quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Quiseste agora Aguenta!

Quando estava longe de pensar em ser mãe defendia com unhas e dentes a ideia de que o pai não tinha nada que assistir ao parto se não o desejasse.
Nos tempos em que era uma grandessíssima liberal e jamais me passaria pela cabeça forçar o homem a nada, muito menos a ver-me de perna aberta e a fazer força até rebentar as entranhas.
Também não me passava pela cabeça deixar de ir ao cinema com um namorado ver um filme de acção e pontapés no traseiro, pois no amor cabia tudo. Desde a tolerância sem limites, ao verdadeiro faz e deixa fazer.
Acontece que as coisas mudaram um bocadinho (ahahaha) e desde que fomos pais, o que um faz pelo e para o filho o outro também deve fazer. Acho que se chama democracia familiar. Esse conceito vago e abstracto ainda para tantos seres do sexo masculino, mas tão nítido para mim.
Faz-lhe impressão? Que pena então e a mim não fará?
Tem pânico de sangue! Ah e se eu tiver, como é que me desenrasco?
Não gosta de me ver sofrer! Então não tivesse insistido para termos mais filhos.
E pronto, estou assim, tanto quero a democracia que lentamente me transformo numa ditadora :)

* O Hugo não disse nenhuma destas frases feitas que mencionei acima, mas ando a sentir que se quer esquivar do acontecimento. Só que eu já preparei a epidural para lhe dar e tenho uma maca reservada ao lado da minha. Riso maquievélico.

Ser Mãe é... Abrir as Pernas?

Sei que vou usar frases feitas, lugares comuns e tudo o que já se ouviu mil vezes a propósito do caso da menina russa Alexandra que foi entregue a uma tipa abusadora e alcoólica com a única justificação de ter sido ela quem abriu as pernas para a fazer e para a parir.
Nada como fundamentar uma decisão judicial nestes critérios imutáveis e do princípio do mundo, tão antigos como os calhaus com milhões de anos:
Pariu, logo, é mãe.
Seria realmente maravilhoso que todas as parideiras biológicas defendessem, criassem, educassem, dessem amor às crianças que puseram no mundo, mas tristemente, muitas vezes cabe ao estado defendê-las dos próprios progenitores, quem as deveria guardar e proteger em primeira instância.
A palavra mãe pode sem dúvida definir o melhor e o pior que existe num ser humano. Uma mãe pode ser responsável por uma pessoa feliz e realizada, ou por uma pessoa triste a traumatizada para o resto da vida.
Por essa razão, quando cabe aos tribunais decidir na encruzilhada, nas situações limite, não pode ser esta palavra a definir tudo, como se dizer que é mãe, que deu à luz, fosse atestado bastante para entregar uma vida inocente nas suas mãos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A Primeira Roupa


Não há nada como mexermos na roupa do bebé que ainda não conhecemos, para nos sentirmos mais próximos desse pequenino ser que aí vem.
Imaginamos como em breve aquele pedacinho de tecido minúsculo vai estar cheio de um corpinho quente e cheiroso. Esquecemos até a parte do chorão, pensando apenas como é bom ter aquele bocadinho de nós enroscado nos nossos braços.
Andava a precisar de me sentir assim, por isso hoje fui em busca da primeira roupa do António (às vezes este nome soa-me tão adulto).
A Alice teve direito a cueiro e golinhas de princesa. Uma primeira roupa digna de capa de revista. Afinal de contas não é todos os dias que se vê o mundo pela primeira vez. Há que estar vestido à altura do acontecimento.
Mas desta vez e certamente por ser um rapaz, não sinto vontade de nada disso.
Fiquei-me numa solução de compromisso.
E pronto hoje sinto-me com vontade de encher isto tudo de roupinhas de bebé e ceder ao melaço que sinto no meu coração, mas não quero deixar ninguém diabético, por isso fica apenas uma fotografia e agora reparo que este é o 500º post deste blogue, nem de propósito :)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Tudo a Nu

Eu já sabia que nos dias que correm não podemos passear calmamente pelo Shopping, seja ele qual for, sem sermos abordados por agressivos vendedores de crédito, pedintes para todo e qualquer tipo de instituição de apoio a uma vítima qualquer (que me perdoem as sérias), mulheres que nos ordenam que lhes mostremos as mãos para verem as nossas cutículas.
Eu já estava habituada a estes filmes, já tinha inclusivamente as minhas armas secretas anti-abordagem. Mas o que fazer quando uma inesperada realidade surge? Daquelas ideias de génio que nos entram pelos olhos esbugalhados adentro sem pedirem permissão?
Quando eu pensei que nada ultrapassaria a moda de arranjar as unhacas dentro de quiosques em pleno shopping, atirando com as peles mortas e restos de unha na rebarbadora para cima dos passeantes incautos, eis que surge uma ainda mais brilhante invenção:
Arranjar a sobrancelha em público!!! Não é com pinça, é com uma espécie de linha que se vai enrolando no pêlo e arrancando o mal pela raiz. E elas ali ficam, impávidas face aos olhares alheios que as exploram curiosos, como macacos no circo.
Para quando a depilação à brasileira (não confundir com a feijoada à brasileira, que essa até nem me importava) em público, bem no meio do recinto comercial para qualquer um poder assistir ao vivo a a cores ao arrancar forçado e de pernil aberto do pêlo púbico? De que é que estão à espera mentes brilhantes do negócio?

Fúria Compulsiva

Ando numa estranha fúria de deitar coisas fora. Há quem lhe chame preparar o ninho, há quem lhe chame loucura, há quem lhe chame taradice-maníaco-compulsiva-agravada.
A realidade é que já devo ter dado coisas suficientes para fazer uma pequena aldeia algures no Sudão.
Hoje vou dar uma secretária, uma cama, um baú, uma televisão antiga, a mesa onde ela estava, edredons, cobertores, almofadas.
Alguém me agarre por favor, pois corro o risco de regressar a casa um dia destes e não ter nada além das paredes.
De cada vez que esvazio uma prateleira de inutilidades sinto-me mais leve. Isto não pode ser normal. Onde é que eu estava com a cabeça quando decidi guardar tantas almofadas? Bem sei que andei meses em busca da almofada perfeita, mas se nenhuma me agradava porquê guardá-la?!!!
Talvez isto possa ser explicado com uma vida passada, ou não indo tão longe, num passado recente, pois ainda me lembro que na véspera de ir para o hospital ter a Alice tinha trolhas no quarto a terminarem uma obra e jurei para mim mesma que jamais me deixaria apanhar novamente nas malhas da procrastinação.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Divagações

Às vezes penso que a doença torna as pessoas mais sensíveis em relação aos outros.
Quem nunca esteve doente não sabe entender quem sofre de uma maleita qualquer. Pode até dizer: "Coitadinho imagino o que estás a passar", pode até fazer um grande esforço por se colocar na pele do outro, mas não sabe, não imagina, não supõe sequer.
Há experiências que unem de forma invisível quem por elas passou, numa espécie de irmandade muda, onde basta um olhar para se sentirem compreendidos uns pelos outros.
Os restantes que nunca passaram por isso, nunca vão entender.
Um médico que nunca esteve numa cama de hospital, que nunca dependeu de ninguém para sobreviver, nunca entenderá a 100% o seu doente.
Isto são apenas coisas que me passam pela cabeça, numa certeza quase indesmentível. Quem sofreu alguma vez um grande desgosto, ou equacionou de verdade a vida e a morte entenderá muito melhor quem agora passa pelo mesmo, disso estou certa.

domingo, 25 de outubro de 2009

Pois é, Parece Que...

Parece que desapareceram faixas de rodagem na Capital para darem lugar a ciclovias.
Parece que em estradas movimentadas, engarrafadas, infernais roubaram uns bons metros de largura para que os nossos milhares de ciclistas, tal como em Amesterdão, pudessem invadir os quilómetros sem fim de ciclovia limpinha e pronta a pedalar.
Parece que se impunha isto, que temos a tradição da bicicleta em vez do carro, que na cidade das sete colinas não há de facto melhor meio de transporte que o pedal.
Parece que temos que ser mais europeus, mais civilizados, mais abicicletados, por isso toca de tirar espaço aos carros que não existem em Lisboa e dar esse lugar, não aos peões com carrinhos de bebé, ou deficientes motores que tantas vezes têm que andar de perfil, pelo meio da estrada, entre merda de cão e crateras terrestres abertas na calçada com meio metro de largura. Peões? Quem são os peões de Lisboa? Malta estúpida, inconsciente, que chega ao seu destino coxa, estropiada, ou com menos 10 quilos pela aventura empreendida.
Sim é de facto bom poder pedalar à beira rio, ou como aqui em Cascais, à beira mar, sem o perigo de levar com um carro em cima. Mas também seria espectacular se pudéssemos andar a pé com prazer, sem corrermos risco de incapacidade física permanente.
*Não sei porquê, mas tenho quase a certeza que só à pala das ciclovias o nosso António Costa angariou uns belos votos de malta jovem e europeia, acabadinha de se recensear...

sábado, 24 de outubro de 2009

É Oficial

Quando pensava que o episódio das cuecas gigantes era o ponto alto da humilhação semanal de uma grávida, hoje parada na fila do Continente, abro a boca num dos meus milhentos bocejos diários, daqueles que não pedem ordem para chegar, tal a frequência com que me consomem e em vez de sair aquele gemidozinho de sono próprio de um bocejo como deve ser, sai-me um arroto. Completamente involuntário, mas sonoro, bem de dentro de mim, ecoando assustadoramente à minha volta.
Os olhares (imaginários, ou não) cortaram-me ao meio e senti-me a verdadeira mulher das cavernas.
É oficial, a partir de hoje sei que de cada vez que bocejo também posso arrotar sem querer. Digam lá que uma grávida não é de facto um ser fascinante na sua multiplicidade de funções?
Estou toda rota. Às vezes pergunto-me como é que o Hugo ainda vê algum encanto em mim...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A Vontade de Regresso

E agora digam-me lá o que é que faz uma mulher grávida que envia um exemplar do seu livro para as mãos de uma amiga que não vê há milhares de anos, mais concretamente, para a Holanda e recebe esta resposta?
Chora claro está, chora tanto que tem que ir buscar uma esfregona e um balde para não molhar as meias novas da timberland.

