terça-feira, 6 de julho de 2010

A Marcha dos Pinguins

É tão bom quando tropeçamos em blogues com textos assim. É bom, porque é raro e as coisas raras levam tempo a encontrar, mas depois de entrarem calmamente dentro de nós, num mar de palavras que nos fazem tanto sentido, é dificil voltarem a sair.
Gosto de partilhar convosco as minhas leituras de eleição, por isso aqui fica:

De uma maneira geral, no mundo ocidental - na concepção que nós, europeus, temos da 'ocidentalidade' - já serão poucos os que se casam por interesse. Ainda assim, continua a haver por aí muita gente presa a relações às quais só sobra a forma, porque estão há muito vazias de conteúdo.

A dada altura, na nossa vida, todos nós já experimentámos manter vivos os laços que nos uniam a alguém, pelo simples facto de acreditarmos - e nessas alturas acreditamos piamente - que é impossível uma coisa tão lógica, como estarmos junto 'daquela' pessoa, deixar de existir. Infelizmente, todos o sabemos - ou aprendemos, por vezes, aos trambolhões - a aritmética das emoções e dos afectos não é uma ciência exacta e nesta coisa dos sentimentos, dois mais dois nem sempre são quatro.

Um amigo e ex-colega contava-me há tempos o seu desaire [na altura] recente. Desabafava a sua pouca sorte e lamentava a falta de ajuda cósmica. Dei-lhe uma palmadinha nas costas e aconselhei-o a seguir em frente. Terá sido de pouco uso o "caga nisso e bebe a cerveja, que gajas há muitas", mas, nestes casos, o que é que de inteligente se pode dizer a quem acha que o mundo (o seu) está a desabar?

Em momentos de confissões sacramentais, fico sempre sem jeito e sem argumentos. Eu, que, de uma maneira geral, tenho opinião formada ou a formar sobre tudo e mais alguma coisa. Nessas ocasiões, olho para o meu interlocutor e julgo simplesmente inútil perder-me em argumentos que tentem convencer aquele sujeito, feito em merda, de que a vida é uma coisa bestial.

Hoje, por e-mail, o tal amigo voltou ao tema. Agora, sonhador, encantado e, de novo, apaixonado. Isso pôs-me a pensar.

Homens e mulheres são diferentes, mas, independentemente dos genitais que o Senhor nos deu, ser pénis ou vagina interessa muito pouco quando aquilo de que se trata é de entregas e devoluções.

O facto de aceitarmos, às vezes com leviandade, partilhar a nossa vida, de mão beijada, com alguém, é, à partida, um risco sujeito a consequências potencialmente desastrosas. A nossa geração, esta dos finais dos anos 70 e princípios da década de 80, tornou demasiado fácil o compromisso, sem se dar ao trabalho de o aprofundar. As relações, as que o chegam a ser, já o são antes de o deverem ser. Hoje eu já te amo, amanhã estarei a viver contigo.

Num ápice, viramos todos imperiais mal tiradas. Dentro do copo, só espuma, sem cerveja. À primeira adversidade, porque não criámos laços sólidos, questionamos tudo e destruímos as leis da física que, cinco minutos antes, tínhamos por universais. Pegamos no saco do lixo, damos um nó, dois e levamos para o contentor. No regresso, estaremos prontos para outra.

Felizmente, restam-nos ainda exemplos felizes, de gente que perdura no tempo. Conheço casais assim. Novos e velhos. Gente feliz e não apenas contente. Homens e mulheres que, com ou sem semelhança de género, não querem saber viver separados.

Uma relação é uma partilha: que não implica que cada parte se anule, que deixa espaço para a individualidade, mas uma partilha que se constrói, aos poucos, devagar. E será sempre uma ralação. Às vezes, estar com alguém, fazer por dar certo, é chato ao ponto de não apetecer mais.

Sou um aprendiz desta coisa que é viver. Aos disparates, conheço-os a todos. Já me anulei, já desprezei e já fui indiferente. Quis estar e arrependi-me profundamente de ter estado. Enganei-me na pessoa e enganei-me a mim próprio. Vivi num permanente estado de ansiedade. Nesse aspecto, tornei-me um homem mais adulto. Pelo menos, inspiro e expiro sem comprometer os batimentos cardíacos.

Escrevi uma vez que os meus pais são o meu modelo. Continuo convencido disso e os seus trinta anos de casamento feliz (complicado, mas feliz) são a prova de que estou certo. A minha mãe tem um feitio difícil e o meu pai é um homem solitário, com poucos amigos. Ele aturou-a e ela fez-lhe companhia. Não me contentarei jamais com menos do que aquilo que eles representam. O seu exemplo será sempre o meu guia. Serei paciente e persistente. Ainda assim, esgotadas todas as possibilidades, preferirei o caminho mais sinuoso, se assim tiver de ser, e tomarei decisões difíceis, se não as puder simplificar.

Mesmo que a tropeçar no meu pé 45, espero nunca me esquecer de como é que se ama alguém: ao meu jeito, no meu defeito e na minha ingenuidade. Por isso, obrigo-me ao dever de querer perceber a mesma verdade - e o mesmo presente - no olhar de quem estiver comigo, seja eu um jovem à beira dos trinta ou um sexagenário com bicos de papagaio.

Esta manhã, ao acordar, olhei para a mulher que amo e pensei o quanto ela é importante na minha vida. O quanto cresci ao lado dela. Naquele fragmento de tempo, revivi um sem número de momentos que partilhámos os dois. Nem todos felizes, muitas discussões e desentendimentos, mas sempre intensos. Os quilómetros que fizemos, a aventura em que nos metemos e as precipitações que protagonizámos. Não sei medir o tamanho do sentimento que nos mantém juntos. Não sei, se o pesássemos, se a balança estaria equilibrada. Talvez não. Não faço ideia onde estaremos daqui por uns meses. Contudo, ao vê-la despenteada, ainda a dormir, não me importei com nada disso. Limitei-me a recordar o seu riso, a sua irreverência, o seu feitio ainda pior que o da minha mãe e o quanto gosto dela quando me faz detesta-la.

Ao meu amigo, agora, não querendo estragar o momento, talvez lhe dissesse que até prova em contrário nos limitamos a viver apenas uma vez, o que, para lá do cliché, é motivo bastante para não perdemos tempo com quem não quer perder tempo connosco. Acrescentaria, porém, que o melhor é não pensar muito no assunto.

Crepitando

Estou completamente desfeita e derretida. Desfeita, porque o António esteve muito constipado e a Alice doente. Derretida, porque odeio calor, do fundo do meu organismo que o odeio sem contemplações.
Os miúdos ficam irritadiços, as nossas forças fogem para outro planeta, o cérebro perde a pouca genica existente, as noites são mal dormidas, as melgas atacam-nos porque deixamos as janelas abertas, os carros quando deixados ao sol transformam-se em verdadeiros fornos crematórios. Enfim, por muito que pense não consigo encontrar uma única coisa boa neste calor do inferno. Para mim 26 graus é mais do que suficiente para poder gritar que verão tão fixe aos quatro ventos.
Agora vou ali dar um grito histérico à janela e já volto. Se não voltar é porque os meus ossos estão a servir de churrasco aos cães da vizinha.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Mulheres Machistas

Pior, um milhão de vezes pior do que um homem machista, é uma mulher que padeça desse flagelo cultural. Então se for uma mulher supostamente moderna, jovem e cheia de ambições chega a ser bizarro ver a contradição entre aquilo que aparenta e aquilo que realmente é.
"Ai que eu sou uma mulher tão moderna que até enjoo de boa! / Deixa cá ver isso querido, essas coisas não são tarefa de homem!" - Sendo que essas coisas incluem tarefas tão árduas como encontrar o pacote do leite no frigorífico.

domingo, 4 de julho de 2010

O que será que será

Será que daqui a um mês vamos ver o baby do CR7 de orelha furada com uma pedra de diamante?
Será que o bebé nasceu de pochete LV debaixo do braço?
Será que a Dona Dolores vai tomar bem conta do Cristianinho Júnior?
Será que a mãe do Cristianinho pediu uma soma avultada para prescindir da guarda?
E por último, mas não menos importante, será que existem fraldas Dolce e Gabana? É que eu não sei como é que a família vai fazer sem fraldas de grife.
Tanta dúvida que me atormenta neste dia do anúncio da paternidade. A maioria de nós, comuns mortais, anuncia a futura maternidade/paternidade, mas ele é muito à frente e poupa-nos 9 meses de expectativa, ele diz que já foi pai, mesmo antes de sabermos que ia ser.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A Sopa da Pedra

Depois de ler o conselho da ministra da saúde para combater a crise e de sentir que se debruçou profunda e estudiosamente sobre o assunto, rodeada de pareceres técnicos e artigos publicados sobre a matéria, fico aliviada.
Um alívio profundo, daqueles que arrepiam e comovem, por me saber protegida pelos que tomam conta da gestão do meu país.
Os nossos ministros são o creme de la creme da Europa, quiçá até do globo em matéria de combate à crise e penso que poderão partilhar com os seus pares esta bomba atómica, que usada com ciência e método, combaterá não só o flagelo económico como os níveis de colesterol da humanidade.
Quando a ministra da saúde nos diz para fazermos sopa em vez de comermos fast food a fim de darmos um pontapé na crise, sabemos que o dinheiro gasto a pagar o ordenado destes craques políticos foi certamente o mais bem empregue de sempre e temos a certeza interior que em casa dela só se come sopa da pedra, mas daquela pedra bem grande.

A Nossa Casa é Onde Descalçamos os Sapatos



Os pares azul escuro e encarnado mantêm-se do mesmo tamanho, apesar de os donos terem crescido muito por dentro, um novo par cor de rosa para uns pés que cresceram dois números e o par minúsculo para alguém cujo coração bate acelerado de cada vez que avista os donos dos outros sapatos.
Está assim a nossa casa, com 4 pares de sapatos e 4 corações a transbordar.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Eu, uma dona de casa (quase) perfeita

Depois de ter sido convencida por uma gestora doméstica de alto gabarito que fazer um menu para a semana inteira é coisa para resultar em cheio, entre risinhos de gozo comigo própria por tentar ser uma Martha Stewart portuguesa e cantilenas tradicionais, pus-me a abrir armários, congelador e afins e a escrever uma lista com os pratos que iria confeccionar durante os vários dias da semana.
Por ter gozado aqui com as donas de casa perfeitas me penitencio, me chibato, me espanco. Esta merda resulta.
Em vez de perder metade do dia a decidir o que é que vou fazer para o jantar, sair para o supermercado com uma receita na cabeça e voltar com dezenas de compras inúteis, eis que tenho a coisa decidida com antecedência e sem ter que sair porcaria nenhuma, pois tudo foi pensado com os ingredientes que já repousavam cá em casa.
Também deu para equilibrar a coisa com peixe num dia, carne no outro, leguminosas, atum, enfim, cada dia uma variedade diferente.
Comovi-me com esta dica genial, a sério que sim.
A partir de agora tentarei fazer sempre um belo menu semanal que isto de ser imperfeita, planeando tudo à ultima hora e sofrendo com dúvidas, atrás de dúvidas afinal dava muito mais trabalho do que ser perfeita.
Já só me falta uma bata, uma chanata, uma rede na cabeça e qualquer dia até pão confecciono em casa.
Lá, lá, lá, lá, lá.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Visão Periférica

