sexta-feira, 30 de abril de 2010

O Amor

Amarmos alguém tira-nos tanto quanto nos dá. Esvazio-me e encho-me a cada instante. Esvazio-me de mim e encho-me de ti para dar lugar a nós. É este o amor de que falam os poetas sei que é. Daquele amor que se vive, ou nos mata, que não conhece meio-termo.

As Listas de Virtudes de um Homem

Ao ver a lista de características que um homem deve ter para arrebatar uma mulher e as reacções exaltadas sobre a mesma, rio-me. Rio-me porque também eu tinha uma lista interior interminável, uma lista que não contava a ninguém, só minha e tão parva, quanto séria. Pelo menos eu levava-a bastante a sério. Caramba porque não sabermos exactamente o que encaixaria melhor em nós? Qual é o mal de nos conhecermos tão bem ao ponto de fazer um retrato robot da nossa cara metade?
Via as minhas amigas sempre à toa, cheias de será, ou não será e eu fiel à minha lista mental, aos meus princípios como gostava de lhes chamar. Sonhava com eles, revia-os em certos personagens de livros, ou de filmes e esperava.
É claro que o homem com quem casei não tem nem metade das alíneas que enumerei com tanto afinco. É claro que não me escreve bilhetes de amor todos os dias, nem gosta dos mesmos livros que eu e milhentas outras coisas que achava fundamentais para ser conquistada, mas casei com ele mesmo assim.
O que só serve para provar que as nossas listas são boas para nos situarem, para nos espelharem, para nos lembrarem que somos de uma certa forma e isso não é mau. Sei também que quem faz listas, tal como eu fiz, sabe no seu íntimo que tudo aquilo pode ser destronado a qualquer momento e não se importa nem um bocadinho com isso.
O que eu acho estranho à brava é quem leva a sério as listas alheias, por mais extensas e absurdas que sejam...

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Sair

Todos os dias decido que vou sair pela fresca com as crias, aproveitar bem a manhã, ir ao parque, apanhar ar puro.
Todos os dias acabo por sair depois do meio dia.
Já não sei o que é bater a porta de casa, ou bater a porta do carro sem olhar para trás. Sair sem estar sempre a olhar sobre o ombro para ver onde anda a Alice. Sair sem nada nas mãos. Sair sem destino especial.
Hoje quero ir a um Parque que abriu aqui perto dentro de uma enorme reserva natural, cheio de escadas e escadinhas e gravilha, tornando quase impossível empurrar a cadeirinha do António, mas hoje quero ir lá mesmo assim.
Queria já ter ido, mas sei que vou quando o biberon tiver sido tomado, as roupas vestidas e discutidas, os sapatos calçados e discutidos, a cara lavada, os dentes dela escovados por mim e por ela, o meu duche tomado à pressa, a minha roupa escolhida ainda mais depressa, o choro do António ignorado até que ele entre finalmente no carro, os dois bem presos nas suas cadeiras protectoras e eu bata as duas portas, a do lado dela e a do lado dele. Depois dirijo-me para o meu lugar na condução e nesse momento em que ando até à parte da frente do carro, sem escutar nada, sem nada pendurado nos ombros, aproveito para descansar...

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Pesadelo Fashion

Hoje acordei com uma visão dantesca na cabeça, que é como quem diz um acessório de moda dos tempos da minha juventude.
Alguém se lembra de umas bandoletes grossas com tecido que se usavam de forma desleixada sobre as melenas? As piores de todas eram umas de veludo preto, ou verde a armar ao chique.
Caramba que pesadelo. Sonhei que estava com uma dessas e com uma saia-calção no meio da rua.
Diga-se de passagem que é mil vezes pior do que aquele típico sonho em que andamos nus pelos corredores do liceu...
Tentei encontrar uma fotografia para ilustrar o post, mas só descobri as bandoletes bonitinhas que se usam agora cheias de flores e laçarotes tipo Lolita.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Balanço do 17 B