Viajar Perder Países Ser Outro Constantemente

Joaníssima da Silva depois de me englobar no pacote das "Minhas Anas" pediu-me que falasse acerca das 3 viagens de sonho feitas e por fazer.
Aqui tenho um grande problema, pois 3 é pouco. É pouco para fechar numa gaveta as que fiz e pouco para colocar no meu desejo as que farei. Mas vou tentar.
- A viagem que fiz a Itália com a Rita e a Diana. Milão, Roma, Florença e Veneza. Fomos as 3 numa espécie de despedida da vida de solteiras, ainda que não soubéssemos que assim era. Desde essa viagem que cada uma acabou por seguir o seu rumo adulto, mas as melhores memórias não foram embora. Os cigarros fumados a seguir ao jantar numa tranquila ponte em Veneza (nenhuma de nós fumava já, mas abrimos excepção), as conversas sobre amores desejados, os cafés caríssimos das esplanadas nas praças principais. Quando me lembro desta viagem, lembro-me que vivi.
- A primeira vez que conheci os Estados Unidos num misto emocionante de filme e de reencontro com um país que já conhecia pelos livros e pelo cinema.
- A nossa Lua de Mel por representar o começo de tudo. Praga com a sua vida, a sua música, as suas cores. Salzburgo como a terra que viu Mozart nascer e que nos abrigou de mão dada a acertarmos o passo um pelo outro.

As 3 viagens que sempre desejei fazer e que estou certa farei um dia mais tarde:
- Chile e aqui admito pela Isabel Allende :)
- Nova Zelândia por ser nos antípodas, por significar que conheci o outro lado do mundo.
- Escócia. Esta terá que ser a nossa próxima incursão. Por todo o misticismo inerente e por sempre ter sonhado pernoitar num castelo assombrado.

Gostava muito de saber sobre as viagens imaginárias e reais da Raquel, do Miguel e da Melissa. Por isso considerem-se desafiados.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Cuecas Para que Vos Quero

Apesar de não ser mulher de fio dental, nem de cinto de ligas, no qual possa colocar sensualmente um punhal, ou pequeno revolver, também não gosto de ceroulas até aos sovacos, cuecas com a Hello Kitty, ou roupa interior gasta e sem elásticos.
Tenho a minha vaidade, ainda que sem grande exagero. Gosto de estar digamos que apresentável. Por isso ontem fui com a Alice procurar cuecas de grávida, pois as minhas já cortavam a circulação de sangue em certas partes do meu corpo. Escolhemos as duas o que me pareceu um modelito sóbrio, neutro, tamanho médio. Não dava para abrir a embalagem, por isso deduzi que andasse no M.
Chegadas a casa a minha filha decidiu tirar as peças sensuais da embalagem e enfiar aquilo na cabeça, qual saco de batatas com furos. Rimo-nos a bom rir com o tamanho exagerado da coisa até às lágrimas.
Ahahahah isso não me vai servir Alice, vamos levar para o supermercado e encher de compras, boa?
Risos e mais risos.
Apenas e só por descargo de consciência decido experimentar aquela caricatura de cueca e eis se não quando o pior acontece. O terror se apodera do meu ser com todas as forças. O pesadelo torna-se realidade. Aquilo serviu-me.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Frases das Fases

Vou criar uma lista com as frases mais ouvidas durante as várias fases da minha existência. São tantas que vai ser complicado reunir as mais emblemáticas. Mas para ficar desde já um registo, decidi deixar aqui algumas para ajudar na futura compilação.
Fase de celibato: Então e namorado?
Fase de namoro: Então para quando o casamento?
Fase pós casamento/Fase do coito: E filhos?
Fase primeira gravidez: Uma hora curta.
Fase pós parto (nem deixam uma pessoa recuperar das dores): Então e quando é que vem um maninho?
Fase desta gravidez (esta é talvez a mais proferida de todas. Tão usada que já sei até quando vai saltar da boca de alguém e antecipo-me): Ó que bonito, um casalinho.

Só me Apetece é Ganir

A minha sina de grávida é repetir análises, fazer contra-provas, pesar-me em balanças avariadas e sentir-me velha e cansada.
Com a Alice tinha sucedido o mesmo, repetir a chatice da análise do açúcar numa tortuosa espera de 3 horas, ao longo das quais terei que remover do interior das minhas queridas veias 4 doses de sangue. Ou seja, tirar sangue, beber xaropada de açúcar, esperar uma hora, voltar a tirar sangue, esperar mais uma hora, voltar a tirar o dito e, ai que giro, esperar outra hora e voltar a tirar mais uma litrada. Yupi! Há lá coisa melhor? Ah e no meio de tudo isto não posso mexer-me muito, pois altera os valores da coisa e claro, além do xarope de açúcar, nada mais repousará no meu estômago carente.
Portanto amanhã lá estarei eu munida de um livro que não será de vampiros sanguinários, pois a minha força psíquica tem limites, a praguejar contra o facto de os homens não poderem ficar grávidos também e a rezar para que não esteja com diabetes gestacional. Logo eu que nem sequer ligo a doces, que troco com a maior das facilidades um doce de ovos por um bom bife...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Saramaga Aqui e Depois Ali

Então e porque é que eu não gosto do Saramago?
Podia construir um discurso intelectual, pretenciosamente polido e criticar-lhe o estilo de escrita que me entorpece os sentidos até ao estado catatónico.
Podia simplesmente assumir a minha grandessíssima tacanhice de espírito e (que se lixe) dizer que nunca consegui acabar um livro dele.
Podia limitar-me a ficar calada como fazem muitos, porque não se diz que um Prémio Nobel nos faz dormir até a produção de baba nos afogar. O Prémio reveste-os de uma espécie de escudo invisível que os torna inatacáveis por nós não-membros da Academia e leigos em matéria de Prémios sejam eles Nobel, Pulitzer, Camões, ou Kinder Surpresa.
Mas eu sou um grande pedregulho e posso dizer mal dos Grandes com a ingenuidade dos parvos. Até me posso dar ao luxo de dizer que não gosto do Saramago-homem-além-do-escritor. Tenho medo dele, parece-me sempre o papão desterrado numa ilha vulcânica negra como breu, antipático, arrogante e a cagar sentenças biblícas do alto de um estranho pedestal.
Depois os verdadeiros comunas, pelo menos como eu os vejo, são malta simples, genuina, sem peneiras, tal e qual o Jerónimo Sousa. E ele não é assim, dá mau nome ao partido e acho isso um bocado indecente para os camaradas...
Perguntam-me vocês: Mas tu estás estúpida Ana? O que é que importa quem escreve, o que realmente interessa é como escreve. Pois, só que temos um pequeno-grande problema, como deu para perceber em cima, ele não me cativa por lado nenhum...
Resta-me dizer-vos que quando estive na Suécia e a pedido de um fã saramaguiano, corremos metade de Estocolmo em busca de um livro dele escrito em sueco (sim, há malucos para tudo) e ninguém, nenhum ser vivo funcionário de livraria sabia de quem se tratava. E esta hein?

Desanimada

Tenho dias em que sinto que queria ter mais força, em que tudo à minha volta se esfuma de cada vez que me disponho a agarrar os meus desejos.
Dias em que tudo se transforma numa névoa indistinta, em que sinto que não serei capaz de ser uma boa mãe para dois, uma boa mulher para um, uma boa pessoa para mim e ainda assim prosseguir os meus sonhos.
Dias em que me sinto perdida no meio das tarefas cumpridas e por cumprir e em que não sobra nada do que queria ser.
Tenho dias em que o mais puro dos pânicos toma conta de mim e me pergunto em que raio estava eu a pensar quando decidi embarcar de novo nesta aventura maternal para a vida inteira.
Depois olho as fotografias dela, acaricio-lhe a bochecha suave, vejo as ecografias dele. Penso que não dormi um minuto de noite, ora com azia, ora com vontade de ir à casa de banho, ora com falta de posição, ora com tudo às voltas na cabeça e sei que a culpa é do meu próprio corpo cansado que se agarra impiedosamente ao meu ânimo. Amanhã será um novo dia.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Senta-te Aqui e Conta-me o Teu Dia

As coisas que nunca tive quando era pequena nunca foram incentivo, nem desculpa para as repetir na idade adulta.
Sei de tantas pessoas que à falta de outro modelo qualquer acabam por repetir nos filhos o que criticavam nos pais. Eu sempre fiz questão de não repetir erros. Se não havia modelo em certas coisas, criei eu o meu próprio modelo. Isso de vivermos na sombra dos pais uma vida inteira, cobrando, protestando, atirando à cara, há muito que me passou do sistema.
Por exemplo, nunca houve em minha casa o costume das refeições à mesa. Geralmente era cada um para seu lado a horas dispersas, por isso uma coisa que me dá um certo prazer é a rotina do sentar à mesa para jantar.
Mesmo quando éramos só eu e o Hugo fazia questão de me sentar com ele durante o jantar numa cumplicidade que se cria apenas nestes momentos.
Hoje com a Alice e em breve com outro pimpolho por aí sinto cada vez mais como este tipo de rotinas é importante para uma criança, ou um jovem. É o nosso momento de família, uma espécie de porto seguro que nos faz sentir perto uns dos outros, que transmite uma certa segurança e sanidade.
É claro que isto não é rígido, geralmente aos fins de semana a coisa não é bem assim, mas mesmo aqui a Alice pergunta sempre: Então não nos sentamos juntos mãe?
E eu percebo como é nas coisas mais simples que os miúdos encontram a sua serenidade.

domingo, 18 de outubro de 2009

Eu não Corro Ando Depressa Como Tudo

Entre os meus traumas de juventude contam-se alguns episódios urbano-humilhantes, daqueles que nos fazem querer escavar um buraco para nos lançarmos no interior da terra até ao inferno.
Um desses episódios foi uma entrada atrasada no meu querido Quarteto (sala de cinema em Lisboa) e na escuridão do filme que começava malogradamente com uma cena nocturna, ter-me espatifado em pleno corredor, ladeada por filas e filas de cadeiras. Consegui ouvir os risinhos abafados e tudo. Remeti-me ao meu lugar e não me movi durante o filme inteiro, acho que nem dormi nessa noite, tal a humilhação.
Outra humilhação marcante foi numa corrida para apanhar o autocarro (ainda adolescente) ter-me espatifado também e ter visto os olhinhos de alegria dos passageiros que tinham ganho o dia com aquela cena agitada no meio da pasmaceira matinal.
Desde então que me recuso a correr para apanhar um transporte. Posso andar depressa cheia de classe, como se não quisesse nada com aquela carruagem de metro, como quem está só de passagem, mas correr jamais na vida. Até porque regra geral acabava sempre com as portas fechadas no trombil e um sorriso amarelo...

