam, mas eles adoram cada segundo do seu descanso.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Lamechice Profunda e boua

Isto é muito parvo, eu sei que sim. Até porque, apesar de te conhecer pelo lado que mais me prende, que é o lado que se escreve, só te vi uma vez.
Mas desde que entraste para o hospital, para a tua 12ª (foda-se, 12ª????!!!!) operação, que tenho andado mais quieta, mais lenta. O meu coração reserva algumas batidas e recolhe-se, reflectindo. Tenho andado estranha.
No fundo, tenho andado para aqui à tua espera, sem saber muito bem o que fazer, o que te dizer e isto é muito parvo, eu sei que sim. Mas eu ando assim, porque as pessoas que nos dizem tanto, querem-se a dizer-nos coisas quase todos os dias.
E pronto, hoje voltaste a escrever e eu gostei de ver o teu blogue, ali do lado direito da tabela, actualizado.
Isto de ter quase 36 anos confere-me o poder da lamechice profunda e assumida, sim. Mas não quero saber, tal como não quero saber de estar numa fila de trânsito, com a janela aberta a ouvir a Turma do Balão Mágico, sem putos no carro que desculpem a minha escolha musical.
Sou lamechamente livre e ser livre em lamechice é dizer que gostamos de quem gostamos e que temos saudades de quem gostamos.
Senti a tua falta, Silvina.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Don't Panic

A hiperventilar, com palpitações cardíacas, falhas musculares e suores frios.

A precisar de um cigarro de relva, de um ansiolítico bombástico, ou de várias garrafas de tinto.
Acabo de me aperceber de algo que tenho andado a evitar e a meter para debaixo da carpete da lembrança:
A minha filhota. A minha bebé, que ainda ontem nasceu vai para o 1º ano.
Não estou preparada para isto.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O que é isso

das amantes do verão e quantas alíneas existem?
É um desafio sem fim?

com 3 letrinhas apenas

Apesar de tudo, não há companhia como a deles. Não existem, no mundo inteiro, abraços que me envolvam tão completamente como os pequenos braços deles no meu pescoço.
Não existem declarações de amor que cheguem à primeira letra da palavra Mãe, quando ela a escreve em todo o lado, declarando a importância que me dá.
Apesar de tudo, não existe na minha vida toda, nada, mas mesmo nada que se compare à sensação de os ver alegres pelas coisas pequenas e saber que consigo fazer com que se sintam seguros com a minha simples presença.
Apesar de tudo, ver o António correr para os braços da irmã, de cada vez que vamos buscá-la à escola. Vê-lo encostar a cabeça à barriga dela, deixando as saudades irem embora, ou correndo para ela, de cada vez que o repreendemos, é o meu secreto vício de amor.
Apesar de todas as queixas e de todos os desabafos, saber que os tenho nos meus dias, ainda me comove todos os dias e recordo com saudades todas as férias que passámos juntos, suspirando e fazendo projectos para as que iremos ainda passar.
Ninguém disse que era tudo mau :( Ninguém disse que era tudo bom :)
É assim para algumas doenças mentais e é assim para isto dos filhos.




terça-feira, 26 de junho de 2012

Bacancias

Em preparação espiritual e física para as férias na praia.
Espiritual, porque tenho rezado e feito várias promessas de idas de joelhos a Fátima, para haver menos birras este ano (o ano passado deteve o recorde de birras no areal).
Também tenho ingerido mais cervejas para ficar num estado de mãe zen e sem stress por antecipação.
Física, porque este ano iremos para uma praia que envolve escadas e procura de estacionamento. Já me estou a imaginar a carregar com o saco dos baldes, pás e formas, o saco das toalhas e cremes, a marmita com a feijoada, o entrecosto e as jolas, os guarda sóis e os pedidos de colo por causa da areia quente e das escadas e do cansaço.
Tendo em conta este cenário tentador, tenho andado a malhar para um arcaboiço invejável. Caguei na barriguinha plana e dura, eu quero é poder braçal.
Férias. Mal posso esperar :) Venham elas, que eu estou preparada!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Poder para Dentro

Por mais estranho que pareça, não deixa de ser reconfortante sabermos com quem não podemos contar. Fechar com um pontapé definitivo a porta que permanecia entreaberta, a chiar e a deixar passar uma pequena corrente de ar, é poderoso.
Quando damos por nós, já não esperamos, já não perguntamos, já não duvidamos, já não entristecemos, nem empalidecemos e isso enche-nos de uma sensação de vitória.