Às vezes olho para mim como se saísse aqui de dentro por uns minutos e vejo-me adulta. Sinto que sou mesmo uma mulher crescida e isso assusta-me à brava. Sob tantos sentidos ainda não me apercebi que sou mãe, que hão de olhar para o meu exemplo, para a minha história, que sou casada, que tenho uma casa onde faço o jantar quase todos os dias, onde nos sentamos à mesa e onde se respira já um certo cheiro de família.
Eu já sou isto tudo? Não, não é possível que tenha crescido tanto, ainda sou uma miúda de head phones da Sony amarelos nos ouvidos e olhar perdido no outro lado da janela do 17B.
Depois acordo e olho a roupa que tenho que dobrar e que parece crescer em proporção directa com os meus anos de vida. Acordo e sinto que já sei a resposta a montes de coisas que me perguntava durante as viagens no 17 B e que tenho outras tantas perguntas dentro da cabeça à espera de serem encerradas.
Olho o espelho e a mulher que me olha do outro lado tem já alguns cabelos brancos e dois sulcos que não estavam lá na altura dos head phones da Sony. Em contrapartida já não usa óculos. Tento fazer um balanço e não consigo, nem sei se me importa fazê-lo.
Sei que estou aqui e isso hoje é a única coisa que me importa.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Se Ficarem Muito Tempo Sem Saber de Mim


É porque a minha casa foi comida por formigas. Não vivo em África, mas além de muitas outras coisas exteriores à minha pessoa que me lembram que vivo no terceiro mundo, agora também no meu jardim lembro que estamos cada vez mais próximos desse belo Continente.
Esta coisa assustadora dá abrigo a milhões de seres insuportáveis de tamanho xxl que se aproximam perigosamente da porta de casa, como se me pusessem à prova.
Agora digam-me lá o que é que eu faço?
Se destruir aquilo à mangueirada elas atacam-me, fazem-me desaparecer em poucos segundos, estou plenamente convencida disso.
Dou-lhes com uma dose de veneno formiguento e aguardo calmamente que elas padeçam para varrer o ninho à mangueirada?
O pior é que a cada dia que passa o montinho fica mais alto. Nunca vi nenhum animal trabalhar com tanto afinco. Isto apareceu numa semana. Imaginem só o tempo que elas não levarão para se vingarem de mim...

domingo, 25 de abril de 2010

Basta Estarmos Atentos

A covinha entre o pescoço e o ombro da minha filha é onde gosto de me refugiar quando alguma coisa menos boa me toma de assalto o pensamento. Sei precisamente a medida do conforto que irei sentir assim que a abraçar e esconder o rosto ali, naquele exacto ponto de carinho. Conheço o cheirinho, a textura, o calor de olhos fechados, viajando para dentro do coração dela a cada batida que escuto.
Ele aprendeu a descobrir-me o olhar quando lhe dou o biberão e a deixar escorrer o leite pelos cantos da boca enquanto me sorri da forma mais tonta e mais adorável possível. Desperdiça o seu bálsamo alimentar só para me sorrir e eu adoro. Por muito sono, má disposição, rabugice, pensamentos negativos que estejam a alugar o meu espaço mental, nesses momentos o mundo pára e eu sorrio-lhe de volta.
Às vezes são mesmo os pequenos nadas que nos dão tudo e o tudo é fácil de alcançar. Basta estarmos atentos.

sábado, 24 de abril de 2010

não queria fazer muito barulho, mas...