A minha visão periférica sempre foi extensa, foram muitas as vezes que cheguei a pensar que quase podia ver o que acontecia atrás de mim.
Lembro-me de uma noite em que com um prato de churrasco na mão e conversando com alguém à minha frente, consegui apoiar a cabeça da Alice e resguardá-la de uma aparatosa queda nas escadas ao meu lado.
Adquiri a chamada técnica do olho no burro e outro no cigano, que é como quem diz, um olho na Alice, outro no António e com jeitinho noutro lugar qualquer.
Se o Hugo fala comigo, consigo virar um olho para ele, outro para a minha filha e um ouvido no andar de cima atento a possíveis choros. Sou polivalente, mas nesta constante dispersão pelas periferias, perco-me e deixo de saber relaxar.
Sinto que preciso de recuperar o meu olhar em frente e para dentro, sinto que a minha visão periférica me desgasta, mas por enquanto é só assim que consigo olhar...

domingo, 27 de junho de 2010

Idiota Kompraste E Agora? (IKEA)

Podia ficar horas a falar do IKEA e de como gosto de ir lá almoçar aos dias da semana por uma bagatela, passear-me pelas "casas" montadas para cativar, as cozinhas acolhedoras, os sofás aconchegantes, a zona dos miúdos uma ternura, podia escrever rios de palavras acerca da preocupação com o bem estar dos putos, das sanitas miniatura nas casas de banho, dos fraldários maravilhosos, dos micro-ondas disponíveis para aquecer a comida deles, enfim, aquele espaço é fixe e sinceramente apetece-me sempre levar tudo.
Mas depois há o lado negro, retorcido, maldoso até daquele armazém sueco, pois nada e quando digo nada, é mesmo nada vem numa única peça.
Compramos um garfo e vem com livro de instruções para ajudar a montar os dentes do talher. Compramos uma almofada e temos que ser nós a meter as penas de ganso lá dentro, seguindo as instruções.
As coisas que comprámos lá foram objecto de suada montagem pelo homem cá de casa, pois o meu cérebro tem uma assumida incapacidade para ir além dos legos. Metam-me uma cadeira com vinte peças para montar e eu tenho um ataque de ansiedade só de olhar para o saquinho com as porcas e parafusos. Por tudo isto e por achar que a maioria das gajas é mais ou menos como eu (adoro generalizar, para me sentir menos só), acho o IKEA sádico, mostra-nos aquelas mobílias maravilhosas todas montadas e depois manda-nos ir buscar ao armazém 10 caixotes onde repousa a cómoda que queremos levar.
Bem sei que na Suécia eles levam esta coisa da igualdade de direitos e obrigações mesmo a sério, mas podiam ter dado uma abébia na montagem de móveis. É que se me falha o Hugo, como conseguirei eu comprar aquela cadeira de baloiço?

sábado, 26 de junho de 2010

Um olhar que me fascina




Sou só eu que acho estes dois estupidamente parecidos?

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Envelhecer Bem


Podia falar da Meryl Streep, mas escolhi a Sally Field porque costumam dizer que sou um bocadinho, sublinho o bocadinho, parecida com ela e eu gosto. Gosto porque desato a imaginar-me uma Sally Field daqui a uns anos e é exactamente assim que desejaria envelhecer.
Não critico quem gosta de se preservar das marcas que os anos imprimem, e só Deus sabe como os meus cabelos brancos, que a cada dia que passa ganham terreno aos castanhos, me angustiam, mas eu não me imagino injectada e inchada de botox, nem a sujeitar-me a cirurgias para fugir ao tempo. Por isso gostava mesmo de conseguir envelhecer sem complexos e de preferência com a cabeça boa.

As melhores conversas do mundo

Hoje no carro, enquanto ouvíamos esse mítico ex-jogador da bola que canta ópera chamado Andrea Bocelli, a Alice delirava tentando acompanhá-lo nos agudos. Vai daí decidi partilhar com ela que aquele cantor de voz tão maravilhosa, não conseguia ver, era cego.
- Que horror mãe, coitado. Mas como é que as pessoas deixam de ver? Caem-lhe os olhos?
Tento não rir.
- Não Alice, às vezes nascem sem conseguirem ver, outras vezes são doenças que vão pondo os olhos mais fracos, até deixarem de conseguir funcionar, os olhos ficam doentes também.
Silêncio.
- Mas já viste como ele canta tão bem?
Silêncio. Eu sei que quando a resposta é silêncio o cérebro dela carbura a todo o gás.
- Mãe, ele se calhar olhou para o sol com óculos 3D e ficou cego.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A crueza dos dias

Queria muito começar uma série de coisas. Tenho um projecto bem dentro da minha cabeça e não arranjo tempo, nem força anímica para terminá-lo. Entre lavar, dobrar, arrumar, subir e descer escadas para atender o António que faz sestas de 20 minutos durante o dia. Entre a atenção constante que a Alice me pede, as sopas, o jantar e almoço, esgoto-me e é precisamente esgotada que me sinto.
O meu corpo aguenta muito, apesar de as minhas costas já terem conhecido melhores dias, mas a minha mente, essa está frágil, pequenina e regenera-se a ver programas estúpidos na televisão, ou a navegar na internet. É a forma que ela encontrou de não pensar demasiado, de não aprofundar, de não se desviar para dentro de mim...
Sei que as coisas vão mudar e que a força para concretizar chegará inevitavelmente, mas neste momento nada parece conseguir resgatar-me deste marasmo interior, nada.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ajudem Alguém a Concretizar um Sonho

Há quem fique parado à espera que as coisas com as quais sempre sonhou caiam algures lá de cima e aterrem bem no centro das suas vidas sem sentido.
Há quem se resigne com as vidas que leva e passe os dias a queixar-se da sua má sorte.
Depois há toda aquela classe de pessoas corajosas que ousam. Fartas de acordar para a mesma realidade decidem virar o jogo.
Eu sempre defendi, um pouco cinicamente, que até para ousar é preciso dinheiro. Pois com filhos e hipotecas para pagar, os sonhos passam sempre para segundo plano.
Mas aqui temos uma mulher que foi um bocadinho mais longe e teve uma ideia, no mínimo brilhante, para ultrapassar esse obstáculo monetário.
Decidiu desfazer-se dos seus bens materiais num leilão em que todos vocês podem participar e assim juntar algum dinheiro para correr atrás do seu sonho e dar um pontapé na tal vida resignada.
Ajudarmos alguém a concretizar o desejo de uma vida melhor está sim ao nosso alcance e também nos faz acreditar que é possível.

Este é o post que explica a ideia.

terça-feira, 22 de junho de 2010

The Sex, The City and Shoes

Tive uma epifania, tardia bem sei, mas percebi finalmente o porquê do fetiche Manolos, Jimmy choo, Louboutin, Pradas e enfim, tudo o que soe a designer de chulé Nova Iorquino e que ocupa tanto espaço nos cérebros femininos dos nossos tempos.
Uma das minhas irmãs mais novas perguntava-me outro dia se eu gostava da série Sexo e a Cidade, é que ela via agora tudo de uma assentada pela net, ao que lhe respondi que costumava ver todos os episódios lá muito atrás no tempo e que sim, que gostava, principalmente da Samantha.
Comecei então a reparar que de cada vez que estava com ela a miúda trazia um par de sapatos diferente, cada um mais alto e destrambelhado que o outro. Daí a começar a escrever a suspirar pelas marcas acima referidas foi um passo pequeno, do tamanho de um salto raso.
Conclusão: A série O Sexo e a Cidade é perigosa, transforma miúdas alfacinhas em Nova Iorquinas, sem lhes ensinar que a calçada portuguesa não foi concebida a pensar nos Louboutin e faz da Sarah Jessica Parker uma diva da moda que todo o mulherio quer seguir, quando na realidade, tem esta grande pedra no sapato. Chiça que até eu tinha mais estilo nos anos 80...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Viajar Assim é Viagem

Senti a humidade na palma da tua mão e desenlacei os nossos dedos, trazendo na pele um bocadinho do nosso calor.
Andámos muito, tanto que perdi a conta aos passos que não cheguei a contar. A minha mão ficou de novo fresca e buscou a tua mão guardada dentro do bolso, num gesto que a protegia do frio.
Aquela cidade era nossa e conseguíamos sentir o cheiro fresco da novidade como um bálsamo que não nos cansávamos de inspirar uma e outra vez, até sentirmos tudo a girar à nossa volta.
O cansaço do final do dia era bom, queria dizer que tínhamos visto tudo e, no entanto, tanto ficara ainda por ver.
Viajar sempre foi para nós renascimento enquanto dois, enquanto cada um. Viajar é e será sempre um dos grandes prazeres da minha vida, sinto já falta do arrepio que antecede a manhã da viagem e saudades de sentir saudades dos que ficam.
Ontem perdi-me nas nossas fotografias e passei o dedo sobre o papel mate, como se assim pudesse voltar ali, àqueles lugares onde fomos felizes.

domingo, 20 de junho de 2010

Filho

Filho, filho, filho, filho. Não me canso de repetir esta palavra e por muito que a repita soa-me sempre a novidade. Tão diferente de filha, tão nova, tal como tu.
Sou daquelas pessoas um bocadinho parvas que pensam que assim que dizem bem de alguma coisa ao mundo, no dia seguinte ela avaria-se, estraga-se, modifica-se, mas acho que é meu dever dizer-te que tens sido suave e se deixares de o ser amanhã mesmo não importa.
És suave meu amor, sorris muito, inventaste uma espécie de tosse para chamares a atenção e sorris para quem quer que se atravesse no teu caminho, mesmo para quem não te olha.
Já comes sopa e papa, entre as duas preferes os legumes. Choras quase sempre durante o processo, mas comes e não ficamos duas horas nessa tarefa, é coisa para 10 minutos.
Queria dizer-te obrigada por seres tão paciente com a tua irmã, por nunca chorares quando ela te pega desajeitadamente ao colo, nem quando grita e corre como uma doida à tua volta. Sabes que ela gosta muito de ti, de verdade, mas ainda não se habituou a essa coisa de ter que me dividir.
Queria dizer-te que foi muito querido da tua parte facilitares as coisas aqui em casa com ela e comigo.
Amanhã não sei como serás, mas hoje és o lado mais suave do tecido da minha vida e eu gosto de passar a mão nas tuas bochechas e sentir fisicamente o que sinto todos os dias aqui dentro.

P'ra Não Te Julgares Esguia toma lá

Porque é que fui pegar naquela túnica, porquê?
Aquela que tenho guardada por nunca ter tido coragem de a deitar fora e que aguarda paciente o dia em que ficarei de novo esguia e escorregarei no seu interior como um fio de esparguete.
Maldita hora em que pensei que podia já voltar a usá-la. Primeiro estiquei os braços para cima, como se me rendesse às evidências e depois comecei a puxadela para baixo, sim, consegui entrar nela é um facto. Sim, aguentei 5 minutos com os sovacos em modo-pressão-torturante. Foram 5 minutos agudizantes, interrompidos apenas pelo som de tecido a rasgar.
Mas o drama, o verdadeiro filme de terror foi conseguir sair de dentro da maldita túnica. Acho que desloquei a clavícula.

sábado, 19 de junho de 2010

A Prostituta da Ironia

Que não seria o Saramago chegar ao outro lado e dar de caras com... Deus.

