quarta-feira, 1 de abril de 2009

Não Perdermos a Fé em Nós

Sei que tenho muita sorte quando olho em volta e vejo pessoas tristes, desanimadas, sufocadas pela rotina daquilo que fazem. Não é preciso olhar muito longe, pois aqui em casa tenho alguém ao meu lado que queria mais da sua vida.
Tentam ver o lado menos escuro das suas tarefas, nadar em direcção à superfície até as forças os deixarem, mas apesar do esforço diário para relativizarem as coisas, o cansaço acaba por levar a melhor e no final de um dia de trabalho sentem que trabalharam por dois. Por eles e pela força que fugiu e que têm que resgatar a cada hora que passa.
Não é fácil trabalhar-se num país que não valoriza, que não oferece oportunidades, que não premeia os bons profissionais, que ignora os talentos, que não incentiva os jovens a quererem ficar por aqui.
Tal como também não é fácil arranjar a coragem para partir em busca de alguma coisa melhor. Aquele espírito que leva alguém a ir viver para um outro país sempre me fascinou. Dar um pontapé na mesa, virar a vida do avesso e refazê-la por inteiro não é definitivamente para todos.
Criamos a nossa família, prendemo-nos a compromissos financeiros e com tudo o que isso tem de bom, tem também muito de prisão, pois juntamente com esses compromissos surgem as barreiras que nos impedem de experimentar o outro lado.
A vida é feita de opções no escuro, de decisões sem garantias de qualquer espécie. Mas a partir do momento em que outras pessoas dependem de nós, esse escuro assusta-nos, impede-nos de nos movimentarmos. E fica cada vez mais difícil viver em harmonia connosco próprios.
As nossas escolhas de vida implicam uma fé absoluta em nós próprios. Conseguir que essa fé não se perca ao longo do caminho é alcançar a sabedoria.

22 comentários:

Miguel C. disse...

Como eu te entendo...
(suspiroo...)

Cristina disse...

É mesmo muito difícil... Eu acho que este ano anda tudo em estado semi-depressivo...

Cristina

Ana C. disse...

Miguel, adivinha o que é que me pôs a pensar...

Ana C. disse...

Cristina este país é um poço de depressão. Só os mais resistentes e felizes no trabalho passam por tudo isto sem serem beliscados.

Precis Almana disse...

Neste momento não se trata de "este país", é em todo o mundo... E se pensarmos que não se safa nada cá em Portugal, basta pensarmos no sistema de saúde e vemos logo que por muito mal que funcione, vai funcionando... o que em alguns países é apenas uma miragem (basta ver os Estados Unidos).
Noutros países pode haver coisas melhores, mas sentirmo-nos em casa é algo que não tem preço. Aproveitemos o sol e tentemos levar a vida com a melhor das disposições.
Aconselho,a quem não goste do que faz, a equilibrar no resto do tempo com um hobby ou realização pessoal de outro género, sempre ajuda a relativizar...

Melissinha disse...

Acho que não é só uma questão de fé e coragem, há que ter uma boa dose de inconsequência também: para virar a própria mesa, pensar demais é contraproducente.
A minha vida está cheia de plot twists, muito pelo espírito-carneiro que reina no sangue Lyra. Somos uns destemidos irresponsáveis.
Qualquer dia escrevo sobre isso lá no cantinho.

Rainha Mãe disse...

"Não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe."
Um dia destes isto vira e ficamos todos melhor!

Ana C. disse...

Precis a crise é no mundo todo. Mas aquela crise mais profunda, de valores, de falta de incentivo aos nossos jovens. É um must do nosso Portugal...
Quanto ao resto tens toda a razão. Encontrar alguma coisa que se goste de fazer fora do trabalho é um bálsamo que pode ajudar a superar os momentos menos bons.

Ana C. disse...

Melissa então escreve porque eu gostava de conhecer esse sangue inconsequente :)
O problema é que quando há filhos perdemos um bocadinho dessa loucura de trocar o certo pelo incerto...

Ana C. disse...

Rainha Mãe não há maior verdade que a dos provérbios populares.

Kitty disse...

Eu sinto a maioria destas coisas de que falas :(

Ana C. disse...

