quinta-feira, 30 de abril de 2009

Em Busca da Felicidade

Porque é que a maioria das pessoas tem que perder para valorizar?
Porque é que a dor é sempre maior que o bem estar?
Porque é que as memórias más tomam sempre mais do nosso tempo do que as boas?
Porque é que o sofrimento ultrapassa quase sempre a alegria?
Porque é que teimamos em buscar o impossível, quando o possível está mesmo aqui ao nosso lado?
Porque é que desejamos sempre ver o que está do outro lado da paisagem, quando a paisagem que nos envolve nos enche já as medidas?
Porque é que o que temos nunca é perfeito e o que os outros têm é sempre mais genial?
Porque é que quando vamos devagar queremos sempre ir mais depressa. Em vez de saborearmos a vista à nossa volta, queremos apenas chegar ali ao fundo?
Porque é que temos sempre um vazio por preencher, um vácuo em constante sobressalto, uma dor que parece nunca ir embora de verdade?
Muitas vezes dou por mim a desacelerar o tempo interior. A tentar olhar a paisagem em volta e não apenas a meta lá ao fundo. Pois sei que a felicidade é feita de pequenos momentos e andei tanto tempo enganada a pensar que pessoa feliz o era sempre, constantemente. Andei tão ocupada na busca dessa felicidade plena que me esqueci de olhar em volta e recolher os bons momentos, um a um. Para no final da minha vida poder juntá-los e concluir que fui feliz.

16 comentários:

PP_FANTASMA disse...

E um dia morre-se, e não se aproveitou nada...

Only Words disse...

Mais do que interrogar os porquês desta vida, há que viver e valorizar cada momento que nos enche de alegria e/ou felicidade! O Homem é um Ser insatisfeito por natureza!

InêsN disse...

estou contigo na cruzada pela desaceleração...

(e desde que o meu pai morreu - lá estão as perdas a dar-nos grandes lições.. - tento fazer um esforço para gozar mais a vida).

Rainha Mãe disse...

Ainda á dias pensava nisso.É como numa construção. Se estivermos á espera que ela esteja pronta para retirarmos prazer dela podemos nunca o ter, porque podemos nunca a acabar. Por isso devemos ir retirando prazer de cada tijolo que lhe colocarmos. A felicidade é um pouco assim. Temos que tentar ser felizes nas coisas mais pequenas pois corremos o risco de não atingirmos as maiores. O problema é conseguirmos fazer isso!

Just me disse...

Eu sempre fui apologista de que a felicidade não é mais do que apenas momentos. Isso implica estar disposta a vivê-los, a senti-los. Confesso que sou uma pessimista do pior, penso muito nas consequências, nos porquês e muitas vezes isso é um impedimento para viver os tais momentos. O meu desejo é simplesmente libertar-me destas correntes mas não é fácil porque estou a lutar contra mim própria e essa é sem dúvida a maior das lutas.

Ana. disse...

Eu gosto de pensar que sou feliz.
Que apesar de certos aspectos da minha vida não serem perfeitos, contribuem para que saiba distinguir o bom do menos bom, o certo do menos certo, os dias felizes dos dias menos felizes.

Tenho pequenos momentos de grande felicidade e outros de quase apatia.
Mas todos são necessários. Sem uns, não saberia valorizar os outros.
E é quando se dá essa descoberta que a felicidade me surpreende.
;)

Ana C. disse...

PP FANTASMA
Morrer sem realmente ter vivido é um dos meus pesadelos pessoais :)

Ana C. disse...

Only Words perde-se muito tempo com os porquês, é bem verdade...

Ana C. disse...

InêsN fico triste pelo teu pai, mas contente porque estás na cruzada pela desaceleração. Ou seja, tiraste partido do mau para não voltares a repetir.
FOrça!

Ana C. disse...

Rainha Mãe eu não teria encontrado uma comparação melhor. Estamos em permanente construção sim, mas não podemos esperar que a obra esteja concluída para a gozarmos...

Ana C. disse...

Just Me, menos "porquês" e mais "o que é que importa" :)

Ana C. disse...

Ana. Eu também já fiz essa descoberta e agradeço sempre por não o ter feito tarde demais...

Precis Almana disse...

Não me englobes em mais de metade das tuas perguntas! Fujo disso tudo como o diabo da cruz :-)
Ainda ultimamente me tenho surpreendido com o facto de responder sempre "tudo bem" quando me perguntam como estou, e de me confrontar com pessoas que, com elas sim, está tudo mesmo bem (pelo menos que se saiba e comprova pelas coisas que se queixam) e se estão sempre a lamentar... E olha, nem reproduzo porque é assustadoramente deprimente como algumas pessoas são depressivas sempre, independentemente de como a vida lhes corre. Ainda bem que há outras a quem parece acontecer tudo e depois dão lições de vida às outras!
Enfim. Vais de viagem e curte bem isso e depois vem cá trazer lufadas de ar fresco com o que se ganha por se viver.

Banita disse...

É como as casas! Enquanto não encontrarmos a casa perfeita, não descansamos, depois é a busca incessante e rápida pela mobília para a preencher e depois? Depois ficamos tristes porque já não há espaço nem para mais uma mesinha de café e até vimos uma linda na IKEA!! Insatisfeitas até à medula!

Tasha disse...

Estou com a Banita... "Insatisfeitas até à medula!". Há sempre mais que podia ser feito e nao foi. Sempre algo masi que queremos alcancar. A felicidade está sempre a mais um passo... Há que viver o dia e aproveitá-lo bem, pois a felicidade e feita destes pequenos "dias".

Pedro Barata disse...

Oxalá que sim!
Beijinhos