Rotina

Eu até era boa a fugir da rotina de vez em quando, mas nos últimos tempos estou tão atolada, emaranhada, enrolada em tantas pequenas tarefas repetidas hora após hora, dia após dia, que não tenho vencido a corrida, estou a perdê-la miseravelmente.
A rotina muitas vezes salva-nos, outras tantas vezes mata-nos.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Clube do Verniz Risqué

Há realmente cabeças tão vazias como as que tenho lido por aí, ou aquilo é apenas show off para se tornarem mulheres mais fashion e serem aceites pelo mítico clube do Verniz Risqué?
É que às vezes entro em certos espaços e posso jurar a pés juntos que estou na twilight zone.
Uns têm o condão de me proporcionar valentes gargalhadas é certo, quando dissertam em torno de temas tão fascinantes como a tortura que foi escolher a roupa nessa manhã e depois fotografam-se, como se envergassem os trapos mais chiques do planeta feira. Mas outros, enfim outros são apenas vazios, folhas e folhas virtuais cheias de nada.
É claro que a blogosfera, como a própria vida cá fora, tem de tudo, mas não deixa de ser curioso ver como a maioria das bloggers parece ter andado a cheirar demasiado verniz, verniz Risqué entenda-se.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Raquel

Conheci a Raquel numa altura um bocadinho louca da minha vida, fomos colegas de turma e cúmplices por pouco tempo no espaço do calendário, mas por uma eternidade no espaço aqui dentro de nós.
Fã incondicional de Robert Smith, vestia-se de preto, usava doc martens e era viciada em coca-cola. Juntamente com a expressão pensativa vinha o sorriso por acréscimo, mas um sorriso que chegava tarde, quando a empatia brotava das nossas conversas e a troca de ideias e paixões se instalara já irremediavelmente.
Era muito sensível, mas uma sensibilidade que fervilhava por dentro. Com ela tinhamos que nos dar ao trabalho de retirar as várias camadas que a protegiam. Como também sou um bocadinho assim, não tive pressa de esperar e ir passando as folhas do seu livro, uma a uma.
Afastámo-nos porque a vida nos afasta tantas vezes das pessoas que nos dizem tanto, mas nunca deixei de pensar naquela rapariga morena, cheia de vida por dentro das suas palavras e de cada vez que ouvia Cure lembrava-me como se fosse ontem e sorria de saudade.
Passados uns anos recebi um telefonema a pedir-me um favor e assim foi, ela veio ter comigo e senti-a um bocadinho perdida.
Desde então perdi-lhe o rasto. Recusei-me a apagar o telefone de casa dos seus pais e passou de uma agenda de papel para o meu telemóvel. Era daqueles números que não conseguia apagar da agenda, por muitas limpezas que fizesse à lista de contactos.
Estes caminhos da internet têm muitas coisas más, mas têm também a magia de nos religar a amigos e a Raquel veio cair de novo no meu pequeno caminho.
Apaixonou-se por um holandês, fez a sua trouxa e rumou com ele de carro para o país das socas, moinhos e bicicletas onde está há 10 anos. Com uma força de vontade arrepiante, aprendeu aquela língua que não lembra a ninguém e terminou o seu curso de psicologia em holandês...
A Raquel é minha amiga e gosto de ter amigos assim, porque gosto de pensar, com muito pouca humildade confesso, que todos nós temos um bocadinho os amigos que somos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Tiradas Profundas

Adoro pensamentos escritos em páginas de livros pequeninos e cheios de pinturas a óleo, em anúncios televisivos, em pacotes de açúcar. São os chamados pensamentos descartáveis, ou avulso. Para aquelas pessoas que não podem pensar mais profundamente sobre nada, por estarem de costas voltadas à sua massa cinzenta, são bálsamos de sabedoria. Vejamos alguns exemplos, uns pensados por terceiros, outros pensados pelo meu próprio recheio craniano:
- Parar não é morrer, é simplesmente deixar de viver.
- Não pense mais no passado, recorde-o apenas.
- Em frente é que é o caminho, atrás é tudo o que ficou anteriormente.
- Deixar de caminhar não é parar, é apenas ausência de movimento.
- Eu não penso, reflicto e reflectir é bonito.
- Eu não tenho medo, temo apenas o pior.
Enfim, tudo coisas comoventes e profundas à brava. Mas o que gosto mesmo, o que me diverte à séria, é perceber que há quem se identifique com eles :)

terça-feira, 15 de junho de 2010

A minha Loiça é Outra

Além de jóias, uma outra coisa na qual não me ocorre gastar dinheiro é em loiça. Sim, eu sei que não é normal, que uma gaja que é gaja gosta do seu serviço da Vista Alegre, das suas chávenas de porcelana fina e de terrinas da sopa dentro de um enorme e pesado louceiro. Eu odeio.
Odeio porque ficamos agarradas ao serviço uma vida inteira e eu gosto muito de variar.
Odeio porque é tralha e ganha pó.
Odeio porque é sempre demasiado frágil para ir à máquina e tudo o que não possa ir à máquina está riscado da minha lista.
Odeio, esta é talvez a razão mais importante, porque não poderia atirar pratos à cabeça do Hugo quando me chateasse com ele, ou simplesmente partir a loiça toda para descomprimir.
Tenho uma espécie de louceiro parvo onde amontoo o meu elegante serviço da area infinita e os meus copos de cristal do IKEA, porque aqui quando se reúne a família toda é mesmo muita malta e não cabiam nos armários da cozinha.
Nesse louceiro rústico (um bocadinho rústico demais, já que até tem portas empenadas de origem) também repousam tímida e aristocraticamente umas chávenas de chá e café desse ícone chamado Vista Alegre, porque a minha sogra faz questão de me dar umas peças a cada Natal, mas são iguais ao serviço da area, só que mais caras e, lá está, não podem ir à máquina.
Gosto de olhar para elas enquanto beberico o meu café matinal por uma caneca com uns dizeres muito inteligentes que trouxe de Praga e elas gostam de olhar para mim. A nossa relação fica por aqui.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Nigela, Nigela c'a ganda noja

Acabei de ouvir a Nigella Lawson no seu sotaque queque e aristocrático dizer no seu programa:
"Se não estivesse aqui lambia o balcão".
Depois de um bocadinho de sumo da salada de frutas ter caído sobre o mesmo.
Já estou a imaginá-la em casa a lamber o chão quando um bocado do molho de mostarda do bife verte da pratada no caminho para o quarto.

Amo-te até nos matarmos

A semana passada ouvia o Seinfield a falar sobre o seu novo programa " The Marriage Ref" e como lhe tinha surgido a ideia de criar aquilo.
Discutia com a mulher em frente a um amigo e as coisas começaram a tornar-se incómodas para este, que dá uma desculpa para sair, ao que o Seinfield responde:
- Não, tu ficas! Ficas e vais resolver esta discussão. Quem é que tem razão, eu ou ela? É que senão ficamos aqui o dia inteiro e nunca chegaremos a conclusão nenhuma.
E assim surgiu a ideia de um programa onde existisse um árbitro a decidir sobre as contendas dos casais.
Eu adoro o Seinfield, o seu humor, a sua maneira inteligente de gozar com o quotidiano e a forma como consegue transformar um assunto banal numa pérola da risada. Portanto fiquei ali a ouvi-lo falar das discussões entre casais, a falar dos tons de voz e do que simbolizam, a falar das discussões que começam por causa do cão e terminam a insultar os sogros. Das discussões que até começam de forma inofensiva e no meio do turbilhão um dos membros do casal solta uma bomba atómica do género: És uma merda na cama!
Foi uma entrevista hilariante (na Oprah) e que me deixou a pensar nas nossas próprias discussões de cáca aqui em casa e como, no fundo, todos os casais têm estes padrões.
Eu não tenho um tom de voz específico para fazer passar certas emoções, mas tenho olhares. O pior deles todos é o que o Hugo chama de "olhar à matadora". Quando lhe lanço este olhar em concreto ele sabe que há qualquer coisa que não fez, ou que fez mal, ou que tem que ir a correr fazer.
Pensando bem no assunto, o casamento tem tantas, mas tantas coisas que podem ser transformadas em momentos de humor que o Jerry Seinfield tem programa para a vida inteira :)

Troca comigo por um dia

Ontem adoeci a valer. Devo ter comido qualquer coisa estragada e caí de cama.
O Hugo ficou portanto com todos os ministérios aqui de casa.
Estava tão mal disposta que nem tentar tentei. Deixei-me ficar caída na cama como um trapo velho a gemer.
No final do dia vi aquela expressão ligeiramente enlouquecida e impaciente que costumo ter quando ele chega do trabalho nos dias de semana...

sábado, 12 de junho de 2010

A Ti que Vais ser Mãe

A ti que vais ser mãe digo-te que segures bem este momento. A partir de hoje nenhum dia será igual ao anterior e todos os dias voarão para fora das tuas mãos a uma velocidade assustadora, fazendo-te aterrar com os pés no chão a cada voo levantado, apenas para levantares voo de seguida, aterrando e voltando a partir como numa montanha russa interminável.
A ti que vais ser mãe digo-te que esperes o melhor e guardes dentro do teu bolso uma reserva de chocolates para quando correr pior.
A ti que vais ser mãe digo-te que não é como dizem, nunca é. Mas acaba sempre por ser melhor do que algum dia imaginaste. Não todos os dias, mas naqueles momentos em que sabes que tudo até ali fez sentido por ele.
A ti que vais ser mãe digo-te que não há razões escritas, nem pensadas para o que está prestes a acontecer. Os actos de fé não se organizam em equações de prós e contras, são pequenos movimentos do coração que aperta e desaperta até te tirar o ar, até que não consigas mais viver sem o fazeres. E tu já o fazes. Já és mãe, mesmo provendo apenas ar e nutrientes ao teu filho.
A ti que vais ser mãe e que te comoveste quando viste os filhos desta tua amiga antiga pela primeira vez, digo-te que ficarei sempre tão feliz pelas tuas conquistas, como pelas minhas próprias vitórias.
Parabéns.

O Bentley dos Métodos de Tortura

Pensei que tinha encontrado o método de tortura perfeito com a festa de anos dos miúdos, mas estamos sempre a aprender e de facto o topo de gama da tortura chinesa é levar os miúdos ao registo civil para fazermos os três o cartão do cidadão.
Qualquer repartição pública sem senhas desde as 10 da manhã é por si só um ex-libiris do sadismo, mas com duas crianças é o suicídio em potência.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Lixo Orgânico

Adoro, mas adoro a valer as pessoas que se dão ao trabalho de criar identidades em cima do joelho para virem dizer o que lhes apetece. Ou aquelas cujo perfil não está disponível para consulta e que soltam risadas de satisfação enquanto escrevem o que lhes dá na telha.
Este espaço é meu, é um bocadinho como a minha casa e na minha casa não gosto de deixar o lixo a apodrecer na cozinha, prefiro deitá-lo nos contentores próprios para o efeito.
Se quiserem arrotar postas de pescada, daquela pescada já com bolor, façam-no no vosso espaço, afinal de contas é vosso e nele escrevem o que bem entenderem, tal como eu faço aqui.
"Ai tão má que ela é, ai que ditadora horrorosa que não permite comentários ofensivos, nem desagradáveis, que parva, afinal porque é que não nos deixa escrever aqui o que queremos? Só pode ter medo, ou vergonha!".
Pois é meninos é isso mesmo, morro de vergonha e sou uma espécie de ditadora feroz, mas só dentro da minha própria casa. Na casa dos outros mandam eles.
Agradeço todo o trabalho e dedicação que tiveram em deixar o vosso contributo pleno de emoção por estes lados, mas tudo aquilo que considerar matéria orgânica em decomposição vai fora.