sábado, 17 de outubro de 2009

O Massacre do Blogue

Eu adoraria saber o que é que passa pela cabeça de alguém quando decide, sob a capa do anonimato, implicar com um certo blogger.
Ciúmes dos 124566 seguidores?
Ciúmes da vida do blogger?
Implicância só porque sim?
Síndrome do Funcionário Público (mais precisamente dos funcionários das repartições de finanças) que como não têm para si decidem complicar a vida de quem pode ter?
Maldade pura e dura daquela que faz os olhos ficarem vermelhos e envolve labaredas e corninhos diabólicos?
Frustração em último grau?
Conhece pessoalmente o blogger e como não o grama e não tem coragem de lhe fazer a vida negra cara a cara, faz-lhe a vida negra na blogosfera?
Dos milhões de motivos que me surgem na cabeça, não encontro um único bom motivo.
Ver que um certo blogue que admiramos termina porque a energia negativa em torno dele se revela insuportável, lixa-me tanto que não tenho palavras e só me faz pensar que a vida está mesmo cheia de pessoas estranhas...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Tralha

Todos nós conhecemos pelo menos uma pessoa acumuladora-compulsiva. Trocando por miúdos, uma pessoa que não consegue deitar nada fora. Tem o roupeiro atafulhado com roupas que não veste há mais de 10 anos, mas que pensa sempre que um dia voltará a usar, debaixo da cama caixas e caixinhas de tralha. Pratos velhos misturados com antigos, pois nunca tem coragem de se desfazer da loiça lascada. Armários com prateleiras vergadas pelo peso da tralha, papéis que vai simplesmente acumulando, desde talões de multibanco a recibos de restaurantes, a guardanapos de papel onde escrevinhou um qualquer número de telefone.
Caixas cheias de medicamentos fora de data, o frigorífico cheio de tudo e mais alguma coisa, inclusivamente cheiro a chouriço avinagrado.
Estas características podem não se acumular todas na mesma pessoa, mas certamente que terá uma, ou duas destas belas manias.
Eu reconheço que demoro mais tempo a deitar papéis fora do que devia, mas de resto tenho fobia de guardar porcarias, tralhas, roupas. De cada vez que faço uma razia ao meu armário sinto-me estranhamente leve, como se um peso me tivesse saído de cima. Eu acho que guardarmos muitas coisas que nos prendem, que nos atafulham, que nos puxam para dentro. A sério que estou profundamente convencida que o bem estar em nossa casa está directamente ligado à porcaria inútil que acumulamos.
Por isso é com espírito renovado que vos digo que enchi 3 sacos de roupa, lençóis, carteiras, sapatos. 3 sacos que tenho a certeza farão as delícias de alguém que precise realmente deles.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O quê Maitê Era Só Isso Daí?



Tanta coisa, tanta coisa e afinal de contas quando arranjo tempo para ouvir o famoso e já antigo vídeo da que sempre achei uma actriz medíocre (apenas dona de uma grande beleza) Mete na Proença é isto que me sai na rifa?
O famoso escarro que imaginei gutural, verde em forma de uma bola de golfe e bem saído das entranhas era um fiozinho ridículo de cuspo que escorre pelo queixo da bela mulher?
Nem sequer me arregaça as calças e obra no meio da metrópole?
Fraquinho, fraquinho. Eu sabia que ela não era grande espingarda na representação, mas se a sua carreira se afundar, o humor não será a sua bóia de salvação.
Quanto a mim tratou-se apenas da mais pura falta de jeito na arte da pantonomia. Os portugueses têm tanto para serem gozados, são um povo tão rico em potencial gozatório e a mulher atira completamente ao lado...
Até fiquei com pena dela.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Aperto na A5

O nosso aniversário de casamento foi muito bom, mas deixou marcas.
Almoçámos na Brasserie do Entrecosto (ahaha) no Chiado e aquele molho divinal com mais de 20 especiarias deixou-me, como dizer, com irritabilidade intestinal.
Estive basicamente doente e obrigada a comer arroz com frango desde domingo.
Hoje melhorei para grande alívio meu, pois de manhã tinha a famosa, esperada, ansiada ecografia das 22 semanas e não calhava nada bem andar a fugir para a casa de banho de cada vez que a sonda me pressionasse o abdómen.
Mais relaxada meti-me no carro rumo a Lisboa em plena hora de ponta e eis se não quando entre Carcavelos e o Estádio Nacional, com carros à frente, atrás, dos lados e por cima me vejo acometida não por uma cólica qualquer, mas por A CÓLICA do século. Aquela cujo apelo é tão, mas tão premente que conseguimos ouvir o organismo a gritar, a gemer, a implorar por alívio. Pus o ar condicionado no máximo numa vã tentativa para eliminar o suor de pânico e dor que me alagavam.
O que fazer numa situação destas? Chamar uma ambulância e pedir-lhes que tragam uma arrastadeira? Sair do carro e tirar de dentro da mala um pequeno bacio de emergência que trago sempre para a minha filha? Sair do carro e atirar-me para a divisória central no meio das moitas? Gritar por socorro sem parar? Suicidar-me?
Digo-vos que até hoje sempre pensei que estar aflita para urinar e não poder era muito mais insuportável do que estar aflita para outra coisa qualquer. Digo até hoje, pois hoje derrubei esse mito ao atingir o recorde do sofrimento orgânico. Até ao bebé pedi para se agarrar com força aos intestinos de forma a travar a catástrofe iminente.
Hoje perdi 10 anos de vida no trajecto Cascais-Lisboa.
E depois de escrever isto pergunto-me: O que raio é que acabei de escrever aqui? Nem sei se não apague isto mais tarde, mas precisava mesmo de desabafar...
Entretanto com tanto arroz com frango acho que perdi algumas gramas. Ao menos isso.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

145 Pulsações Por Minuto

145 pulsações por minuto é o ritmo com que o teu coração bate.
Quando saíres de dentro de mim conhecerás lentamente o ritmo de todos nós, umas vezes mais depressa quando sentires uma grande alegria, outras mais devagarinho quando o teu coração congelar por algum motivo menos bom. Mas agora são 145 pulsações por minuto e nenhuma pressa de coisa nenhuma.
Quando tiveres a minha idade vais perceber que muitas vezes seria bom controlarmos as batidas do nosso coração à velocidade necessária e vais descobrir também que não consegues. Que ele trabalha por ti maquinalmente sem nada poderes fazer para acertares a sua marcha ao teu ritmo.
Mas agora vives a 145 pulsações por minuto como se a pressa de alcançares o mundo fosse imensa, como se quisesses beber da vida cheio de sede, como se não pudesses esperar um minuto e no entanto, aqui estás tu sem nada que te preocupe além das minhas preocupações e eu tento não me preocupar muito por ti, pela tua irmã, pois sei que ainda vivem um bocadinho ao som das minhas próprias batidas.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Uma Questão de Direitos

Parece que foi aprovada uma lei na Polónia que prevê em alguns casos a castração química de pedófilos.
Parabéns Polónia!
Venham agora os defensores dos direitos dos animais, ups, dos direitos humanos, clamar contra tão bárbara decisão.
Que a prisão nada resolve nestes casos de taras incuráveis eu já sabia. Que a maioria deste tipo de criminosos que é posta em liberdade volta a reincidir, não é novidade. Então porquê o choque perante esta decisão?
Finalmente alguém se preocupa mais com os Direitos das crianças abusadas do que com os direitos dos abusadores.

domingo, 11 de outubro de 2009

Reza Eleitoral

Que ganhem candidatos que acabaram o curso a um Domingo e com envolvimentos por esclarecer em negócios obscuros, que ganhem candidatos que fogem na mala de um carro para o Brasil, que ganhem candidatos condenados a penas de prisão, mas por favor, pelo amor da santa e dos santos e de Deus Nosso Senhor Jesus Cristo que não ganhe o Paulo Pedroso em Almada. Porque se isso acontecer passo definitivamente um atestado de betão armado cerebral ao povo.

sábado, 10 de outubro de 2009

5 Anos De...


Hoje faz cinco anos que dissemos sim. Sim para o que der e vier, sim para o bem e para o mal, sim para o futuro, sim olhando o passado, sim hoje.
Cinco anos em que cada um seguiu de mão dada, lado a lado, deixando o outro adiantar-se e seguindo mais atrás, desviando-se quando foi preciso, atravessando-se quando chamado a defender.
Cinco anos do fogo à quietude, da ânsia à serenidade.
Cinco anos em que passámos de dois a quatro.
Se tivesse que definir como é estar casada contigo, por muito pouco romântico que possa soar à primeira, eu teria que te comparar àquele par de chinelos que calçamos quando chegamos a casa.
Podemos ter os sapatos mais elegantes do mundo nos pés enquanto jantamos num restaurante fino com pessoas de elite, mas por debaixo da mesa descalçamos os sapatos e suspiramos por aquele par de chinelos que nos aguardam em casa, que nos envolvem os pés numa carícia silenciosa. Aquele par de chinelos dos quais não conseguimos desfazer-nos porque o regresso a casa sem eles seria tremendamente frio.
Os meus chinelos são os teus braços quando me envolves, o teu ombro quando me sento ao teu lado após um dia cansativo e me encosto a ti sem ter que dizer nada de especial.
Os meus chinelos são as poucas flores que me ofereces, mas quando decides fazê-lo nunca me trazes rosas.
É bom saber que chego a casa para ti e que tu chegas a casa para mim.
É bom saber que os meus pés nunca mais vão ficar frios no Inverno...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Os Desgostos de Amor

Se me perguntarem do que mais tenho saudades no passado não é dos desgostos de amor.
De cada vez que os vejo bem lá atrás, enterrados às três pancadas, bem fundo, ou apenas à superfície sorrio pela paz, pelos dias sem atritos do presente.
Ainda lembro quando a dor me toldava a vida inteira, consumindo-me como uma espécie de sombra que me perseguia em cada música, filme, café, rua, perfume. Nada me trazia o esquecimento, nenhuma conversa era suficientemente anestesiante, nenhum filme suficientemente poderoso, nenhum livro ultrapassava o desgosto sentido bem nas entranhas de mim. Encarar os outros um martírio, explicar o que se passava uma tortura.
Nada, rigorosamente nada me esvaziava daquilo que me enchia o que precisava de espaço. Queria respirar e doía, queria conversar sobre outra coisa qualquer, mas na minha voz apenas habitava o desabafo, queria olhar um espaço em branco, mas tudo se preenchera com a sua imagem.
Os desgostos de amor consomem muito de nós e nada os aplaca além de um dia atrás do outro. Só mesmo o tempo, por muito lugar comum que possa soar, nos dá outra perspectiva de tudo.
Os desgostos de amor são como uma morte ao contrário, como ter que aprender a viver sem alguém que está vivo e ao nosso lado. Enterrar uma pessoa que vive é das tarefas mais hercúleas que se podem dar ao coração e o meu não tem a menor saudade de se sentir magoado.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

