quinta-feira, 16 de junho de 2011

Nova Rubrica: "Como Saltar para a Cueca de uma mulher em 2 dias"

Queridos homens e rapazes deste universo virtual,
Venho por este meio mostrar a minha amizade para convosco, e deixar-vos algumas dicas de engate rápido no gatilho.
Vejo que perdem tanto tempo em roupas cool, sapatos estilosos, carros topo de gama, jeitos no cabelo, perfumes, enfim, tudo aquilo que caracteriza a metro sexualidade (seja lá o que isso for), quando poderiam ter as mulheres todas do mundo aos vossos pés a custo zero.
Ontem, em conversa com a Melissa, percebi que a mina de ouro dos possíveis engates, reside na escrita. Sim, ouviram bem, as mulheres enlouquecem por um gajo que escreva.
Se escrever bem, é o êxtase. Se escrever bem sobre sentimentos, são os orgasmos múltiplos. Se escrever bem, escrever sobre sentimentos e não tiver medo de expor o seu lado mais íntimo, é a entrega total e sem reservas, possível pedido de casamento e paternidade dos filhos que carregará.
Ele pode ser um gadelhudo, barrigudo, com pelos no nariz. Ele pode ser calvo, esquelético e sem pelos em lado nenhum. Não importa, desde que escreva bem.
Concluímos também que o contrário raramente acontece. Os gajos estão-se a cagar para a forma como uma mulher escreve.
Encaram a escrita da fémea, principalmente quando escreve sobre feelings, uma coisa banal, constrangedora até.
Por isso, andamos a pensar, eu e a Melissa, em abrirmos um workshop para iniciação à escrita sentimental masculina, lado a lado com cursos de auto-ajuda para o engate.
Aceitam-se inscrições e prometemos resultados rápidos.

sábado, 11 de junho de 2011

Depois de uma manhã no Chiado

Pergunto:
A loja Muji, essa meca japónica das caixinhas com separadores e agendinhas e caderninhos e cenas que adoro, não se lembrou das pessoas com cadeirinhas de bebé, ou cadeiras de rodas?
Ao deparar-me com um lance de 6 escadas dentro do próprio 1º andar (sendo que o acesso aos restantes andares é feito apenas por uma imensa escadaria), dirigi-me ao balcão e perguntei pelo acesso para pessoas com mobilidade condicionada.
- Ah, se quiser, chamo o segurança para a ajudar com a cadeirinha do bebé.
- Ah, que giro, então e se for alguém numa cadeira de rodas? O segurança faz o quê? Leva-a ao colo e passeia-se com ela pelos corredores?
Acho esta merda inadmissível numa loja que abre portas nos dias de hoje, INADMISSÍVEL.
A partir de hoje, cagarei na Muji. Quero que a Muji se Muji. Aliás, cagarei no Chiado inteiro (para grande desgosto meu).

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Ser um bocadinho mais ou menos

É sair de Portugal, em busca de melhores condições de vida e regressar porque se tem saudades da Feijoada à Transmontana, do Cozido à Portuguesa, dos Pastéis de Bacalhau e de nata, ou daqueles de massa tenra.
Ser um bocadinho mais ou menos é achar que está tudo mal, mas nada fazer para que tudo fique um bocadinho menos mal.
Ser um bocadinho mais ou menos é ir a um concurso que procura talentos, apenas com um bocadinho de talento.
Ser um bocadinho mais ou menos é separar os lixos, mas continuar a cuspir para o chão.
Ser um bocadinho mais ou menos é votar no Partido dos Animais, por achar que estes merecem mais o nosso voto, do que as outras pessoas no boletim de voto que supostamente, representam pessoas.
Ser um bocadinho mais ou menos é ir fazendo quando está de chuva e perder a vontade de fazer quando está de sol.
Ser um bocadinho mais ou menos é, no final das contas, ser português e ser português nos dias que correm é um bocadinho mais ou menos.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A A

Já não sou dona de mim. O meu coração pertence-vos irremediavelmente.
Este músculo que me mantém viva, é agora vosso e bate convosco e por vocês, compassando e descompassando o ritmo ao ritmo dos vossos pequenos gigantescos corações.
Isto de amar um filho, é das sensações mais maravilhosas e mais assustadoras do mundo.
Ficamos donas de um universo inteiro de emoções, mas muito sozinhas nos medos próprios de quem gosta assim demais.

Posição Fetal de Mim Mesma

Regressar à posição fetal e fixar um ponto bem longe. Daqueles pontos que nunca chegamos a ver de verdade, pois o nosso olhar fica turvo pelo sono acumulado.
Silêncio e não ter que produzir pensamentos, nem frases, nem piadas, nem coisas estupidamente inteligentes.
Não ter que cozinhar.
Não ter que arrumar.
Era isto que queria.
Ah e podia ser só durante um dia, que já me sabia a pato.

domingo, 5 de junho de 2011

Hoje, em dia X, é isto

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

José Régio

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A Arte do Enrabanço


Em Portugal enraba-se muito e várias vezes ao dia.
Enraba-se porque se tem uma vida medíocre e é preciso não deixar os outros alcançarem objectivos.
Enraba-se, porque se tem frustrações e é urgente descarregá-las em quem se atravessa no caminho.
Enraba-se, porque sim, porque nim, porque não? Enraba-se.
Em Portugal quem não avança, não deixa avançar, quem não progride adora lançar areia na engrenagem dos que querem progredir.
Em Portugal se falta um carimbo para se salvar a vida a alguém, não se salva a vida, pois que falta um carimbo.
Em Portugal dificulta-se, puxa-se para trás, diz-se que não só porque sim.
Em Portugal o enrabanço mútuo e do Estado para com o seu Povo atinge níveis de verdadeira sodomia.
Por isso é tão bom, quando se cruza alguém no nosso caminho que nos desencrava, que nos empurra para a frente, que nos descomplica a vida.
Por isso, quando outro dia o rapaz da Emel, que se preparava para me passar um papelinho, decidiu perdoar-me a "grave infracção" com um sorriso (e não, não foi pela minhas pernas boas), aquilo me soube a milagre.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O mundo podre em que vivemos

Ontem, ouvi da boca de um sociólogo (a propósito do tal filme da miúda a ser espancada) aquilo que temo há já algum tempo:
"Hoje em dia, as coisas não existem antes de serem partilhadas on-line."
Ando a remoer nisto e a pensar nisto e a odiar isto, pura e simplesmente, porque é cada vez mais verdade.
Se não partilharmos a nossa vida on-line, fica tudo em suspenso. Não vivemos de facto aquele momento. Passamos o momento em si a fotografar, a filmar, a documentar. Só quando o vemos publicado, é que a coisa faz sentido, através das reacções dos outros.
Recuso-me a entregar-me a esta merda, recuso-me a achar saudável páginas do facebook de crianças de 5 e 6 anos.
Recuso-me a ser moderna a este ponto.
Já sei que o mais provável é vir a engolir as minhas recusas todas num futuro próximo, mas deixem-me lá ter as minhas teorias por mais uns tempos.

terça-feira, 24 de maio de 2011

A Prostituição a vários níveis

Gosto de ver que a prostituição vai bem de saúde. Em época de crise, é preciso fazermo-nos à vida e, se para isso, for preciso ir para uma tribo ser cuspida, lambida, cheirar entranhas de carcaças de bode, dormir ao relento, carregar com fardos em cima de hérnias discais, limpar o cú a calhaus, ser proibida de tocar em água, simplesmente porque se é mulher, ser equiparada aos animais precisamente pelos mesmos motivos, bora aí.
Falaremos nós de tesos e desempregados?
Pois claro que não, falamos de malta famosa não sei bem porquê. Mas famosa, caraças e, supostamente com carreiras tão interessantes, como empresariado, futebolismo, vedetismo e estupidez.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Época de Guronsan/Água das Pedras/Chá preto

Que é como quem diz:
Época de campanha eleitoral.

sábado, 21 de maio de 2011

Este Levava-me ao Altar



Já passei a fase de vibrar e sonhar com carros todos giraços e estilosos e potentes e charmosos.
Também não sonho com sapatos, nem com carteiras de todos os tamanhos e formatos, pois acabo sempre por andar com a mesma carteira o ano inteiro (padeço da maleita preguiça-da-troca-da-malita).
Quanto às rodas, gosto de um carro fiável, seguro, com espaço na bagageira e pouco mais.
Mas de cada vez que me cruzo com uma coisa destas, o meu olhar fica estupidamente vidrado. Não sei se é pela garra, pela força, pela pujança que transmite. Mas imagino-me no Campo em Inglaterra, rodeada de ovelhas e lama, encaminhando-me para a minha quinta na Escócia, montada numa merda destas.
Depois, se qualquer coisa corresse mal pelas terras de Sua Majestade, vendia o bicho e, com o dinheiro, comprava um T2 em Albufeira.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Clube de Vídeo

Ainda me lembro do primeiro VHS que tivemos em casa. Um bajoulo da Grundig, que me provocou arrepios de emoção, quando penetrou no interior da nossa casa.
Seria possível? Poderíamos nós ver filmes sem ir ao cinema, rever outros tantos no aconchego do lar, meter pause, para a frente, para trás, as vezes que nos apetecesse?
Lembro-me do ritual de ir ao Video-Centro que tinha aberto ao fundo da rua e passar horas a escolher os filmes para o fim de semana, ou para aquela tarde de férias. Percorria as filas de títulos, emocionada por tantas possibilidades.
Nos primeiros tempos de namoro com o Hugo, lembro-me perfeitamente do ritual de irmos alugar filmes para o fim de semana e de como era bom andarmos pelo Block-Buster, ou pelo minúsculo clube de vídeo deste sítio onde moro, onde uma rapariga sem o menor gosto para filmes, me aconselhava sempre os filmes errados e eu, gaja bem educada e tímida, quando os devolvia, dizia sempre que tinha gostado muito.
Pensava muitas vezes que, quando tivesse filhos, os levaria a escolherem filmes, a correrem entre as prateleiras infantis e a vibrarem, tal como eu vibrei durante tantos anos.
Mas a internet chegou e, feliz ou infelizmente, o ritual do clube de vídeo foi desaparecendo. Fechou o Block-Buster, o Video-Centro passou para um contentor e o pequeno clube de vídeo do sítio onde moro, passou a abrir só a partir das 5 da tarde e ontem, quando passei por lá de carro, apercebi-me que tinha fechado também esta pequena ilha resistente de fantasia para alugar.
E pronto, tenho saudades.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Zzzzzzzzzzzzzz - pausa - Zzzzzzzzzzzzzzzzzz