domingo, 24 de junho de 2012

Mães Kodak

Todas as mães têm um lado kodak (a sua alma descanse em paz), que insistem em mostrar a toda a gente, como se fosse apenas esse o lado da maternidade. E como se assim, se convencessem que é tudo idílico. Quando olham as fotos daqueles abraços e sorrisos, logo desfeitos numa birra, ou num grito, depois de o botão disparar, sentem que é perfeito, como ouviram dizer a todas as mães kodak, como tem que ser, como deve ser, como alguém escreveu em algum livro de regras sagrado. E escondem a mágoa, a frustração de não ser bem como todas dizem que é. Devem ser et's, vai daí não partilham o menos bom, não desmistificam, não normalizam a coisa. Acham-se más mães por se sentirem fartas de vez em quando, acham-se umas grandes vacas por darem tudo em troca de um fim de semana a dormir, sem tarefas, sem birras, sem obrigações, sem rotinas (confesso que esta faceta se torna mais evidente a partir do segundo filho) e não ousam partilhar aquilo que sentem. No entanto, vemos as veias a pulsarem nas suas testas e nas suas expressões aparentemente tranquilas e bem resolvidas.
Eu queria dizer às mães que atiram as queixas para dentro de um buraco solitário, que amo imensamente os meus filhos, mas que esse amor é tanto mais saudável, quanto eu puder partilhar as frustrações e cansaços com outras da minha espécie e sentir que não sou única, que não sou vaca, que não sou besta, nem uma mãe dos infernos, por gostar de desabafar.
É claro que nem todas as mães têm assim tantas queixas quanto isso, principalmente quando têm ajudas para descansar de vez em quando e é claro que há putos mais chatos do que outros (constato isso sempre que vou a um parque e fico a achar os meus babys uns santos na terra), mas menos perfeição é bom. A sério. É saudável e não é caro.
Outro dia apanhei uma fotografia tirada aos meus filhos, em que ele se desfazia em gritos e lágrimas, porque a irmã o esmigalhava num abraço para a fotografia e pensei nisto.



Aqui fica de novo este vídeo perfeito (este sim, perfeito:))

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Esta é para a Silvina

Tirando o título, que lhe dedico, qual declaração delicodoce de amor fraterno. Não faço a menor ideia porque é que esta música me faz pensar na Silvina, mas faz.
Por isso aqui fica para ti, a versão sem o Sting, pois era a única que tinha letra.
É provavelmente a música mais bonita da Sheryl Crow e agora tem dona.



Volta a escrever, que tenho saudades.

Book Lovers 3

Hoje tenho estes dois para irem viver para outra casa:

A Bofetada

8,50 (com portes para Portugal)
VENDIDO!

Contagem Decrescente, do querido e amado Ken Follett


9,00 (com portes para Portugal)

Se estiverem interessados em levá-los para férias, e-mailem-me para:
avontaderegresso@gmail.com

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Nim, quem sabe um dia, talvez...

Seja com editoras que ficam anos sem responder a manuscritos enviados, seja com entrevistas de emprego, com mails, com contactos prometidos.

Seja com filhos, com parentes, com amigos, com pessoas que amamos.
Seja com o que for. Hoje em dia é raro dizer-se NÃO.
E o Não é uma palavra deveras importante. Dá para fechar portas e seguir em frente. Dá para virar costas e iniciar outro rumo qualquer. Dá para definir novas estratégias.
São só três letras que envolvem todo um sentido de respeito para com o próximo e que tornariam a vida de toda a gente mais fácil.
É chato termos que sondar os olhares, as palavras simpáticas, o silêncio da resposta prometida e ler nelas uma nega. Cansa e não dá certezas absolutas.
Por isso, deixo aqui um apelo, socialmente relevante, a quem de direito:
Digam não, quando é preciso dizer que não. Não é preciso assim tantos tomates, nem dá assim tanto trabalho. É apenas uma questão de civismo.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Na senda da melissa,

que fala de cenas de séries que a tocaram profundamente.
Deixo aqui duas cenas de filmes que me tocaram profundamente.
Não encontrei a cena do Portrait of a Lady, em que ela descobre, demasiado tarde, que aquele grande amigo, presente ao longo da sua vida inteira, sempre a amou. Mas este vídeo com as imagens do filme e a maravilhosa música da Katie Melua, vale a pena ver :)



E esta cena. A cena que me marcou para sempre e que me emocionou a diferentes níveis, de acordo com as fases da minha vida.
Na altura senti o desgosto de amor e acho que foi a primeira vez que chorei no cinema.
Mais tarde, vi a forma como ela tinha imaginado fazer o melhor pelos filhos e estes cresceram a acreditar numa mentira, moldando as suas vidas àquela mentira.
Hoje em dia vejo apenas que faria o mesmo pelos meus filhos e que essa foi a grande história de amor deste filme.
Vamos ver o que sentirei daqui a alguns anos...
No final das contas, tanto em livros, como em filmes, os finais tristes são os mais memoráveis, mas consigo lembrar-me de um par de filmes com finais felizes, que também guardo na melhor parte das minhas recordações. Mas isso fica para a próxima...




segunda-feira, 18 de junho de 2012

googlar desgostos de amor

Há uns anos atrás, escrevi um post sobre desgostos de amor, e é incrível como, passado tanto tempo (blogosfericamente falando), continuam a pingar comentários nesse pequeno texto.
Imagino sempre alguém insone, repleto de dores de corpo e de espírito, sem fome, ou com vontade de comer até rebentar. Alguém recentemente só e sem aquele ânimo que nos impele a partilhar as dores com os outros, porque as dores e os momentos lembrados a dois, as memórias, as fotografias que nos olham e que ainda não apetece rasgar, as viagens, os dias e as noites, foram nossos e não deles, dos que poderiam escutar-nos, mas sem compreender de verdade.