As Injustiças da Natureza

Ando numa fase de energia zero. Hoje lá fui fazer as análises de rotina quase de madrugada e dei por mim a fazer xixis em dois frascos, um antes, outro pós desinfestação bacteriológica, a tirar sangue antes de um copo de açúcar e depois do dito copo. A enfiar cotonetes em locais cuja timidez não me permite mencionar num espaço familiar como este e na espera a ler um livro de vampiros maléficos. Talvez a escolha mais idiota de leitura que poderia ter feito entre seringas sugadoras de ORH+.
Quando a simpática (devo frisar demasiado simpática e faladora compulsiva no plural) analista me enfiava a cotonete no sítio onde o sol não nasce e me dizia: Vá agora não se assuste vamos pôr no rabinho, eu pensei:
Mas porque porra não nos podemos revezar com o pai nas gravidezes?
Agora fico eu, no próximo ficas tu que é para veres o que é bom para a tosse!
Era esperar para ver as taxas de natalidade a cairem vertiginosamente...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Alguém me Ajuda?




Alguém me diz por favor o que é que o Herman José faz na candidatura à Câmara Municipal de Sintra, ou se estou a ver mal, o que é que a Ana Gomes faz num programa de humor?
O meu cérebro está a deitar fumo com tanto ilusionismo...

A Queda do Pedestal Materno

Eu gosto de explicar as coisas à Alice, não tenho grande medo das palavras e prefiro usar uma palavra bem dita e explicar o seu significado do que substitui-la por uma adaptação infantil. Nunca disse popó, sempre disse carro, piu-piu também nunca saiu da minha boca, porque não pássaro?
E do alto do meu pedestal estava convencida que não havia pergunta difícil demais, ou inquirição suficientemente complicada para me deixar sem resposta. Mas há dois dias atrás surgiu a temida, a pesadélica, a vampírica questão que tanto temia:
- Ó mãe como é que o nosso mano foi parar dentro da tua barriga?
Sorriso amarelo nos lábios, respirar fundo e zás:
- Então, muito simples, o pai plantou uma semente na minha barriga.
Sorriso fascinado do outro lado.
- A sério??? E regou???
- Claro, vá agora dorme que já é tarde, muitos beijinhos até amanhã - Enfiando-lhe os lençóis sobre o corpo pensei ter dado cabo da coisa da forma mais limpa e sem espinhas possível.
Passou-se um dia e alguma coisa dentro de mim me dizia que a segunda parte do interrogatório estava a fermentar no seu pequeno cérebro...
- Ó mãe?
Tremi.
- Sim querida.
- Como é que o pai pôs a semente na tua barriga?
Sorriso amarelo.
- Olha ali no tecto um passarinho! E fugi porta fora.
Agora digam-me que espécie de mãe cobarde e campónia sou eu?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Longe dos Olhos mas Perto do Coração

Quando comecei este blog longe estava eu de pensar que me ligaria tanto a tantas pessoas.
Se me dissessem que me preocuparia de verdade com caras que nunca vi, muitas cujos traços nem conheço, acho que soltaria várias gargalhadas, umas atrás das outras, pois sempre fui muito céptica nestas coisas virtuais.
Mas eis-me preocupada, comovida, feliz, apreensiva. Vibrando com uma vitória, desanimando com uma derrota, felicitando, apoiando pessoas que só conheço daqui, pelo que escrevem, pelo que desejam mostrar de si.
Sei que ninguém conhece ninguém por um blog, sem olhar nos olhos, sem escutar a voz, sem viver lá fora na vida real. Mas que sinto que conheço muitos de vós desde sempre sinto e isso já ninguém me pode tirar. Sou uma pessoa mais rica desde que por aqui ando, obrigada por isso :)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Dia 5 de Outubro, Ou a Minha Nostalgia Monárquica

Atirem-me pedras se quiserem, cuspam na minha imagem retrógrada com desprezo, mas hoje, dia 5 de Outubro apetecia-me ter um Rei.
Bem sei que não os escolhemos, que podem ter taras genéticas, que não podemos mandá-los embora (se bem que há sempre a hipótese de um golpe), mas tenho dias em que me apetecia simplesmente ser um bocadinho mais patriota e vá-se lá saber porquê as monarquias instigam o patriotismo que há em mim. Talvez pelos Séculos inteiros de história em que este país brilhou sob a égide de tantos monarcas.
Depois vejamos bem. Será que podemos dizer que a Inglaterra, a Dinamarca, a Suécia, a Espanha são países merdosos e menos democráticos por terem lá a família real?
Sim, a família real dá despesa, mas um rei é educado desde o berço para nos representar. Não tem ali absolutamente nenhum interesse pessoal além do país. Não procura estatuto, não se deixa cegar pelo poder, não quer subir a escadaria política, não ascendeu àquela condição através de nenhum partido político.
E hoje em dia tem uma espécie de poder calmante sobre a populaça, anestesiando-os num interminável folhetim de acontecimentos (como as novelas da Tvi). Ora vamos lá ver o casamento da Princesa, olha o baptizado do pequeno príncipe.
Num regime semi-presidencial como o nosso em que o Presidente da República passa a maior parte do tempo a dizer que não se mete em nada, nem nas comemorações da República digam-me por favor que mal faria um rei em seu lugar?

domingo, 4 de outubro de 2009

As Pessoas a Preto e Branco

As pessoas a preto e branco não gostam de outros pontos de vista, de alegrias alheias, de quem seja diferente.
As pessoas a preto e branco regem-se por um conjunto de normas que pré-estabeleceram e fora das quais não ousam conceber a sua vida.
As pessoas a preto e branco nunca votam fora do seu partido, não se interessam por crenças fora da sua religião, que muitas vezes desconhecem de raiz. Pensam que ser bom cristão é ir às missas e rezar o Pai Nosso e riscam com uma pesada cruz vermelha de censura quem não lhes siga os rituais.
As pessoas a preto e branco imaginam que a felicidade dos outros só é possível se for igual à sua e não conseguem rir de si próprias.
As pessoas a preto e branco não gostam de muitas cores, preferem a segurança do preto, ou do branco.
As pessoas a preto e branco não escutam a outra parte numa discussão, ora dando o braço a torcer, ora lutando com todas as forças pelo seu ponto de vista. Limitam-se a repetir os mesmos argumentos até à exaustão.
As pessoas a preto e branco são, acima de tudo, tremendamente chatas.

sábado, 3 de outubro de 2009

AHAHAHAHAH


Para quem precise de rir carregue no Play por favor :)
Que saudades do Jô.

Um fim de Tarde em Cheio

Hoje senti-me uma estrangeira em Lisboa, no bom sentido é claro. Há dias em que simplesmente ela volta a ser a minha cidade e hoje foi um deles.
A música ao ar livre pelas ruas da baixa foi uma daquelas iniciativas louváveis que tanto invejamos noutras cidades e que hoje aconteceu por lá.
A Alice adorou ver os Pequenos Violinos da Orquestra Metropolitana e eu adorei ficar sentada em frente ao S. Carlos a ouvir os miúdos tocar.
Seguiu-se um passeio de fim de tarde pelo Chiado e percebi que tenho que lá ir mais vezes, matar saudades, mostrar à minha filha os sítios onde costumava ir quando aquelas ruas faziam parte do meu quotidiano.
Hoje Lisboa encheu-nos as medidas e os ouvidos de música :)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Lições no Parque / ou Os Putos dos Outros


Muitas vezes uma ida ao parque com os nossos filhos dá-nos grandes chapadas na cara, chapadas emocionais claro, senão vejamos as lições retiradas de uma tarde passada num espaço recém-criado ao ar livre, que é como quem diz, num espaço feito à pressão antes das autárquicas:
Lição Número 1: Há sempre um puto que se porta 1 milhão de vezes pior do que a nossa filha, fazendo cerca de 10 birras por segundo, daquelas de bater o pé e de se atirar para o meio do chão lamacento.
Lição Número 2: Há sempre alguma mãe que grita mais alto, que se enerva mais depressa, que tem menos paciência do que nós.
Lição Número 3: Quando dizemos que a nossa filha não obedece à primeira devemos morder a língua, pois filhos há que nunca, jamais obedecem a coisa nenhuma.
Lição Número 4 e talvez a mais importante: Manter sempre o triciclo da nossa filhota a um passo de distância, evita que tenhamos que andar a correr atrás de um puto esperto que não sabe a diferença entre objectos alheios e objectos próprios. Evita um ataque de pânico no nosso rebento.
Conclusão Final: Os putos são regra geral chatos, mas o lado bom é que muitas vezes os putos dos outros conseguem fazer-nos sentir com uma sorte desmedida por a nossa não ser assim :)

Morre Lentamente

Já tinha deixado aqui este texto (correcção mais do que justa e necessária) de Martha Medeiros que sempre fez tanto, mas tanto sentido para mim e hoje é um dia tão bom como outro qualquer para me agarrar a cada frase com todas as forças e sair da inércia que me tem toldado o caminho...