O ANTÓNIO ESTA NOITE DORMIU 8 HORAS SEGUIDAS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Já fiz a minha dança da vitória, já rodopiei pela casa até me sentir tonta, já dei pequenos pulinhos em pensamento, já disse yupi mais vezes do que achava possível.
Só espero que esta celebração toda não inverta a tendência. Por via das dúvidas vou ali bater na madeira e já volto :)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Pessoas e Histórias do Caraças 1 - Kuki Gallmann

Toda a gente tem rubricas sobre uma coisa qualquer então eu hoje decidi copiar e de quando em quando espetar aqui com algumas histórias que me marcaram. Muitas dessas histórias deram livros, filmes, biografias. Umas serão verdadeiras, outras ficção. Mas queria deixar o registo em algum lugar para nunca me esquecer e para, quem sabe, convencer alguém a conhecê-las também e comover-se, sorrir, arrepiar-se, desejar saber mais, enfim, conseguir que alguém fique mexido tal como eu fiquei.
A primeira história que vos aconselho vivamente é a de uma grande mulher, uma mulher que me fez desejar ter apenas um cagagésimo da sua coragem. Kuki Gallman. Uma italiana que por amor decide mudar-se de armas e bagagens (filho pequeno incluído) para o Quénia e começar uma vida longe de tudo aquilo que conhecia...
Temos o livro escrito na primeira pessoa, temos o filme lindíssimo com a Kim Basinger a encarnar o papel de Kuki e quanto a mim a interpretar um dos seus melhores papéis.
Se puderem leiam, ou vejam o filme. Qualquer um dos dois vale mesmo muito a pena.


quinta-feira, 22 de abril de 2010

O Nosso Nome Somos Nós

De todas as tradições existentes a nível familiar, penso que a de adoptar o apelido do cônjuge é a mais lixada.
Senão vejamos o meu caso:
Quis fazer como é suposto, porque nestas coisas quanto mais igual ao resto melhor, é a chamada carneirada tradicional, por isso fiquei com o apelido do Hugo. Se ele ficou com o meu? Não, isso é muito à frente para a minha cabeça retardada e ainda não há carneirada nesse sentido.
Então tive que me despedir do nome pelo qual sempre fui conhecida desde que me entendo por gente. Tive que fazer o luto do apelido que se confundia comigo, que se emaranhava na minha personalidade e me dizia que eu era filha do meu pai e isso custou-me à brava. Cada cartão que modificava, cada assinatura que escrevia, cada remetente que endereçava serviam apenas para deixar entrar dentro de mim uma gigantesca saudade do meu nome e assim começou a minha recusa em deixá-lo desaparecer.
O meu cérebro simplesmente não conseguia dissociar o meu apelido de mim e por isso ele continuou vivo, falante, assinante para os que mais me gostam e para o que realmente importa.
O mais engraçado é que sempre fui gozada na escola por este apelido tão singular. Poderia pensar-se que quanto mais cedo me livrasse dele melhor, mas não. Com o passar dos anos fui percebendo que nós é que fazemos o nosso próprio nome, nós é que deixamos as nossas próprias marcas e se quando era pequena este apelido queria dizer Pai, hoje em dia também já quer dizer Ana e isso é bom, bom demais para se perder...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O que fazer quando a merda se atravessa no nosso caminho?

Hoje vi-me perante um dos piores dilemas citadinos de sempre.
Ao tentar andar com o carrinho do António num passeio onde apenas cabiam duas rodas do dito e com a Alice a querer dar-me a mão ao meu lado eis se não quando me deparo com o que parecia ser um campo angolano minado, só que as minas atravessadas no meu caminho eram cagalhões de cão.
Ora bem o que fazer? Passar ao lado dos cagalhões implicaria sair do passeio e atirar-me para a rua onde carros alucinados passavam a 90 quilómetros por hora. Passar sobre os cagalhões implicaria um ataque de histerismo da minha parte quando fosse guardar a cadeirinha na bagageira do automóvel e cheirasse o rasto de merda no interior do meu bólide. Levantar a cadeira e saltar sobre os cagalhões de mão dada com a Alice em simultâneo era número de circo.
O meu cérebro teve um achaque e gripou. Fiquei ali a olhar a merda à minha frente e a pensar como seria bom multar os donos dos cães que defecam nas ruas e mijam contra os guarda-lamas dos carros, mas a multa seria obrigá-los a engolir a comida pós digerida dos seus meninos.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Acho que estou a enlouquecer