Um desgosto de amor é sempre nosso. Só nosso e estupidamente solitário.

Por isso, tenho que amar o Google e lamentar-me por, no tempo em que sofri por amor, não ter podido, com um simples clique e um motor de pesquisa, sentir-me menos só.
A todos os que vierem aqui parar por terem googlado "desgostos de amor", saibam que eu já estive nesse tramado labirinto e consegui encontrar a saída. E, agora que olho para trás, não tenho saudades nenhumas de ter sofrido por amor.



sexta-feira, 15 de junho de 2012

Book Lovers 2

Hoje estou a livrar-me de dois livros bem giros:


O Quarto de Jack

8,50 (com portes para Portugal)
VENDIDO!




O Ladrão de Sombras


8,00 (com portes para Portugal)
VENDIDO!

Se vos apetecer algum destes, mandem mail para:
avontaderegresso@gmail.com





Manteiga

Tive que abdicar da manteiga, por questões colesterólicas e, ao contrário do que defende o meu amado Tony Bourdain, não sinto que faça qualquer falta nos pratos tipicamente manteigosos.
Mousse de chocolate sem manteiga, fica vinte vezes melhor, sem aquele sabor enjoativo e com o sabor do chocolate realçado.
Cobertura de chocolate sem manteiga, fica vinte vezes melhor, pelos mesmos motivos.
Qualquer bolo sem manteiga, fica igualmente comestível e mais saboroso.
Fritar um bife com uma gota de óleo, fica bom.
Prefiro mil vezes um fio de azeite no esparguete, do que um naco de manteiga.
Não faz falta no puré de batata, nem no molho bechamel, como ditam todas as receitas culinárias.
Enfim, a manteiga que se fecunde em tudo quanto é prato.
Mas, porra, como, expliquem-me como é que se passa sem um pão com manteiga?
E não me venham falar em margarinas, nem marmeladas, nem doces de morango, nem em cremes vegetais, que a manteiga no papo seco não tem sucedâneo possível.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Acho que precisas de um wake up call



A selecção portuguesa não é composta apenas por ti. Existem mais pernas e mais pés e mais t-shirts suadas com números nas costas.
Quando alguém, que não tu, marca um golo pela selecção, seria engraçado mostrares algum entusiasmo, ainda que fingido bem sei, em vez de transmitires sempre essa imagem de: Devia-ter-sido-eu-a-marcar.


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Amor é...

Não termos que encolher a barriga quando estamos sentadas perto dele.

*a primeira de muitas conclusões brilhantes sobre o que é o amor

terça-feira, 12 de junho de 2012

Book Lovers 1


Não sei se isto vos faz algum sentido, mas o espaço aqui de casa grita por ser reconquistado, e a realidade é que os livros estão caros, demasiado caros para podermos consumi-los ao ritmo de outros tempos.
Vai daí, lembrei-me de começar a dispersar os meus queridos livros pelas vossas mãos, a um preço justo, de forma a poder começar um novo ciclo: Utilizar o dinheiro da venda dos livros, na compra de livros novos, desfazer-me destes novamente e re-investir.
Não vou fazer leilões, nem nada que se assemelhe, mas vou colocar dois, ou três livros por semana e se estiverem interessados (agora que as férias se aproximam e as leituras de verão se impõem), enviem-me um mail para:
avontaderegresso@gmail.com
Deixo os links para os livros, de forma a poderem ver os preços reais, as sinopses e decidirem se vos apetece, ou não.
É de frisar que os livros aqui em casa não cheiram a mofo, nem padecem de grandes maleitas de ácaros :)
Então aqui vão os primeiros 2:

A Guerra dos Tronos - As Crónicas de Gelo e Fogo - Livro Um



8,50 euros (com portes de envio para Portugal)

A Queda dos Gigantes, do meu ídolo Ken Follett




13,50 (com portes de envio para Portugal)

VENDIDOS!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Já tive a minha dose de Pais Nossos




Depois de ter assistido a mais um sacramento católico este fim-de-semana, desta feita a Primeira Comunhão de uma sobrinha, a distância entre a minha pessoa e a Igreja, adensou-se mais um bocadinho.
É fascinante verificar que, quantas mais vezes vou à igreja, missas, casamentos, baptizados, comunhões e afins, mais distante me sinto Dela.
A maioria dos padres fazem um belíssimo trabalho nesse sentido. Se é propositado, ou não, ainda não atingi, mas é giro verificar como eles erguem, com fervor católico, muralhas e barreiras e obstáculos logo à partida.
O discurso do padre para as crianças de 8 anos que comungavam pela primeira vez, fez-me pensar seriamente em deixar esta minha permissividade, este meu lado tolerante em relação ao que impingem aos meus filhos, ou em relação às formas com que lhes lavam o cérebro, uma vez que eles ainda não têm idade para raciocínios religiosos.
“Se não forem à igreja todas as semanas, Jesus vai-se embora de dentro de vocês”, foi uma das frases com que o padre nos brindou e com a qual deve julgar atrair, pelo medo, os putos todos que ali estavam.
Não seria muito mais salutar, ensinarmos-lhes em casa, dentro do seio da família, que devemos sempre ajudar o próximo, que devemos sempre praticar o bem? Sem levanta e senta rabos, nem entoações, nem rituais primitivos, nem frases cretinas?