Que organizada que sou. Não tenho moleskines, nem Ipad's, nem post-its, mas sei reger o meu tempo pelo tempo dos outros, mais concretamente pelo tempo dos miúdos.
O meu tempo caminha em função do tempo dos meus filhos e eu sinto-me a deusa do lar.
Olhem para mim tão cheia de organismos organizados, olhem para mim a conseguir fazer tudo, sendo que tudo inclui uma palete de tarefas tão dispares, como trabalhar, alinhavar um arroz de atum, mandar a roupa suja pela escada abaixo, dar banho a um bebé de dentes a nascer, tentar que os dentes nasçam, tentar que o bebé durma. Ouvir a filha mais velha a dizer que está aborrecida e sentir-me a melhor e a pior mãe do mundo em várias fracções de segundo.
Olhem para mim tão completa, tão de bem com o universo cósmico, paralelo e afins.
Cai a noite e deposito-os nas suas camas. Conclúo que amo muito os meus filhos quando eles dormem.
Depois acho que a noite é minha e planeio ler, ver filmes, notícias sobre o gajo que viola empregadas de hotel, séries, dar a mão ao Hugo.
Olhem para mim ainda jovem, ainda culta e informada.
Às 10 da noite preparo-me para ser a Anacê independente e maravilhosa. Meto o filme na televisão, inspiro profundamente o ar que rodeia uma gaja estupidamente interessante e... Adormeço.
À 1 da matina acorda o bebé, pois que chora, pois que está incomodado com a merda dos dentes que rompem sem romperem, que massacram.
Acalma-se o bebé. Anacê inspira, roda e rebola pela cama abaixo e acima e não consegue adormecer.
Passados anos, lá caio num sono profundo e volto a acordar, pois que a filha mais velha tosse, pois que não serena, pois que precisa de se assoar e de pôr soro e de tossir até cuspir a alma (a dela e a nossa).
E agora é altura de parar de me descrever a mim e aos meus dias e noites. Corro o risco de ficar deprimida.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A outra vida

Nas fotografias tudo é perfeito.
Elas mostram apenas aquele cagagésimo de segundo de felicidade e congelam-na, para podermos recordá-la vezes sem conta.
O sorriso pode ter sido rasgado apenas para a objectiva. Pode até ter surgido uma discussão violenta, um choro, uma birra, uma expressão zangada, um bufar de impaciência, logo após o disparo do botão. Elas não mostram o cansaço, o silêncio incomodado, nem o calor que se fazia sentir. Elas não mostram nada do que vai por dentro. Mas o que ficou foi aquele sorriso, naquele lugar bom e assim a vida parece uma sucessão de momentos perfeitos. Assim apetece até acreditar que é possível.
É claro que não falo das fotografias que revelam o lado negro da vida, das fotografias de jornalistas que nos impressionam, comovem,incomodam. Falo das nossas fotografias, daquelas que escolhemos, ou não partilhar. Daquelas que fazem a nossa vida parecer magnífica aos olhos dos outros.
Ando farta da obrigação de fotografar tudo.
Bem sei que imortalizar a felicidade em pequenos frames, é das coisas mais mágicas que possuímos, mas é uma prisão tremenda.
Quero ver pelos meus olhos. Descansar da obrigatoriedade de imortalizar tudo e todos.
Quero viajar sem máquinas, só com a máquina da minha memória.
Sei que jamais cumprirei este objectivo, porque me sinto culpada quando não fotografo, mas é um ideal que vai tomando forma no meu interior cansado das obrigações do mundo.

domingo, 15 de maio de 2011

Um beijinho no teu coração

Desculpem as amigas que já me enviaram beijinhos no coração (sei que foram todos de coração), mas de cada vez que escuto esta frase, imagino o orgão ensanguentado, latejante. Feito de músculo, veias e artérias e o grégório sobe pela glote.
Em última instância, lembro-me sempre do filme "Indiana Jones e o Templo Perdido", em que há um tipo sinistro que arranca corações com a mão e os come.
Imaginar alguém a dar um beijo ali, digamos que não me comove. Acho um bocado vampiresco.
Outra que também me leva às nuvens é: Abracinho.
Eu sei que todos os abracinhos são de facto estupidamente fofinhos, mas eu cá gosto mais de abraços e de bacalhaus.
Abracinho é abraço de anão.
E hoje é isto.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Odeio Sonhar

Não sei o que é que pensam do assunto, mas eu cá odeio sonhar.
Se o sonho é mau, fico com o dia envenenado. E primeiro que me convença que não passou tudo de um sonho, peno muito.
Por exemplo, se sonho que o Hugo me abandonou, passo o dia todo de trombas com ele, pondero até o divórcio e faço questão de lhe mostrar que aquela merda que ele fez, não se faz.
Se sonho que alguma coisa acontece às crias, passo os dias seguintes angustiada, mal disposta, com uma sensação de fim de linha.
Se o sonho é bom, peno na mesma, pois odeio acordar de um sonho que me põe feliz. Odeio a sensação de que tudo não passou de um sonho e fico frustrada o resto do dia, por aquela merda fascinante que me aconteceu, não ter de facto acontecido.
Sonhar acordada também não curto. Acho chato, acho que me desconcentra, que me desnorteia, que me estupidifica.
Vai daí, concluí que os sonhos sonhados, mais não são do que partidas sádicas que pregamos a nós próprios e vou procurar na net comprimidos para deixar de sonhar.

domingo, 8 de maio de 2011

Di Profundis Pensamentus

Quero dormir.
Quero ceder a um filme chato que passa na televisão, enroscar-me no sofá e deixar-me adormecer, sem ser acordada passados dois minutos e meio.
Quero acordar por mim própria.
Quero dormir.
Quero deixar de me sentir sempre cansada.
Quero dormir.
Quero dormir como se tivesse levado com um tijolo na cabeça.
Quero dormir.
Se repetir isto muitas vezes, pode ser que consiga.

sábado, 7 de maio de 2011

A Casinha da Matilde

A propósito de mulheres determinadas, conheço uma que teve uma filha há três meses atrás e viu o seu emprego desaparecer.
Em vez de ficar a lamentar-se pelos cantos, decidiu que podia tentar uma coisa que realmente gostasse de fazer e assim nasceu este blogue.
Ontem, pedi-lhe que me arranjasse uma solução para a Miss Desenho que tenho cá em casa e que anda sempre de folhas e canetas atrás para todo o lado onde vamos.
Aqui está o que ela improvisou em 24 horas :)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Feminista que nasceu em mim

Nunca gostei de feminismo, de machismo, de nazismo, de putismo, ou do que quer que fosse que terminasse em Ismo e que dissesse que uns são melhores do que outros.
Mas, os dias, os meses e os anos passam e dou por mim a valorizar cada vez mais o bicho fémea, sem Ismos.
Há gajas estupidamente completas, ousadas, ambiciosas, corajosas, inteligentes, sensíveis.
Basta andarmos a vaguear pela blogosfera para sentirmos que há muito mais mulherio completo do que poderia imaginar-se.
Mães que se dedicam a causas e aos filhos. Mulheres que escrevem com o coração na ponta dos dedos, sem se desligarem do seu lado racional. Esposas que esperam os maridos em viagem, ficando com os filhos. Esposas que acompanham o marido em viagens, por amor.
Mulheres que vão à luta por elas, sem motivos de amor. Mas que iriam à luta por amor, se fosse caso disso.
Mulheres que se empenham apaixonadamente numa missão, para logo a seguir se entregarem com a mesma paixão a outra coisa qualquer.
Caraças, a mulher é sim um bicho fascinante, que se atira de cabeça, sem perder a cabeça. Que rasga o coração e ao mesmo tempo estanca a hemorragia que um coração rasgado provoca.
Tenho pena de não ser tão fascinante como elas, mas admiro-as mesmo assim, muito.
Também tenho pena que haja tanto mulherio preocupado em desconstruir outro mulherio, com inveja de mulherio diferente. Pois a amizade no feminino é uma das coisas mais brilhantes que se pode ter na vida.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Choque, o horror

Então e vocês perguntam, tal como eu:
Como é que a Suíça nunca está em crise?
Todos os países na mais profunda merda e a Suíça sempre nos trinques, com malta a emigrar para lá a torto e a direito, com Alpes e flores e vaquinhas.
Durante muitos anos pensei que era por causa dos chocolates, dos relógios e do fondue de queijo.
Aquele povo tem uma sorte do caneco, pensava eu, enquanto lia as histórias da Heidi e da Abelha Maia. Sustentar toda uma economia com chocolate e queijo, é do caralhinho sim.
Por isso, hoje fiquei tão chocada com esta notícia.
Foi a queda de um sonho que acalentava desde a mais terna infância. Um sonho feito de vaquinhas roxas e brancas e de pão mergulhado em queijo a ferver.
Lacrimejei.

Foi isso e ter ficado a saber que os Estados Unidos fizeram uma cerimónia fúnebre, respeitando os rituais muçulmanos, do bicho que dizem ter morto.
Sim, eu ainda acredito no Pai Natal.

domingo, 1 de maio de 2011

Amar-vos

De tudo o que escolhi e que me escolheu. De todos os lugares que conheci e que me conheceram. De todos os dias que preenchi e que me preencheram. De todos os passos que conduzi e que me conduziram. De toda a minha vida, numa imensidão de lados que não vi, que desejei, que programei, que destinei. De todo o meu passado vão, ou repleto de sentido. De tudo o que vi e escutei. De tudo o que senti na ponta dos dedos e na carne feita de sangue do meu coração. De todas as coisas boas e más. De tudo o que sou, vocês são, irremediavelmente.
Vocês são a minha vida inteira para trás e para a frente. Do avesso e do direito.
Quero-vos tanto, quanto me cansam. Amo-vos tanto, quanto a dor do medo de vos perder.
É tudo proporcional a vocês.
Amo-vos com o amor que doi e que apazigua, com a calma enervada dos que esperaram tudo e nada.
Amo-vos completamente, até ficar vazia.
Alice e António. Os dois A's que me fazem e desfazem de amor.

domingo, 24 de abril de 2011

24 de Abril de 2011

É oficial. Não sinto nostalgia pela ditadura.
Não é por não ter vivido essa realidade que não me sinto nostálgica, pois muitas são as vezes que tenho saudades, ou nostalgia de alguma coisa que nunca vivi. E também muitas são as pessoas da minha idade que apregoam a Outra Senhora com voz rouca de emoção, sem nunca terem tido o "prazer" de se cruzarem com ela na vida.
Eu cá gosto pouco de ditaduras. Só o nome me chateia. Alguém que é duro e que dita. Não é para mim, que gosto de ajudar a fazer as regras que me regem, de as questionar, de as poder pensar em voz alta, ou em palavra escrita.
Também sei que a minha querida democracia tem passado muito no meu país, pois o povo desta terra, gosta de ser governado sem dores de cabeça. Gosta que mandem nele. Não está habituado a esta inovação de ter algum poder. A malta por aqui gosta de ter uma mãe tirana, que decida por eles, sem que tenham que pensar. Ir votar é trabalhoso. Desenhar uma cruz, um martírio. Fazer parte do destino de um país é sobre-humano.
Isto também vale para os que abusam deste bonito sistema e se valem dele, para ditarem os nossos destinos, para se encobrirem sob o seu suave manto, para manipularem debaixo do seu véu.
Mas ainda assim, não tenho nostalgia, nem suspiro por sistemas que são duros e que ditam.
A Democracia continua a ser o mais perfeito dos imperfeitos sistemas. Pena é que ainda não tenhamos percebido a melhor forma de o usar.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Dentro do Meu Coração

Dentro do meu coração, habitam filmes pequeninos. Filmes que nunca foram sucessos de bilheteira, que nunca foram sucessos ponto. Mas que nunca esqueci. Vá-se lá saber porquê, há duas mãos cheias de filmes pequeninos dentro da minha vida. Filmes que não sofreram a erosão do tempo na minha memória. Filmes que me fazem feliz por tê-los visto.




quarta-feira, 20 de abril de 2011

Porquê?