Update em cima do joelho:
Olha que giro, as pessoas que vieram despejar resíduos pós digeridos por estas bandas criaram todas o seu perfil em Junho de 2010, ainda agora chegaram a estas paragens e já acumularam tanto lixo...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Com o Passar dos Anos

Com o passar dos anos fui perdendo paciência para pessoas pouco claras nas suas acções, nos seus gestos, nas suas palavras.
Com o passar dos anos tornei-me um bocadinho alérgica à ambiguidade de feitios e de frases. Ter que dissecar, investigar, palpitar, sobre o feitio de alguém causa-me ansiedade.
Alguém que diz o que sente e que sente o que diz, sem grandes filtros, alguém em cujo olhar leia sinceridade, alguém cujos gestos se coadunam com aquilo que apregoa, será sempre alguém que me pacifica.
Também me tenho afastado de pessoas detentoras de verdades universais, que não admitem brechas, que têm sempre resposta para tudo e se julgam os seres mais perspicazes à face da Terra. Inflexíveis. Para mim são pessoas que não sentiram ainda os solavancos no caminho, os desvios, os temporais que tantas vezes nos obrigam a enveredar por atalhos, afastando-nos das tais verdades universais.
Com o passar dos anos fui ganhando e perdendo batalhas, sorrindo e chorando, abraçando e empurrando, correndo, ou parando quando tivesse que ser.
Vou tentar continuar a caminhar. Agora com uma mão dada à minha filha e outra mão dada ao meu filho. Sei que os passos que decidir levar a cabo terão sempre aquelas duas mãos no horizonte e o meu coração a acompanhá-los constantemente e isso torna o meu percurso mais firme do que alguma vez foi...

O Método de Tortura Mais Eficaz do Mundo

Se querem torturar alguém com requintes de malvadez, mas daqueles requintes mesmo requintados a atirar para o sádico, levem-no a uma festa de anos de putos. Ah e com motas movidas a baterias que nunca mais acabam, bem ronronantes e com os putos sem terem dormido a sesta e atirarem-se todos das motas e trotinetes abaixo.
Chiça tanto primo que tem a Alice e todos a fazerem anos de seguida.
Estou oficial e estupidamente morta. Morta e surda.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

E o Dia Chegou

Nunca pensei dizer isto tão cedo, mas a minha filha de 4 anos está apaixonada.
Acorda a falar nele, suspira de saudades, diz que não consegue tirá-lo do pensamento, faz festinhas na fotografia, anda com um ar murcho e pensativo e só falta mesmo perder o apetite para completar o quadro.
E perguntam vocês: Como é que ainda não a amarraste com algemas à cama, ou ligaste a marcar hora para um pedo-psiquiatra Anacê? Que raio de mãe desnaturada és tu?
Enfim, ainda não fugi com ela para o Polo Sul, porque a paixão da Alice é...
O Woody. Esse cowboy lingrinhas com perninhas de grilo é a primeira paixão da minha filha.

Gravei-lhe o filme que passou no Disney Channel, entretanto já o viu, sem exagero, mais 30 vezes e já foi vê-lo 3D ao cinema. Hoje liguei para a loja da Disney do Colombo a perguntar se tinham lá algum Woody, que a minha filha estava perdida de amores e precisava de se abraçar a ele. Parece que têm. O Hugo está então incumbido (sem que a Alice imagine) de se enfiar no trânsito da 2ª circular depois do trabalho e só vir para casa com o genro pela mão.
Sinto-me velha a valer. Caramba, não tarda está a suspirar por um qualquer actor de carne e osso e daí a nada por um colega de escola...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Dias Assim

Hoje tive um dia demasiado estúpido para ser importante. Quis sair de manhã e não consegui, quis sair de tarde e saí demasiado tarde.
Ouvi choramingar o dia inteiro e senti-me a pessoa com menos paciência à face da terra.
Gritei, refilei, barafustei e no começo do silêncio nocturno, quando a casa escureceu de choro e reclamações senti-me estranhamente culpada.
Entrei no quarto dela e enfiei o rosto na curva do seu pescoço, pedindo-lhe desculpa baixinho. Ela já a dormir respondeu entre sonho e realidade:
- Não faz mal mãe, adoro-te.
Depois regressei ao meu quarto e olhei aquela bolinha chorona e risonha a dormir como só as crianças conseguem dormir, envolto em harmonia e passei a mão sobre os seus cabelos desalinhados.
- Desculpa lá bebé, amanhã vai ser melhor.
Um pequeno suspiro disse-me que estava tudo bem, que não há semanas inteiras cheias de dias bons. Uns são melhores do que os outros, até para ele.

As Mulheres e as Mães

A propósito deste texto gerou-se nas minhas amizades femininas uma pequena conversa sobre a mulher/mãe dos dias de hoje.
A Rita dizia-me que a culpa do cansaço materno era da mulher, que muitas das vezes se recusava a dividir tarefas com o marido, por achar que ele não as levava a cabo na perfeição, por achar que o homem não nasceu para cuidar de putos, por achar que é seu dever carregar com o peso do planeta Terra e do resto da Universo às costas.
Em suma, a Rita acha que a mulher se mete em trabalhos extra, quando devia saber dividir mais.
E eu pensava: Meu Deus, isto vem do princípio dos tempos e ainda é passado de geração em geração através das próprias mães de meninas e meninos.
As mães de meninas que as ensinam que é seu dever exclusivo fazer as coisas do lar e as mães de meninos que não os ensinam a fazer as coisas do lar.
A Melissa dizia-me que a mulher carrega vários fardos no lombo:
O fardo do trabalho fora de casa, o fardo do trabalho dentro de casa, o fardo de no final de um dia de cadela ainda ter que supostamente estar maravilhosa para o marido. Como é que depois disto ainda restam forças para se dedicar à escrita? Gaja sofre mais sim, porque gaja não consegue desligar o botão.
Quando e como é que isto vai mudar?
Quando é que a mulher vai relaxar e dividir sem pesos na consciência o que tiver que ser dividido?
Quando iremos nós desligar o botão?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Verdade Acerca do Casamento

No início do nosso namoro o Hugo gravou-me um Cd cheio de músicas com significado. Uma delas era a "Feiticeira" do Luís Represas e lembro-me de imaginar aquele rapaz magrinho (na altura) a sorrir com o encaixe perfeito das palavras do refrão na sua bela namorada (eu, também magrinha na altura):
De que norte, de que lida, de que deserto de morte, vieste tu feiticeira, inundar-me de vida, lá, lá, lá.
E eu ouvia aquilo e sentia-me mágica, capaz de enfeitiçar assim alguém com tanta chama, que luxo, que romântico encher uma pessoa de vida. Porque nós também nos vemos através do olhar dos outros, eu gostava da forma como ele me via. Eu era A feiticeira dele.
Os anos passaram, os filhos vieram e eu deixei de ser feiticeira, pelo menos todos os minutos do dia. Tenho manhãs em que o refrão poderia ser:
De que covil, de que gruta, com que vassoura ranhosa, vieste tu minha bruxa, atazanar-me a vida, lá, lá, lá.
A vida de casados é assim mesmo. Uns dias feiticeira, outros bruxa, outros dias mágicos, outros de magia negra.
Mas no final o que conta é sabermos que mesmo nos piores momentos ele não foge da bruxa, pega na vassoura dela e voam os dois juntos em direcção ao sol posto.

sábado, 5 de junho de 2010

O Nosso Corno Pré Histórico

Quando vejo as multidões de corno de plástico cor-de-laranja-Galp a soprarem como se fosse o som mais melodioso do planeta e a abrirem as fileiras de dentes num sorriso futebolístico, cheios de orgulho nacional, em êxtase tântrico porque viram a Selecção antes de partir para outro Continente, sinto que afinal ainda estamos muito próximos dos nossos antepassados pré-históricos, ou o que é pior, mais primitivos do que eles.
Também gosto muito de ver as casas aqui nas redondezas com bandeiras de Portugal hasteadas nos quintais e os carros já com motivos verdes e encarnados. O patriotismo sempre me comoveu, principalmente quando é sentido assim com tanto fervor por causa de uma bola. Quando não há campeonatos internacionais desta coisa chamada futebol as bandeiras bem podem servir para limpar o rabo, assoar o nariz, ou puxar o lustro ao carro a um Domingo, mas quando há bola "a gente somos muito portugueses".
Somos o mais antigo País-Nação do mundo e isso reflecte-se nestes gestos tão simples como forrar o encosto do carro com uma bandeira nacional.
Mobilizamo-nos e gritamos como adolescentes pelos jogadores do esférico, espiamos as casas e vidas deles, escutamos longas entrevistas como se ouvíssemos mestres da oratória e sabemos bem cá no fundo que isto é que faz uma nação.
Dêem-nos uma equipa de futebol que faça golos, uns cornos da galp para fazer muito barulho, umas bandeiras do país para apoiar os jogadores e fazer almofadas com elas e não precisamos de mais nada para nos sentirmos realizados como indivíduos nacionais.
Há c'orgulho do camandro em ser portuguesa, afinal o Crestenane Ronalde é tuga!!!

O Sexo não vem à Cidade

Não sei porquê, mas não estou com a menor pachorra para ir ver o Sexo e a Cidade 2.
Gostei muito do 1, mas vi a apresentação da sequela e deu-me vontade de fechar os olhos em antecipação do desastre.
Posso estar completamente errada, mas acho que não vou arriscar. Estou sem paciência para gastar o pouco tempo que tenho em filmes medíocres.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

4 Meses de Ti


O nome António ainda me parece demasiado adulto para ti que tens o sorriso mais doce do mundo.
Gostas de andar no marsúpio encostado ao meu corpo e a sorrir para toda a gente, desde o sapateiro desdentado, à senhora antipática do outro lado do balcão do café que se vê obrigada a largar a indiferença e olhar-te.
Os teus sons agora são mais meus e eu um bocadinho mais tua também.
Olhas as maluqueiras da tua irmã com um olhar sério que logo se transforma em gargalhada e olhas o teu pai como se tivesses ligado um interruptor de luz bem dentro dos teus olhos.
Gostas de tocar com o pé na grade da cama e segurares na mão a chupeta que logo atiras pelo ar, desesperado por ainda não conseguires encontrar o caminho da boca.
Não sei que cumplicidades teremos, que brincadeiras preferirás, se gostarás das mesmas músicas que eu, dos mesmos livros, se respeitarás os meus humores e eu os teus. Sei apenas que estarei aqui ao teu lado tentando dar-te sombra nos dias quentes e aquecer-te quando o teu coração se sentir mais frio.
Por enquanto envolvo-te no meu abraço apertado e desejo no meu íntimo que nunca te fartes dos meus braços...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Ismael e Chopin



Virámos hoje a última página. Eu com um nó na garganta, a Alice com o olhar brilhante.
Porque é que todos os livros para crianças não são assim?
O Hugo entrou no quarto e deixou-se ficar na cama a ouvir, eu tirei genuíno gozo de cada linha e a Alice, apesar de ainda ser um bocadinho "pequena", sensibilizou-se com o final.
Foi o nosso primeiro livro a sério, com mais de dez páginas juntas que levou algumas noites a terminar, e não podia ter escolhido melhor.
Sem palavras complicadas, mas cheio de significado, acho que posso dizer que o Miguel Sousa Tavares escreveu esta história com a mão da mãe sobre o seu ombro, o sussurro do piano de Chopin ao ouvido e o filho dentro do coração.