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Ontem foi noite de...

Eu e a Melissa conhecermos finalmente a gralha e a Silvina.
E confirma-se. Por detrás de um bom blogue está uma boa mulher (neste caso mulheres boas também, mas isso não é de todo o mais relevante).
Cambada de mulherio mais inteligente, caraças. Obrigada por gravitarem no meu mundo, sinto-me estupidamente privilegiada.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Eu não tenho o desejo ardente de saber

o que comem, onde dormem, onde fotografam, o que vestem, por onde andam, de que material é feita a sua roupa interior, a marca das chuteiras, por onde passeiam, a que horas acordam, quando aterram, os segundos que dispendem a arranjar as sobrancelhas e a meter laca no cabelo, os seus amuletos, preces, gostos, namoradas.
Não tenho interesse em saber o que pensam e o que dizem na sua linguagem primitiva das cavernas do gueto.
Estou-me a defecar para as bandeirolas e o patriotismo erguido e exibido com orgulho da merda do esférico, mas esquecido durante o resto do tempo.
Não participo em corridas por eles, a menos que me paguem muito bem.
Eu quero é que eles fiquem escondidos numa gruta qualquer a treinar, quais norte coreanos, ou bolcheviques do desporto.
Eles que treinem e que ganhem jogos. É a única porra que importa, sendo que a importância não é superior aos jogos olímpicos, ou competições internacionais noutra qualquer modalidade.
Todo o circo montado em redor dos donos de um bando de pernas e chuteiras, é para abstrair o povo da miséria em que se encontra este país, mas comigo não resulta. Não consigo abstrair-me com uma bola e 11 peneirentos.
É preciso muito mais.

domingo, 3 de junho de 2012

Subitamente

percebo que tudo é fã de Stevie Wonder, tudo vai ao Rock in Chelas com entusiasmo de groupie de longa data, tudo venera o homem com entusiasmo desarmante.
A única marca que esse homem deixou na minha juventude, foi um telefonema feito por uma colega minha, de uma cabine telefónica, em que ela cantou com paixão, ao namorado da altura, I Just Called To Say I Love You e eu fiz xixi nas cuecas de tanto rir.
É ele e o José Cid. É kitsch, é fixe dizer que se gosta do que era bimbo há uns anos atrás.

sábado, 2 de junho de 2012

pequena prece interior

Não chegarás a uma fase da tua vida, em que te convenças que o bronze te fará parecer mais jovem.
Não chegarás a uma fase da tua vida em que andarás castanha como uma passa em pleno Inverno e tomarás duches de tinta em locais próprios para o efeito.
Não chegarás a uma fase da tua vida em que de tanto quereres parecer mais jovem à conta da falsa melanina, pareças na verdade mais pesada e passada da cabeça do que nunca.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Ouvir com os olhos (Em Construção)

"Tu ouves-me de verdade. Quando eu estou a falar, tu estás mesmo a ouvir-me e não a ver se tenho ramelas nos olhos, ou o nariz sujo, ou a pensar o que vais fazer para o jantar."
Diálogo de ficção entre mãe e filha, ouvido num qualquer filme, de cujo nome não me recordo minimamente.
Nunca mais esqueci esta frase e tenho-a sempre atrás da orelha, de cada vez que a Alice me conta um episódio interminável sobre uma aventura na escola e se perde na narrativa e volta atrás e acelera e se baralha.
É tão fácil percebermos quando a pessoa a quem dirigimos a nossa história, não está realmente a ouvir-nos. E as crianças percebem-no em segundos. Depois vão deixando de contar e quando queremos voltar a entrar no seu mundo, elas já não partilham com o mesmo entusiasmo.
Também faço um esforço (bem grande, confesso), quando vou buscá-la à escola, para não desatar a perguntar o que é que ela comeu.
De um dia inteiro na escola, aquilo que encontro de mais interessante para lhe perguntar, é sobre comida?



quarta-feira, 30 de maio de 2012

Para os Dog Lovers Cretinos

Pessoas que se dizem amigas dos animais e que decidem comprar um cão, só porque são carentes e precisam de passar a mão por um pêlo qualquer.
Depois saem para trabalhar o dia inteiro e fica o animal de grande porte fechado numa divisão da casa.
Mas gostam muito deles.
Não querem saber das dimensões da casa, nem do cão, nem das características do animal.
Mas gostam muito de animais.
Às vezes, a maior prova de respeito pelos animais, é simplesmente não ter um.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Em Estágio

Para...