Ontem, num rápido e infrutífero zapping pela vasta gama de canais disponíveis, apercebi-me que a malta hoje em dia tem orgasmos com pessoal que grita, manda à merda, humilha e espezinha os outros.
São gordos achincalhados, aprendizes de cozinha escaldados verbalmente, concorrentes que julgam ter talento, atirados para uma poça de lama. Enfim, é só escolher. Há um humilhador presente em cada sucesso televisivo e vários humilhados que se oferecem com prazer, em troca de uns dólares.
E eu pergunto porquê?
Atenção, eu não digo que não sinto um certo deleite com este tipo de terrorismo, só não sei é porquê. Certamente que existem dezenas de psicólogos disponíveis para avançar com uma explicação. Mas até lá, vou refrear este instinto primário de parar a ver por uns minutos, um programa humilhante-depressivo, como os mirones que param para usufruir de um belo acidente de automóvel na estrada.

sábado, 16 de abril de 2011

Então é isto que temos?

Agora a sério, vocês estão a gozar comigo, não é? Vá, deixem-se desse humor sádico e venham de lá os candidatos para governarem esta choldra.
O quê? Esses não são só a primeira parte do número de circo? São mesmo esses biltres que é suposto governarem a coisa?
E aquele senhor que quer bater com o martelinho no trono da Assembleia da Ré-Pública, não é um figurante do Vítor Hugo Cardinalli-secção-palhaços-tristes? Ele existe mesmo?
Ãh, ãh. Não há assim uma espécie de FMI que traga uma ajuda? Uma equipa sueca, ou norueguesa de malta que nos queira endireitar e devolver-nos um sentido de esperança?
Ah, não há? Boa. E onde é que eu ponho a cruz, sem sentir que estou a espetar com uma cruz no meu próprio lombo?
Ok, vou continuar a dar ao neurónio, pode ser que entretanto, me sinta mais iluminada.
Até a luz chegar, acabaram-se as notícias. É que uma pessoa frágil, é bem capaz de chegar ao final do mês e premir um gatilho na têmpora, só pelo simples facto de assistir a um telejornal por dia.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Fetiches

Assim que fecho a última página de um livro de que tenha gostado, atiro-me para dentro da net e cusco tudo o que há para cuscar sobre o seu autor, locais descritos, personagens.
Se o escritor já morreu, planeio viagens aos locais onde viveu quando escreveu as suas obras, faço questão de visitar a campa, sonho em olhar o mesmo céu que ele olhou, encontrar a casa onde viveu.
É claro que na maior parte das vezes, nada disto se concretiza. Tirando as viagens pela net e pelo google. Mas sou assim, cuscuvilheira acerca dos meus ídolos.
Lembro-me de, há muitos anos atrás, ter lido uma biografia da Isadora Duncan e de ter ido a Paris nesse ano, arrastando as minhas amigas ao Cemitério Pére Lachaise, só para descortinar a campa dessa tipa de vida trágica. As minhas companheiras bufaram, protestaram, não entenderam. Para elas era a campa do Jim Morrison e pouco mais, mas para mim, aquele local de repouso eterno era um mar de potencial. Era a oportunidade de agarrar um bocadinho (ainda que o bocadinho mais mórbido) da vida dos inalcançáveis.
Queria descobrir todas as campas pouco concorridas e sentar-me ali, de conversa com os meus ídolos.
Visitar a casa onde nasceu e a casa onde viveu o Mozart. Imaginá-lo ali, a tocar as suas primeiras obras, a dormir, a respirar, foi do mais mágico que já me aconteceu.
Por tudo isto sei que um dia, quando tiver acumulado muitos milhões de dólares, organizarei a minha viagem de sonho, com passagem por todas as aldeolas, cidades, tascos, por onde já passaram os meus fetiches :)

domingo, 10 de abril de 2011

O Meu Novo Inspector Catanni



Enquanto via hoje o Tropa de Elite II e constatava que no Brasil se fazem filmes ao mesmo nível dos Estates, pensava nas semelhanças entre este Roberto Nascimento e o meu querido Corrado Catanni da série O Polvo.
O olhar entristecido por muita merda vista, a expressão insondável e dura, mas cheia de sentimentos, enfim, se já tinha gostado do I, este Tropa de Elite II encheu-me cada buraquinho das medidas.
Adorei o filme e adorei as representações de cada um dos actores.
Vou deixar aqui uma expressão que apanhei de um dos polícias corruptos FDP, para outro polícia corrupto FDP. Quem sabe um dia não a uso:
Se sê quer me foder, me beija cara.

sábado, 9 de abril de 2011

Saudades do Volume no Máximo

Tenho saudades de ouvir música.
Não como barulho de fundo, ou como acompanhante de uma qualquer tarefa, mas ouvi-la, com toda a atenção e dignidade que merece.
Tenho saudades do volume no máximo, sem vozes a pedirem-me que baixe o som, ou sonos imperturbáveis.
Tenho saudades de ouvir uma ópera e não me dedicar a mais nada, além de sentir o balanço de cada nota entoada no meu interior.
Tenho saudades de fingir que rejo uma orquestra com uma esferográfica, de fingir que canto alguma coisa de jeito, tentando acompanhar os meus heróis e heroínas vocais.
Tenho saudades de me comover com uma voz, com uma ária, com uma nota estudadamente deslocada.
Tenho saudades de prestar homenagem à música com um copo de vinho e um cigarro (hoje em dia, teria que ser imaginário).
Tenho saudades de quando era antes de tudo, do quanto era antes de o tempo ter passado e me ter roubado estes momentos.
Hoje em dia, o único sítio onde me dou ao luxo de ouvir música com o volume no máximo, é nas minhas raras viagens de carro sozinha. Mas não presto aí homenagem à música. Assim que chego ao meu destino, desligo abruptamente o carro, sem grandes cedências e aquilo faz-me mal. Cortar assim a voz de alguém porque cheguei ao supermercado, é fodido, ofensivo até.

E pronto, usei tudo isto, como uma maneira subtil de limpar a minha reputação. Não podia vangloriar-me acerca dos Roupa Nova, sem deixar escrito que também curto outro género de música. Chiça, que sou mesmo polivalente e perfeita

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Mulherio nascido nos anos 70



Digam-me que também ouviam Roupa Nova, como se disso dependesse a vossa vida :)
O Youtube é de facto uma cena fascinante. Estou bem capaz de ficar a tarde inteira a entoar os refrões deste meu grupo de meninice.

As Novelas da Minha Vida



Se me perguntarem o que é que faz uma novela inesquecível, não consigo responder. Pelo menos sem pensar um bom bocado sobre o assunto.
Sei que existem personagens que nunca esqueci, por muitos anos que tenham passado. Personagens interpretadas por actores pouco bonitos por fora e com um mundo inteiro por dentro.
Na altura em que as novelas me prendiam do primeiro ao último episódio, tudo era mágico. Eu conseguia passar o final de tarde feliz, porque à hora do jantar, teria aquela história à minha espera e os destinos daquelas pessoas, mais um bocadinho fechados a cada capítulo.
Os horários eram inalterados e respeitados, a história era contada magistralmente e tudo aquilo se revestia de uma grandiosidade que eu, do alto da minha pré-adolescência, venerava.
Não era preciso passar-se muito em cada episódio. Não havia a pressa, o consumo fácil, o zapping. Tudo era contado com tempo.
O Sinhozinho Malta, a Viúva Porcina, A Tieta, o Professor Astromar, a Perpétua, a Fedora, a Fernanda Montenegro (todas as personagens que interpretou), o Paulo Autran, ainda habitam no meu imaginário e ainda dou por mim a repetir em voz alta, certas frases.
Lembro os chavões, os tiques, os trejeitos, que cada actor decidiu puxar para o seu personagem e sorrio, cheia de uma estranha nostalgia.
Hoje em dia, com a banalização das novelas e a preferência dada à aparência física, em detrimento do talento, tudo perdeu a magia. Nada fica na memória, nada nos agarra com a determinação de antigamente e a novela que passou há uns meses atrás é facilmente trocada, ou confundida com as dez que passam durante um dia.
O que é que aconteceu para a magia ter fugido?
Provavelmente fui apenas eu que cresci. Mas qualquer coisa dentro de mim, me diz que não vai haver outro Lima Duarte, ou outra Fernanda Montenegro que imortalizem personagens da mesma forma e isso é triste, caraças.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Fecundação de uma Cidadã numa Manhã


Vamos tentar não falhar a árvore e centrar bem a coisa. Hmmmmm, é só alinhar as riscas com o tronco eh voilá!!! Uma obra prima da arte de escolher inteligentemente o local de uma passadeira.


A cadeirinha vermelha que se consegue ver, alberga o meu puto. Não tem tracção às quatro rodas, nem rodas de dimensões generosas e resistentes. É uma cadeirinha holandesa, feita para passeios de alcatrão, lisos e sem buracos. Ainda hei-de registar a patente de cadeiras para putos portugueses. Vão ser as Hummer dos bebés.
Mas eu ainda tenho força para superar obstáculos. Já as duas velhotas de braço dado que passaram por mim nesta aventura, estavam aterrorizadas, receosas pela própria vida. E não era para menos.