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não arrisca vestir uma cor nova e não fala com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro ao invés do branco e os pingos nos iis a um redemoinho de emoções, exactamente o que resgata o brilho nos olhos, o sorriso nos lábios e o coração aos tropeços.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho.
Morre lentamente quem não viaja, não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, ouvir conselhos sensatos, quem passa os dias queixando-se da má sorte, ou da chuva incessante. Quem destroi o seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem abandona um projecto antes de o começar, nunca pergunta sobre um assunto que desconhece e nem responde quando lhe perguntam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em suaves porções, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples ar que respiramos.
Somente com infinita paciência conseguiremos a verdadeira felicidade.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Agora Não é o Momento Oportuno



Sempre que o via lembrava-me inconscientemente de uma velhota transmontana de lenço na mona (sem ofensa para a velhota). Desde o riso, aos maxilares com estrutura desdentada, à forma de se expressar muito campónia.
De todos os horrores sofridos na aventura política portuguesa, este foi sem dúvida um dos meus piores pesadelos. Ele não tinha carisma, ele não tinha fibra, ele não tinha presença, ele não tinha rigorosamente nada que cheirasse sequer a chefe de estado, mas eis que se torna mesmo Presidente.
O que fazer então? Associar com orgulho o seu rosto ao nosso país, ou esconder-me debaixo de uma mesa de cada vez que me perguntassem quem era o meu Presidente?
O nunca ser oportuno falar sobre coisa nenhuma revelou-se o seu slogan, a sua bandeira orgulhosamente hasteada perante toda e qualquer questão. Mas até nisso o homem falhou. Quando finalmente decidiu abrir a boca serviu apenas para nos deixar com a certeza absoluta que mais valia ter ficado calado.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Paixão Antiga



E hoje lembrei-me de uma paixão antiga, daqueles tempos em que amávamos de verdade os vocalistas dos nossos grupos de eleição. Dos tempos em que ter Mtv em casa era um luxo e de cada vez que aparecia um teledisco que gostávamos púnhamos o volume no máximo e cantavamos as letras que sabíamos de cor, imitando gestos, manias e tiques.
Eddie Vedder foi durante muito tempo uma paixão séria, os olhos verdes, os calções pelas canelas que subiam de cada vez que ele encostava o pé numa coluna cedendo à emoção que a música lhe provocava, os cabelos compridos, a forma com que cantava com a boca quase fechada, expressão zangada e compenetrada. Tudo nele era absolutamente apaixonável e claro que eu me apaixonei perdidamente, tal como também seria capaz de qualquer loucura por Axel Rose, inclusivamente andar com um lenço na tola para imitar o meu ídolo.
A música era tão, ou mais importante para mim, do que o ar que respirava e simplesmente não concebia uma ida para a escola sem os meus Walkmen da Sony enfiados nas orelhas, perdida no meu próprio mundo.
Esta, apesar de não ser do primeiro álbum dos Pearl Jam, é a música deles que mais recordações me traz e que nunca, nunca me canso de ouvir como se o fizesse pela primeira vez.
Agora percebo como ter entrado nos 30 é bom, podemos dizer que andámos com um lenço na testa a imitar o Axel Rose sem medo de sermos gozados em praça pública. É outro estatuto...

Obrigada Miguel por me teres feito lembrar :)

Almoço Tântrico

Nunca vos aconteceu estarem cheios de pressa, ou simplesmente padecerem de bichos carpinteiros (maleita de que sofro bastante ultimamente) e partilharem um almoço com alguém que em vez de comer faz sexo tântrico com os alimentos?
Nós já acabámos o bife de 500 gr (ah ah), mais batata gratinada, mais leguminosas e olhamos de lado a vitrina das sobremesas, tentando evitar que a baba escorra pelo queixo e o nosso parceiro de mesa ainda vai na terceira garfada. Interrompe a degustação para contar qualquer coisa sem interesse, pois geralmente também não há grande sequência lógica na narração de histórias e mastiga, mastiga, mastiga, para regressar ao prato ainda cheio, demasiado cheio para ser possível suportar a espera.
Olho para o companheiro de refeição em câmara lenta e parece até que vejo os alimentos no interior da sua boca chata a serem triturados com uma lentidão devastadora. A sua voz espalhando tédio em nosso redor, a boca que se chega ao copo para ajudar a diluir o bolo alimentar sem sucesso.
A carne não é dura de roer, as batatas são deliciosas, mas ele insiste na demora, levando-nos à loucura. O suor escorre em bica pelas nossas costas desconfortáveis pelas horas de espera e a febre parece escaldar-nos o rosto ansioso.
Às tantas pegamos no nosso próprio garfo e dizemos que ficámos com fome, roubando um bocadinho do prato dele só para tentar adiantar o processo.
Mas aí vem a história de como um bife deve ser cozinhado para ficar perfeito, que já a mãezinha dele comprava no talho gourmet da esquina com a Alexandre Herculano, perto daquele café mítico e a propósito, a mãe dele nasceu numa zona do país em que se cozinha muito bem a carne, ai ele gosta tanto de viajar pelo país em maratonas de degustação, a propósito de maratonas...
Então concluímos que também faz sexo tântrico com as histórias que conta e não aguentamos mais, pegamos na carteira e voamos dali para fora (em pensamento é claro).

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Sem a Cor do Amor

Para uns começa com um simples olhar na direcção de alguém.
Para outros é preciso caminhar muito lado a lado até perceberem que não faz mais sentido percorrer o caminho sem o som daqueles passos na sua vida.
Há quem diga que se enganou muitas vezes até acertar e quando finalmente acertou o sabor da vitória foi mil vezes mais intenso.
Há quem diga que aconteceu mesmo antes de acontecer e o reconhecimento foi imediato.
Depois temos os que se atiram de corpo e alma logo de uma vez e os que pé, ante pé vão chegando lá.
Os que sofreram e deixam de acreditar, os que querem continuar a acreditar apesar de terem sofrido, os que não desistem nunca, os eternos desistentes. Os amantes de tirar o fôlego, os que vão cortando devagarinho a respiração.
Sob que forma for este pano de fundo que rege os nossos passos, a realidade é que a vida sem a emoção do amor não tem a mesma cor.

Esta deve ser a nova fase das hormonas, a fase cor de rosa do amor...

domingo, 27 de setembro de 2009

X ou Y

Hoje é que vai ser o dia de reflexão. Não ontem, hoje sim, já sei que vou reflectir acerca do que move o povo, do que o impulsiona a votar x em vez de y.
Tal como nas autárquicas em certos Concelhos me mijo a rir por ver serem reeleitos corruptos, malabaristas que fogem para o Brasil e atravessam fronteiras em bagageiras de carros, também nas legislativas é interessante assistir ao povo que se queixa amargamente durante anos seguidos e depois ou fica em casa a coçar a micose e não vota, ou vota no carrasco que tanto criticou.
Foi com este espírito democrático-tuga no pensamento que fui cumprir o meu dever cívico logo pela matina e não deixa de ser engraçado votar num clube recreativo de uma aldeia. Sim porque moro no Concelho de Cascais, mas como diz a Melissa, vivo no Campo (ah ah). Adoro ir votar aqui e ver os filhos que acompanham os pais até ao local e lhe indicam com um dedo bem espetado na vitrine, qual o símbolo partidário que eles deverão escolher para assinalar com a cruz. Sem dúvida que chega um momento da vida de muitos pais em que a lei da paternidade se altera e passam a ser os filhos quem manda.
Quanto a mim, por muito que queira simplesmente não consigo votar em quem não acredito só para que não vença quem não quero que ganhe. Complicada mental? Talvez, mas a minha mão recusa-se a enfiar cruzes sem significado e ainda não está na altura dos meus filhos decidirem por mim...

sábado, 26 de setembro de 2009

Hoje Apetecia-me uma Grande História de Amor

Como não tenho tempo para reler, hoje apetecia-me rever todas as grandes histórias de amor que foram adaptadas da literatura para o cinema e as que surgiram apenas da imaginação de um talentoso argumentista, sem excepção.
Apetecia-me um daqueles sofás intermináveis onde nos afundamos, apetecia-me um bocadinho mais de frio lá fora e a televisão a rodar histórias de amor até o sono vencer e ainda assim adormecer envolvida pelo ruído de fundo das declarações apaixonadas.
Apetecia-me ser de novo adolescente e chorar o céu e a terra no final do filme, vibrar com o primeiro beijo debaixo de chuva torrencial, pois não há como beijos sob a chuva. Apetecia-me resgatar toda a inocência dos primeiros anos do coração e viver intensamente todas as histórias de amor como se fossem a minha.





sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Um Grito na Escuridão

Uma das coisas que mudou da gravidez da Alice para esta foi o estado de vigília nocturna do Hugo que foi decrescendo até ficar no nível zero. Ele não acorda com rigorosamente nada. Por isso esta noite, ao ser violentamente despertada por uma cãibra daquelas que nos fazem gritar de pura dor e paralisia, daquelas em que simplesmente não conseguimos esticar a perna sem que tenhamos mil punhais a trespassar-nos a musculatura, a primeira coisa que fiz foi agarrar-me aos seus cabelos, enquanto gritava por ajuda, qual filme de terror a 3 dimensões.
O puxão de cabelos resultou e o meu marido lançou-se sobre a minha perna com uma prontidão comovente, massajou, esticou, beijou.... A perna errrada. Quando finalmente percebeu que não era aquela a perna atingida pela dor, mudou com a rapidez que o sono lhe permitiu e massajou, faz festas sobre... A zona errada. Quando reparo melhor já ele estava de olhos fechados a massajar-me a cabeça.
Enfim, não se pode pedir tudo, mas que ele tentou, tentou...

As cãibras são mais uma faceta da gravidez. Sim eu já sei que é falta de magnésio, mas eu até durmo com uma banana, por isso não sei que mais fazer.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A Limpeza da Cavidade Central

Alguém consegue explicar-me, ou desfazer-me a dúvida numa questão de vital importância por favor. É impressão minha ou a maioria dos homens dobra o papel higiénico simétrica e meticulosamente antes de limpar, como dizer de forma bonita, hmmmm, antes de limpar os resíduos sólidos orgânicos da cavidade central?
Depois não se importam com o que fica para trás, mas quando limpam o traseiro a coisa tem que ser feita com rigor espartano, de forma quase sublime. Aquilo é uma ciência. Qual origami, qual quê? Ponham os olhos na dobragem do higiénico que muitos homens fazem, isso sim é arte.
Contrariamente aos hábitos de asseio masculino a maioria das mulheres que conheço limita-se a emaranhar uma bola de papel higiénico para o efeito.
Eu acho a bola bem mais eficaz, não se rasga, proporciona um conforto almofadado, mas enfim, isto sou eu, uma leiga nestes assuntos do origami wc.