Já tenho as coreografias quase todas ensaiadas, uma fita para espetar na testa, uma t-shirt com as mangas rasgadas à dentada e umas calças de ganga com um boné estrategicamente colado no bolso traseiro.
Ando a fazer agachamentos diários, a praticar todos os refrões e a testar os meus assobios de longo alcance.
Descobri que ainda sei a letra de Thunder Road toda de cor e, por isso, tenho rezado uma avé américa todas as noites, a ver se ele canta algumas músicas antigas, enquanto chama por mim, para que suba ao palco.
Estou contigo desde os meus 13/14 anos, boss, não é agora que te vou abandonar.
Amo-te.


domingo, 27 de maio de 2012

Este sim, bateu forte


Uns filmes ligam certos botões, outros desligam, outros nada fazem, nem accionam. Tal como o gosto pelo género literário, tem muito a ver também com momentos que atravessamos na nossa vida.
Já venho muito atrasada, mas vi finalmente o Blue Valentine e gostei imenso, que é para não dizer que adorei.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

mudam-se os tempos


Ia escrever sobre os ídolos no meu tempo e os ídolos dos putos hoje em dia.
Ia escrever sobre como as miúdas de hoje conseguem gostar de meninos mais novos, em vez de gajos mais velhos.
Ia escrever sobre como andei com uma fita à Axl Rose na testa e posters do Slash no armário.
Ia escrever sobre o que era sexy no meu tempo e o que é sexy para as miúdas de hoje, que gostam de meninos que bem podiam ser os seus manos mais novos, com laca e franja de ladecos.
Mas depois encontrei várias fotos do Axl em calções apaneleirados de lycra e do Slash, esse cão de água mal cheiroso e mudei de ideias. É tudo uma questão de perspectiva e a perspectiva muda com o passar dos anos.
Aliás, estou plenamente convencida que o Axl fez um tratamento de rejuvenescimento na Suíça e mudou o nome para Justin Bieber.


Blogues com Valor

Se é verdade que hoje em dia somos invadidos por centenas de pessoas convencidas que têm jeito para o artesanato e que enchem meia blogosfera de penduricalhos da loja do chino e missangas e babetes, também é verdade que no meio de tanta oferta, existem verdadeiros talentos. Pessoas que têm realmente jeito e sensibilidade para criar pequenas pérolas.
Apostemos nas mãos portuguesas, em pessoas com talento de verdade, pode ser? Juntemos o útil ao agradável.
Espreitem lá este blogue


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Em Construção

Sou uma pessoa mais básica do que refinada.
Se vejo uma tela branca. Vejo uma tela branca. Não teço considerações em redor do nada.
Se vejo um quadro com riscos, não me detenho a tentar encontrar o sentido da vida e a chamar-lhe arte. Vejo apenas riscos e avanço, em busca de um quadro que me diga qualquer coisa. Como por exemplo, que o seu autor tem mais aptidões artísticas do que o meu filho de 2 anos.
Se vejo um filme, cuja crítica enaltece e põe nos píncaros e se esse filme me faz dormir, eu não consigo dizer que é um filme brilhante, só porque uma mão cheia de críticos o entende, ou porque é de um realizador mítico, cujo nome vem antes do título (se bem que tenho essa tendência com os filmes do Clint Eastwood, mas ando a combatê-la com alguma convicção).
Se os meus filhos se portam mal, eu reviro os olhos e digo que estou cansada de os aturar. Não tento justificar o seu comportamento com teorias pedagógicas sobre o desenvolvimento infantil, ou desculpá-los alegando etapas pré definidas pela pedo psicologia. Todos os putos são chatos de vez em quando, ou muitas vezes.
Se vejo um prato maravilhosamente bem decorado com uma ervilha, salpicos de molho, uma meia laranja e um cubo microscópio de carne, não vejo comida e não tenho vontade de comer uma coisa que deveria estar na parede de uma sala de exposições.
Se leio um livro em que tenho que voltar atrás dez vezes, ou relê-lo para entender a mensagem, atiro-o para a pilha de livros a doar à biblioteca, sem qualquer remorso.
E se não era tanto assim antigamente. Agora estou cada vez mais assim. E estou mais chata, terrivelmente mais chata e rabugenta.
Também ando a tentar combater a falta de paciência que me invade com quem tenta tirar sentido da tela em branco, ou com quem tem orgasmos múltiplos com um prato de haute cuisine. Juro que estou em francos progressos quanto a isso. Mas às vezes esqueço-me de que as pessoas não são todas a preto e branco e que o que faz chorar umas, faz rir outras e que o que comove outras tantas, a outras nem sequer belisca.
Sairmos de dentro de nós e sermos tolerantes com as visões alheias, é do mais democraticamente social que existe e eu ando a tentar. Tento e falho, tento e falho. Mas qualquer dia destes tentarei e terei sucesso, tenho a certeza.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Adoro os Tugas

Seja nas autocaravanas, nos pesados, nos parques de campismo, eles cozinham. Qual sandocha, qual quê, se podem cozinhar um ensopado de borrego ali mesmo, à beira da tenda, dentro da roulote, ou no parque de estacionamento dos pesados? Tão mais prático.

domingo, 20 de maio de 2012

Não que eu precise de falar sobre o Kevin, mas...