Atravessei este cenário de guerra, para chegar a outro cenário miserabilista, deprimente, suicídio-provocador. As instalações da Segurança Social, com mais bebés por milímetro, do que propriamente adultos. E quase posso jurar que vi um Nenuco embrulhado numa manta, nos braços de uma rapariga desesperada por atendimento prioritário.
As persianas quebradas, um calor de fazer nascer fungos, um cheiro a sovaco, a peido. Enfim, eu juro-vos, que como trabalhadora independente que sou, ter que me deslocar a estes antros para cumprir com uma qualquer obrigação, me deixa ensandecida, fecundada ao ponto da loucura.
Eu quero cumprir, mas tudo ali me leva a fugir, tudo me afasta, tudo me dificulta a vida, tudo, tudo, tudo.
É oficial. Só quem nunca viajou até um país civilizado, acha esta merda idílica.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Mãe e Alice

A tua mão direita pousa sobre o lado esquerdo da minha cara, enquanto dizes que vais ter saudades minhas e que vais pensar em mim ao longo do dia.
Olho o desenho que fizeste de manhã, enquanto esperavas que te fizesse o pequeno-almoço. No desenho leio: Mãe e Alice. Palavras que escreves já com a desenvoltura dos mais crescidos.
Olho vezes sem conta aquelas duas palavras e junto-as dentro do meio do meu coração, enquanto olho a pilha de desenhos que se amontoam na porta do frigorífico.
Sei que somos uma da outra para sempre. Não é sermos possessivamente uma da outra. Não é acharmos que nos pertencemos como donas. É pertencermo-nos dentro deste amor que sentimos e que mais ninguém sente. Porque mais ninguém sabe o que é ler Mãe e Alice naquele desenho na porta do frigorífico e sabermos que tudo até ali foi certo, apesar de muitos erros. Que tudo até ali foi a direito, apesar de tantas curvas. Tudo até ali foi para juntar estas duas palavras no meio do meu coração.
Mãe e Alice.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Azares de Caca

Verdade seja dita, não são muitos nem graves. Mas moem.
Por exemplo, as caixas do supermecado. Faça eu o que fizer, vou sempre escolher as que empanam. Ou porque a senhora à minha frente decide pagar com tickets, ou vouchers, ou lá que merda é aquela. Ou porque o artigo do cliente à minha frente não tem preço e é preciso ir investigar, a 10 Km de distância e não há forma de o homem dizer que deixa ficar o produto.
Ora porque é mudança de caixa e é preciso retirar a gaveta com os trocos e fazer o aparatoso log-in do novo funcionário. Ora porque fui escolher o novato que não consegue passar nada no código de barras e tem que escrever tudo à la pata.
Enfim, juro-vos que não há dia no supermercado que não leve com um bloqueio assim.
Depois temos as famosas chaleiras azuis, motinhas Piaggio de caixa fechada, que continuam a preferir a dianteira do meu carro quando estou atrasada.
Quando vejo o par de sapatos que procurei uma vida inteira (ahahaha) nunca, mas nunca, nunca, nunca,nunca há o meu número.
Também nunca respondo à letra a ninguém no timming certo. A melhor, mais eloquente e brilhante resposta surge sempre no caminho de volta a casa, quando o diálogo perfeito se desenrola na minha cabeça e dou estalos a mim própria por não ter dito exactamente aquilo, daquela forma.
Enfim, podia passar a noite inteira nos azares de caca, que são muitos e pequenos, mas auto-enfadei-me. Uma capacidade que tenho desenvolvido a um ritmo alucinante nos ultimos tempos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Adoptar

Podia gastar muitas linhas a falar do que sinto sobre isto.
Tanto me revolta, quando entendo que as crianças adoptadas, são entendidas como matéria descartável, que se pode devolver quando não agrada. Ou que são escolhidas em função da idade, cor de pele, ou de cabelo. Como me encanta, de cada vez que vejo uma criança ganhar uma nova vida e conhecer o significado da palavra família.
Sei que há pessoas capazes de distribuir amor a estes miúdos carentes, sei que há pessoas, heterossexuais, homossexuais, verdes, castanhas, amarelas, solteiras, casadas, amantizadas, capazes de serem excelentes pais e mães para estes meninos que nada conhecem do que é ter uma casa para onde regressar depois da escola. Um porto seguro e quente, onde os beijem antes de adormecerem e onde os façam sentir que importam e que são válidos.
Por isso me chateam os entraves a isto. As picuinhices, as merdices, as burocracias.
Por isso admiro tanto quem luta por uma criança sem ninguém e a faz um pouco sua, mostrando-lhe que é possível conhecer o lado de dentro do amor, criando laços que jamais existiram, construindo um passado do zero, de peito aberto.

domingo, 3 de abril de 2011

Berlusculhoni

Para quê senhores? Para quê investirem na realização de uma reportagem sobre o perfil de Berlusconi, quando tudo podia ter-se resumido à exibição desta clássica imagem?


Juntamente com a imagem, podiam ter-se lembrado de exibir em modo non-stop, as imagens de quando este senhor levou com uma miniatura da Catedral de Milão na fronha.
Eu cá teria agradecido.

terça-feira, 29 de março de 2011

Para Todos os (bons) Pais

"Porque as coisas, felizmente, estão feitas de uma maneira que chega o dia em que a criança percebe que o pai também tem uma função na sua vida, que é protegê-la. O pai é o guarda armado do seu sono, o defensor da casa e o matador dos monstros e dos perigos. Por isso ela precisa do pai em casa, para a proteger, a si e ao seu mundo.
Mas não é apenas o filho que precisa de sentir que o pai o protege: É o próprio pai que precisa disso, porque o seu instinto assim o reclama. Conheci um pai divorciado, que todos os dias, às 4 da tarde, largava o trabalho e ia espiar a saída do filho da escola. Para não criar problemas com a mãe e não colocar o próprio filho numa situação embaraçosa, nunca se deixava ver. Limitava-se a ficar emboscado à distância, dentro do carro, e seguia-o à distância, enquanto ele caminhava a pé para casa.
E depois voltava para o trabalho, em paz consigo mesmo. Um dia, jurei a mim mesmo, hei-de encontrar este filho já crescido e vou contar-lhe o que ele não sabe, mas que o pai merece que ele saiba."


Acabei de abrir uma pasta muito velhinha, cheia de recortes de jornais, revistas, artigos de vários jornalistas que venerava quando era mais jovem.
Adivinhem lá de quem é este artigo (ainda continuo a venerar a sua escrita).

sábado, 26 de março de 2011

X e Y

Não sou grande fã de comparações entre dois filhos, mas é inevitável não reparar nas diferenças entre uma miúda atinadinha, bem comportada, calma e concentrada e um baby destemido, que se larga e tenta andar quando me vê e cai de testa no chão, várias vezes ao dia.
Enquanto a baby miúda ficava horas a olhar o baby tv, o baby miúdo, pensa que as imagens na televisão são botões, onde ele tem que tocar com a mão inteira.
Enquanto ela gostava de virar as páginas dos pequenos livros, ou empilhar coisas, ele gosta de lamber os vidros das janelas e, mais recentemente, lamber a parte de dentro da porta da máquina da loiça.
E pronto, era só isto.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Qual é o segredo delas?

Porque é que, quando a Angelina Jolie, a Jennifer Aniston, ou a Heidi Klum (não sei se os nomes estão bem escritos, pois tive preguiça de confirmar), saem de casa para irem comprar ovos à mercearia, ou ao talho da esquina encomendar rolo de carne com recheio de chouriça, ou buscar os putos às danças de salão. Apesar de envergarem os trajes mais desportivos e descontraídos do planeta, parecem sempre frescas e maravilhosas? Com aquele bom aspecto invejável.
Olha que linda que ela está de téne roto, t-shirt manga cava branca e calça de ganga desbotada.
Exijo saber esta bosta. Já que eu, de cada vez que saio, para empreender uma das tarefas acima descritas e me esqueço de mudar de roupa (sendo que a minha roupa ultimamente, é a de uma gaja com putos doentes, que mal sai de casa), além de encontrar sempre alguém que não queria encontrar, pareço apenas aquilo que sou:
Uma gaja vestida como se tivesse estado a pintar a casa.

Saber Mandar

É das tarefas mais difíceis de conseguir.
Saber temperar uma crítica com um elogio.
Saber repreender, sem ofender.
Conseguir pôr alguém no seu lugar, sem perder as estribeiras, nem entrar em histerismos.
Dar ordens, sem gritar.
Respeitar, sem se subjugar, nem vergar demasiado a espinha.
Não perder a humanidade, apesar de tudo.
Respirar fundo e tentar sempre saber da vida dos que trabalham para si, não mostrando indiferença, perante as nuances de cada um.
Se há pessoas que nasceram para chefiar, outras há que, quando se apanham com poder na mão, perdem a pouca humildade que possuíam e deixam-se embebedar pelo poder.
Foda-se, que não deve ser fácil. Mas, na minha modesta opinião, estas são algumas das coisas que distinguem um bom chefe, de um chefe sem nível.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Coisas que Fui Apre(e)ndendo

Não é o que se diz que importa. O que interessa mesmo é a forma como se diz, a quantidade de segurança que se imprime ao exprimir um pensamento. Isso sim, é o truque do sucesso.
Há pessoas com tamanha dose de segurança ao exprimirem uma ideia, que mesmo que digam a maior barbaridade do mundo, aquilo soa certo (pelo menos ao ouvido mais superficial).
Nunca vos aconteceu, perguntarem a alguém, onde é que é uma certa rua e esse alguém, apesar de não fazer a mais pálida ideia, vos manda para a direita, depois rotunda, depois esquerda e em frente, até vermos um prédio rosa às pintas? Só para não dizer que não sabe o caminho?
Pois é, o mundo está cheio de malta de peito cheio, emproada, a arrotar segurança, cheia de si. Só que, escarafunchando um bocadinho mais, o que descobrimos é uma mão cheia de nada.

sábado, 12 de março de 2011

Portugueses Pelo Mundo

É o meu programa preferido do momento. Caraças, não perco um e adoro.
Há cerca de duas semanas atrás foi no Japão e, além de ter visto um bar com um Japonês a cantar o fado, percebi também que aquela malta civilizada e tranquila, encara o trabalho como o caminho para o paraíso, enquanto nós, aqui no rabo da Europa, portadores do gene entranhado do catolicismo, o encaramos como castigo.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Tesouros