O Nosso Piano

Eu não sou peneirenta, nem nova rica, a sério que não sou. Jamais compraria livros a metro para enfeitar as prateleiras, preferiria sempre uma pequena casa charmosa e com alma a um palacete dourado e preto, optaria sempre por carros discretos em vez de Ferraris amarelos(tudo isto se ganhasse no Euromilhões).
Por isso quando vos disser que comprei um piano decrépito e desafinado para ter na minha sala, quando a única coisa que sei tocar é os Parabéns a Você e a Música no Coração, vocês vão pensar, mas que raio. Para que é que alguém que não toca um corno foi comprar um piano velho e sem préstimo para decorar a sala?
E eu vou responder-vos da única maneira que posso: Não faço a mais pálida ideia.
Cedi a um impulso. O dono do piano ia voltar à sua terra natal nos Estados Unidos e queria desfazer-se dele por uma bagatela. Pertencera à sua mãe, por isso custava-lhe deixar o piano sem dono e aqui a Ana que sempre sonhou aprender um instrumento qualquer, mas cuja mãe nunca achou necessário investir nisso, decidiu aos 34 anos enfiar um instrumento musical de alguma envergadura (não tem cauda) na sala.
A realidade é que a Alice deixou de ligar à televisão com tantas teclas ao seu dispor e ainda não se cansou de largar notas desafinadas pela casa.
Querem saber o mais estranho? Não me incomoda nem um pouco. Quem sabe, pode ser que ela lhe ganhe o gosto...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Para Ouvir Por Favor


Não sou grande fã de Jazz, mas a primeira vez que ouvi o Jacques Loussier Trio a interpretar Bach fiquei rendida do princípio ao fim.
Não sejam chatos e oiçam por favor. Esta mistura de estilos, um que se transforma no outro. Os dois que se confundem fazem-me sempre suspender o coração.
Simplesmente adoro ouvir coisas deste género. É como se servissem para lembrar a toda a gente que a música clássica é definitivamente intemporal.

Chegaram!


Lembram-se de vos ter falado nas medalhas? Pois é chegaram hoje de manhã cedo e não desiludiram.
Difícil mesmo foi fotografá-las. Odeio e adoro máquinas digitais.
Decidi imortalizá-las (eh eh) sobre um dos meus postais de eleição que alguém me enviou um dia, depois de um grande sucesso na minha vida.
Nele repousa uma frase banal, mas cheia de significado. Uma frase que tento sempre não esquecer de cada vez que sinto o chão fugir-me sob os pés:
"Quando uma porta se fecha, abre-se sempre algures uma janela".

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Se Não For de Farda Não Sou Ninguém

Então parece que os nossos médicos e enfermeiros se passeiam fora do recinto hospitalar (mais concretamente em shoppings à hora de almoço) de batinha vestida e estetoscópio ao pescoço.
Nada que eu já não soubesse, pois aqui em Cascais é vê-los a vever a vica na tasca da esquina todos vestidos a rigor.
Ando eu, uma comum mortal, preocupada com coisas precárias e saloias como a higiéne das mãos e andam eles a trocar bichos de dentro para fora e de fora para dentro, só porque senão forem assim vestidos ninguém adivinha que são Senhores Doutores.
Chamem-me parva, mas pensei que eles, acima de qualquer classe, deviam dar o exemplo.

Ser Mãe a Tempo Inteiro

E sobre a profissão mais mal paga do mundo (em termos monetários) deixem que vos diga:
Ser mãe a tempo inteiro ainda é muito pouco valorizado por muita gente, até mesmo pelo pai quando bate a porta de manhã e sai da rotina caseira.
Ser mãe a tempo inteiro exige mais de uma mulher do que muitas profissões das 9 às 5.
Ser mãe a tempo inteiro muitas vezes desgasta-nos por dentro e por fora, principalmente quando tentamos decifrá-los, desdobrá-los, entendê-los, adaptá-los a nós e nós a eles.
Ser mãe a tempo inteiro muitas vezes tira-nos a força anímica que precisamos para coisas mais criativas.
Ser mãe a tempo inteiro é um permanente exercício de altruísmo na sua forma mais pura.
Ser mãe a tempo inteiro muitas vezes tira-nos força para mostrarmos de formas românticas e intensas que continuamos a amar muito o nosso marido.
Ser mãe a tempo inteiro deixa-nos muitos dias à beira de um ataque de nervos e muitos outros à beira de outra coisa qualquer.
Ser mãe a tempo inteiro é tanta, mas tanta coisa mais do que é possível deixar aqui escrito e meu Deus como seria bom estar escrito num qualquer lugar a chave do sucesso, mas não está.
Somos nós que conquistamos o sucesso a pulso, um sucesso invisível que mais ninguém celebra ao nosso lado, pois só nós sabemos como foi chegar ali.
Se trocava os dias que passei a descobrir tudo isto por alguma coisa?
Não, nunca. Jamais diria que o tempo que passei com a minha filha foi desperdício, ou em vão, pois ela é simplesmente a parte melhor da minha vida.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A Parte Melhor


A parte melhor de fazer um bolo é rapar o recipiente onde se prepararam os ingredientes, principalmente quando se deixa de propósito uma quantidade generosa de "massa" esquecida no seu interior.
Mas não pode ser rapada com um objecto qualquer, que isto tem arte, tem que ser com os próprios dedos e mais para o fim, quando os dedos emporcalhados já não conseguirem cumprir tão nobre missão, com o insubstituível rapa-tudo, ou Salazar como lhe chama a minha avó :)
A Alice ainda não desenvolveu este gosto, é mais adepta de furar o bolo com o dedo depois deste estar pronto.

Amo-te

São poucos os que entendem valorizar antes de perderem.
Menos ainda os que apreciam a cada instante que passa a dádiva que é estarem bem e terem ao vosso lado quem se preocupe.
O número daqueles que sabem amar antes de perderem um grande amor conta-se rapidamente, a uma velocidade triste e irremediável.
Quantas vezes não ouvimos alguém queixar-se dos milhões de defeitos do companheiro de vida, para quando o perde lhe angariar outras tantas virtudes?
Onde é que estão as virtudes presentes? Porquê falar nelas apenas no passado?
Vamos dizer a quem amamos o quanto amamos, mas agora. Não há cá adivinhas, nem gestos subtis de paixão. As palavras fazem falta, tanta falta como o ar que respiramos. Sem palavras vivemos surdos de amor.
Há coisas que não apetece adivinhar, que apetece loucamente ouvir uma e outra vez, até que deixem de doer as hipóteses. Até que deixe de cansar perscrutar cada gesto, cada atitude em busca da resposta procurada.
Depois de uma noite em claro a assoar narizes, a embalar choros sobre a barriga inchada de vida, sinto-me sempre incapaz de amar quem quer que seja, além da minha cama. Mas foi precisamente hoje que gostei mais de ouvir a palavra amo-te a duas vozes diferentes.

domingo, 20 de setembro de 2009

Quando Estou Doente

Quando estou doente, ou tremendamente mal disposta fisicamente não gosto que dramatizem, mas também odeio que me ignorem.
Não gosto que me perguntem de 5 em 5 minutos se me sinto melhor, nem que se esqueçam de o fazer.
Não preciso que me encham constantemente de abraços, mas uma festinha nos cabelos de vez em quando é bom.
Aprecio quem zela pelo meu descanso silenciosamente, poupando-me a pequenas tarefas sem ter que ser chamado à atenção. Não gosto quando fingem esquecer-se da minha má disposição, tendo que ser eu a lembrá-la.
Enfim sou uma grande chata, principalmente quando estou ranhosa e com dores de garganta, juntamente com a minha filha...
A-a-a-a-a-a--Tchiiiiiiiiiiiiiiiiim!

sábado, 19 de setembro de 2009

Impossíveis de Esquecer



Que saudades de abrir a capa maleável dos meus livros de infância em busca dos fiéis companheiros de horas livres. A emoção de iniciar cada história, como se também eu fizesse parte das letras, as viagens que fiz juntamente com eles, o frio no estômago de cada vez que corriam perigo, o desejo apaixonado de ter um cão como o Tim que me salvasse sempre que estivesse em apuros.
As lágrimas pelas histórias tristes de burros mal tratados, de meninos orfãos. A raiva pelo mimo de Sofia nos seus atribulados desastres.
Olhando para trás, se tivesse que enumerar alguns dos melhores momentos da minha meninice, no topo da lista estariam certamente, as horas que passei com eles.
Hoje em dia vejo jovens a bufarem ante a perspectiva de livros tão simples e geniais como os Maias e pergunto-me se na meninice deles alguma vez terão começado pelos livros certos...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

As Feiras e Eu

Sempre tive uma espécie de inveja esverdeada daquelas pessoas que caminham por uma feira como se estivessem em casa (não, não me refiro ao Paulo Portas).
Penetram no recinto com uma segurança avassaladora e encaminham-se directamente para a selecção que pretendem. Sabem onde encontrar as verdadeiras pechinchas de "qualidade", como lhes chamam, regateiam se preciso for, enfrentam o vendedor com olhar manhoso, torcendo o nariz em jeito de desconfiança quando aquele lhes grita o preço.
Jamais cedem ao cansaço prosseguindo na sua marcha feirante de sacos em riste, só descansando quando o controlado orçamento se esgota.
Chegam a casa com uma sensação de vitória contagiante e despejam os sacos, mostrando o produto do dia ao parceiro, aguardando os elogios que se seguirão.
Pois eu taralhoca me confesso. Não sei orientar-me em feiras, canso-me só de olhar em volta e nunca sei para onde dirigir a minha atenção, que geralmente foge sempre para as bancadas que vendem pão com chouriço. O mais próximo que estive de regatear com um membro de etnia cigana (que politicamente correcta que sou), foi quando quis fugir a uma investida de um vendedor de relógios manhosos e ele interpretou a fuga como bluff, descendo dos 30 Euros para os 10 sem que eu fizesse rigorosamente nada, aliás, sem que eu abrisse a boca e ainda me disse que eu era boa naquilo.
As poucas vezes que consegui efectivamente comprar alguma peça de roupa, depois de chegar a casa e de a lavar transformou-se num produto completamente diferente daquele que tinha trazido da feira.
Por tudo isto desisti de feiras. Não que seja demasiado boa para feiras, elas é que são demasiado complexas para mim.
E assim me vou contentando com as lojas organizadas e com preços estonteantemente baratos, como a que me deram a conhecer outro dia no grande Dolce Vitta Tejo (Prismark acho eu).