Só Porque a Joaníssima Pediu Aqui Está a Minha Cozinha



Joaníssima melher tu na tens nada que me desafiare a metê-la que ê meto logo. Mas só de um ângulo que o resto estava um bocado desarrumado :)
E agora pouco falta para fotografar details da minha casa e encher o blog deles como se fosse a coisa mai linda do mundo.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Às futuras mães de segundos

Comigo aconteceu e se puder dizer-vos que será normal sentirem-se assim direi.
Quando o António nasceu uma nostalgia tremenda abateu-se sobre mim e sobre o Hugo. Um aperto na garganta constante de cada vez que olhávamos a Alice, uma vontade imensa de abraçá-la a todo o instante, um recordar vívido do nascimento dela e de todas as fases pelas quais passou e nós com ela. Olhar as fotografias de quando ela era bebé levava-me às lágrimas e só desejava poder tê-la nos braços tal e qual tinha agora o António.
Foi muito estranho o primeiro mês, pois carregava a sensação constante que me tinha tirado a ela um bocadinho e sentia-me culpada por isso, tentando desdobrar-me em mil para atender a todos ao mesmo tempo, desejando sempre que ela sentisse exactamente a mesma dose de amor que sempre tinha sentido.
É claro que acabei por entender que era possível conciliar amores, tempos e ajustar ritmos. Ela também entendeu muito melhor do que eu. Mas a sensação "manchou" o primeiro mês com o António em nossa casa.
Eu tinha tudo preparado, tinha todos preparados por mim antes do nascimento, lia em todo o lado que o amor se desdobrava, que era maravilhoso. Mas o maravilhoso demorou a chegar, demorou cerca de um mês.
Hoje olho-os e sinto que não roubo nada a nenhum deles, mas esta serenidade não veio de rompante, como aliás nada vem na minha vida.

terça-feira, 1 de junho de 2010

A Cozinha é o Coração da Casa




O coração de uma casa é a cozinha. É nela que acabam as conversas, que se juntam os amigos em volta de canecas de café. É nela que dá vontade de ficar a sentir o aroma de um bolo que coze no forno. É na cozinha que passam as crianças cheias de perguntas e ficam a mergulhar o dedo na massa do bolo, é na cozinha que sentimos conforto no final do dia.
Estou longe de ter a cozinha dos meus sonhos, com uma mesa redonda encostada a uma janela rasgada sobre o jardim, onde pudesse sentar-me a tomar o pequeno-almoço sozinha, ou com o resto da família. Mas isso não me impede de continuar a salivar de cada vez que vejo fotografias da cozinhas cheias de alma.
Só me pergunto porque é que cada vez se investe menos nas cozinhas quando se desenha uma casa, ou um apartamento?
Nos apartamentos vemos corredores estreitos e sem alma, nas casas aposta-se em salões de baile em detrimento das outras divisões.
Se um dia desenhasse uma casa teria uma cozinha onde me desse vontade de fazer panquecas ao pequeno almoço todos os dias e onde coubesse o meu coração inteiro.

Abriu a Época da Colher!

Pois é o António vai iniciar-se nas colheradas. Até tremo só de pensar como foi com a Alice. Lembro-me que cheguei a dar-lhe papa a tocar gaita de beiços e com um balde da praia na cabeça.
Vamos esperar que com ele seja diferente, afinal de contas ele ri-se para toda a gente( objectos inanimados incluídos) enquanto a Alice só se ria para os pais e olhava o resto do mundo com sobrolho franzido, também há de ser diferente na questão dos pratos. E eu sou uma mulher crédula, ou se não sou, passo a ser que é para não desesperar antes de começar...
Wish me luck.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Tenho uma casa em África


Centopeius asquerosuns patirium multiplus


Hoje de manhã olho para o tecto e tenho uma coisa destas por cima da cama. O Hugo grita e manda vir comigo, que deixo a porta aberta, que a culpa é minha, que não aguenta mais tanta bicharada, que eu não sou cuidadosa com as janelas, com as portadas com o diabo que o carregue.
O meu marido convenceu-se que os bichos entram todos pela porta da rua e que se fossem mais altos tocavam à campainha para se anunciarem.
Fui buscar o aspirador a correr e o Hugo suga este comboio venenoso de pernas na potência máxima.
Mas depois penso e se ela sai pelo cano outra vez? E se entra na cama do António? E se eu deitasse o aspirador fora? E se eu mudasse de casa?
Eu odeio do fundo do meu ser tudo o que é insecto campestre. Não nasci para isto, definitivamente sou uma mulher da cidade.
E agora como é que vou dormir esta noite, como???

domingo, 30 de maio de 2010

A Revista Cor de Rosa já não é o que era

De vez em quando gosto de ler uma revista da cusquice/aniquiladora de neurónios, como se me pudesse dar ao luxo de perder os poucos que me restam, mas enfim, são luxos aos quais retorno de quando em vez.
Gosto das caras de papiro torrado das manas Jardim e seus petit-nons, como papucha, mituxa, ratuxa, piluca, pitorra. Enfim todo um potencial gozatório ali ao alcance de uma página de revista.
Gosto de ver os vestidos glamorosos das actrizes e arranjar defeitos só porque sim.
Gosto de andar pelas monarquias europeias, criticar toiletes e imaginar toda aquela realeza a evacuar no sanitário perdendo as poses, transidos de dor com prisão de ventre.
Gosto de imaginar a Rainha de Inglaterra a despejar o lixo de rolos na cabeça e beata na boca. Ou a palitar os dentes com um pacote de açúcar dobrado.
Gosto de saber que a Camila foi avó de um cavalinho, ou que o Príncipe Carlos esteve presente na entrega de uma coisa qualquer ao filho nazi.
Gosto de muita coisa, mas há certamente uma "elite" social em relação à qual não tenho sequer paciência para ler as legendas das fotografias. Uma elite que não suscita em mim ponta de curiosidade no seu modus vivendi, nas suas compras, casas pretas e douradas, pochetes, carros, namoros, paixões: Os jogadores da bola.
Que raio fazem eles nas revistas da cusquice que me estragam tudo?
Que me interessa a mim das suas vidas sociais? Porque é que gastam tanto papel de jet7 com os jogadores do esférico?
Que falem deles a Bola, o Record, criticando frangos, jogadores coxos e outras coisas que tais, tudo bem. Agora na Caras? Na Lux? É que assim fico sem ter o que ler na casa de banho. Vá lá senhores da imprensa rosa choque façam-me o favor de tirar esses meninos daí, pode ser?

Foi bom "Regressar" a Lisboa com Ela






Mostrarmos um bocadinho da cidade que nos viu crescer à nossa filha foi bom. Cansativo, mas bom.
Continuo a achar que esta é uma das melhores partes de sermos pais. Podermos começar a enchê-los dos nossos lugares e do mundo.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

À Noite no Hospital

Apesar de a cesariana do António me ter custado menos, em termos de dores pós-cirurgia, que a da Alice. Em grande parte, senão na totalidade, devido à morfina que levei na espinha a pedido expresso da minha médica (quando foi da Alice só me deram paracetamol ahahahah). Tive uma grandessíssima hemoragia que me levou as forcinhas todas embora e me transformou numa espécie de fantasma/cara-pálida do recinto.
De modos que na segunda noite de internamento (com o António à guarda das enfermeiras) o Hugo apagou como nunca o tinha visto apagar. Aliás desmaiou na cama dele de boca aberta e tudo.
Eu estava a soro e a minha mão começou a inchar descontroladamente até ficar como uma daquelas luvas do Rato Mikey em formato balão sem conseguir movimentar-se e como o saquinho de soro estava preso a um suporte fixo na cama não conseguia levantar-me para ir à casa de banho sem ajuda. Por isso comecei a chamar o Hugo:
- Amor, Hugo acorda, não sei o que tenho na mão e tenho que ir à casa de banho!
Silêncio.
- É a sério, acorda lá!
Silêncio sepulcral.
- (voz muito alta) Caraças HUGO ACORDA! ACORDA, ACORDA.
Silêncio.
Então começo a a agarrar em tudo o que consigo alcançar, desde pacotes de bolacha Maria, a bisnagas de halibut e a arremessar tudo na direcção da bela adormecida.
- ACORDAAAAAAA!!!
Silêncio.
Em modo contorcionista, lá consigo alcançar o saco de soro e arrastar-me com ele debaixo do sovaco até à sanita, olho a minha mão e não quero acreditar no tamanho daquilo. Arrasto-me até à cama e chamo uma enfermeira.
Silêncio.
- HUGO SEU SACANA ACORDA!
Então ele levanta-se de um pulo já pronto para ajudar, mas desconfio que sonâmbulo.
Caraças agora que me lembro disto acho que nunca o vi tão cansado. Não acordou nem com um pacote de bolachas na tola. Sou mesmo uma mulher pacífica e independente, caramba que orgulho em mim.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Coitadinha/Pobrezinha/Desgraçadinha ou a visita da minha avó

Quando tenho uma visita da minha avó sei que tenho que me preparar psicologicamente para a enxurrada de coitadinhos que lhe saem pela boca fora sem que ela dê por isso.
Como teve duas filhas, quatro netas e três bisnetas ainda não se adaptou bem ao facto de o António ser um bisneto e não uma bisneta. Por isso hoje dei-lhe o devido desconto de cada vez que chamava coitadinha ao meu filho.
"Olha para ela que amor. Ela está tão bonita coitadinha. Terá calor coitadinha? Olha para esta barriga coitadinha tão querida".
Como o António é um pateta alegre, de cada vez que ouvia a palavra coitadinha desfazia-se a rir, o que lhe deu mais gás para a ladainha, ou o fadinho como gosto de lhe chamar.
"O que ela se ri coitadinha tão querida".
Até que em pano de fundo com a televisão ligada no canal Trash Discovery and Living, ela dá de caras com este programa dos anões e emudece, quedando-se a olhar a família Roloff, ignorando por completo a "netinha". Até que o silêncio se desfaz e oiço:
- Coitadinhos tão anormais olha para eles, pobrezinhos.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Olha p'ra mim a dar dicas culinárias



Além de adorar o Paul Newman e de ter vertido pelo menos uma lágrima pela sua morte, também adoro os produtos dele. Naturais, sem gorduras transformadas, nem recurso a transgénicos e revertendo as receitas para obras de caridade, aqui está o molho sem o qual não como saladas.
É light (gosto sempre desta palavra) e é bom como tudo, transformando uma folha de salada murcha num repasto dos deuses.
E aqui fica a minha dica de cozinha para quem não tem grande jeito para misturar azeite e vinagre nas doses certas.
Newman's Own Salad/Light Italian Dressing
Costumo comprar na loja Gourmet do SuperCor.