Carregas sempre contigo um saquinho, malinha de rodas, mochila, para onde quer que vás. Nunca percebi bem porquê, esta tua necessidade de levar qualquer coisa nas nossas saídas, ou a mochila praticamente vazia para a escola, mas é como se ali dentro fosse o teu conforto, um bocadinho da nossa casa.
Ontem, espreitei para dentro do pequeno saco que quiseste levar para o trabalho do teu pai, quando vos fui lá deixar e descobri, que achaste fundamental levar:
-Uma luva transparente de plástico da bomba de gasolina
-Um atacador de sapato
-Uma folha de papel amarela
-Um lápis
-Uma peça de lego
E não sei porquê, provavelmente, porque sou uma irremediável patética, apeteceu-me agarrar no teu saquinho e guardá-lo, como um tesouro meu, daqueles que se enterram, como uma cápsula do tempo e se re-descobrem mais tarde.
Apeteceu-me guardar-te assim, enquanto os teus tesouros são estes.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Sem Tempo

Estou cada vez mais convencida que o nosso nível de desgraça interior, está directamente relacionado com o tempo que temos em mãos.
Se o tempo sobra, aí vem a divagação, a neurose, o drama, a defesa em nome próprio até que a vista turve, o aprofundar e escarafunchar da parte de dentro das coisas, até ao osso.
Quando o tempo foge, pensamos nas melhores formas que temos de fintá-lo e pouco mais.
Penso que tenho que fazer cócegas e cutchi, cutchi ao António e mostrar-lhe que estou aqui, ler uma história à Alice sem adormecer pelo meio, fazer o jantar e arrumar o chalet desmazelado. Juro que não sobra para mais nada.
Isto para vos dizer que comecei a trabalhar.

segunda-feira, 7 de março de 2011

A Depressão Cultural

Ontem fomos ao Museu de História Natural e ao Jardim Botânico.
Se há coisa que me deprime a valer é perceber o pouco que é investido na nossa cultura. E não falo de Teatros, nem Cinema, falo de coisas básicas como Museus.
É triste ver o Jardim Botânico completamente degradado, com edifícios ao abandono.
No Museu de História Natural, a pobreza total. Até as televisões que passam documentários, são velhos caixotes dos anos 80.
Nota-se o esforço para fazer alguma coisa decente com poucos meios, mas nestas merdas é muito difícil não ficarmos com a sensação de que ali há pouco, muito pouco para o que poderia haver.

domingo, 6 de março de 2011

Juízos de valor, quem os não tem.

Eu sou uma pessoa pensante e, como tal, emito juízos de valor a todo o instante, ou se não os emito, projecto-os no meu interior. Tenho valores, não sou amoral, é humano que o faça. Portanto, é apenas humano ter uma opinião quanto a determinado assunto, sendo que o aborto é um assunto sobre o qual temos que emitir juízos, é impossível não o fazer, é estranho não o fazer.
Há duas situações muito claras e que, quanto a mim, nada têm que ver:
Partindo do pressuposto que temos duas mulheres com o mesmo grau de escolaridade e informação.
- Uma mulher grávida de 3 meses que planeou, projectou e desejou a gravidez, perdeu o bebé.
- Uma mulher grávida de 3 meses que:
Não ficou grávida porque se rompeu o preservativo, porque a pílula falhou, porque a pílula do dia seguinte não resultou, porque o namorado não se revelou um filho da puta que fugiu para a pqp. Enfim, engravidou porque se esqueceu que podia engravidar quando copulava e decidiu correr o risco e até se esquece uma e outra e outra vez, repetidamente.
Nenhuma das duas deve ser criminalmente penalizada é ponto assente na minha óptica.
Mas que uma delas tenha direito a um subsídio e a outra não, é a minha opinião também, porque (e não me venham com merdas) não é a mesma coisa.
Tal como não é a mesma coisa eu atropelar alguém intencionalmente, ou atropelar alguém que se atirou para a estrada. Não é a mesma coisa eu dar um soco em alguém por legítima defesa, ou dar um soco em alguém porque estava de mal com a vida.
Enfim, a nossa legislação está pejada de valorações que fazem variar a pena a aplicar, ou o grau de culpa, ou incúria com que se praticou um acto.
Porque é que eu não hei de valorar e achar diferente uma mulher que aborta 15 vezes só porque sim (todos os abortos pagos pelo contribuinte, se entender recorrer ao SNS) e uma mulher que aborta espontâneamente?
Há realmente alguém que ache a situação idêntica?
Ah e como nota de rodapé, eu votei Sim à despenalização, mas voto NÃO a que a situação seja premiada com um subsídio.
Porque ninguém é a favor do Aborto (nem mesmo os que votaram sim, como eu). Mas há de facto pessoas que o encaram com uma ligeireza que me angústia.
E, apesar de não ser subsídio-dependente, pode chocar-me terem cortado os abonos de família aos milionários com mais de 600 euros por mês e não terem abortado o TGV, ou atribuírem subsídios de maternidade a quem aborta por livre e espontânea vontade, equiparando-os aos abortos espontâneos, ou a quem tenha tido efectivamente um puto com todas as despesas inerentes.
Se olharmos para a Suécia (país com uma elevada taxa de Natalidade), onde o apoio do estado a quem tenha putos é total, vemos que o desenvolvimento de um país, se mede também pela forma como se encara e se incentiva a maternidade.
E é este o meu juízo e o meu valor sim e nem percebo do que tenho que me envergonhar.

sábado, 5 de março de 2011

Abortem-se vocês

Adorei ficar a saber da existência de um subsídio de maternidade atribuído a quem, voluntariamente, decide abortar.
Eu tenho dois putos nascidos e em fase de criação e fiquei sem abono de família, sem uma parcela do ordenado paterno, pago mais pelo pão que lhes meto na boca, não posso deduzir tanto no IRS como podia.
Eu passo recibos verdes, pago o cú e as calças para a Segurança Social para nada, porque não tenho direito a nada, quando chega a hora da verdade.
Mas o governo é querido, fofinho até, e decidiu lembrar-nos que nascer em Portugal é uma merda, vai daí oferece um subsídio a quem decida que não quer trazer ao mundo mais um futuro enrabado. É que isto de fecundar o povo também deve cansar, por isso é bom que se trave o nascimento de mais povo.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Deolinda, ou como é chato não vermos graça em nós próprios

Ando ligeiramente farta da falta de sentido de humor, da inexistência de poder de encaixe e egocentrismo generalizado que leva a que pensem que tudo é pessoalmente ofensivo.
Tudo se melindra muito, tudo anda muito comichoso, ora porque a Maité Proença faz (mau) humor com os tugas, ora porque os Deolinda falam na escravatura e inércia da juventude, ora porque alguém decide falar acerca de pontos frágeis que provocam azias.
Porque se ofendem tanto os portugueses?
Outro dia, nessa comovente rede social chamada Facebook, dei por mim a ser constantemente aniquilada de uma certa caixa de comentários, só por fazer humor (provavelmente mau, não sei). Às tantas percebi que tudo o que dizia que não revestisse concordância, era apagado pura e simplesmente. Ali só havia lugar a comentários elogiosos, bem dizentes. Ali tudo tinha que reflectir a luz que irradiava da pessoa em questão e fiquei fodida.
É muito mais fácil o traço vermelho da censura por cima do que não se quer escutar, do que fazer cair por terra um argumento, argumentando também.
Já não se sabe conversar com alguém que não tenha a nossa opinião, essa é que é essa.
E agora vou ali ouvir Deolinda e já volto.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Neuro Bebé

Hoje na consulta com o Pediatra do António fiquei a saber o porquê de ele andar a acordar todos os dias às 5 da manhã.
- É uma fase.
E eu a pensar que ia ficar só nesta mítica frase-guarda-chuva, onde encaixa praticamente tudo, quando o homem continua a falar:
- Enquanto ele não começar a andar, enquanto não atingir esse objectivo, vai andar mais ansioso, com o sono mais agitado (confirma-se). Depois de atingido o objectivo ele serena. Mas é provável que se repita com a fala. Quando estiver a começar a aprender a falar volta a ansiedade.
É absolutamente incrível a capacidade de o ser humano se angustiar, meu Deus. O meu baby já tem ansiedades que lhe tiram o sono, o que será dele aos 3 anos?

Aqui muito provavelmente está com a angústia de não saber ainda ler.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Pessoas que Viram (e veneraram) a Cisna Negra

Respondam a esta pequena de cérebro que vos escreve:
- Além do toc-toc-toc das sapatilhas de ballet no soalho, do ruf-ruf-ruf dos tecidos a rasparem, da interpretação da Natália-Homem-do-Porto, que nos transportam para dentro dos corpos dos que dançam com grande realismo, que grande cena viram vocês neste filme já mítico na blogosfera?
Tinha ouvido dizer coisas como:
-É a isto que leva a ambição, ou as coisas que alguém é capaz de fazer para singrar, mas não vi nada disso, só alguém perturbado e com alucinações.
Por momentos ainda tive esperança que a "rival que não era rival" estivesse a meter-lhe ácidos no leitinho e era ela a portadora da tal ambição desmedida, mas não, nem isso, ela já era esquizo antes de ter sido escolhida para cisna e a coisa foi escalando.
Aqui não há ambição, mas loucura, só isso.
É um filme bom sim, mas a minha medida não encheu.
E agora atirem ovos a esta pobre de espírito que nada entende de nada.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Fashionizando (divagando sobre moda)

-Ainda não consegui dominar a arte de retirar um cabide dependurado numa loja HM. Talvez precise de comer um bife de 700 gr antes de me dedicar a essa árdua tarefa, mas de cada vez que penetro no interior desse armazém sueco e tento tirar uma peça de roupa de um varão, das duas uma, ou tenho que colocar os dois pés a fazer pressão na parede enquanto os braços puxam, ou se consigo arrancar a camisinha de algodão e percebo que não é o meu número, voltar a metê-la no sítio e procurar de novo o número certo, é coisa para me deixar com uma quebra de açúcar.
Estou plenamente convencida de que os senhores da HM querem bater um record de roupas penduradas por varão.
E já agora, é impressão minha, ou as filas para pagar demoram o triplo do tempo das filas da Zarex?
- Não consigo gostar daquelas botas estilo tamanco holandês mas em bota. Sim, há gostos para tudo, mas aquilo não entra no meu sistema imunitário e tenho sempre vontade de me rir às gargalhadas de cada vez que vejo uma gaja toda convencida nuns tamancos daqueles.
- As camisas pi-pi para bebés do Continente são imbatíveis e Made in Portugal.
Para quê gastar rios de dinheiro em camisas Jacaddi feitas na China, se posso ter camisas igualmente giras feitas em Portugal, ah e a 10 euros.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dia do São Valentinho