Partiu com a desvantagem da actriz. Não nutro particular simpatia por esta mulher assexuada e estranha, sempre igual nas suas representações. Sempre baça e melancólica e neurótica e cheia de batalhas interiores angustiantes e, portanto, perfeita para este papel. Mas enfim, face às sugestões e ao zum-zum em redor do filme, lá me dispus a ver e não gostei. Sim, entendi as mensagens todas que era suposto entender e tudo aquilo que não foi dito (mais valia ter lido o livro), mas que estava subentendido. Também houve muita coisa que foi dita, como a mãe ter dito ao filho que podia estar em França, a ser feliz, em vez de estar ali com ele, que foi forte sim, mas nada que me batesse na tola, nada que me fizesse vibrar alguma corda. Não me disse a ponta de um corno, não me tocou, não me fez pensar, não me deu um murro no estômago. Nada. Zero. Limitou-se a arrancar-me vários bocejos. Foi só chato, muito negro, muito neurótico, muito fundo sem retorno. Daquele fundo sem luz. Teria sido um grande filme de terror, isso sim, se tivessem apontado para aí as baterias.

blogues que dariam livros perfeitos e importantes

Sei que já falei neste blogue, mas cada dia me traz uma nova lição. Hoje não foi excepção.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

mas o que fiz eu

para merecer um vizinho que pratica saxofone (e não sexo on phone) a tarde inteira? E desenganem-se os que pensam que é uma cena animada, cheia de Nova Orleães e o diabo a sete. Estou plenamente convencida que o gajo (ou gaja, ainda não descobri o sexo do praticante) tem o reportório todo da Celine Dion para Saxofone. Daqui ao suicídio, ou homicídio vai uma muito curta distância.

Happy Meal

Quando os miúdos estão bem dispostos, companheiros e gostam de cantar ao som do Super Trouper dos Abba, que bomba no rádio do carro (sim, eles são fãs dos suecos). Quando partilham as batatas fritas e os brinquedos do Happy Meal e riem como dois perdidos com as brincadeiras um do outro. Quando ficamos à mesa, sem stress, nem pressas, a molhar todos os ingredientes sólidos na poça de Ketchup partilhado, numa letargia que só nós conhecemos. Quando a Alice fala pelos cotovelos e o António tenta imitá-la, sem fazer qualquer espécie de sentido. Eu tenho a mais nítida certeza de que não trocava a companhia deles por nenhuma outra companhia neste mundo. A sério. *E isto dava um belo anúncio de fast food.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Nem dado

Não faço a mais pálida ideia do que seja, mas tem um palhaço. Uma bola de neve. Um palhaço que a empurra. É o suficiente. Não precisam de me mostrar mais nada para o meu cérebro formular a palavra síntese, que acciona todos os botões vermelhos: TORTURA.

Agora atiras tu, agora atiro eu

Outro dia apanhei o Dr. Oz e a mulher do Dr. Oz (sim ele também já leva a esposa ao programa e ela também escreve livros de auto-ajuda) a atirarem uma bola de pilates um ao outro. Aparentemente era uma dica para um casamento de sucesso. De cada vez que a bola era lançada na direcção de um deles, era dita em voz alta uma "exigência" que se gostaria de ver satisfeita pelo outro. É absolutamente fascinante este fenómeno de todos terem alguma coisa a dizer sobre relacionamentos. E os lugares comuns do diálogo e da comunicação e do olhar olhos nos olhos e de o não querer que o outro seja algo que não é. Maravilha. A sério, há sempre qualquer coisa a dizer e um conselho a dar. Partilhar os segredos do sucesso do matrimónio é sempre fofinho. Vou a uma loja de desporto comprar uma bola de pilates, para poder fazer este jogo aqui em casa. Já nos estou a imaginar a jogar esta merda, a seguir ao jantar e a saltar de nenufar, em nenufar com tanta felicidade e resolução conjugal. Como é que nunca pensei que uma bola de pilates seria uma lufada de ar fresco? Dentro desta linha, também adoro a Maya e os seus conselhos matinais. Gosto da forma como ela pergunta sobre a vida inteira da pessoa que telefona, antes de começar a adivinhar o seu destino. Dito isto, tenho que fazer uma dieta televisiva. A sério.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

blábláblábláblá enche chouriço blábláblábláblá

No Querido Mudei a Casa falam muito mais do que trabalham. Eles falam sobre o conceito da iluminação, sobre a inspiração, sobre o dia que faz lá fora, sobre a textura das cores escolhidas, sobre o ambiente retro mini chique, sobre como o branco expande e o preto encolhe, sobre o primário, sobre o verniz, sobre o prego de tamanho ideal e da bucha certa, eles falam e tentam graças e risos e partidas e falam. Enquanto no Total Makeover já fizeram 3 mansões em pladur, no Querido ainda estão na fase de explicar o que os inspirou a meter o primário da Robialac. No Ídolos falam, falam, chamam atrás para insultar um bocadinho e depois tornam a falar e entra uma música do Gladiador para criar a teia de suspense desejada. Depois debitam mais um pouco e falam mais um quilómetro. Depois entra de novo a música e falam. E nunca, mas nunca mais desenvolvem. Enquanto no American Idol já ouvimos vozes supremas na fase do tudo ao molho em todos os Estados, apreciando as farpelas do Steven Tyler, no Tuga Idol é tudo sofrível. Temos um membro do jurí com expressão de quem se peida por debaixo da mesa e vozes que dificilmente suportariamos no duche do vizinho.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O Culto do Corpo