Kitty eu sei, basta olhar para o bonequinho que decidiste pôr no teu perfil. Quando é que o mudas? Ver o Hello Kitty enforcado com uma poça de sangue aos pés diz muito do teu estado de espírito ;) Tu pelo menos não tens amarras, és livre como um passarinho...
Força!

Kitty disse...

Anocas já te disseram que davas uma boa psicologa? :)
Um dia destes eu mudo, por enquanto este é mesmo o meu estado de epírito :(

Joanissima disse...

Sobretudo é importante (fundamental) arranjar subterfúgios válidos para aguentar: um amor, um filho, um hobbie, uma musica. Temos que ter sempre esperança, sempre d eolhos postos no que está para vir. Até lá, e como dizem os brasileiros, "a gente vai levando" porque não há muito mais a fazer. Sortudos de alguns de nós que ainda temos emprego, que ainda conseguimos rir-nos de uma ou outra coisa e que temos o coração cheio d eoutras coisas, essas sim, verdadeiramente fundamentais.

Ana C. disse...

joaníssima agora fiquei sem palavras... É mesmo assim que temos que encarar as coisas, nem mais, nem menos.

gralha disse...

Nós vamos embora. Em Outubro, os EUA que aguardem a família gralha. É assim, infelizmente, Portugal nem sempre oferece o que merecemos.

Ana C. disse...

Gralha a minha família esteve 3 anos nos EUA e renderam-se todos aos seus encantos, confesso que eu também de cada vez que os ia visitar. Podem dizer tudo o que quiserem, mas é um Grande país.
Muito, muito boa sorte para a vossa incursão pelo país das oportunidades.

Pedro Barata disse...

Sem dúvida que sim!!! Gostei muito deste post.

socasmoinhosebicicletas disse...

Eu dei um pontapé na mesa, virei a minha vida do avesso (e a de algumas pessoas que ficaram tão surpreendidas quanto desesperadas com a minha decisão LOL) e ando a refazê-la por inteiro, mas apenas porque não tenho ninguém a depender de mim. Porque a partir do momento que temos uma responsabilidade dessa dimensão, obviamente que o caso muda de figura.
E todos os dias tento não perder a fé em mim, apesar das adversidades que vão surgindo e de muitas vezes ligar para a família e só me apetecer conduzir os 19km que me separam de Schiphol, para apanhar o primeiro avião para aí. :-)

Ana C. disse...

Socas tenho uma grande admiração por pessoas como tu. Aliás, sou tua fã.

Tasha disse...

Nós aqui em casa TODOS demos o tal pontapé na mesa e virámo-la 180 graus... Com 2 filhos... Nao e facil, mas, infelizmente, viver em portugal e bem mais dificil do que enfrentar os novos desafios de um país diferente.
Nao seira capaz de ter um oceano a separar-me do meu Tugal, e admiro que consegue. Preciso de poder ir a Portugal uma 2 ou 3 vezes por ano.
Infelizmente, esse país que nos trata tao mal, deixa-nos muitas saudades. Ate porque Portugal tem muitas coisas que deixam saudades...
Eu pessoalmente ja nao aguentava ter que trabalhar até cair, para trazer um ordenado miserável para casa e chegar ao dia 3 e nao ter dinheiro. Contar tostoes, NUNCA MAIS!! Nao ter tempo para a familia, NUNCA MAIS!!
Mudar de vida e muito dificil, mas também muito compensador.

L. disse...

Sou uma "recém" licenciada em Solicitadoria. Terminei o curso em Julho de 2007, tive de esperar até Janeiro de 2008 para me poder inscrever na Câmara dos Solicitadores, iniciei a parte teórica do estágio (para poder exercer a minha profissão com cédula profissional), em outubro de 2008 iniciei o estágio prático NÂO REMUNERADO, só irei fazer exame de admissão à Câmara em Julho de 2009.

Dei um chuto e mais uma vez saí da terra que me viu nascer, vim para a capital. Faço um esforço económico enorme, mais uma vez para apostar na minha profissão, naquela para que estudei 3 anos.

Tenho dias que me apetece mandar tudo pelo ar.