Não há definitivamente na história dos dias foleiros dia mais foleiro.
Se houvesse namorado meu que se lembrasse de me colher uma flor de um jardim público (cheia de caca de cão muito provavelmente),de me oferecer um ursinho de peluche, perder a cabeça com um frasco de perfume, chegar-se à frente com um jantar à luz de velas, um cartãozinho com corações cintilantes, ou uma almofada do mesmo formato para colocar na parte central do meu leito no dia 14 de Fevereiro, esse homem não seria para mim.
Lamento decepcionar os corações quentes que pulsam neste dia brilhante, mas para mim é mesmo apenas um dia enjoativamente foleiro e comercial.
Eu cá não gosto de amores no dia 14 de Fevereiro, sou uma gaja chata e torcida que gosta de fazer as coisas fora do calendário comercial.
Hoje só para chatear vou ser pouco romântica. Amanhã volto ao meu velho eu, mas hoje, hoje vou ser uma cabra insensível :)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Assim Sim



Colin se estás aí desse lado a ler-me, como sei que é teu costume, quero que leves este elogio a sério. Eu não elogio à toa e se digo que mereces muito mais do que uma reles estatueta de um careca chamado Oscar, é porque mereces.
Senti cada parcela da tua timidez, morri de embaraço por ti, vibrei com as tuas pequeníssimas conquistas, comovi-me com a tua persistência e tenacidade.
O Jorge VI deve estar neste preciso momento a sorrir da tumba, tal como eu sorri quando saí da sala de cinema.
Sem sombra de dúvida um filme maravilhoso :)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Um Post Parvo

O que é que passa pela cabeça dos ricalhaços deste mundo para comprarem um Porsche que não é um Porsche, mas uma espécie de jipinho do ursinho Gummy chamado Cayene?
Ora bem eu se tivesse dinheiro e disposição para comprar um Porsche, pois que seria carrinho desportivo, descapotável, Carrera 911. É belo, veloz, cheio de estilo e glamour, ao mesmo tempo discreto e nada foleiro como o Ferrari, foda-se é um Porsche.
Agora andar a exibir as chavinhas, a calça amarela pintainho, o sapatinho de berloque, o ar de melhor gajo do mundo e depois entrar no jipinho Cayene, é que não.
Ah eu cá tenho um Porshe! Desculpa, mas não, tu tens é uma espécie de avô fofinho do inigualável desportivo.
E acho que acabei de facto de escrever o post mais parvo de sempre, mas o que é que querem, isto ocorre-me muitas vezes, aliás, sempre que vejo alguém de ares superiores montado nessa fofura.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Continuo sempre a assustar-me com a solidão que sinto nas grandes decisões.
É como estar sentada num precipício com os pés a baloiçar e se não baloiço de uma determinada maneira resvalo. Tenho que manter o ritmo, o equilíbrio, o balanço perfeito, mas em última instância estou só na minha decisão, completamente só.
Por muitas coisas acertadas que me digam, por mais que esteja rodeada de boas pessoas, a hora da verdade é só minha e o salto de fé em mim própria custa.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Monetáriamente Deprimida

Cobraram-nos a matrícula da Alice juntamente com a mensalidade do mês de Fevereiro. Protestámos, vociferámos, praguejámos, mas a realidade é que no documento de inscrição assinado por nós em Julho de 2010, no item 31 e troca o passo estava lá esta merda e digo merda, porque é de facto uma gigantesca merda e eu ando cansada de sentir que temos pago o cú e as calças para a Alice se limitar a trazer viroses para casa.
Olha, isto é um rectângulo! Já ela tinha aprendido. Olha isto aqui é um círculo! Já ela tinha aprendido. Olha, já escreve o próprio nome: Yes, já escrevia antes. Oh que pedagógico, já sabe esperar a sua vez. Yep, já sabia.
O que raio andam os putos a fazer antes da primária na escola? Confere: A trazer viroses para casa.
Não estou a ser totalmente justa, pois ela gosta muito de brincar com as amiguinhas ( e consequentemente ser contaminada com viroses).
Hoje perdi a cabeça e desatei a fazer uma estimativa do dinheiro que poupámos por ela ter ficado em casa até aos 4 anos e foi uma somazita razoável. Se ela tivesse entrado aos 12 meses na escola, teríamos largado até hoje cerca de 17 000 Euros. Coisa pouca portanto.

*Sei que referi demasiadas vezes a palavra Virose, mas a realidade é que a Alice (e o António por tabela) têm-nos oferecido o Inverno mais deprimente, mais cansativo, mais debilitante da história das nossas vidas e a pobre Alice já perdeu quase 3 quilos à conta disto.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Para o António no seu 1º Aniversário



Este refrão é todo para ti meu amor de sorriso doce.
Estás há 1 ano nas nossas vidas e cada dia que passa é melhor ter-te por perto, escutar as tuas gargalhadas, sentir as tuas mãos na minha cara, ver-te olhares a tua irmã com paixão.
O meu mundo ficou cheio de açúcar desde o dia 4 de Fevereiro de 2010 e só Deus sabe como um bocadinho de açúcar compensa tantas outras coisas.
Amo-te.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O Meu Modesto Contributo Para o Mundo Culinário

Não sou original na cozinha e não adoro cozinhar, mas não sei porquê adoro livros de culinária e programas de malta que cozinha.
Nunca compro os livros, mas perco-me a folheá-los nas livrarias, excepção feita a esta pequena pérola que de tanto folhear decidi que estava na altura de o trazer para casa e foi só a melhor coisa que poderia ter feito.
Sim, bem sei que é comida para putos, para os convencer a comer e a terem gosto pela comida e pelos sabores, mas tudo o que está neste livro eu também gosto, aliás, adoro.
Hoje mesmo decidi fazer queques de aveia e banana com a Alice (que é A esquisita de serviço) e ficaram esta coisa bela de se ver e de se comer.
Aqui fica a minha sugestão para quem tenha putos esquisitos/para quem goste simplesmente de pratos saudáveis e saborosos, sendo que uma coisa não tem que excluir a outra :)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A Palavra de Honra

A nossa palavra é das coisas mais preciosas que temos. Esperem, a nossa palavra e o nosso bom nome.
Mas a nossa palavra e o nosso bom nome não nos são oferecidos por alguém, não saem numa rifa, não são gratuitos. A nossa palavra e o nosso bom nome somos nós que construímos, letra a letra, sílaba por sílaba, muitas vezes com dor, com decepção, com alicerces fundos e seguros que custam a erguer e que são as nossas atitudes. Só assim se consegue ser à prova de abalos e de dúvidas.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Casamento é uma Prova de Remo

Gostava de poder dizer que é fácil, cor de rosa e de outras tantas tonalidades fofinhas, mas a realidade é que um casamento depois da chegada dos filhos passa por caminhos duros, cheios de socalcos e descidas íngremes. Temos dias em que nos limitamos a remar, sem conversa desnecessária, sem romantismos, sem tempo para perder tempo, sem balelas, apenas palavras de ordem, como os remadores profissionais perfeitamente sincronizados.
Os nossos músculos dependem dos músculos do nosso parceiro e sabemos exactamente onde temos que exercer mais força e onde poderemos esperar a força dele. Se esta sincronia falha, tudo resvala e a velocidade perde-se. Ficamos à deriva.
Temos que saber entender que os primeiros tempos da paternidade são apenas isso, primeiros tempos e que muitos outros dias virão, cheios de nós enquanto casal e cheios de nós enquanto pais, sem exclusões.
Mas ao princípio é duro e não é tanto o amor que vence tudo, pois o amor também pode ser minado por tantas pequenas obrigações e rotinas, é a cumplicidade, é termos ali ao nosso lado alguém que rema connosco sem hesitar e que quando a noite cai e o silêncio apazigua o nosso corpo cansado, nos dá a mão sem pedir mais nada.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

18 de Janeiro de 2006:

O dia em que te vi pela primeira vez. Recordo cada minuto desse dezoito de Janeiro.
18 de Janeiro de 2011:
Mais um dia em que entendi que tudo brilha mais desde que entraste na minha vida.
O meu coração engordou desde que te conheci e engorda a cada sorriso, a cada conquista, a cada passo, a ponto de já não caber dentro do meu peito.
Parabéns meu amor, minha filha querida.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Cheiras bem, mas enjoas-te?

De há um par de anos para cá desenvolvi uma espécie de alergia cósmica a quase todos os perfumes. Adoro muitos deles no início, mas aí passado um mês já não os posso cheirar, por muito suaves que sejam.
Tento disfarçar a coisa borrifando o perfume para o ar e mergulhando sensualmente na nuvem, como se assim o cheiro ficasse mais esbatido, mas não resulta e lá passo eu o dia enjoada com o meu próprio cheiro, a pedir uma água de colónia de bebé ou coisa que o valha.
Há apenas uma excepção a tudo isto. Um perfume que está na minha vida desde sempre e que nunca passa de moda, que nunca me enjoa e ao qual recorro quando tudo o resto falha.
O seu frasco vintage (ahaha) e o seu odor a citrinos são bálsamos para as minhas narinas estafadas e eu agradeço que, apesar da passagem dos anos e dos milhões de perfumes que se inventaram (alguns com nomes de cantores pop, outros criados por actores e outros tantos pelo diabo que os carregue) este perfume tenha ficado.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Maridos Trambolhos

Apesar de o Hugo ser um bom companheiro de compras, não gosto particularmente de ir às lojas acompanhada, prefiro sempre uma incursão rápida e indolor a sós, pois regra geral sei bem o que quero e vou directa ao assunto, sem grandes carências de opiniões e bitates alheios, por isso incomoda-me um bocadinho os maridos trambolhos que reviram os olhos, bufam, rogam pragas em voz alta, vão para a porta da loja fazer pressing psicológico às gajas.
Como mulherio, expliquem-me como é que conseguem continuar a vossa incursão pela loja se levam um gajo assim atrás? Porque é que não o deixam em casa, ou no café mais próximo? Acaso sofrerão de masoquismo crónico?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Cavem-me Daqui P'ra Fora

Assistir a esta campanha presidencial e perceber que estes são os nossos candidatos a Presidentes da República, dá-me vontade de pegar numa pá e só parar de escavar quando tiver chegado à Suécia.
Um que não abria a boca enquanto Presidente, diz agora tudo o que nunca conseguiu dizer, numa verborreia verbal pejada de perdigotos e mandíbulas desossadas.
Outro com voz de velhota que definha depois de 345 avc's, diz que foi preciso coragem para um médico como ele largar tudo e abraçar este empreendimento.
Outro declama poesia, enquanto ataca e se defende de coisas chatas e cretinas.
Depois há outros de ar saloio e deprimente e que ainda não entendi bem se saíram do rancho folclórico, juntamente com a Maria CS, ou se são apenas assim para me chatearem.
Juro-vos que estas presidenciais só me dão vontade de clamar pela Monarquia. O D. Duarte perto destes senhores é um Rei.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Os Pontos Nos Meus I's