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Abraça-me Agora


A Lia ofereceu-me este francobolo (selo em italiano. Sou mesmo culta). Bem sei que ando um bocado afastada desta coisa dos selos e dos prémios, pois a minha preguicite que cavalga para crónica tem-me impedido de prestar a devida atenção a todas estas performances recebe selo, cola selo, mete desafio, desafia, copy, paste, corta e sei lá mais o quê.
Mas achei tanta graça a esta imagem e tão ternurento o desafio que decidi espetar com ele aqui e é claro chatear mais alguém com ele.
Comecemos então pelas 4 perguntas:
1 - Quem mais gostas de abraçar no presente?
- A minha almofada banana (perdoem a falta de romantismo)
2 - Quem nunca abraçarias? Quem quer que não me apetecesse abraçar. Odeio abraços pouco sinceros.
3 - A quem davas tudo para poder abraçar? Todos aqueles que não abracei as vezes necessárias por pensar que teria sempre tempo para o fazer.
4 - A quem davas o teu melhor abraço? Primeiro que tudo há que definir o que é o meu melhor abraço. Não é um simples colocar de braços inertes em redor de alguém, é muito mais. É comunicar com toda a força do silêncio até ouvirmos apenas o coração um do outro. A força com que se aperta tem que ser na exacta proporção da emoção que sentimos, por isso quanto mais apertado, mais temos a certeza que a emoção é genuína e forte. Temos que nos debater para nos soltarmos, tal é a vontade de permanecermos assim para sempre.
Por tudo isto penso que daria o meu melhor abraço àqueles que me abraçam assim.

Passo este abraço e este francobolo a:
Joaníssima que se queixou de falta de desafios. Bem sei que este não é personalizado, mas sempre te vai entretendo.
À Ana. porque se tem revelado alguém que me apetecia simplesmente abraçar.
Ao querido enfermeiro Miguel, pois só me apetece dizer-lhe: Venha daí esse abraço! E porque gosto de o ver escrever coisas de gaja só para chatear.
Ao João Pedro pois é um incurável romântico e sem medo de falar do coração.

Um Ritmo Diferente

Eu sabia que muita coisa ia mudar quando decidi ser mãe. Muita coisa para melhor, outra para simplesmente diferente. De entre tudo o que ficou diferente no meu dia-a-dia, aquilo que mais me marcou foi o ritmo dos passeios.
Passear, ver montras, ir comprar um par de sapatos, dar uma volta no shopping, ou na rua das lojas nunca mais foi o mesmo.
Senão vejamos, um percurso que demorava 5 minutos a fazer agora percorro-o em 20 minutos. Ela pára em todo o lado, delicia-se com um banco de jardim mais exótico, com alguma coisa que vê numa montra, com um cão sarnento e abandonado que deambula pelas ruas, ela detém-se quando vê um McDonalds e diz-me sempre que está cheia de fome (treta absoluta, ela só quer o brinquedo do HappyMeal que nem gosta de comer), ela dá pequenos saltinhos vagarosos, ora com os dois pés, ora a pé coxinho. Mas andar ao meu ritmo não, simplesmente não o faz, não sabe, não consegue, não está no seu mapa mental andar depressa.
Por isso quando vejo a livraria que quero alcançar a poucos metros de distância sei que vou demorar uma eternidade a atravessar as suas portas e uma dupla eternidade para voltar a sair.
Se há dias em que esbanjo paciência, outros há em que suo em bica, em que só quero despachar-me de uma vez por todas. Mas em ambas as situações é-lhe perfeitamente indiferente o meu estado de espírito, ela só anda ao seu próprio ritmo e eu, tenho que abrandar o meu, custe o que custar...

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O Som da Música

Sempre gostei de coleccionar música. Se alguma canção me vinha ao pensamento podem ter a certeza que o respectivo disco repousava em alguma das minhas prateleiras. Ainda hoje guardo verdadeiras pérolas de memória que ponho a tocar de cada vez que quero recordar o que quer que seja.
Também sempre gostei muito de cinema e das bandas sonoras que dão vida ao filme. Para mim um filme que não tenha atrás de si uma música que nos comova, que nos alegre, que nos atemorize, não está de todo completo.
Presto sempre uma atenção doida à Banda Sonora e colecciono-as há anos. Não há absolutamente nada mais indicado para trabalhar, neste caso em novelas.
Quando escrevo uma cena profundamente romântica, nada melhor do que um disco que me lembre as imagens de um filme profundamente romântico. Já escrevi grandes cenas de amor ao som de Rob Roy, das Pontes de Madisson County, do Encantador de Cavalos, de um filmezinho absolutamente maravilhoso com a Sandra Bullock que retratava os primeiros anos de vida de Emmingway. Acreditem que inspira.
Depois tenho uma paixão antiga, incutida desde cedo pelo meu pai e a qual lhe hei de agradecer para sempre: A música clássica. Tenho um cantinho aqui em casa dedicado a esse estimulador espiritual com um pequeno retrato de Mozart (que trouxe de Salzburgo) a guardá-los bem de perto (aos cd's).
Só tenho pena de não poder escutá-la tão alto como antigamente, pois tenho sempre protestos familiares de cada vez que ponho o volume no máximo para melhor dar ouvidos a uma obra de algum dos meus heróis. Para mim uma ópera, uma música barroca, uma peça de piano, é para ser ouvida no máximo sempre, para sempre...

Um Cantinho Aqui de Casa

Sangue Fresco

Caiu uma avioneta em Castro Verde e parece que morreram todos os passageiros. Mas os nossos queridos jornalistas, não contentes com as imagens do aparelho destruído, tiveram que fazer um grande plano do sangue num dos assentos da aeronave.
Há um acidente grave numa qualquer estrada do país, aí vão os repórteres de imagem a espumarem pelo belo do destroço e é claro que além de captarem as imagens do carro feito em fanicos decidem que é um belo contributo para a informação, apanharem também o corpo dentro de um saco preto e, claro está, as manchas de sangue no chão, pois ninguém acreditaria que um carro partido em dois e feito numa lata aberta de sardinhas, poderia ter provocado feridos. É preciso o sangue seco para nos fazer acreditar.
Há um tiroteio numa tasca, algures numa vila perdida no interior do país. Além de falar na troca de tiros por motivos passionais, ali está a repórter lado a lado com a mancha de sangue no pavimento.
Ora a minha pergunta é: Porque é que não põem lá o dedinho e provam só para tirar mesmo as teimas de uma vez por todas?

terça-feira, 15 de setembro de 2009

As Fotografias do Ventre

Que me perdoem as grávidas que hipoteticamente não pensam como eu e que se rendem a esta prática tão comum entre a comunidade, mas eu tinha que falar nas fotografias do ventre.
Sim, eu sei que tal como as fotografias que se tiram antes do casório na casa da noiva, com esta espojada sobre o leito na colcha de renda de família, também as fotografias ao ventre arredondado e maternal são uma tradição, um must neste mundo gestacional.
Mas o que é que querem, aquilo faz-me comichões no ventre, as poses, as mãos debaixo do imenso globo sem umbigo em carícia, a circundarem, a enlaçarem juntamente com as mãos do pai, o sorriso embevecido que tempera toda a performance, tudo aquilo é demais para mim e penso quanto teriam que me pagar para me fotografarem assim.
Tirando raras excepções em que a coisa é feita com bom gosto (tentei encontrar as fotos da Melissa para linkar, mas não consegui), as fotografias de grávidas são de bradar aos céus, às terras e ao universo que nos rodeia.

Eu não falo de todas as fotos de grávida, vejam só estas. Quem pode não gostar? A fotógrafa faz toda a diferença :)
E estas que dão para confirmar a qualidade da fotógrafa, mas não são de grávida :)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ser Mãe É Também Seguir Coração

Eu fui mãe depois dos 30, mas isso não quer dizer que sempre me tenha sentido uma mulher adulta e responsável ao longo de todo o processo. Há dias em que me sinto muito filha, outros há em que me sinto mais mãe.
Quando tomo decisões mais importantes em relação à Alice muitas vezes olho em volta em busca de um olhar aprovador e só depois percebo que o olhar sou eu que tenho que o dar e mais ninguém.
Saber se demos o passo acertado, ou não. Se aquilo que escolhemos é de facto o caminho a trilhar, se a resposta que demos é a que responde de verdade àquela pergunta são passos que em última instância damos sós, no mais íntimo que nos governa e por muito que nos digam que fizemos bem, que fizemos mal, temos que ser nós a decidir.
E eu decidi adiar a entrada da Alice na escola até ver como esta história da pandemia evolui.
Para me provar que nada é 100% programável, surgiu a Gripe A e a minha gravidez em simultâneo. E os meus planos de ter mais um filho quando a Alice estivesse já na escola aos 3 anos, ficaram assim bastante menos lineares.
Será que fiz a escolha certa? Será que exagerei? Será que? Será que? Será que?
Fiz o que o meu coração mandou e por enquanto isso terá que chegar para me calar.

A Banana do Êxtase

Farta de me agarrar ao Hugo, tentando fazer dele a minha almofada anatómica pessoal, farta de me rebolar e revirar em busca da posição ideal, investi numa banana destas e qual macaco agarrado ao galho, tenho trepado, raspado, empurrado, acomodado, agachado, enfiado (ah ah) pela noite dentro, numa relação de amor como não julguei existir.
Por vezes quando a abraço durante a noite o meu dedicado companheiro quase é varrido da cama, num desprezo absoluto pela sua pessoa. É que quem tem uma coisa destas não precisa de mais nada.
Penso que não deveriam estar destinadas apenas ao mundo das grávidas, pois privar os restantes habitantes do planeta do convívio com esta deusa é pecado capital.
Muitas vezes acordo desamparada, aos gritos desesperados, só para descobrir que o Hugo me fanou a almofada e também ele abraça outra que não eu...

domingo, 13 de setembro de 2009

Estou Cansada

Estou cansada. Tão cansada que quando bocejo tenho medo de ter uma cãibra nos maxilares e nunca mais conseguir fechar a boca, ficando a escorrer saliva até inundar a casa. Tão cansada que a perspectiva de ter que dar banho à minha filha me parece quase tão surreal como correr a maratona a pé coxinho enquanto canto o fado. Tão cansada que mesmo que tenha uma comichão avassaladora na planta do pé prefiro morrer dela a coçar-me.
Vim de um casamento onde o serviço foi tão, mas tão mau que ficámos 4 horas para conseguir chegar da sopa à sobremesa. Quatro infindáveis horas em que tudo me parecia em câmara lenta, tudo menos a minha fome.
E assim vai o meu domingo. Um permanente superar de mim própria e dos meus limites físicos. Acho que só vão perceber o quão cansada me sinto quando cair como um torpedo no meio do chão...

sábado, 12 de setembro de 2009

Os Monólogos da Vagina

Enquanto escuto o Santo Sócrates e a Égua Manela penso que os debates já não são como antigamente, com gritos, sobreposições, perdigotos, jornalistas à toa.
São meras sucessões de monólogos.
Infelizmente parece-me que a Manela sem querer está a puxar o lustro ao auto-brilho do Santo.