Orgulho exageradamente babado


Quem diria que aos 34 anos de idade me encheria de vaidade com 5 letrinhas tortas e redondas escritas a laranja numa folha de papel?
Pois é, hoje descobri que as tuas conquistas ainda são um bocadinho minhas e assim há de ser por toda a nossa vida.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Recados Conjugais de WC

Custa assim tanto deitar o rolo do papel higiénico fora quando ele chega ao fim? É que se há coisa que me deprime quando penetro na divisão sanitária do meu chateux é o rolo castanho de cartão solitário no porta-rolos, ou lá como se chama o local onde se pendura o higiénico.
Por isso meu amor se lês estas palavras que te devoto aqui com carinho divide comigo essa tarefa inglória de deitar no lixo o final do papel que nos vale a todos. É que a mulher que te ama como nenhuma te amou, está capaz de fazer a canalização da vizinhança inteira com os rolos que já retirou do coiso.
Ah e não vale deixar apenas uma pequena réstia de folha colada no rolo, na tentativa vã de fazer parecer que ainda há bué papel para a tua bem amada se livrar de substâncias psicotrópicas do seu organismo.
Com amor
Anacê

Vá mulherio toca a andar!

Mulherio até aos 45 anos toca a vacinar contra vírus responsável pelo cancro do colo do útero. Depois de falar com a minha médica saí de lá com a ordem de vacina.
Tudo bem não é comparticipada para as nossas faixas etárias, mas é o dinheiro mais bem gasto de todos.
Vá abram as carteiras, arregacem as mangas e levem a injecção intra-muscular em três doses. Não dói nada quando comparada com o grande mal que evita...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Pesadelos Meus

Fico fisicamente doente quando vejo crianças com cancro.
É uma imagem que me arranca o ar de dentro do corpo e fica a doer bem fundo durante horas, enevoando-me o resto do dia.
Não devia acontecer, não podia acontecer, mas acontece e deixa-me sem forças, sem chão, sem fôlego de cada vez que vejo pais que sorriem para os filhos doentes, numa luta tremenda para lhes fazerem crer que continua tudo bem.
Sorriem mostrando por fora o que não sentem por dentro, numa batalha para fazerem o mundo do filho mais confortável, quando a única coisa que sentem é o seu próprio mundo desabar.
Penso que não aguentaria se fosse comigo, que enlouqueceria. Mas depois também sei que as adversidades dão-nos forças que não imaginávamos possuir e que nos tornamos guerreiros temporários só para levar o mal de quem amamos embora.
Caramba sinto-me tão pouco crente de cada vez que vejo crianças sofrerem.
É a derradeira prova de fé de alguém religioso, disso não tenho a menor dúvida.

A Anatomia já não é o que era

É impressão minha ou a argumentista da Anatomia de Grey anda a beber inspiração dessa riqueza profunda que é a novela da TVi?
Andam todos a saltar para a espinha uns dos outros, todos muito apaixonados e desapaixonados. Não há ninguém no Seatle Grace que não tenha sido papado mutuamente.
Depois fizeram com que a Izzie sobrevivesse a um cancro terminal só para poder desaparecer uns episódios depois, pintando o cabelo de loiro à Little Grey como se assim tudo ficasse bem.
Ainda assim sentindo que faltava paixão à única personagem de jeito daquela coisa toda(a Bailey) inventaram-lhe um pretendente.
É preciso ir para aí ajudar-vos nos campos cirúrgicos senhores? É que para ver séries de paixonetas mudo de canal. Vá lá, toca a ser diferente e a meter a história no rumo, sim?
Obrigada!

domingo, 23 de maio de 2010

Globos de Inox

A sério que há pessoas que vão para as laterais da arrastadeira vermelha dos Globos de Ouro com a mesma emoção que devotariam aos Óscares? Há mesmo pessoas que saem de casa a um domingo à noite para verem desfilar as celebridades e jet7 tugas, ou aquilo é figuração especial?
Depois pivots bem apessoados mandam parar as vedetas e perguntam-lhes "quem" é que trazem vestido rezando para ouvir Dior, mas arriscando-se a levar com um Lanidor.
Mas o momento alto da coisa foi mesmo a Lili Caneças saída do refugo da Loja das Meias (que lhe empresta a roupinha toda) com baton escarlate e a fazer lembrar o Joker do Batman. Aí sim julguei que estava nos Óscares e que eu própria pedia autógrafos aos gritos, só que gritos de medo.

Conhece-te a ti Próprio ou Divagações de (mau) Humor

É bom conhecermo-nos, admitirmos os nossos defeitos, sabermos os nossos limites, termos consciência daquilo em que somos bons e daquilo em que não somos brilhantes.
É bom que se farta sabermos que temos defeitos de fabrico, defeitos adquiridos e outros tantos defeitos só porque sim.
Por isso acho tão triste quando vejo aqueles concursos de talentos com pessoas que acham que não têm barreiras e se julgam os melhores cantores, ou dançarinos do mundo quando se limitam a arrotar, ou dar uns pulos ao pé coxinho.
O mais bizarro de tudo isto é que têm os pais nos bastidores a apoiarem o suposto talento e a dar força e puxar por algo que não existe por muito que se esforcem.
Também me deprime conversar com pessoas que se auto-analisam completamente ao lado, numa constante propaganda de si próprios e são incapazes de acharem defeitos, ou admitirem qualquer tipo de erros cometidos.
Estas pessoas perfeitas geralmente atiram em todas as direcções quando lhes apontamos alguma coisa e tentam sempre, mas sempre inverter o rumo da conversa para os defeitos de quem com elas conversa. Tudo é preferível a terem que olhar para dentro.
É a arte da fuga. Mas é uma fuga sem estilo, triste até.

sábado, 22 de maio de 2010

Desabafo minúsculo

Oiço imensa gente dizer que depois de ter sido pai/mãe, passou a entender muito melhor os próprios pais.
É engraçado, mas comigo não aconteceu nada disso. Passei a entender ainda menos...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Momento Fútil / Forreta ou Sobre a Zara

Ando lixada com a Zara, mas tão lixada que vou fazer jejum dela durante uns meses.
Não é que ela resolveu inflaccionar os preços dos trapos?
Pego numa camisa feita com mão de obra praticamente escrava - 30 Euros.
Pego numa camisola de malha de algodão feita com mão de obra infantil - 29. 90
Decido optar pelas t-shirts que ainda mantêm um preço relativamente Zara e trago uma mão cheia delas, mas assim que as envergo (olha que linda palavra) começo a sentir linhas na boca, nas mãos, na cara do António, na cabeça da Alice, no sofá, pela casa. Desconfio até que se não tiver cuidado a t-shirt desaparecerá, deixando-me coberta por uma mísera linha.
As camisolas abrem buracos após a primeira lavagem e as carteiras caras comó raio (pelo padrão Zara) encravam os fechos.
Zara filha tu decepcionaste-me muito e digo isto tirando uma linha que pende da minha t-shirt made in India.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Somos o que Fazemos

Às vezes acho que não há nada pior do que não sermos úteis a alguém. Deve ser um vazio brutal sabermos que não há uma única pessoa que precise de nós, que confie na nossa presença se alguma coisa correr mal.
Mas depois penso melhor e acho que podendo ser úteis a alguém de quem gostamos e não o fazermos por comodismo, ou por preguiça é ainda mais cretino.
A realidade é que nós somos aquilo que fazemos e não aquilo que apregoamos ser. As palavras são coisas muito bonitas sim senhora (eu que o diga), mas não chegam.
Isto pode parecer um amontoado de lugares comuns, mas significa muito para mim, a sério que sim.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Mãe Coragem


Hoje à tarde entrei na cozinha e não queria acreditar no bicho que rastejava pelo chão, aliás ainda não acredito que fui capaz de lhe limpar o sebo.
Ao ver o que me parecia um alien gigante com antenas e carapaça brilhante começo aos gritos pela Alice que corre escada abaixo dizendo:
- Eu salvo-te mãe, eu salvo-te!!!
- Alice corre, vem rápido!!! (sou a mãe mais corajosa do planeta)
Mas mal a minha bem intencionada filha entra na cozinha e dá de caras com o rastejante atira-se para cima de mim aos gritos, hirta, agarrada às minhas pernas como um macaco no galho.
- O que é que fazemos?
Gritos.
- Foge mãe!!!
- E se ele se esconde?
- Foge agora e fecha a porta!!!
Olho em volta à procura da melhor arma de ataque que não me obrigue a aproximar-me demasiado e nada.
A Alice lá se desprende do galho e corre a buscar a revista da Deco Proteste e na mais completa sintonia como irmãs de armas, lanço a revista sobre ele e começo a sapatear-lhe em cima como uma louca. O barulho crepitante debaixo dos meus pés fez-me dar mais uns quantos gritos de repulsa. Quando acho que já tenho um puré debaixo dos Direitos do Consumidor, lá levanto aquilo a custo e removo-o com a pinça da salada, sempre aos gritos. A Alice faz coro.
Adorava ser uma daquelas mães que ensina os filhos a não matar os bichinhos e pega nas osgas com a mão, pondo-as em liberdade. Mas sou a verdadeira Serial Killer do sítio.
Porque é que com o calor começa a aparecer bicharada de todos os lados?
Eu só espero que não tenha sido uma barata, porque se foi, mudo de casa.

terça-feira, 18 de maio de 2010

A Minha Timidez

Às vezes desespero com a timidez da Alice e esqueço-me que também eu era a timidez em pessoa, aliás, ainda continuo a debater-me para vencer esta fraqueza de personalidade.
Sempre tive pânico daqueles clubes de férias, ou cruzeiros onde toda a gente participava em actividades lúdicas encorajadas por um animador frenético de megafone na mão a desafiar meio mundo para o jogo do pé coxinho na piscina às 14 horas, ou o concurso de valsas às 19 horas na sala verde.
De modos que quando fui parar ao Club Med de Cadiz pode dizer-se que tive uma terapia de choque.
Deitada na espreguiçadeira da piscina não foram raras as vezes que tive que rebolar de tromba no chão para me esconder do animador que seleccionava pessoas ao acaso para o jogo de vólei na água, ou decidia simplesmente conversar com os hóspedes em modo transmissão-megafone.
Ao jantar também adoravam abordar as suas vítimas, o que me levava a esconder-me de cocaras debaixo da mesa, ou sair de rastos até à casa de banho.
Como é que aquela gente tinha tanta energia para dispender? E quanto mais idade tinham mais frenéticos e sequiosos de actividade pareciam. A animação era tanta, mas tanta que os meus queridos olhos chegavam ao final do dia exaustos só de observarem.
Enfim, agora que me lembro dessas férias, vejo como foram cansativas. Não pelas actividades em sim (que eram mais que muitas) mas pelo tempo que perdi a fugir delas...