Tirando a fase da adolescência, em que fazemos todas as maldades e mais algumas ao nosso invólucro, o nosso corpo deveria ser um santuário. Estimado, respeitado,preservado. Se possível, apenas mutilado quando estritamente necessário, para afastar um mal maior sobre ele. Quem já sujeitou o corpo a tratamentos, cirurgias necessárias, maleitas, tratamentos, sente isso melhor do que ninguém. Sente o cansaço e o desgaste da dor, dos cortes, das cicatrizes na pele e na alma e foge de bisturis como o diabo da cruz. Por isso, por saber que existem tantos que não podem fugir à cirurgia, a ideia de sujeitar o meu corpo a um bisturi voluntário, a uma injecção na pele, me é tão medonha. Eu não gosto de hospitais, agulhas, cicatrizes, pontos, recuperações, pois o meu corpo, enquanto me pertencer, é-me muito querido, sim. Sofrer, por mais pequeno que possa parecer o sofrimento, para ter umas mamas maiores, ou uma cara mais nova, não é para mim. Não julgo quem queira resgatar a sua juventude, ou a sua auto-confiança, através de implantes, injecções, liftings, mas eu não conseguiria. Não tem nada que ver com ser bem resolvida com o meu corpo, ou achar-me perfeita. Tem a ver com o respeito que lhe tenho e com a minha total repugnância pela dor desnecessária. É claro que há muitas excepções nesta minha teoria, é claro que sim, mas jamais, como defendia o colunável Dr. Angelo Rebelo em entrevista à Judite Sousa, permitiria, ou incentivaria uma ciurgia de implantes mamários a uma miúda de 14 anos. Que merda de sociedade é a nossa que aceita e acha normal que miúdas a cheirarem a leite, sofram perturbações psicológicas por não terem as mamas da Pamela Anderson e, em vez de as levarem a um psicólogo, as levam a um cirurgião plástico?

terça-feira, 8 de maio de 2012

Tony

Chateada. Chateada porque tenho um grande fraquinho pelo Tony Bourdain e porque achei que a sua equipa de produção pesquisou tanto on-line, que se esqueceu de viver Lisboa. A ideia que transpareceu foi a de uma Lisboa melancólica, sisuda, depressiva e do fado. Ouvi a palavra Crise mais de 200 vezes. E quando o Lobo Antunes diz, entre uma passa e outra, que o Fado é a ditadura e por isso não gosta de o ouvir, com o ar mais carrancudo desde universo, deu-me uma dor no intestino delgado. Sim, Lisboa também é isso, mas não é apenas isso. Até o Zé Diogo Quintela estava tristonho, caraças.

Eu, Mulher, me Manifesto

Sim. Não usamos burka e podemos andar semi-nuas no meio da rua, que a lei não nos penaliza. Sim, na Constituição da República Portuguesa temos os mesmos direitos e oportunidades que os homens. Sim, temos a possibilidade de alcançar as metas que eles alcançam. Mas não nos esqueçamos, por favor, que a casa da partida é totalmente diferente. Nós não partimos com vantagem. Partimos com o preconceito, com os pressupostos, com as cicatrizes de tudo aquilo que foi enraizado no nosso adn durante séculos e isso é fodido. Demasiado fodido. Na maior parte das vezes, conseguimos a proeza de nos dividirmos, sem nunca deixarmos de ser inteiras. Dividimo-nos pelos filhos, pelo marido, pelo trabalho, pela casa, pelo stress. Dividimo-nos a cada instante e reestruturamo-nos no instante seguinte, porque é isso que é suposto. É assim que devemos ser e assim somos, sem perguntas, sem incómodos. E quando falhamos, sentimo-nos miseráveis, porque não é suposto falharmos. Nós temos que ser perfeitas. Se uma mãe é vista no supermercado, a enfiar frutas num saco, com um puto agarrado às canelas aos gritos, outro embandeirado em arco a fazer birra de sono, é uma mãe como outra qualquer. Já se é um gajo no supermercado, a passear-se entre as prateleiras da higiene pessoal, com os putos atrás, é um Deus. Uma ave rara, um pai exemplar. A eles basta-lhes fazerem umas macacadas com os putos, uns passeios e são tidos como os melhores pais do mundo. Uma mãe que faça tudo isso e mais tudo o resto que é suposto, é uma mãe banalíssima (sim, Melissa esta tem direitos de autor, mas é a mais pura das verdades). Uma mãe, nunca será uma mãe excepcional, pois ser mãe tem no seu cerne ser excepcional e, pelos vistos, ser pai não tem. Daí os elogios a um desempenho banal de um pai e a falta deles, quando uma mãe faz exactamente o mesmo. Mas nós, as mulheres, as mães, não somos obsessivamente exigentes. Não queremos glória a cada instante que passa, nem elogios por passar o dia a limpar ranho e a ouvir chorar (se bem que até merecíamos). Queremos apenas que, de vez em quando, nos reconheçam o valor, sem termos que arrancar o reconhecimento à dentada. Desejamos ser notadas pelas pequenas coisas que não deixam a casa cair no final do dia. Que mantêm as vidas de pé e a funcionar o ano inteiro. Queremos apenas sentir que nos apreciam e que nos enxergam, digamos aí uma vez por ano. Pode ser?