O Nosso Mano

Alice: Mãe?
Eu: Sim Alice.
Alice: Sabes o nosso mano? (decidiu que ele é nosso mano e não apenas dela, tudo bem)
Eu: Sei, o que é que tem?
Alice: Achas que ele vai nascer com barba?
Bahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Um Conselho Blogosférico

Se há conselho que posso dar a quem por aqui passa, qual anciã cheia de sabedoria blogosférica, é que não falem do vosso espaço de desabafo a toda a gente.
Bem sei que por vezes é difícil resistirem à tentação de partilhar, de dividir, de comentar até com alguém, mas resistam, pois inevitavelmente chegarão à conclusão que a liberdade de escreverem tudo o que vos passa pelo espírito, principalmente quando gostam de desbobinar aspectos mais íntimos, fica de alguma forma cortada.
Surgem perguntas, comentários, observações que nos deixam sempre constrangidos, expostos a um olhar inquisidor que não apetece e a vontade de voltar a falar sobre o lado de dentro vai esmorecendo a cada dia que passa.
Penso que quando lemos o que alguém conhecido escreve por estas paragens, não devemos tentar passá-lo para o nível pessoal, pois perde-se toda a magia deste mundo que se quer livre, sem amarras.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Um Olhar Para Trás Aqui à Frente

Quando deixamos alguém bem arrumado no passado, dentro daquela gaveta das melhores recordações, custa-nos imaginá-lo fora desse espaço que criámos para o guardar. É-nos difícil sentir que cresceu, que trilhou o seu próprio caminho. Que a sua vida seguiu indiferente à nossa com o passar do tempo, que afinal não se congelou dentro de uma pequena garrafa selada.
Há quase 20 anos atrás eu estava ainda no começo de tudo e agora que olho no sentido inverso àquele que percorro, vejo que ainda faltava tanto para chegar aqui onde estou, como estou.
Mas foi aí que nos conhecemos, ainda em bruto, por pensar. Era eu no sentido mais imaturo de mim. Por isso sempre pensei ter sido esquecida, não ter sido nada além de uma breve passagem irrelevante na sua vida.
Entendem então a minha surpresa ao abrir a caixa de correio deste blog e descobrir que essa pessoa tinha tropeçado neste espaço tão íntimo e que se tinha posto a par de mim.
Fiquei então a saber que a sua vida não tinha congelado no passado. Muito pelo contrário, tinha prosseguido, tal como a minha no caminho do amadurecimento e que isso era uma coisa boa.
Gostei de lhe conferir um presente, de o saber feliz, pai, marido, a viver na ponta Sul do país.
Tinha que deixar escrito em algum lugar o quanto foi bom saber dele e poder contar-lhe mais de mim e que melhor lugar para o fazer do que aqui. Exactamente onde me reencontrou.
Às vezes sabe muito bem dizer olá ao passado, principalmente quando a nossa vida avançou até aqui e conseguimos olhar lá para trás com um grande sorriso.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A Fuga do Caramulo

Então é assim. A família da Ana C e a própria deram a fuga do Caramulo. Não que não fosse lindo, não que não fosse cheio de ar puro e comida muito boa. Mas comecei a ficar com o chamado bicho carpinteiro (antes esse que a bicha solitária). Por isso desde ontem que estamos em Aveiro. Sempre quis conhecer esta cidade e lá consegui chagar o Hugo o suficiente para que ele cedesse à minha pressão psicológica.
É claro que agora rasteja aos meus pés de agradecimento por tão magnífica lembrança, principalmente depois da nossa manhã e almoço na Costa Nova com todas aquelas casas de encantar, um ambiente que nos transporta para longe de Portugal, pois não sei porquê senti-me noutro país ao caminhar por aquela grande e arejada avenida e só queria poder comprar uma casinha listada para poder fugir para lá de vez em quando e sentar-me no alpendre a ver as crianças brincar.
Amanhã regressamos à vida real, mas por enquanto ainda estamos de férias :)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Bem Vindo a Mim

E ontem no caminho para cá, ao som de um nostálgico Bruce Springsteen que cantava Jersey Girl no rádio do carro, senti-te pela primeira vez.
Quis agarrar aquele momento, carregar no pause da música e do caminho só para poder gravar-te bem dentro de mim, mas passou com a mesma serenidade com que chegou.
Não disse nada ao teu pai e à tua irmã, guardei-te para mim só mais um bocadinho. Só nós os dois, como será nos próximos meses até que sejas do mundo.
Tomei mais consciência de ti e sorri imaginando que a música é que te anunciou, a música que a tua mãe gosta.
A partir de agora sei que vou sentir-me sempre acompanhada por dentro.

Problema Resolvido


Estamos aqui, um quilómetro abaixo do afamado hotel, na Estalagem do Caramulo. Tem apenas 12 quartos, um ambiente de cabana de montanha familiar, varanda com vista verdejante, salinha de estar com lareira, restaurante acolhedor com comida tradicional e pasmem-se: COLCHÕES de dureza normal!!!!! E agora pasmem-se mais ainda:
60 Euros por noite!!!!
É caso para dizer Tcharam!
É claro que não é nenhum luxo, mas desde que seja limpinho e confortável, não sou gaja de grandes exigências.
Agora vamos dar uma voltinha pelos arredores e respirar bem este ar puro que me abre ainda mais o apetite para depois pararmos num qualquer restaurante e engordarmos mais uns quilos.
Podem dormir tranquilos que a Anita já está mais sossegada.

domingo, 6 de setembro de 2009

No Caramulo

Tentámos ser mais inteligentes que o GPS e enfiámos por uma estrada de serra interminável. Quando chegámos finalmente ao Caramulo com o estômago no cérebro e os ouvidos em água de ouvir a Alice de 5 em 5 segundos "Já chegámos?", uma prova de carros impediu-nos de aceder ao hotel.
Quando finalmente conseguimos penetrar:
Paisagem divinal, ar puro daquele que dá uma grande moca, mas...
CAMA DURA COMO UMA PEDRA E BARULHENTA COMO UM CASAL A FAZER O AMOR EM ÊXTASE.
O que fazer?

sábado, 5 de setembro de 2009

António Será

E tal como o nome Alice povoou os meus sonhos durante noites a fio, até ser simplesmente impossível negá-lo, ou virar-lhe costas, também o nome António insiste em não me largar noite e dia, contrariando todos os meus medos e fobias em redor dos diminutivos geralmente associados a este nome sério de Santo Padroeiro, sendo que os piores sem sombra de dúvida gritam de uma janela com roupa a secar:
"Ó Tono tás taralhoco ó quê homem?!"
"Ó Toy canta aí filho antes que leves nas ventas!"
"Ó Tony olha a janta que esfria carago!!!"
"Ó Toninho queres levar no focinho?!!!"
" Ó Tó quanto é que te falta pra saíres da choldra?"
Se conseguir abstrair-me deste detalhe que me atormenta, António será o nome do nosso filho. Não Tono, Tó, Toy, Tóni, Toninho. António por favor que um nome é para ser dito todo, por inteiro.
E só para não mudar mais de ideias já encomendei uma medalinha destas e tudo (não, não é uma medalha do Santo António).
Encomendei uma com o nome Alice, outra com o nome António. Agora seja o que Deus quiser que depois de mandar gravar uma medalinha já não há volta a dar.


Encomendei aqui
vale a pena espreitarem e perderem-se nas possibilidades de presentes.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

De Regresso

E aqui estou de volta à vida real, ao cheiro familiar da minha casa, às cores de Cascais, mas cheia de saudades dos dias descontraídos, sem regras, sem horários, sem azedumes, iniciados com pequenos-almoços fartos, areia nas palmas das mãos e cheiro a sol.
Penso que nunca me custou tanto voltar de férias como este ano. Não que tivesse descansado brutalmente, pois quem tem filhos pequenos sabe que não há espaço para grandes folgas - Aqui fica a prova -


Mas porque mudámos de rotina e cada vez acredito mais que é fundamental virarmos tudo ao contrário pelo menos uma vez por ano e fingirmos uma vida paralela. Acreditarmos que podemos viver sempre assim, ainda que saibamos que é mentira.
Por não suportarmos, pelo menos para já, a ideia de final de férias, Domingo vamos até ao Caramulo passar 3 dias. Uma espécie de despedida dos dias que queriamos sempre assim, suaves, sem pressas com tempo para respirar.
Não sei bem como consegui ler 3 livros nestes 9 dias. Consegui ficar acordada na cama sem fechar a pestana logo na segunda linha e ontem ao tentar fazer a mesma proeza no meu leito adormeci como a pedra que sou ao virar a segunda página.
Ainda não percebi bem este mistério, mas acho que há qualquer coisa de mágico que povoa as férias e que nos dá forças suplementares para tudo.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

E Logo Pela Manhã

Lá vou eu animada todas as matinas aproveitar cada ovo cozido do pequeno-almoço bufet, quando assim que sento o rabo na cadeira uma nostalgia começa a apoderar-se da minha pessoa. Angustiada e sem a família por perto, pois eles aparecem sempre depois, começo a sentir um tremendo nó na garganta, que só se aplaca com um croissant barrado com doce de morango.
Olho em volta, sinto-me uma espécie de medium que capta as energias alheias e tento vislumbrar a causa de tal angústia que me consome. Aparentemente tudo está bem, nenhum casal discute, nenhuma criança é espancada. Tudo calmo. Então porquê essa vontade estúpida de romper a chorar, de deixar fluir um rio salgado sobre o meu rosto (ai que lindo). E então percebo o motivo dessa flecha no meu coração. A banda sonora, a porra da banda sonora do bufet é uma compilação das músicas slow e mais deprimentes de todos os tempos, de fazer chorar o rochedo de Gibraltar em pessoa.
Começamos com a música da Celine Dion e do Titanic, pelo meio temos um tema da Whitney Houston antes da droga, seguido do lacrimejante Henrique Iglesias e só para matar de vez a alegria de qualquer ser vivo na sala, o requiem do Mozart.
Qual é o plano deles? Tirar-nos a fome????
Comigo não vai resultar meus senhores. Amanhã levo o Ipod!