Hoje Apetecia-me

Apetecia-me ter um daqueles ataques de riso que temos quando somos miúdos, em crescendo até sentirmos que podemos efectivamente morrer de tanto rir. A cara parece prestes a paralisar, dores nos maxilares, na barriga, em todos os músculos. Lágrimas que nos caem em catadupas e dividimo-nos entre o precisarmos de respirar para sobrevivermos e o não querermos que aquela sensação passe.
Sinto-me carrancuda, chata, sonolenta e começo a ficar farta de mim.
Por isso hoje queria mesmo chorar a rir. Ainda para mais dizem que rir muito tira a barriga.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cópula precisa-se para melhorar o desempenho de alguns funcionários públicos

A semana passada fui vacinar o António ao Centro de Saúde e como amnésica que sou esqueci-me de comprar a vacina do Rotavírus. Portanto voltei lá hoje para que lhe dessem a vacina oral. O horário está afixado da seguinte forma:
SEGUNDAS FEIRAS DAS 8.30 ÀS 11 / PROVA DE MANTOUX 10 ÀS 11
Como ex-estudante de Direito que ficou zarolha depois de 5 anos a interpretar meia dúzia de artigos. Interpretei da forma mais básica possível: A prova de mantoux só é feita entre as 10 e as 11. O resto da vacinação é entre as 8.30 e as 11.
Por isso lá cheguei eu com 60 Euros de Vacina fora do frigorífico às 10.15 e vejo a frustrada de serviço a recolher as senhas de admissão enquanto espezinha um casal ucraniano que tenta vacinar o filho e explicar qualquer coisa que o médico enviou escrita. O truque da mulher é repetir até à exaustão a mesma frase, não ouvindo rigorosamente mais nada que venha do outro lado. Começou-me logo a ferver o hemisfério esquerdo.
Anacê: Então porque é que está a tirar as senhas?
Frustrada: Agora já não aceitamos mais vacinas, só as provas de mantoux.
Anacê: Porque é que o horário diz das 8.30 às 11?
Frustrada: Agora só as provas, volte quarta feira.
Anacê: A senhora é efectivamente desprovida de inteligência, ou está só a fingir que é?
Frustrada: Hoje estão todos tão agressivos.
Anacê: Porque é que será? Dê-me uma senha que hoje não acordei com disposição para me aborrecer.
Frustrada: Vai ter que esperar a ver se temos tempo depois das provas.
Anacê: Então corrija o horário afixado imediatamente.
Nesta altura do campeonato já tinha uma legião de pais atrás de mim a gritarem protestos. A senhora lá tira uma senha para a minha pessoa.
Entro na sala de vacinação e descubro que é a frustrada quem vai dar a vacina. Olha para mim com aqueles olhinhos luminosos de raiva e diz:
- Esta vacina são as mães que dão.
- A senhora hoje bebeu, ou é sempre assim? Então venho eu ao centro de saúde para quê? Para administrar vacinas?
- É que temos tido aqui mães que me responsabilizam quando o bebé cospe a vacina.
- Ó minha senhora se o meu bebé cuspir os 60 euros de vacina a responsabilidade é dele. Espero sinceramente que não cuspa para cima de si, apenas isso.
- Venham cá, venham cá. Estão a ouvir? Esta senhora diz que se responsabiliza se o bebé cuspir! Ouviram?
Agora digam-me por favor há necessidade disto? A sério, a mulher conseguiu estragar-me o dia. É a verdadeira areia na engrenagem. Como não é fecundada passa os dias a fecundar os outros.

domingo, 16 de maio de 2010

Ser Feliz

A matéria da felicidade é mesmo feita de momentos. Como uma enorme colcha de retalhos em que cada pedaço de tecido é um dia, ou um minuto bom. De vez em quando é preciso olhar para essa colcha de padrão pouco uniforme e ver com alguma distância o todo para não esquecermos que a nossa vida já teve momentos assim, bons como tudo. Buscar uma vida plena e constantemente feliz é buscar o impossível. Pois não há linhas rectas, nem estradas a direito na felicidade, a maior parte das vezes ela está nas entrelinhas, ou no descanço do caminho principal.
Eu também tenho uma colcha feita de instantâneos felizes. Hoje acrescentei este.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Ter Filhos Muda uma Pessoa Sim Senhora

Apesar de algumas pessoas dizerem de nariz empinado que o nascimento dos filhos não as mudou por aí além, eu digo e afirmo que os filhos são o que realmente nos revoluciona por dentro e por fora.
Nunca mais nada será igual nas nossas vidas.
Outro dia via uma catástrofe natural qualquer nas notícias e se antes de ser mãe pensava: Contra as catástrofes naturais somos mais do que impotentes. Se tiver que ser será.
Depois de ser mãe penso: Como é que salvaria os meus filhos no meio da noite num terramoto? Será que teria tempo de agarrar cada um deles e pô-lo a salvo?
Assaltos a casas também não mexiam comigo. Nunca fui medrosa nesse sentido. Se deixar umas luzes acesas é o suficiente.
Depois de ser mãe: Chiça e se me entram em casa e levam os miúdos? E se lhes fazem mal?
Antes de ser mãe apanhar, ou não apanhar doenças era uma espécie de fatalidade do destino.
Depois de ser mãe penso que os meus filhos podem apanhar essas doenças e angustio-me.
Sou definitivamente mais medrosa e angustiada do que era e desconfio que esta condição jamais mudará.
Por isso quando oiço dizer que nada mudou nas vidas dos recém-pais sorrio e penso. Caramba como é que eles conseguem?

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Hoje Lembrei-me

Hoje decidi ter saudades (imaginem que estupidez) das minhas aulas de condução. De ir a partir ovos na Estrada do Guincho com o Fernando (o meu inesquecível instrutor que fazia vénias de cada vez que travava a fundo) e a sentir-me a um paço da idade adulta. Ter carta era definitivamente um marco na vida de uma adolescente e tirar a carta em Cascais era outra movida. Sem trânsito caótico, apenas muitas rotundas, com muito espaço pela frente e por trás. As aulas de condução eram um prazer.
Depois veio a carta de mota e com ela outro instrutor. As aulas eram para cumprir calendário e o senhor que fazia o favor de andar pelas ruas comigo atrás num carro, estacionava a carripana, entrava na tasca e deixava-me a fazer oitos.
Passados cinco minutos de ininterruptos oitos e pronta para entrar na twilight zone, metia prego a fundo e passeava pelas redondezas, vendo as vistas, cantando o vira e passando o tempo que durava a suposta aula em voltinhas estupidificantes. Na maioria das vezes quando voltava ao beco onde era suposto ter ficado a fazer oitos via a carantonha desdentada e desnorteada do instrutor de beata entalada no buraco do dente dianteiro que lhe faltava e a voz rouca de bagaço:
- Então os oitos? Eu não a tinha mandado fazer oitos??? Raça da miúda!!!
Eu juro que sempre desconfiei que o homem implicava comigo por ser miúda e as miúdas segundo o seu olhar zarolho não deviam tirar a carta de motociclos.
Mas enfim acredito piamente que não haveria na linha miúda com tantos oitos no currículo.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Motivos Pelos Quais Os ET's não Querem Nada com a nossa Espécie

Hugo: Hoje estive com um homem que passou o tempo todo que durou a nossa conversa a limpar os ouvidos.
Ana: O que é que me estás a dizer?
Hugo: Ele limpava os ouvidos com uma peça de metal que tinha pendurada no porta-chaves.
Ana: Vou vomitar.
Hugo: A peça de metal tinha o formato de unha do dedo mindinho.
Ana: Tu queres ver que o homem cortou a unhaca e mandou banhá-la de prata?

Há de facto seres humanos extremamente interessantes.
Também é interessante referir que o nosso diálogo se deu durante o jantar e que não cheguei a vomitar, mas não sei como.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Olha que Ideia do Caraças




Quando estivemos em Estocolmo (fez agora 1 ano, como o tempo passa meu Deus) no meio de um bairro residencial deparámo-nos com um parque descomunal cheio de pequenas casas. Quase pareciam casas da bonecas todas arranjadas, mesinhas do lado de fora. Então parece que para desfrutarem dos poucos dias de sol que possuem, os suecos têm estas pequenas cabanas que servem apenas para refeições com amigos, churrascos, muito ar livre e convívio familiar.
Digam-me por favor se não é uma ideia do caraças.
Podem viver num apartamento, mas dispõem desta possibilidade se quiserem fazer a bela churrascada.
Eu fiquei fascinada...

A Cena de Falar Mal do Papa

Sim eu já sei que ele encobriu a pedofilia dentro da Igreja Católica e se há coisa que me revolve as entranhas é a palavra Deus e Pedofilia emaranhadas uma na outra. Revolve-me ao ponto de achar que mereciam todos castração física e empalamento. Mas avançando. Os ódios, as revoltas, as pragas lançadas na direcção do homem de branco e da sua vinda a Portugal, como se fosse uma espécie de insulto às nossas pessoas, sinceramente, acho demais.
Às vezes parece que é um terrorista de alto calibre que nos vem visitar. Daqueles que não admitem insultos à sua própria crença e que chacinam pessoas e cidades em nome da sua fé.
Deixem lá o povo comover-se e rezar e ajoelhar-se e sentir um bocadinho de espiritualidade. Que mal há de isso fazer?
A mim não me aquece nem arrefece. Acreditem que há coisas e pessoas que me insultam muito mais e andam aí todos os dias a sorrir para as câmaras e a serem chamados de novo pelo povo nas urnas.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Pessoas e Histórias do Caraças 2 - Frank Capra



Para quem gosta de cinema, para quem gosta de grandes histórias de vida, para quem gosta dos filmes do Frank Capra (como eu) este livro é um passeio mágico. É um dos meus favoritos de sempre.
Não encontrei imagens do livro em português, mas há. Chama-se "O Nome Acima do Título" e a edição é da Cinemateca Portuguesa.
O nome acima do título porque Frank Capra's passou a vir antes do título dos seus filmes. Mas até ele chegar lá percorreu um longo caminho e é o caminho antes, durante e depois que conhecemos pelo seu próprio punho.
Aconselho vivamente.

sábado, 8 de maio de 2010

Quando Somos o Mais Importante

Distraída a olhar as montras, sinto a mão da Alice no bolso de trás das minhas calças de ganga, puxando-o até me deixar praticamente com as cuecas à mostra, dou uma rápida olhadela ao António e ele não está a dormir, está a olhar para mim.
Distraída a ver os dvd's da Disney na Fnac com a mão da Alice nas caixas coloridas dos filmes e finalmente fora do meu bolso, ajeito as calças para cima e dou uma rápida olhadela ao António. Ele não está a dormir, está a olhar para mim.
Sigo para a secção dos meus livros, quero comprar o último do Ken Follet, não me posso dar ao luxo de ficar por ali a ler as contra-capas, a folhear, pois tenho uma mão no bolso traseiro das calças e um chorrilho de perguntas que não me deixa descansar. Dou uma rápida olhadela ao António e ele ainda não está a dormir. Está a olhar para mim.
Sigo para a caixa, pago o dvd e o livro e a senhora da caixa diz-me com um sorriso de orelha a orelha:
- O que ele olha para si, já viu?
E só então eu caio em mim e desligo o turbo. Detenho-me a olhar para ele também e a pensar como não há rigorosamente ninguém que olhe para nós tanto tempo sem se fartar como um filho pequeno. Com um olhar brilhante e carinhoso que não desiste da nossa imagem, que a foca sem lhe perder o rumo, como se fossemos uma espécie de farol no meio de uma noite de tempestade. A única coisa do mundo deles. Caramba, nós somos o mundo deles. Há coisa melhor para nos encher de amor até ao fundo bem fundo? Não me parece...
Isto dura pouco, muito pouco acreditem e eu tenho andado a deixar escapar demasiados olhares, demasiadas expressões, demasiadas emoções. Por vezes a rotina e as tarefas diárias engolem-nos sem dó nem piedade arrancando-nos o melhor da vida e a vida avança inexoravelmente, não espera por nós.