Que não se gostasse particularmente do Carlos Castro enquanto Cronista Social e figura pública é uma coisa, que se ache o crime perpetrado contra ele mais desculpável por ele ser homossexual e por o criminoso ser um -jovem -rapaz -de -Cantanhede-tão-querido-e-tímido-e-fofinho-e-ingénuo-e-desencaminhado-pelo-maricas-perverso é outra totalmente diferente.
Senhores houve um crime hediondo, com requintes de sadismo e perversidade que me enojam e arrepiam além do possível, mas sinto que a grande preocupação das gentes que falam do menino é esclarecer que ele não é gay e que é bom moço, fazendo passar a ideia de que o Carlos Castro é que o desencaminhou.
Mas afinal de contas quem é que foi morto e mutilado com um saca rolhas aqui? Foi o menino de Cantanhede? Ah pois, bem me parecia que não.
Ando fartinha do nosso povo, fartinha.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O Clube da Maternidade

E hoje que temos uma amiga prestes a conhecer a sua filha pela primeira vez, não consigo deixar de pensar como é avassaladora esta primeira entrada no clube da maternidade.
Não digo de forma alguma que nos transformemos em super pessoas como num passe de magia, mas digo que não existe rigorosamente nada na nossa vida que nos obrigue a ajustar tantos ponteiros, a engolir tantas certezas, a vacilar e andar em frente tantas vezes seguidas, a confiar nos nossos instintos, mesmo quando a razão nos grita o contrário. Não existe rigorosamente nada que se assemelhe aos sobressaltos cardíacos bons e maus que chegam com um filho, ao sentirmo-nos cheias e vazias quase ao mesmo tempo, ao querermos tudo e não conseguirmos metade.
Este clube é fodido e maravilhoso, grande e redutor, alto como uma montanha e tantas vezes razo como um vale. É definitivamente esquizofrénico, mas não trocava o meu cartão de sócia por nada do mundo.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A Pressão da Perfeição

Este ano sinto pela primeira vez A pressão, daquela que faz suar e é difícil de combater. Daquela pressão que nos faz vacilar e questionar aquilo que defendemos desde sempre. E de que falo eu? Perguntarão vocês já consumidos pela crescente curiosidade.
É simples, falo das festas de aniversário dos filhos.
Agora que a Alice está na escola e já foi convidada para 4 festinhas de aniversário, 3 das quais naqueles recintos com insufláveis, bolas de discoteca, actividades, temas e afins, aquelas em que a turminha toda é convidada, a pressão do aniversário dela chegou.
Não podemos dar-nos ao luxo de gastar uma pipa de massa em recintos para festas de miúdos e confesso que ter dezenas de crianças a gritar e a destruir a nossa casa é coisa para me tirar o sono durante um mês.
Vai daí decidi convidar apenas as meninas da turma da Alice. Mais civilizadas, fofinhas, cor de rosa e bem comportadas, contentar-se-ão com umas sandochas de pão de leite, bolo de chocolate, sumos e smarties (assim o espero).
Numa crise de afirmação e insegurança recorro ao meu próprio passado e lembro-me das festas de aniversário das minhas coleguinhas. Eram todas por nossa conta. Não havia mágicos, palhaços centenas de balões a decorar as divisões da casa. Não havia temas, nem brindes, nem pressão. Era apenas um aniversário, onde brincávamos no quarto da aniversariante, pulávamos em cima da cama, gritávamos, brincávamos às escondidas, à cabra cega e enfim, divertiamo-nos à brava. Depois bebíamos Tang, comiamos pão com queijo e fiambre e cantávamos os parabéns.
Tento manter isto dentro da minha frágil cachola e agarrar-me à ideia de que a minha filha não tem que fazer uma mega festa de aniversário para ser aceite, ou para ser feliz.
Agarrarmo-nos ao essencial nos dias que correm, em que tudo tem que ser espalhafatoso para ser perfeito, é das coisas mais difíceis da maternidade.
Como penitência para mim mesma:
Repetir cem vezes a frase - O amor não se mede em presentes, o amor não se mede em espalhafato - E esperar que as miúdas gostem de vir cá a casa para...Brincar.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Limpar o Rabo com Estilo

Sim, eu sei que o país está mergulhado em merda até ao pescoço. A economia cheira a dejectos, o nível de vida cheira a canos, a saúde está fétida, mas na minha mais do que humilde opinião, não é preciso começar a inovar demasiado na área do papel higiénico e faz-me espécie este novo fetiche por papel higiénico fashion.
É portanto neste estado de espírito que mergulho de cada vez que passo pelo quiosque da Renova em pleno centro comercial. O quiosque exibe rolos de papel das mais diversas cores, amarelos cor de burro quando foge, roxos-cardeal, rosa-erupção-cutânea e a mais intrigante de todas as cores (quando se fala em papel higiénico), o preto. Alguém consegue explicar-me como é que uma pessoa decide que já está bem limpa, quando passa uma folha preta pelo rabo?
Haverá realmente alguém em plena saúde mental disposto a gastar o cú e as calças num rolo de limpa-regos gourmet?
Parece que sim, se não o quiosque não se aguentava há já tantos meses...

sábado, 1 de janeiro de 2011

Do Zero

Lembro-me que no início de cada ano escolar as lojas e supermercados se enchiam de cadernos, dossiers, lápis com borracha na ponta, lapiseiras Pelikan, estojos cheios de gavetas e compartimentos secretos, papéis coloridos para forrar os livros e lembro-me que tinha vontade de começar do zero.
Aquelas folhas em branco dos cadernos, o estojo por estrear, o papel brilhante que forraria o livro de português, ou de matemática, a borracha bem cheirosa faziam-me sempre sonhar com o começo do ano lectivo e até tinha vontade do recomeço da escola.
Olhava o material novinho e pensava que naquele ano tudo seria diferente, estudaria com afinco desde a primeira lição, não teria negativas e seria o orgulho de toda a gente.
Aquilo era coisa para durar um mês inteirinho, até a preguiça e cabulice se instalarem no lugar do frescor dos primeiros dias.
Com o passar dos anos comecei a encarar o material novo sem qualquer expectativa que não a de passar de ano e a vontade de terminar as férias grandes para encarar mais um ano de escola foi sucumbindo à perda da ingenuidade.
Quando leio as decisões para o ano que aí vem, determinadas e audazes, confesso que tenho uma certa inveja (saudável) de não conseguir ser assim, de já não encher o peito de sonhos e o olhar de tudo o que desejo só porque o calendário muda.
Compreendo que continuo a ser a jovem cábula que apenas deseja os básicos.
Este ano, se tudo estiver saudável será um ano e tanto :)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

De 2011 nada sei

Mas em 2010 conheci o António e a nossa família ficou maior.
Por isso vim aqui despedir-me do ano em que nasceu o meu segundo filho.
Não faço balanços nem traço planos inalcançáveis, vou levando a vida à medida do que o meu olhar alcança ;)

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Resiliência

Em Engenharia esta palavra é usada para descrever a capacidade de um material sofrer tensão e recuperar o seu estado normal (roubada da Wikypédia claro).
Adaptada à psicologia significa a nossa capacidade de enfrentarmos adversidades sucessivas sem ficarmos disfuncionais. Ou seja, capacidade de adaptação.
Nestes últimos meses cheguei à conclusão que ando a perder a minha resiliência.
Não estou a conseguir voltar à superfície, não tenho oxigénio para permanecer submersa por muito mais tempo.
Bem sei que não são coisas graves e que bem posso levar com a realidade bem mais dura dos outros para me abrir os olhos, mas têm moído, moído, moído até deixarem um buraco bem fundo no meu peito. Daqueles onde a luz parece não chegar.
São noites mal dormidas, conjuntivites de propagação familiar (eu incluída), tosses, ranhos, dentes, viroses, febres, reacções alérgicas. Narinel, Kleenex, soro, aerossol, compressas, gotas nos olhos, no nariz, supositórios, colo, muito colo e eu perdi-me.
Quero ir buscar-me e não consigo.
Hoje estou rouca, dói-me a garganta e custa-me falar, mas não posso estar calada, nunca me escutam à primeira, nem à segunda e sinto-me chata, uma chata rouca.
Hoje sonhei que tinha feito voto de silêncio, como uma Carmelita perdida num convento e gostei da ideia.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O Rabicídio do Consumidor (ou como ser enrrabado na garantia)

Não, não estou chocada, nem um bocadinho, isto é apenas mais uma peripécia que em nada me surpreende no nosso país, onde os Direitos do Consumidor são ideias tão abstractas como um quadro em branco e onde as frases:
"Ah, é a primeira vez que temos uma reclamação"
"Tem que vir na embalagem original", mesmo que a embalagem se refira a uma máquina de lavar loiça.
"Oh, lamento muito, mas o seu telemóvel levou com humidade"
"Oh tenho muita pena, mas tem um risco de unha do mindinho na parte lateral esquerda noroeste por debaixo da bateria"
"Lamento, mas o produto não está nas mesmas condições originais, tem uma impressão digital"
"Passaram exactamente 30 segundos do final da garantia"
"Não devolvemos o dinheiro"
São o pão nosso de cada dia e onde é mais fácil accionar uma garantia na loja do chinês, do que numa empresa conhecida.
Querem um conselho?
Tentem sempre comprar em estabelecimentos dos nuestros hermanos (é triste, mas é verdade), como o Corte Inglês, é que eles, regra geral, não escrutinam o aparelho em busca de um risco imaginário, ou de sémen de gaivota no chip, limitam-se a recebê-lo e a aceitar a reclamação sem que tenhamos que perder 10 anos de vida para provar que o produto em questão quinou por conta própria e no final da odisseia levarmos com um processo em cima por termos ousado criticar os deuses do comércio justo.

domingo, 26 de dezembro de 2010

O Tempo Foge

Às vezes acho que quanto mais tempo se tem, menos se sabe geri-lo, organizá-lo, tirar partido dele. Maiores são as preocupações por coisas que não importam e menor é a capacidade de relativizar.
Se o tempo encurta aprendemos a esticar minutos em horas, fazer de dramas curtas metragens e das tragédias de vida pequenos socalcos no caminho e às vezes escapam-nos detalhes importantes.
O tempo é o que mais nos foge, o que não podemos resgatar lá atrás, o que não conseguimos travar, por isso gostava de um bocadinho mais de qualidade no meu tempo. Ando cheia de tempo nenhum e isso assusta-me à brava.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Queridas Mães