segunda-feira, 7 de maio de 2012

As Melhores das Melhores

- Porque é que aquele homem está debaixo de um lençol, mãe? - Hmmmm, não é um homem, é uma mulher. - Porque é que está toda tapada? - Em certas partes do mundo, as mulheres têm que andar assim, cobertas e escondidas. - Escondidas porquê? - Porque os homens acham que é uma falta de respeito as mulheres mostrarem-se. - Mas não é cá em Portugal, pois não? - Não, fica descansada. Silêncio sepulcral. Sim, existem ali muitas fotografias impróprias para crianças, mas o que é que se há-de fazer, tivemos que levá-los connosco, senão nunca mais iriamos. Por essas passei a correr e vi-as apenas de relance (com grande pena minha). Mas a maior parte das fotografias puxaram-nos para dentro delas, como só uma boa fotografia consegue. Adorei.

sábado, 5 de maio de 2012

Nem Pintados de Douradinho

Não consigo encontrar graça nas suas graças, piada nas suas piadas, humor no seu humor. Eu tento, juro que tento, mas não dá. Depois temos esta miúda que cantou no ídolos e que não gosta de ser lembrada disso, nem por isso. E eu, que até gostei dela no ídolos, não consigo aguentar mais do que alguns segundos a escutá-la gorgolejar com elixir dentário e a ver a sua imagem fabricada de cup cake do jazz. Não dá.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

PUB

Não há, neste momento televisivo-radiofónico, anúncios mais cretinos do que os da Depuralina. A sério. Que mentes criativas se terão lembrado de meter uma gaja em cuecas agarrada a um aspirador? Noutra linha, mas ainda assim sobejamente irritante, temos a fotografia da Keira Knightley a fingir que tem vontade de lamber um frasco de perfume, plena de sensualidade e boquinhas.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Domesticamente Imperfeita

Sou um zero no que respeita a economia doméstica. Não tenho queda para a coisa. Esforço-me como tudo, mas nunca consigo ser aquele sucesso evidente e vibrante de tanto mulherio mais capaz. No entanto, existem coisas que já aprendi à minha própria custa. Não são muitas, bem sei, mas são boas e são conclusões tão pertinentes, ou melhores do que muitas dessas teorias das deusas do lar que polulam pelo mundo (sim, a inveja é nojentinha mesmo). A saber (não esquecer de entoar como mantra budista): Nunca comprar o que não preciso, mesmo que esteja em promoção. Se não preciso. Se tenho em casa, é dinheiro que estou a gastar agora sem necessidade. Não comprar bens de primeira nexexidade, como carne e peixe, enquanto não varrer primeiro todos os que tenho no congelador. Aprendi com as profissionais da coisa (e também às minhas custas) que há sempre como aproveitar duas postas de pescada que repousam esquecidas no fundo do congelador, antes de me atirar a um peixe novo. Ontem mesmo, fiz de uma courgete, dois tomates, uma cebola e uma lata de feijão branco, um repasto dos deuses. Qualquer coisa entre o Ratatouille e a feijoada light e dei beijos na minha própria boca com essa conquista tão minha, tão domesticamente perfeita, tão íntima. E sim, continuo sem saber o que aconteceu aos parágrafos.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Solte o Seu Animal Interior.

Querem assistir à largada de touros de Pamplona sem saírem do país? Querem visitar o lado mais selvagem do ser humano, sem mudarem de canal para o TLC, com as paquidérmicas viciadas em cupões, que levam as filhas recém-nascidas a concursos de beleza, enquanto atafulham a casa de merda, dão uma festa de milhões para o primeiro aniversário do bebé e aproveitam para engravidarem sem saberem? Querem descer ao mais baixo, mais baixo não há, da animalidade que existe em cada indivíduo? Querem assistir de camarote a um circo romano, daqueles em que se lançavam os homens às feras, sem contemplações? Querem? É fácil. Observem apenas como os indivíduos se comportam face a uma promoção e vejam esse mesmo comportamento modificar-se em proporção da dimensão da promoção. Por um leve dois, pague 1 são permitidos empurrões e arranhões. Por um leve três pague 1, além daqueles, são ainda permitidas rasteiras, filas de dezenas de metros e insultos. Por 50% de desconto em compras superiores a 100 Euros, vale tudo. Arrancar olhos, homicídios, violações, acidentes de viação, estropiamentos e fazer os funcionários do estabelecimento trabalharem num dia, o equivalente a 1 mês, mas com requintes de malvadez, pois fazem-no no dia que celebra essa espécie estranha, cada vez com menos direitos e garantias. Essa espécie enrabada de manhã à tarde e à noite, chamada TRABALHADOR.