Mulherio Frustrado

Há coisas que me fazem comichão atrás da orelha esquerda, daquelas comichões que por mais que coce não passam. Uma dessas coisas é o mulherio casado que chama frustrado ao mulherio solteiro e o mulherio com filhos que chama frustradas às mulheres que não têm prole.
Digo que me faz comichão porque em 95,9% das vezes o nível de frustração é bem mais elevado nas gajas casadas (mal casadas) e nas gajas que tentam realizar-se através dos filhos, mas não conseguem e recusam-se a admiti-lo.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Sling Me To The Moon


Adoro ver mães de slings, pois remetem-me sempre para a paisagem africana em que as mães quase incorporam os putos em si próprias, amarrando-os para todo o lado numa simbiose linda de se ver. Vou trabalhar de sol a sol, deixa-me incorporar-te filho. Vou andar 20 quilómetros até à aldeia mais próxima para comprar 100 gr de farinha, deixa-me incorporar-te filho. E aquilo mexia comigo, sempre mexeu. Era e é um quadro de mãe-natureza em pleno e transposto para as mães do mundo Ocidental uma imagem super cool e descontraída.
Com o nascimento da Alice veio um marsúpio que agora passou para o António, mas acreditem, ou não, ele não cabe lá dentro. Sei que há tamanhos diferentes, mas como me tinham emprestado um sling toca de experimentar ser uma mãe africana. Sempre atenta às instruções pego na minha bolinha chamada António e espeto com ele lá dentro em posição Yoga. Berros e gritos. Caraças que lhe parti a tíbia, torci-lhe um tornozelo, esmaguei-o!!!
O Sling parecia querer dar de si a qualquer instante e o António também. Calma filho, a mãe já te tira daí!!!
E quem disse que o conseguia tirar? Ãh? Vá, quem disse?
O suor já me escorria formando uma poça aos meus pés e o António preso nas malhas do maldito Sling aos gritos, furioso comigo, farto de estar ali colado a mim.
Pensei em pegar numa tesoura e cortar aquilo tudo até o libertar, mas o Sling tinha sido emprestado por uma querida amiga de uma amiga que nem me conhecia pessoalmente. Como explicar isto?
Pensei em chamar os bombeiros para desencarcerarem o bebé, juro que pensei. Até que o milagre se deu e a minha bolinha de quase 8 quilos rebolou dali para fora, já roxo de raiva.
Desculpa António, a mãe não tem jeito para ser cool, nem fashion, nem coisa nenhuma. A minha cena é empurrar o teu carrinho. Raisparta o Sling, ainda por cima este da foto é quase um acessório de moda e giro que se farta. Mas enfim não se pode querer tudo...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Mães deste Planeta digam-me lá

Digam-me lá mães deste planeta se alguma de vocês se habitua a ver os filhos doentes?
Eu tenho a sensação que nunca, mas nunca vou deixar de me angustiar, por muito suave que seja a virose (como é o caso da Alice).
As bochechas rosadas, a prostração, os olhinhos de cachorrinho a chamarem por mim, o corpo quente como uma botija, os bracinhos que se agarram ao meu pescoço. A mão dela que agarra a minha e a coloca sobre o rosto só para sentir fresquinho. A vozinha que diz que não tem fome. A mesa de jantar vazia sem ela.
Ai eu odeio isto, com todas as minhas forças. Só queria poder trocar com ela. Só queria a minha Alice chatinha e melguça de volta.
Como é que não hei de querer lamber leite condensado? Assim não há condições de emagrecimento.
*Para que conste: Não cedi. Nesta casa não entram latas de leite condensado, nem de leite em pó, nem de coisa nenhuma que cheire a tentação. Longe de casa, longe da barriga.

Dias de Leite Condensado

Se tivesse em casa uma lata de leite condensado hoje seria um daqueles dias em que espetaria uma colher no seu interior e lamberia até que a voz me doesse.
Aliás deixei de ter em casa latas de leite condensado, pois sei precisamente o que é que elas "curam", ou o que é que elas amortecem, ou o que é que eu penso que elas amortecem.
A última lata que tinha no armário, uma estupidez que comprei para fazer um doce que nunca cheguei a fazer, foi parcialmente lambida num momento menos bom e se não fosse a Melissa a dizer-me para a deitar fora e enfiar Fairy lá dentro (para não ir buscá-la de novo ao lixo) acho que tinha ficado com uma crise de fígado.
Tenho dias assim. São os chamados dias condensados, em que tudo se adensa até deixarmos de ver a direito.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Estática


Por algum estranho e oculto motivo hoje no café da Fnac o meu cabelo (e o da Alice) ficou assim. Saíamos do café para a zona dos livros a coisa normalizava, voltávamos a passar no café e os cabelos quase tocavam no tecto.
Olhei em volta à espera de ver um tipo escondido com uma câmara, ou um louco a fazer experiências científicas, mas não, nada. Os cabelos alheios estavam todos normais, principalmente os dos dois homens carecas ao nosso lado. Só nós as duas parecíamos susceptíveis ao campo magnético. Cheguei a casa convencida que aquele maldito café é apenas a porta de entrada para a Twilight zone...

Medo

Tlim-tlão.
- Quem é?
- (voz de agarrado) Pode abrir minha senhora?
- Abrir sem saber quem é? Não me parece.
- É o Bruno Miguel.
- Muito bonito o nome, mas o que é que quer?
- Se não abrir como é que pode saber quem é?
Mas estes gajos pensarão que mora aqui uma idiota?
- Agora estou numa reunião e não tenho tempo (sempre sonhei poder atirar com esta deixa).
Odeio quando isto acontece e tem acontecido vezes demais para meu gosto. Tenho a sensação que andam a ver as casas que estão vazias a esta hora.

terça-feira, 4 de maio de 2010

4 de Maio ou como o tempo nos apanha sempre de surpresa


Se há coisa que me assusta de verdade é a passagem do tempo. Aquela passagem invisível, sem som, que nos apanha sempre desprevenidos.
Hoje apanhou-me desprevenida ter visto dia 4 de Maio no calendário e perceber que já passaram mesmo três meses desde que vi o António pela primeira vez e quase um ano desde que soube que estava à espera dele.
Muitas vezes o tempo apanha-me desprevenida quando o olho e vejo como já cresceu, como já sorri e dá pequenos gritos de alegria. Como já esperneia levantando tudo à sua volta só porque alguém se aproximou da cama dele. Como já nos olha parecendo entender que somos nós, o grupo forte que habita com ele.
Aprendi a conhecer o seu cheiro, a sentir a textura das suas pequenas mãos e a beijar cada ruguinha de bebé.
Ao terceiro mês sinto-me mais mãe dele, muito mais e posso até arriscar dizer que o conheço bem.
Ao terceiro mês a passagem do tempo apanhou-me desprevenida e sei que vai continuar a tomar-me de assalto cada vez que congelar uma imagem de nós e nos vir de fora para dentro. Caramba somos uma família crescida.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Só Para Não Seres Convencida Anacê

Então parece que hoje a Anacê foi cortar a gadelha que não via uma tesoura há demasiado tempo para ser verdade e foi de filhos atrás. A Alice para cortar o cabelo também e o António para dar apoio moral. Correu tudo bem e aqui a estilosa de cabelinho escovado e brilhante, qual crina cavalar, sai do cabeleireiro cheia de si, a empurrar o carrinho do filho com um convencimento fora do normal, apesar da ventania que se fazia sentir.
A Anacê põe o ovo com o António no carro e parte toda cheia de si. O que vale, repito, o que vale mesmo é que essa tipa vaidosa não foi directamente para casa. Parou para lanchar. Abre a bagageira para tirar a cadeirinha do António e nicles. Bagageira vazia.
Gamaram-me o carrinho, a Loola??? Mas como, onde, quando???
Pondo o cérebro a funcionar tão rapidamente quanto possível revejo os meus passinhos todos e com tanta peneira esqueci-me do carrinho no meio da rua. Tirei o ovo e não guardei o carrinho na mala!!! Mas que atraso de vida, que idiota!!! Voo até ao local em questão e sim, ainda lá estava a Loola estacionada à minha espera.
Chegada a casa o Hugo num elogio enternecedor diz-me: O que é que aconteceu? Pareces uma flinstone, só te falta uma moca na mão (referindo-se ao meu cabelo é claro).

Junk TV For Me


Ando um bocado agarrada a programas de merda. Mais precisamente no Discovery Travel and Living. Temos a vida de uma família de anõezinhos, temos um pasteleiro que faz bolos impressionantes (verdadeiras obras de arte), temos as tatuagens e temos o meu ultimo fetiche chamado John and Kate Plus 8. Um casal que tem sextuplos e mais um par de gémeas. Ou seja têm 8 filhos com idades muito próximas, todos pequeninos.
Aquilo consola-me, tal como a desgraça alheia tem o condão de nos fazer relativizar a nossa própria "desgraça", ver uma mãe com 8 putos infernais a disputarem atenção em simultâneo é de facto relaxante para mim. Mas de que é que me queixo afinal? Ãh? Já me esqueci assim que vi aquela mãe a tentar meter a filharada toda na furgoneta para saírem.
É giro ver como os vizinhos se inter-ajudam. Há uma vizinha que lhe vai dobrar a roupa lavada. Olha que bela ideia, se há coisa que abomino fazer, muito mais do que tratar de enfiar a roupa na máquina, é dobrar a roupa seca e arrumá-la. Vou tocar à porta dos meus vizinhos queques com um alguidar cheio de cuecas por dobrar a ver se tenho sorte :)
Cada vez acho mais que as mulheres têm duas mamas por algum motivo. Dois ao mesmo tempo é o máximo que uma mulher aguenta.

domingo, 2 de maio de 2010

A Nigella Morde, Trinca e Chafurda


Então anda o Jamie Oliver a fazer propaganda suada à comida saudável e vem esta senhora de dentes amarelados por uma vida inteira de caril e chá e sotaque enjoativamente britânico, daquele que parece falado com berlindes debaixo da língua, e pimba toca de hastear a bandeira da comida enquanto consolo espiritual?
Lamento muito, mas qualquer dia mordo à Nigella. Acho indecente vê-la confeccionar um bolo de chocolate com dois pacotes de manteiga (porque ela é assim mesmo exagerada como gosta de se definir) e dizer que é o bolo ideal para quem foi despedido enfiar o focinho numa espécie de cura pela comida.
Acho indecente vê-la fritar salsichas em banha e ir trincá-las para dentro da cama cheia de estilo, como se fosse a coisa mais cool deste planeta.
Acho indecente vê-la de roupão de seda acordar a meio da noite só para ir assaltar o frigorífico e comer aqueles torresmos que sobraram do jantar, ou aquela pratada de macarrão com queijo que estava mesmo a gritar por ela.
Os milhões de mulheres e homens que andam a tentar arranjar outros consolos além da comida (eu incluída) e que olham a Nigella estilosa a dizer que comer para sair da neura é fantástico vão processá-la.
Nigella ver-te no teu apartamento londrino a chafurdares na comida cheia de sensualidade dá-me vontade de arrotar durante o programa inteiro e tenho dito.