Depois de ter dado a maior parte da minha roupa, das roupas antigas da Alice, das roupas do António que deixam de lhe servir praticamente de um dia para o outro, fui acometida de uma outra fúria. Estranha, bizarra, com laivos de obsessão compulsiva.
Caixas, muitas caixas. Tudo dentro de caixas. Roupas, brinquedos, livros. Caixas e caixas e caixas, azuis, rosas, amarelas, verdes, transparentes, do IKEA, do Continente, do diabo a sete.
Está tudo maravilhosamente arrumado. Espera lá, ficou um lego no chão, certamente há por aí uma caixa onde ele caiba sozinho. Uma caixa para uma peça de Lego.
Abro o meu armário e concluo que as duas camisolas que sobraram do ciclone que por ali passou ficavam bem melhores dentro de uma caixa com uma tampa que dá para abrir de dois lados.
Ando a arranjar maneira de meter a casa inteira dentro de uma caixa, mas ainda não encontrei a caixa ideal...

Hoje é só isto e é muito, é tudo

Religiões à parte, adoro uma frase dum Evangelho qualquer que não é nada famosa, mas para mim é dos ensinamentos mais preciosos da Antiguidade. É mais ou menos na altura da cena do dar a outra face (que detesto, não dou), e diz mais ou menos "Se um amigo te pede para andar com ele uma milha, anda duas". Acho brilhante. Poderia passar horas aqui a falar sobre esta frase.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Apelo

A quem quer que seja, que manda postais para minha casa do Canadá, dos Estados Unidos, da Tailândia, do Japão, de Cabo Verde. Aqui não mora nenhum Gil está bem?
Adoro receber as tuas palavras sempre tão queridas acerca das tuas viagens por esse mundo fora, mas tenho a certeza de que não são dirigidas a mim e morro de pena de te imaginar sentada numa esplanada de caneta e postal sobre a mesa a fazeres um tremendo esforço para resumires naquele pedacinho de cartão as tuas ricas experiências ao Gil e no final das contas é a Ana C que te lê.
Não sei se ele te deu a morada errada, se é um grande traste e te mentiu, mas risca esta morada do mapa e parte para outra, pode ser?
Boa viagem para ti e continua com esse espírito aventureiro.

Espelho Meu, Blog Meu, Há Alguém Mais Bonito do que Eu?

Nas minhas deambulações pela blogosfera dou muitas vezes de caras com espelhos de egocentrismo e de falta de humildade gritantes em forma de blogs.
Depois de ver mulheres sem cabeça, exibindo as indumentarias que envergarão nesse dia, de peito cheio e carregadas de conselhos para dar a todas que por lá passam a elogiar, clico na cruzinha no canto superior direito e fujo para outras paragens menos vazias.
Respiro fundo e penso quanto do meu tempo eu estaria disposta a gastar para me fotografar antes de sair de casa todos os dias, só para que pudesse publicar-me num blog e ouvir os elogios subsequentes, aniquilando quem se atrevesse a discordar com o tom do sapato, ou com outra coisa qualquer.
Cada um faz o que quer do seu tempo obviamente, mas caramba que pontapé na cabeça que é olhar para aquilo, pelo menos na minha.

domingo, 18 de abril de 2010

A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata e Eu


Hoje de manhã muito cedo consegui o melhor momento dos ultimos meses e não foi preciso quase nada.
O António adormecido na nossa cama com o Hugo, torradas com manteiga partilhadas com a Alice e uma caneca de café na mão.
Subimos até ao quarto dela, onde aterro no puff de livro em punho. Enquanto a minha filha constroi um hospital de legos, eu viro as páginas deste título maravilhoso e perco-me como já tinha saudades de me perder.
Ela parece que percebe e não interrompe, continua na sua cantilena, enquanto empilha os legos, satisfeita só com a minha presença. Eu leio e leio e leio, como já não o fazia há demasiado tempo.
Foi bom voltar a sentir-me viva através das páginas que outros escreveram. Foi bom ter agarrado num livro em vez de ter ligado a televisão. Foi bom ter vencido a preguiça.
O António choraminga, o Hugo aparece na soleira da porta, a Alice pede-me que brinque com ela. Fecho o livro marcando a página onde fiquei e peço-lhe em pensamento que me chame de novo até que a última página seja virada por mim.