Que vejo amiúde nos shoppings-centrícos e que obrigam as crias em pranto a sentarem-se no colo de um Pai Natal duvidoso, só para tirarem uma fotografia:
Deixem-se disso.
É assim que se traumatizam putos. Eles não querem ir para o colo de um sujeito desconhecido numa superfície comercial. Eles não gostam de tirar fotografias aos gritos e com lágrimas a escorrer. Eles vão deixar de acreditar que o Pai Natal é um gajo porreiro e vão borrar-se sempre que ouvirem um sino.
Vá lá, deixem os vossos miúdos decidirem sozinhos se curtem o Pai Natal, ou se preferem ignorá-lo.
Se querem tanto uma fotografia com um desempregado desesperado que se veste de Pai Natal ao lado da Calzedónia, sentem-se vocês no colinho dele, sim?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Voando Sobre um Ninho de Cucos

A escola da Alice tem sido uma experiência muito interessante. Ela vai lá nos intervalos das viroses, depois volta e partilha com o resto da família, principalmente com o irmão que ela adora, o que lá contraiu.
Eu sabia que ia ser duro o primeiro Inverno escolar, mas nunca por nunca pensei que fosse tão duro tê-la virulenta com mais um bebé em casa.
Mães de 3, de 4, de 10 putos, como fosteis capaz de sobreviver?
Eu acho que só com uma grande dose de espírito "deixa andar, deixa passar, tudo se resolve" é que uma pessoa se mete a ter mais do que dois filhos.
Eu sou daquelas que se afunda em cada virose, tosse e fungadela e que está sempre a ver em cada olho brilhante a febre que espreita à porta. Ou seja, sou daquelas que é bem capaz de enlouquecer em breve.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

E Assim Acontece


Era vizinho do meu avô. Quando saiu um livrinho insignificante chamado A Vontade de Regresso, o meu avô sem nunca ter olhado para uma página do livro, foi com um exemplar ao seu estimado vizinho e passou-lhe para as mãos aquela capa com um quadro do Modigliani. Pediu-lhe apenas que lesse.
Passados uns dias chamavam-me para esse mítico programa Assim Acontece e lá fui eu, completamente idiotizada e sem palavras para uma entrevista sobre coisa nenhuma, porque sou muito mais despachada a escrever do que a falar.
Quando no final daquela conversa tirada a ferros lhe perguntei se me tinha chamado por ser conhecido do meu avô, respondeu-me que nada disso, que me tinha chamado pelo livro. Pousou-me uma mão sobre o ombro, enquanto nos encaminhámos para fora daquele minúsculo estúdio e deu-me os parabéns por ser uma jovem escritora. Eu dei-lhe os parabéns por aquele programa de sempre.
E senti-me grande, demasiado grande para aquilo que na realidade era. Uma jovem frustrada estudante de Direito, tímida e sem tiradas profundas.
Hoje quando soube da morte dele fiquei mais triste do que poderia supor, tal como fiquei estupidamente vazia quando aquele programa que nos acompanhava desde sempre terminou. Não que o visse religiosamente, não porque o achasse um programa acima da média, mas porque me confortava saber que um programa assim acontecia todos os dias.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Fúria do Açúcar

Lá nas plantações de açúcar estão neste momento centenas de exploradores do canavial agarrados à barriga de tanto rirem e agarrados às contas bancárias de tanto as terem enchido em poucos dias.
Basta alguém gritar:
Olha o açúcar vai limitar-se a dois pacotes por cabeça!!! Para milhões de tugas correrem como bois a entrarem na arena, em busca do maior número de pacotes possível desse bem essencial à diabete e à cárie.
Enfim, somos tristes.
Ainda se dissessem leite, agora açúcar senhores? Para que raio querem vocês tanto pacote de sacarose em casa? É a gula, a gula.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A Viagem de Regresso

A Paula Moura Pinheiro, jornalista que, sabe-se lá porquê, sempre me fez lembrar a Cleópatra e cujos programas sempre prenderam esta dispersa atenção de cada vez que passava por eles, escreveu um livro intitulado: A Viagem de Regresso.
Sempre que passo pelo livro na Fnac leio: A Vontade de Regresso.
Depois acordo e percebo que não sou parecida com a Cleópatra, nem me chamo Paula Moura Pinheiro. Depois volto a despertar e percebo que gosto à brava daquele título.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Menos Foguetes Por Favor

Não sou de foguetes, de barulheira, de gritos, de brindes, de superstições, de sorrisos amarelos, de euforia fingida.
Não sou de grandes noitadas, nem de espumante, não sou de festas cheias de malta.
Não sou militante de nada e fã de coisa nenhuma.
E há uma altura particular do ano em que tudo isto chega para me assombrar, para me dizer que sou um bicho do mato irascível e sem emenda possível. Essa altura responde pelo nome de passagem de ano.
Não me levem a mal os que gostam de a celebrar com passas, panelas, cadeiras e afins, mas o que eu gostava mesmo era de passar o ano a dormir, de preferência com tampões nos ouvidos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A minha caderneta de cromos

Hoje, enquanto procurava uma música do fundo do baú no Youtube à velocidade de um espirro, lembrei-me de quando ficava horas com o meu pequeno rádio portátil amarelo da Sony, à espera que passasse uma música que queria gravar no rádio. Fazia cassetes inteiras com este esquema e odiava quando os locutores decidiam começar a falar antes do final da música.
Havia umas músicas que eram tramadas de apanhar, mas quando conseguia finalmente esse prodígio, ouvia e ouvia e ouvia até à exaustão aquele som ronfanho, ao mesmo tempo que tentava apanhar as letras com um pequeno pedaço de papel e uma caneta, usando o pause e o Rewind as vezes que fossem necessárias até conseguir tê-la inteirinha ao meu alcance. Depois era só decorar a coisa e fazer grandes figuras em frente dos outros putos que só gemiam pedaços de refrão. Ora tomem lá a letra inteira e embrulhem!
Lembro-me que uma que custou particularmente a conseguir foi o Somebody dos Depeche Mode, que ficou para sempre adulterada pela vozinha que entoava: Cidade By Night, By Night, By Night.
Não trocava as novas tecnologias por nada, mas caraças, como sinto falta das noites passadas com o meu gravador amarelo a fazer cassetes atrás de cassetes.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Esclareçam-me uma mini-dúvida completamente idiota

Qual é a moda de começar os títulos dos posts com as palavras De, Das, Do, Dos?
Vem-me sempre à memória um livro da Isabel Allende intitulado: De Amor e de Sombra.
Agora vou ali sucumbir De sono e já volto.

10 meses


Meu querido bebé, hoje faz 10 meses que te vi pela primeira vez e desde então que te tenho a crescer ainda aqui dentro. Sinto-te mexer, dar pequenos pontapés e evoluir dia após dia, com uma intensidade sempre maior.
O que cresce dentro de mim não é já o teu pequeno corpo dependente do meu. O que cresce no meu peito é o amor que te tenho.
Nada chega de repente e o sentimento por um filho também se constroi e se acumula hora após hora e quando parece impossível gostar ainda mais, no dia seguinte sentimos que sim, que é mesmo possível e que temos uma reserva de espaço infinita apenas para vocês.
Amo-te António e não sei já viver sem o teu sorriso, sem o teu cheiro, sem o teu cabelo claro, os teus olhos de amêndoa, o teu sorriso de dois dentes, a tua doçura que se espalha a todos aqui em casa.
É bom ter-te nas nossas vidas :)

De Volta ao Passado


Frio, demasiado frio. Andámos horas às voltas até encontrarmos lugar para estacionar e muito em cima da hora entrámos na Praça de Touros a tiritar e sem grande capacidade de raciocínio. Olhei à volta e vi pessoas mais ou menos da minha idade. Praticamente não havia putos. Pensei que estava velha e entorpecida.
Depois as luzes do palco acendem-se e aquele frémito que só chega com as grandes emoções começa a tomar conta da ponta dos meus dedos, aquecendo-os. A voz do Tim Booth ecoa o All Sit Down e vemo-lo no palco, sentado, demasiado estático de gorro na cabeça, foram precisos alguns minutos até percebermos que o verdadeiro Tim estava entre as pessoas na bancada e ia descendo, como se fizesse parte do público, até toda a gente descobrir a ilusão e gritar como se costuma gritar nestas emoções que só a música traz.
Regressei ao princípio dos anos 90 e percebi que ainda sabia algumas letras de cor, percebi que queria pular, gritar, fazer figuras de fã e fiz tudo a que tinha direito. Voei até aos meus 17 anos, sonhei que o Tim Booth me via no meio da multidão e fixava o meu olhar (quase posso jurar que sim) e foda-se, fui feliz.
Não há rigorosamente nada que se compare à união que sentem os que partilham a mesma música e ontem não foi diferente.
O concerto terminou com chave de ouro, quando várias pessoas da plateia foram puxadas para o palco e para o lado dele, cantando, dançando, enlouquecendo de alegria ao som de Laid e caraças, fiquei a gostar tudo outra vez e ainda mais de James e do seu vocalista maradamente maravilhoso e acessível.
Tim Booth se me lês, eu sei que ontem olhaste fixamente para mim e não vale a pena negares.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

All Sit Down! Sim, a Anacê senta e se calhar até dorme

Diz que aqui este casalinho vai ver James.
Sairmos os dois sem filhos a reboque não acontece há uns bons 6 meses. Não sei se me enrosque no banquinho da praça de touros do Campo Pequeno e durma ao som do Tim Booth, não sei se cante com os braços em modo limpa-pára-brisas até que a voz me doa.
Vou reflectir. Seja como for sair do carro sem ter que tirar criançada e cadeirinhas e saquinhos será um fenómeno paranormal para a minha pessoa.
Por isso rezem para que nenhum imprevisto aconteça e para que possa re-ouvir um dos grupos mais marcantes da minha rica juventude sem desmaiar em êxtase.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Para as Pessoas Corajosas que Conheço

Há decisões que parecem reflexo de alguma fraqueza, mas que na realidade demonstram uma grande força interior.
Há gestos que podem parecer uma fuga, mas que na verdade são um enorme pontapé na inércia.
As pessoas de dentro não entendem assim, julgam-se em demasia, medem-se em excesso e culpam-se quando não há culpas a tirar. Mas as de fora têm o distanciamento necessário para afirmar com todas as letras que vos gabam a coragem.
Não se julguem tanto, não pesem tanto cada pequeno gesto. Deixem-se amparar, encostem-se a quem amam e quando vos disserem que fizeram a coisa certa, acreditem.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

À beira da televisão, sentei, vi e chorei



Caramba, com a idade fico cada vez mais lamechas. Tentei esconder a lágrima no canto do olho, juro que tentei e acho que fui bem sucedida. Nem a Alice, nem o Hugo perceberam que chorei no final.
E aqui me têm, completamente patética e completamente apaixonada pelo Toy Story 3.