sábado, 17 de abril de 2010

O meu jeitinho para os acessórios

Depois de ter despejado 90% do meu armário e de todos os roupeiros aqui de casa, numa fúria primaveril, vi-me sem roupa. Sem grande vontade de gastar dinheiro enquanto a minha forma física não progredir, mas altamente necessitada de uma carteira nova que desse para pôr a tiracolo, decido comprar uma na Zara. Sem a experimentar venho toda contente a cantar trá-lá-lá-lá olha que bela compra por 30 Euros, trá-lá-lá, olha que bom aspecto que ela tem, trá-lá-lá, já vou poder carregar com trezentas tralhas nas mãos à vontade sem me preocupar com a carteira que me cai.
O que me esqueci de ver foi o maldito comprimento da alça de pòr a tiracolo. Basicamente posso saltar à corda com ela. A bosta da malinha da Zara bate-me nos joelhos e só consigo afastá-la a pontapé.
Quis facilitar e poupar e consegui comprar um acessório de moda que me prega rasteiras, enlaçando-se-me nas pernas.
Caramba estou mesmo lixada.
Se tivesse tempo até me fotografava a mim própria sem cabeça é claro algures aqui em casa com a malinha a bater-me nas canelas.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O Que Sonhei Para Mim

Se há uns anos atrás me dissessem que iria estar aqui onde estou hoje não acreditaria.
Nunca fui daquelas mulheres cuja missão de vida era ser mãe. Sempre me imaginei a escrever para uma revista, a fazer reportagens por esse mundo fora, de computador no colo e máquina fotográfica em punho.
No Trans-Siberiano, ou numa qualquer embarcação perdida num rio recôndito. Na base de uma pirâmide no Egipto, numa Gôndola em Veneza, numa ruína Maia.
Escreveria em qualquer lugar sobre o que via, o que sentia, quem conhecia. Escreveria sobre qualquer coisa que me pedissem, em qualquer tom que me exigissem, sem nunca me perder mais do que o necessário, de forma a poder sempre encontrar-me de novo, de cada vez que regressasse a casa.
Tirei Direito quando a minha vocação era a escrita e sou mãe a tempo inteiro.
Escrevi algumas novelas, um livro, ajudei numas séries. Escrevo aqui todos os dias. Mas nunca fiz o que realmente queria.
Sempre que olho os meus filhos sei que tudo valeu a pena, que tudo serviu para chegar até ao Hugo e até eles e que sou verdadeiramente abençoada.
Mas aquela vida que sonhei desde sempre continua no lado de dentro de mim, naquele lado que ninguém vê, na sombra e essa sombra volta de vez em quando para me atormentar, para me fazer sentir pouco lutadora. Menos eu.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

É Só a mim?

Porque é que sempre que quero comprar alguma coisa, desde a máquina da loiça, a um pirex, a um resguardo de colchão a vendedora tem exactamente igual em casa e adora, está super satisfeita?
É só a mim? É que sinceramente começo a pensar que elas têm uma casa igual à minha por fora e por dentro algures por aí...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Hoje

Hoje gostava de ter coragem para concretizar, para passar do papel para a vida real, para ir atrás do que me preenche de verdade.
Mas chega sempre esta inércia, como uma onda que me bloqueia e penso que não consigo, que não movo montanhas nenhumas além das interiores que se mexem e remexem todos os dias.
Tenho dentro de mim tanta coisa e no entanto tão pouco é de facto real.
Hoje sinto-me dona do mundo, mas de um mundo onde não vivo de verdade e isso não me deixa sossegar.